DJi - Legítima Defesa
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DJi - Legítima Defesa


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o agente começa a se exceder, pensando ainda estar sob o
influxo do ataque. Na sua mente, ele ainda está defendendo-se, porque a
agressão ainda não cessou, mas, objetivamente, já deixou a posição de
defesa e passou ao ataque, legitimando daí a repulsa por parte de seu
agressor. Exemplo: "A" sofre um ataque de "B" e começa a se defender.
Após dominar completamente seu agressor, pensa que ainda há perigo e
prossegue, desnecessariamente, passando à condição de ofensor. Nesse
instante, começa o excesso e termina a situação de defesa, que agora só
existe na imaginação de "A". Cabe, então, legítima defesa real por parte de
"B" contra essa intensificação de "A". Evidente que é uma situação
puramente teórica. Na prática, aquele que deu causa aos acontecimentos
jamais poderá invocar a legítima defesa, mesmo contra o excesso, cabendo-
lhe dominar a outra parte, sem provocar-lhe qualquer outro dano. É o caso,
por exemplo, de um estuprador que, levando a pior, começa a ser
esfaqueado pela moça que atacara. Seria um contra-senso que,
defendendo-se das facadas desferidas em excesso, pudesse matar a vítima,
que há pouco tentara subjugar, em legítima defesa. No caso, ou a desarma
sem infligir-lhe qualquer novo mal, ou responde pelo que vier a acontecer à
ofendida.
f) Legítima defesa putativa contra legítima defesa real: como se trata de
causa putativa, nada impede tal situação. O fato será ilícito, pois
objetivamente injusto, mas, dependendo do erro que levou à equivocada
suposição, poderá haver exclusão de dolo e culpa (quando houver erro de
tipo escusável). Essa hipótese somente é possível na legítima defesa putativa
de terceiro. Exemplo: "A" presencia seu amigo brigando e, para defendê-lo,
agride seu oponente. Ledo engano: o amigo era o agressor, e o terceiro
Condicional
Lugar do Crime
Medida de
Segurança
Moderamen
inculpatae tutela
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Pena de Multa
Potencial
Consciência da
Ilicitude
Prescrição
Princípio da
Legalidade
Pronúncia,
impronúncia e
absolvição sumária
Reabilitação
Reincidência
Requisito
Resultado
Sanção Penal
Suspensão
Condicional da
Pena
Tempo do Crime e
Conflito Aparente
de Normas
Tentativa
Teoria do Crime
Tipicidade
Tipo Penal nos
Crimes Culposos
Tipo Penal nos
Crimes Dolosos
agredido apenas se defendia.
g) Legítima defesa real contra legítima defesa culposa: não importa a postura
subjetiva do agente em relação ao fato, mas tão-somente a injustiça objetiva
da agressão. É o caso, por exemplo, da legítima defesa real contra a legítima
defesa putativa por erro de tipo evitável. Exemplo: "A", confundindo "B"
com um seu desafeto e sem qualquer cuidado em certificar-se disso, efetua
diversos disparos em sua direção. Há uma agressão injusta decorrente de
culpa na apreciação da situação de fato. Contra esse ataque culposo cabe
legítima defesa real.
Hipóteses de não-cabimento da legítima defesa: são quatro:
a) legítima defesa real contra legítima defesa real;
b) legítima defesa real contra estado de necessidade real;
c) legítima defesa real contra exercício regular de direito;
d) legítima defesa real contra estrito cumprimento do dever legal. É que em
nenhuma dessas hipóteses havia agressão injusta.
Agressão atual ou iminente
a) Atual: é a que está ocorrendo, ou seja, o efetivo ataque já em curso no
momento da reação defensiva. No crime permanente, a defesa é possível a
qualquer momento, uma vez que a conduta se protrai no tempo,
renovandose a todo instante a sua atualidade. Exemplo: defende-se
legitimamente a vítima de seqüestro, embora já esteja privada da liberdade
há algum tempo, pois existe agressão enquanto durar essa situação. Para ser
admitida, a repulsa deve ser imediata, isto é, logo após ou durante a
agressão atual.
b) Iminente: é a que está prestes a ocorrer. Nesse caso, a lesão ainda não
começou a ser produzida, mas deve iniciar a qualquer momento. Admite-se
a repulsa desde logo, pois ninguém está obrigado a esperar até que seja
atingido por um golpe (nemo expectare tenetur donec percutietur).
c) Agressão futura: se a agressão é futura, inexiste legítima defesa.
Não pode, portanto, argüir a excludente aquele que mata a vítima porque
esta ameaçou-lhe de morte (mal futuro).
d) Agressão passada: não haverá legítima defesa, mas vingança. Agressão a
direito próprio ou de terceiro: conforme o caso teremos:
a) legítima defesa própria: defesa de direito próprio;
b) legítima defesa de terceiro: defesa de direito alheio.
Qualquer direito, isto é, bem tutelado pelo ordenamento jurídico, admite a
legítima defesa, desde que, é claro, haja proporcionalidade entre a lesão e a
repulsa. Na legítima defesa de terceiro, a conduta pode dirigir-se contra o
próprio terceiro defendido. Nesse caso, o agredido é, ao mesmo tempo, o
defendido. Exemplo: alguém bate no suicida para impedir que ponha fim à
própria vida.
Legítima defesa da honra: em princípio, todos os direitos são suscetíveis de
legítima defesa, tais como a vida, a liberdade, a integridade física, o
patrimônio, a honra etc., bastando que esteja tutelado pela ordem jurídica.
Dessa forma, o que se discute não é a possibilidade da legítima defesa da
honra e sim a proporcionalidade entre a ofensa e a intensidade da repulsa.
Nessa medida, não poderá, por exemplo, o ofendido, em defesa da honra,
matar o agressor, ante a manifesta ausência de moderação. No caso de
adultério, nada justifica a supressão da vida do cônjuge adúltero, não apenas
pela falta de moderação, mas também devido ao fato de que a honra é um
atributo de ordem personalíssima, não podendo ser considerada ultrajada
por um ato imputável a terceiro, mesmo que este seja a esposa ou o marido
do adúltero (Nesse sentido: STJ, 6ª T., RE 1.517-PR, DJU, 15-4-1991, p.
4309.).
Meios necessários: são os menos lesivos colocados à disposição do agente
no momento em que sofre a agressão. Exemplo: se o sujeito tem um pedaço
de pau a seu alcance e com ele pode tranqüilamente conter a agressão, o
emprego de arma de fogo revela-se desnecessário.
Há quem sustente que a proporcionalidade entre repulsa e agressão é
imprescindível para a existência do meio necessário. Nesse sentido, Assis
Toledo: "São necessários os meios reputados eficazes e suficientes para
repelir a agressão. Assim, quando a diferença de porte dos contendores
revelar que a força física do agredido era ineficaz para afastar a ameaça do
espancamento, o emprego da arma poderá ser um meio necessário, se de
outro recurso menos lesivo e também eficaz não dispuser o agredido. O
Supremo Tribunal Federal já decidiu que o modo de repelir a agressão,
também, pode influir decisivamente na caracterização do elemento em
exame. Assim, o emprego de arma de fogo, não para matar, mas para ferir
ou amedrontar, pode ser considerado meio menos lesivo e, portanto,
necessário ... Considere-se o exemplo do paralítico, preso a uma cadeira de
rodas, que, não dispondo de qualquer outro recurso para defender-se, fere
a tiros quem lhe tenta furtar umas frutas. Pode ter usado dos meios, para ele,
necessários mas não exerceu uma defesa realmente necessária, diante da
enorme desproporção existente entre a ação agressiva e a reação defensiva"
(Princípios básicos, cit., p. 201 e 203.).
Não é nosso entendimento. A necessidade do meio não guarda relação com
a forma com que é empregado. Interessa apenas saber se o instrumento era
o menos lesivo colocado à disposição do agente no momento da agressão.
No exemplo do paralítico, entendemos que a arma era o único meio possível
para conter o furto, diante da impossibilidade de locomoção do granjeiro,
devendo, portanto, ser considerada meio necessário. A maneira com que foi
utilizada essa arma (para matar, ferir ou assustar) diz respeito à moderação e
não à necessidade do meio. Assim, se a arma foi empregada para matar o
ladrão, a legítima defesa estará descaracterizada, não porque o meio foi
desnecessário, mas porque a conduta foi imoderada, caracterizando o
excesso.
Desnecessidade do meio: caracteriza o excesso