CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1
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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1


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CODIGO DO PROCESSO 
IMPERIO DO BRASIL 
I 
 CODÍGO DO PROCESSO 
DO 
IMPERIO DO BRASIL 
 
TODAS AS MAIS LEIS QUE POSTERIORMENTE 
FORÃO PROMULGADAS, E BEM ASSIM TODOS OS DECRETOS 
EXPEDIDOS PELO PODER EXECUTIVO, RELATIVAMENTE 
AS MESMAS LEIS, TENDO EM NOTAS 
 TODOS OS AVISOS QUE ESTENDEM COM A MATERIA 
DO TEXTO E TAMBEM OS ACCORDÃOS DO SUPREMO. TRIBUNAL 
 E DAS RELAÇÕES DO IMPÉRIO, QUE EXPLICÃO 
A DOUTRINA DAS DIVERSAS LEIS E REGULAMENTOS E 
ENSINÃO A MELHOR PRATICA, 
 
ARAUJO FILGUEIRA 
JUNIOR 
BACHAREL EM DIREITO 
TOMO I RIO 
DE JANEIRO 
 Em casa dos Editores-Proprietarios 
EDUARDO &HENRIQUE LAEMMERT 
66 , líua do Ouvidor , (56 , 
 1874 
É esta a primeira parte de um trabalho 
que emprehendí, e que por motivos espe-
ciaes, os honrados editores Srs. E. & H. 
Laemmert só agora puderSo publicar. 
Entregue o manuscripto aos mesmos 
editores, antes da segunda parte, o Código 
Criminal, no qual varias referencias fiz ás 
notas destes tres volumes que agora 
apparecem, não pôde, entretanto, a sua 
publicação ter a devida precedencia. 
Este trabalho foi concluído em Janeiro 
do anno passado; e , pois, claro que não 
V 
podem fazer parte de suas notas senão os 
actos expedidos até então. 
O plano aqui seguido é o mesmo que o 
do Codigo Criminal. 
Forâo elementos das notas postas nestes 
tres volumes odos os actos dos Poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciario que 
trouxerão alteração ou derão interpretação 
ás diversas disposições das leis que fórmão 
o texto. 
Entendi conveniente reunir a esta edição 
diversos regulamentos e disposições de leis 
que, de incontestavel utilidade para os que 
habitualmente consultão trabalhos desta 
ordem, a muitos é ne emtanto difficil 
recorrer a elles, por se acharem esparsos 
em a nossa collecção de leis tão volumosa 
e já de tal custo que nem todos podem 
possui-la. Assim, formei um ap~ pendice, 
que completei com o extracto e 
transcripção de alguns avisos e com o theor 
inteiro da ultima lei da reforma 
Vtt 
judiciaria e dos decretos consequentes, 
expedido» até a data já declarada. 
O acolhimento que tem merecido o 
Código Criminal alenta-me a esperança de 
que não será menos favorecido este outro 
trabalho, e faz-me crer em que não andei 
mal avisado em pretender prestar um 
pequeno serviço a quem delle precisar. 
Em anneso aos três volumes, e for-
mando um outro, reproduzi com toda a 
fidelidade os modelos a que se refere o 
regulamento da Estatística. 
Pareceu-me ser isto de grande vanta-
gem, attendendo a que hoje dificilmente se 
obteem taes modelos, os quaes na em-
tanto são imprescindíveis para todos os 
presidentes de tribunal, magistrados de Ia 
instancia, seus escrivães, autoridades 
políciaes, etc, etc. 
A quem não é preiencioso, se não sa-
tisfaz-lhe a ambição, ao menos consola o 
bom conceito que aos entendidos possa 
vin 
merecer um trabalho, que expõe, apadri-
nhado apenas por um nome obscuro, ao 
apreço de poucos, mas á injustiça de todos. 
A mim, hoje como hontem, arrastou-me 
uma boa intenção. 
Rio de Janeiro, Outubro de 1873. 
\u2666 
 
COZDIO-O
 
DO 
Processo ninai ie primeira instancia (D 
FARTE I. 
DA ORGANIZAÇÃO JUDICIARIA (2). 
I TITULO I. 
De varias disposições preliminares^ e das pessoas 
eiirHrr«'|{.iil.is da adnilnlatraçu» da jaatlea cri« 
minai, nos juízos de primeira insta ucia (S). 
CAPITULO I. 
Disposições preliminares» 
Art. 1." Nas províncias do Império, 
para a administração criminal nos juízos 
(i) Diz o AȒso de 13 de Abril de 1836 que a legis-
lação antiga subsiste a respeito dos actos que não forSol 
regalados pelo presente Código. 
(2) Para a execução do presente Codgo derão-se ins-
trocções cm 13 de Dezembro de 1832. 
(3) Se ainda antes da Constituição podia duridar-se da 
legalidade com que os juizes delegavâo a sua jurisdicçSo» 
c. p. 1 
2 
de primeira instancia, continuará a divi 
são em distríctos de paz, termos e co 
marcas (4 e 5). . 
Art. 2.°Haverá tantos distríctos quantos 
forem marcados pelas respectivas camarás 
municipaes, contendo cada um, pelo me-
nos, setenta e cinco casas habitadas (6). 
Art. 3.° Na província onde estiver a 
dando commissáo para que outrem exercitasse por eltes 
alguns actos delia, depois da Constituição, onde se acha 
estabelecida a divisão e harmonia dos poderes políticos, 
sendo os juizes membros do poder judiciário, mandatários 
e delegados da nação, não é possível admittir-se que pos- 
são deixar de exercitar por si todos e quaesquer actos da jurisdicção que lhes foi concedida, do mandato e dele 
gação que receberão da nação. Não se pôde, portanto,. 
reconhecer legalidade e legitimidade nas commissões. \u2014 
AT. de 13 de Setembro de 1838. 
(4) Emquanto não fôr nomeado juiz de direito para 
uma comarca novamente creada, não tiver elle prestado juramento e entrado no exercício de suas funcções, e não 
fôr marcado por Decreto o ordenado do promotor pu-
blico, não se pôde considerar a comarca devidamente 
instaliada, devendo portanto os juizes de direito que tem 
jurisdicção no território da nova comarca continuar no-
exercício delia.\u2014Av. de 10 de Maio de 1862, e o de n. 
267 de 33 de Julho de 1868. 
(5) A divisão ecclesiastica não altera a civil.\u2014Ar. dei 
81 de Janeiro de 1835. 
(6J Não lhes é comtudo concedido um fllimitado ar-
bítrio em taes divisões. \u2014Av. de 15 de Julho de IQtlt. 
3 
corte, o governo, e nas outras os presi-
dentes em conselho, farão quanto antes a 
nova divisão de termos e comarcas, pro-
porcionada, quanto fôr possível, á concen-
tração, dispersão e necessidade dos habi-
tantes, pondo logo em execução essa 
divisão, e participando ao corpo legislativo 
para ultima approvação (7, 8 e 9). 
(7) Se o bem publico o exigir, conhecidos os incon-
venientes de uma divisão, proceder-se-lia a outra, fa-l 
xendo-so as competentes nomeações,\u2014Av. de 23 de No-
vembro de 1833. 
(8) A divisão judiciaria compete pelo art. 10, $ 1* do 
Acto Addicionai ás assem bléas provinciaes. 
(9) Em officio n. 198 de 14 de Julho deste anno, o 
antecessor de V. S. submetleu á decisão do governo im-
perial varias duvidas, mencionada» pelo juiz municipal e 
de orphãos de Itambê, por occasiao de haver elie exi-
gido dos juizes municipaes de Goyana e Nazareth a re-
messa de todos os processos, em que forem partes inte-
ressadas pessoas residente* no referido termo de Itambê, 
recentemente creado. 
Em resposta declaro a V. Ex. que são destituídas de 
fundamento as duvidas referidas, porquanto desmembrado 
um termo de outro e creado foro em o novo termo, 
passãa para elie todos os autos pendentes,, relativos a 
questões de pessoas ahi residentes e ficão sob a nova 
jurisdicção, cessando desde logo a antiga, que perde, 
pela crés Só, a sua competência na conformidade das pro-
visões de 6 de Fevereiro de 1817 e SI de Outubro de 
1833 e Avisos de 15 de Outubro de 1832, 28 de Outubro 
de 1858, 31 de Agosto de 1861 e 22 de Dezembro de 
 
4 
Ãrt, 4.° Haverá em cada districto um 
juiz de paz, 'um escrivão, tantos inspec-
tores quantos forem os quarteirões, e os 
officiaes de justiça que parecerem neces-
sários. 
Art. 5.° Haverá em cada termo, ou 
julgado, um conselho de jurados, um juiz 
municipal (10), um promotor publico (11), 
um escrivão das execuções (12) e os 
1863, que resolvem a questão.\u2014 A*, de 30 de Setembro 
de 1868. 
(10) Vide arts. 20 da lei de 8 de Dezembro de Mil 
e 81 e 32 do Reg. n. 120 de 81 de Janeiro de 1842. 
Vide nota 13. H 
(11) Vide arts. 23 da Lei de 3 de Dezembro de 1841 
e 213 do Regulamento citado, e nota 13, § 7o e 8.° 
(12) Vide art. 108 da Lei de 3 de Dezembro de 1841. 
Este escrivão é excluído da distribuição geral dos autos 
circis ou crimes\u2014Av. de 21 de Outubro de 1833. 
O Decreto