Poder legislativo- Batista
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Poder legislativo- Batista


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Poder legislativo
O poder legislativo em âmbito federal é bicameral. É necessário, portanto, entender a razão de ser desse bicameralismo e suas consequências. Diz-se que esse bicameralismo é necessário já que a Câmara dos Deputados representa o povo e o Senado representa as unidades da federação. Essa afirmação é correta, mas é apenas o começo da explicação do bicameralismo. 
Há um segundo aspecto que também diferencia as duas casas: ao analisarmos o art. 14 da nossa constituição, vemos que, ao falarmos de direitos políticos, há as condições de elegibilidade. Uma delas é a condição etária. A idade mínima do deputado federal é de 21 anos, enquanto que a do senador é de 35. Além disso, o mandato do deputado federal é de quatro anos, enquanto que o de um senador é de oito. A partir disso, vemos que a Câmara dos Deputados tem todas as suas cadeiras colocadas em disputa a cada legislatura. Diferentemente da Câmara, o Senado passa por renovações parciais (1/3 e 2/3, alternadamente, a cada quatro anos). 
Vemos que, além de ser a casa garantidora da federação ao representar as unidades federativas, o Senado é também, em tese, a casa mais conservadora no Congresso Nacional. A Câmara, por sua vez, é a casa representativa do povo e teoricamente mais progressista. Nosso bicameralismo tem um fundamento duplo: povo e federação; postura progressista e postura conservadora.
Este é o aspecto formal e deve ser conhecido, mas é necessário que se faça uma análise da ciência política brasileira. Como a nossa política é partidária, raramente veremos um projeto de lei ser aprovado em uma das casas e não ser aprovado na outra. Partidos da Câmara reaparecem no Senado. Em termos políticos, uma casa não destoa da outra. Além disso, vemos que o Senado tem muito mais prestígio que a Câmara dos Deputados.
Passada essa análise política, devemos saber qual casa será a primeira a analisar um projeto de lei. Quando a iniciativa é de um deputado federal ou de comissão da Câmara, a primeira casa a analisar será a Câmara dos Deputados. Quando a iniciativa é de um senador ou de comissão do Senado, a primeira casa a analisar o projeto de lei será o Senado. Mas e se a iniciativa for extra-parlamentar? Por ser a casa mais progressista, a primeira casa a analisar projetos de lei extra-parlamentares será a Câmara.
A coisa muda de figura quando temos em foco os projetos de emenda. As Assembleias Legislativas são legitimadas para propor emendas à Constituição, por exemplo. É, portanto, uma iniciativa extra-parlamentar. Porém, a primeira análise não é da Câmara, mas sim do Senado. Esta não é apenas uma iniciativa progressista, mas também uma iniciativa das unidades da federação. Como o Senado é a casa representativa das unidades da federação, cabe a ele a análise de projetos de emenda propostos pelas Assembleias Legislativas.
Muitos defendem a abolição do Senado já que vemos nele uma enorme concentração de poder. Porém, há quem entenda que isso é tendente a abolir a federação. Como o Senado é a representação das unidades da federação, vemos nele a manutenção da isonomia entre estes. Todas as unidades da federação têm o mesmo número de senadores e, por isso, têm força igual nessa casa do Congresso. A extinção do Senado seria tendente a abolir a federação já que acabaria com a isonomia entre as unidades da federativas.
Sobre a ADI proposta pelo governador do Rio Grande do Sul, é necessário que entendamos que o poder constituído não pode rever os postulados do poder constituinte originário (entendimento do STF). Apesar de ter grande valor teórico e filosófico, a tese de Otto Bachoff não se aplica ao Brasil. Para melhor entendermos essa tese, é necessário que saibamos o contexto histórico no qual ela surgiu. Bachoff vivia na Alemanha pós-nazismo e acreditava que mesmo o poder constituinte originário precisava de uma limitação. De acordo com o entendimento do Berthier, as teses de Bachoff seriam aplicadas ao art. 33 da ADCT.
Voltando à análise do poder legislativo, vemos que a primeira coisa que vem à mente é a sua atividade preponderante, que é legislar. Porém, precisamos ter a consciência de que, como representante do povo, o parlamentar é também um fiscal das atividades do Estado. Essa atividade de fiscalização fica muito clara quando pensamos nas comissões parlamentares de inquérito. O Tribunal de Contas é outro exemplo de órgão legislativo que exerce a função de fiscalização. Assim, chegamos a uma síntese das atribuições do poder legislativo. 
O art. 59, CRFB/88, dispõe sobre o processo legislativo. O inciso V do referido artigo faz referência às medidas provisórias. Nós sabemos que estas fazem parte do rol de atribuições do Presidente da República, mas como a redação do caput se refere ao processo legislativo, elas devem ser incluídas. Quando se fala em processo, se fala em atos interligados e, como se sabe, a transformação de uma medida provisória em lei passa pela apreciação do poder legislativo. Portanto, o inciso V é muito bem colocado.
O art. 60, CRFB/88, prevê como é o processo de aprovação de uma emenda constitucional. Em primeiro lugar, devemos saber que não existe projeto de emenda, mas sim proposta de emenda. É desse modo que o processo é descrito na Constituição e é desse modo que nós devemos reproduzir seu texto. Em segundo lugar, devemos ter atenção aos legitimados para propor emendas. Além daqueles arrolados pelo art. 60, autores como José Afonso da Silva defendem que pode haver proposta de emenda por iniciativa popular nos moldes no art. 61. Tais autores embasam essa tese no art. 1º da Constituição que determina que todo poder emana do povo.
Diferentemente do processo de aprovação de uma lei ordinária ou complementar, ao estudarmos o processo de aprovação de uma proposta de emenda, vemos que há isonomia entre as casas do Congresso. Neste, quando o texto da proposta de emenda é aprovado por uma das casas do Congresso, passará pela aprovação da outra. Sendo reprovado e modificado na segunda, volta para a primeira. Modificado novamente na primeira, volta para a segunda e assim sucessivamente. 
No processo de aprovação de leis ordinárias e complementares, a primeira casa a analisar o projeto terá preponderância sobre a segunda. Se o texto do projeto de lei é aprovado na primeira casa, mas sofre modificações na segunda, voltará para a primeira que tomará a decisão definitiva.