Responsabilização do governador do estado ou do DF- Batista
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Responsabilização do governador do estado ou do DF- Batista


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Responsabilização do governador do estado ou do DF
O entendimento sobre o procedimento para processar e julgar os governadores era de que seria necessária a autorização das assembleias legislativas dos estados ou da câmara legislativa do DF. Isso ocorria porque o STJ, enquanto órgão da União, processando e julgando os governadores das unidades da federação, estaria fazendo uma intervenção federal. Essa tese foi modificada no caso Arruda, quando foi vista uma grande aproximação entre o chefe do executivo e o poder legislativo estaduais. Devemos saber como era o entendimento anterior e como ocorreu o processo no caso Arruda porque uma única decisão do STJ em um caso cheio de peculiaridades não é capaz de modificar a doutrina e a jurisprudência pacíficas.
Esses procedimentos são para infrações penais comuns. A CF é omissa nas hipóteses de crimes de reponsabilidade. De acordo com o art. 11, ADCT, os estados teriam um ano para fazer as suas constituições estaduais. 25 das 27 unidades da federação determinaram que as assembleias legislativas dos estados e a câmara legislativa do DF fariam o juízo de admissibilidade e deveriam aprovar a denúncia com um quórum de 2/3. Apenas duas constituições fizeram diferente: o estado de SP determinou que a ALESP deveria fazer o juízo de admissibilidade. Se fosse admitida, a denúncia seria julgada por um tribunal formado por sete deputados estaduais da ALESP e sete desembargadores do TJSP, todos sorteados. Hoje, esse dispositivo sofre uma ADIn porque isso seria um tribunal de exceção.
O estado do MS preferiu não tratar do assunto em sua constituição estadual. Levando em conta que os crimes de responsabilidade são de matéria penal e processual penal, a constituição estadual determinou que uma lei federal deveria regular o assunto. A lei que fala de crimes de responsabilidade é a lei 1.079/50, em seu art. 78. Este determina que um tribunal deve ser montado com cinco desembargadores sorteados e cinco deputados estaduais eleitos por seus colegas. Isso faz com que seja montado um tribunal de exceção muito pior do que aquele que sofre a ADIn. Os deputados seriam eleitos a partir de um critério de pré-julgamento. 
Para Berthier, diferentemente do que entende o Supremo, esse dispositivo não foi recepcionado pela constituição de 88. O Supremo, em um caso sobre a constituição de SC, já se pronunciou sobre o assunto dizendo que certa está a constituição sul-matogrossense, já que esta entende que essa matéria é penal e processual penal e, portanto, quem faz leis sobre isso é a União (art. 22, I). Além disso, disse que já existe a lei federal que abrange o assunto e esta é a lei 1.079/50, em seu art. 78.
Responsabilização dos prefeitos
Em termos de responsabilização, o princípio da simetria não é respeitado. O presidente é mais protegido do que governadores e o mesmo acontece em relação aos prefeitos. Além disso, devemos levar em conta o art. 29, X. Tal artigo determina que os tribunais de justiça dos estados deverão julgar os prefeitos já que são a segunda instância da justiça comum. Há aí um problema já que os crimes eleitorais, por exemplo, não são apreciados pela justiça comum. Sobre isso, o Supremo determinou que os prefeitos sempre serão julgados pela segunda instância da justiça competente para conhecer determinado tipo de crime.
Os crimes de responsabilidade cometidos pelos prefeitos, por sua vez, estão arrolados no decreto lei 201/67. Vemos, portanto, que a lei nº 1.079/50 não se aplica a prefeitos. O referido decreto diferencia crimes que serão julgados pelas câmaras municipais e pelos tribunais de justiça. Os primeiros são os crimes de responsabilidade próprios, ou seja, são crimes que merecem um julgamento político. Aqueles julgados pelos tribunais de justiça são crimes de responsabilidade impróprios.
Substituição dos chefes do poder executivo
Para começarmos a abordar esse assunto, devemos saber a diferença entre um substituto e um secessor. Um substituto do presidente da república não ocupa o cargo, mas sim exerce as funções deste. Em regra, durante os períodos de repouso e de licença médica do presidente, quem será o seu substituto será o vice-presidente (art. 79). Este é o seu primeiro substituto e único sucessor. A sucessão ocorrerá quando o cargo ficar vago durante o mandato. Ao assumir como sucessor, passa a ser o próprio presidente do país, e não alguém que exerce as suas funções.
O vice é o único sucessor, mas não o único substituto. Na ausência do presidente e do vice durante certo período de tempo, assumirá, nesta ordem, o presidente da câmara, o presidente do senado e, por fim, o presidente do STF (art. 80). Como estas são autoridades de outros poderes, elas não poderão se manter nos cargos de presidente ou vice. Se os dois cargos ficam vagos, será necessário que se faça novas eleições. A forma dessas eleições variará de acordo com a determina o art. 81. Se faltam menos de dois anos para acabar o período presidencial, haverá um prazo de 30 dias a contar da abertura da segunda vaga para que se organize uma eleição indireta a fim de escolher aqueles que completarão aquele mandato já iniciado (art. 81, §2º). Se a vaga ocorrer na primeira metade do período presidencial, o prazo será de 90 dias para que se organize eleições diretas.
Para as hipóteses de substituição de governadores, a lógica é a mesma, mas há um número menor de substitutos. Enquanto que o presidente tem como substitutos o seu vice, os chefes das duas casas do congresso e o presidente do maior órgão do judiciário federal, os governadores dos estados só têm seu vice, o deputado estadual que é presidente da assembleia legislativa e o desembargador que preside o TJ daquele estado. Como os municípios não têm poder judiciário, a lógica se mantém, mas é necessário que se estabeleça mais um substituto, porque dois é um número muito restrito. Nesses casos, os substitutos são o vice-prefeito, o vereador que preside a câmara municipal e o vereador que vice-preside a câmara municipal. Não há poder judiciário do DF e territórios, apenas o judiciário controlado pela União e atuante no DF e territórios. Com isso, os substitutos para o governador do DF e territórios são o vice-governador, o deputado distrital que preside a câmara legislativa e o deputado distrital que vice-preside a câmara legislativa. Se o terceiro substituto fosse o desembargador do TJDFT, estaríamos estabelecendo, em linha transversa, uma intervenção federal.