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DJi - Legítima Defesa

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agente
deve pautar sua conduta com base nos princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade, sopesando a gravidade da agressão e da reação,
escolhendo sempre o meio menos gravoso para reprimir o ataque sofrido.
(Nelson Hungria, Rogério Greco).
Todavia, esse entendimento, nesses termos, parece não ser o mais
adequado. Parece pouco plausível exigir de um cidadão, que se encontra
sofrendo uma agressão injusta, atual ou iminente, em um bem jurídico
importante (senão não seria tutelado pela norma penal), que pare, pense,
coloque a situação em uma balança, e decida a sua defesa com base em
parâmetros de proporcionalidade. A legítima defesa é uma reação natural, é
um instinto, e por isso a exigência de proporcionalidade é incompatível com
o instituto (Cerezo Mir).
O que deve se exigir, sem dúvida, é a existência de um mínimo de
proporcionalidade, o que é bastante diferente da exigência de
proporcionalidade integral, e apenas em casos em que for patente o abuso
do direito à legítima defesa. Isso porque o direito à legítima defesa não é
absoluto, devendo encontrar limites na proibição geral do abuso de direito
(Wessels). O se deve evitar é uma desproporcionalidade evidente,
manifesta, flagrante, o que não se confunde com a exigência de
proporcionalidade integral.
Diante do exposto, essa Coordenadoria se filia à segunda corrente, que
entende que meio necessário é aquele que o agente dispõe no momento em
que rechaça a agressão, podendo ser até mesmo desproporcional com o
utilizado no ataque, desde que seja o único à sua disposição no momento
(Mirabete e Bittencourt). Se não houver outros meios, pode ser considerado
necessário o único meio disponível, desde que a desproporcionalidade não
seja veemente.
2.4. Moderação
Na definição do mestre Assis Toledo, a moderação perdura enquanto durar
a agressão. O momento em que o agente faz cessar a agressão contra ele
praticada deve ser considerado como o marco para se auferir se a reação
foi ou não moderada. A pode desferir quantos disparos forem necessários
para fazer cessar a agressão de B. Cessada a agressão, deve cessar a
reação.
Se o agente continua reagindo, apesar de já cessada a agressão, tem-se uma
hipótese de excesso na legítima defesa, de abuso de direito do se defender,
assunto que será deixado para um outro curso.
2.5. Direito Próprio ou de Terceiro
Para a maioria da doutrina, todo bem jurídico pode ser legitimamente
defendido, desde que, para tanto, os meios necessários sejam usados de
forma moderada (Zaffaroni e Pierangeli). Permite-se, ainda, que direitos de
terceiro sejam legitimamente defendidos pelo agente.
Interessante, porém, a questão inerente à legítima defesa da honra. Pode o
cônjuge reagir contra uma traição, contra essa agressão à sua honra?
Como já se expôs, atualmente, a doutrina admite a defesa de qualquer
interesse juridicamente protegido, a vida, a liberdade, o corpo, e também a
honra. Logo, a princípio, não há qualquer óbice.
Entretanto, em um passado não tão longínquo, parte da doutrina sustentava
que essa hipótese de legítima defesa não seria possível, vez que a honra
maculada, no caso, seria a do cônjuge adúltero, e não a do traído. Contudo,
essa posição idealista vem há muito caindo por terra, porque a sociedade
enxerga o traído como o frouxo, como o trouxa, principalmente quando o
mesmo não reage no momento do flagrante. Por isso, não há como negar
que o flagrante adultério mancha a honra do cônjuge traído.
Todavia, isso não implica que o cônjuge traído possa matar o cônjuge
traidor. Existe, nessa hipótese, uma flagrante desproporção entre a ofensa e
a reação, entre a agressão e os meios utilizados. Logo, o cônjuge traído
poderia, por exemplo, expulsar com violência o amante da esposa ou do
marido, que não haveria o crime de lesões corporais, visto estar o mesmo
agindo amparado pela excludente de ilicitude da legitima defesa. Contudo,
não poderia matar nenhum dos dois, pois que agiria em patente abuso de
direito."
Capez, Fernando, Curso de Direto Penal, parte geral, vol. 1, Saraiva,
10ª ed., 2006
Reale Junior, Miguel, Novos rumos do sistema criminal, Rio de Janeiro,
Forense, 1983.
Capez, Fernando, Curso de Direto Penal, parte geral, vol. 1, Saraiva,
10ª ed., 2006
Mirabete, Júlio Fabbrini, Manual de Direito Penal, São Paulo, Atlas, 4ª
ed., 1989
Mirabete, Júlio Fabbrini, Processo Penal, São Paulo, Atlas, 1991.
http://jurisway.com.br/
(Revista Realizada por Suelen Anderson - Acadêmica em Ciências
Jurídicas - 26 de novembro de 2009)
Jurisprudência Relacionada:
- Legítima defesa. Homicídio. Disparos de arma de fogo contra quem, na
véspera, agredira o agente. Ameaça de morte feita a ele na ocasião do
evento. Absolvição sumária mantida. Inteligência dos arts. 25 do CP e 411
do CPP. Mais que uma faculdade, é um dever do juiz absolver o réu na fase
da pronúncia, pelo reconhecimento da legítima defesa, quando a prova é
cristalina, indiscutível e perfeita nos autos acerca da excludente (Rec.-crime
38.326-3, Santos, 1ª Câm., TJSP, RT 605-303).
- Uso de Algemas - Restrições - Responsabilidades dos Agentes das
Autoridades e do Estado - Nulidades - Súmula Vinculante nº 11 - STF
Crime
Agravação pelo resultado - Arrependimento posterior - Coação irresistível e
obediência hierárquica - Crime consumado - Crime culposo - Crime doloso
- Crime impossível - Descriminantes putativas - Desistência voluntária e
arrependimento eficaz - Erro determinado por terceiro - Erro sobre a
ilicitude do fato - Erro sobre a pessoa - Erro sobre elementos do tipo -
Estado de necessidade - Excesso punível - Exclusão de ilicitude - Pena de
tentativa - Relação de causalidade - Relevância da omissão -
Superveniência de causa independente - Tentativa
Ação Penal - Aplicação da Lei Penal - Concurso de Pessoas - Crimes
contra a administração pública - Crimes contra a existência, a segurança e a
integridade do Estado - Crimes Contra a Família - Crimes contra a fé
pública - Crimes Contra a Incolumidade Pública - Crimes Contra a
Organização do Trabalho - Crimes Contra a Paz Pública - Crimes Contra a
Pessoa - Crimes Contra a Propriedade Imaterial - Crimes Contra o
Patrimônio - Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos
mortos - Crimes Contra os Costumes - Extinção da Punibilidade -
Imputabilidade Penal - Medidas de Segurança - Penas
[Direito Criminal] [Direito Penal]
Normas Relacionadas:
Art. 25, Legítima Defesa - Crime - Código Penal - CP - L-002.848-
1940
Art. 44, Legítima Defesa - Crime - Código Penal Militar - CPM -
DL-001.001-1969
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