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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1

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a remoção de juiz de direito determinada por pre-
sidente de província, com o fundamento de serem os juizes de direito empregados provinciaes. 
Vide art. 24 e seguintes da Lei de 3 de Dezembro de 
1841 e as respectivas notas. 
Vide nota 13. 
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Art. 45. Os juizes de direito não serão 
tirados de uma para outra comarca senão 
por promoção aos lugarss vagos das Re-
lações a que tenhão direito ou quando a 
utilidade publica assim o exigir. Art. 46. 
Ao juiz de direito compete (66): § 1.° 
Correr os termos de sua júris— dicção 
para presidir aos conselhos dos jurados na 
occasião de suas reuniões (67). 
(66) Afiançar nos casos em quê pôde prender. — Av. 
de 12 de Setembro de 1865. 
Das decisões definitivas, ou interlocutórias com força 
de definitivas, proferidas pelos juizes de direito, nos casos 
que lhes compete haver por lindo o processo, é permit-
lido appellar para as Relações.— Art 78, § 2» da Lei de 
3 de Dezembro de i8oi. 
É permittido appellar para a relação das sentenças 
dos juizes de direito que absolverem ou condemnarem 
nos crimes de responsabilidade.—Dita lei, art. 78, § 3o. 
Compete-lhes o conhecimento das escusas dos jurados, 
quer sejão produzidas antes, quer depois de multados. —
Dita lei, art. lOi. 
(67) Os juizes de direito a quem é incumbido per 
correr as villas e exercitar nellas a jurisdicção criminal 
e civil, quando o fizerem para presidir ás .sessões dos jurados, se demorarão o tempo necessário para julgarem 
a final as cansas eiveis que estiverem preparadas para a 
execução do art. 9* da Disp. Prov. e do § 9* do art. 
46 do Cod. do Proc , qnando esta demora os não im 
possibilite do comparecimento e presidência em outros 
lugares, a que sejão obrigados. Quan.lo, porém, forem 
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tantas as causas eiveis que não possão ser todas julgadas, 
ou tantas as diligencias a ellas relativas que se não possão 
concluir, o juiz de direito as reservará para outra occa-
sião, não podendo, por qualquer motivo que seja, leva-las 
para fora do termo, salvo convindo nisso as partes; mas 
ainda nesse caso sempre as sentenças serão publicadas 
nos respectivos termos, ou pelo mesmo juiz na occasiao 
em que os fòr percorrer, ou pelo juiz municipal. No caso 
de necessidade poderá ir mais uma vez ao termo no in-
tervallo de cada uma das reuniões dos jurados, e poderá 
então demorar-se por cinco até dez dias.— Dec. de 15 
de Outubro de 1833. 
Ainda que em alguns termos de qualquer comarca não 
haja reunião dos conselhos dos jurados, deverão" corre-los 
os respectivos juizes de direito, para nelles desempenharem 
o que lbes incumbe o art. 9* da Disposição Provisória 
acerca da administração da justiça civil; e consequente-
mente devem as camarás municipaes preparar-Ibes apo-
senta toria na forma do art. 47 do Código.— Av. de 10 
de Setembro de 1835. 
No caso de não poder o juiz de direito correr os termos 
de sua comarca e presidir aos conselhos dos jurados, por 
motivo justificado de moléstia ou de serviço, não fica por 
isso jnbibido de exercer a sua jurisdicção no » lugar em 
que reside, se o seu impedimento lh'o per-mittir. 
Nos casos de tal impedimento poderáõ as causas ei-
veis dos termos ser remettidas ao juiz de direito, se as 
partes o requererem ou convierem, devendo o mesmo 
juiz fazer toda a diligencia por ir correr a comarca logo 
que cesse o sobredito impedimento, na forma e para os 
fins que declara o art 6* do Decreto de 15 de Outubro 
de 1833.— Av. de 3 de Outubro de 1835: 
Se o juiz de direito, presidente do jiiry, ficar inhi- 1 
bido de continuar a funccíonar por impedimento repen- 1 
tino e superveniente, pode passar a jurisdicção ao sub- ;| 
stituto mais próximo, até que chegue aqueile a quem 
pertence o exercício desse cargo na ordem marcada pelo 
presidente da província.—Av. de 24 de Março de 1856. 
 
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§ 2.° Presidir ao sorteio dos mesmos 
jurados, ou seja para o jury de accusação 
ou para o de sentença. 
§ 3.° Instruir os jurados, dando-lhes 
explicações sobre os pontos de direito, 
sobre o processo e suas obrigações, sem 
que manifeste ou deixe entrever sua opi-
nião sobre a prova. 
§ 4.° Regular à policia das sessões 
chamando á ordem os que delia se des-
viarem, impondo silencio aos espectadores, 
fazendo sahir para fora os que se não 
accommodarem, prender os desobedientes, 
ou que injuriarem os jurados, e puni-los na 
forma das leis (68). 
§ 5.° Regular o debate das partes, dos 
advogados e testemunhas, até que o 
conselho dos jurados se dé por satisfeito. 
(68) Segando a intelligencia grammatical do art. 200, 
§ 7* do Beg. de 31 de Janeiro de 1842, que é a rèpro-
ducçSo do § ú° do art. &6 do Cod. do Proa, não é 
permittido ao juiz de direito mandar sabir do recinto do 
tribunal do jury a um juiz de facto, mas somente aos 
espectadores. —A v. de A de Fevereiro de 1858. 
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§ 6.° Lembrar ao conselho todos os 
meios quê julgar necessários para o des-
cobrimento da verdade (69). 
§ ?.* Appliear a lei ao facto, proceder 
ulteriormente na forma prescripta neste 
Código. 
§ 8.° Conceder fiança aos réos pronun-
ciados perante o jury, áquclles a quem os 
juizes de paz a tiverem injustamente j 
denegado, e revogar aquellas que os mes-
mos juizes tenhão indevidamente concedido 
(70). 
(69) Vide art. 200, § 9* do Reg. n. 120 de 31 de 
Janeiro de 1842. 
(70) Em conformidade do que aos juizes de direito 
incumbe o art. 46, g 8" do Código, devem elies revogar 
as fianças que os juízes de paz concederem por classifi-
carem indevidamente os crimes em artigo que nenhuma 
analogia tem com elles, e isto mesmo quando se não haja 
interposto recurso. — Av. de 17 de Janeiro de 1838. 
Para execução do Aviso de 7 de Janeiro de 1838, 
dando uma forma para o exercício da attribnição do art. 
46, S 8", quando o juiz de direito tiver noticia de haver-
se injustamente concedido ou negado uma fiança, ainda 
que não baia recurso, se o caso for de gravidade exigirá 
do respectivo juiz de paz uma informação cir-
cumstanciada por rscripto, com certidão da pronuncia e 
da decisão que concedeu ou negou a fiança, e proferirá 
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§ 9.° Inspeccionar os juizes de paz e 
municipaes, instruindo-os nos seus deveres 
quando careçâo (71). 
Art. 47. Nos lugares da reunião do jury 
as camarás municipaes respectivas 
apromptaráõ para os juizes de direito casa, 
cama, escrivaninha, louça e a mobília 
necessária para o seu serviço; os juizes 
á vista de todo a sua sentença, concedendo-a ou reyo-
gando-a.—Av. de 13 de Fevereiro de 18218. 
(71) Da disposição do art. A6, § 9° do Cod. do Proc, 
claramente se deduz que os juizes de direito são obri-
gados a instruir aos juizes de paz e municipaes sempre 
que, pria inspecção activa sobre elles, conhecerem que 
o precisão, e não somem e quando forem consultados.— 
Av. de 29 de Abril de 185G. 
Ao juiz de direito compete instruir e esclarecer as 
duvidas que se offerecercm aos juízes de orphãos. —Av. 
de lo de Maio de 1836. 
j No eivei também pôde o juiz de direito instruir, com a 
differença, porém, de que não é obrigatório segai-la. —
Av. de 10 de Junho de 1843. E quando i que pôde 
abrigar ? 
Instruir em these e em abstracto e nunca em especial 
sobre os casos occurrenics e pendentes.— Av. de 30 de 
Maio de 1851, e o de 26 de Novembro de 1868, que traz 
o Diário Oficial de 27. 
O juiz de direito não é competente para dar inslruc-
ções ás autoridades inferiores em matéria eleitoral.—Av. 
de 31 de Dezembro de I8b9. 
 
80 
deixarás tudo no mesmo estado, repondo o 
que fôr consumido quando se retirarem 
(72). 
CAPITULO v. I 
Difpo»iç6ei geraei. 
Art. 48. Os inspectores, escrivães e offi-
ciaes de justiça que se sentirem aggra-
vados em suas nomeações, poderáo recor-
rer, na província onde estiver a corte, ao 
governo, e nas outras aos presidentes em 
conselho. 
Art. 49. Os juízes