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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1

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de 26 de Maio de 1835 encarregou um in-
dividuo na corte da execução das sentenças proferidas em 
processos de contrabando, quando para esse fim lôrem 
dirigidas ao juiz municipal. 
Póde-se accumular em algum dos escrivães o officio das 
execuções naquelles lugares cuja população e rendimento 
exija essa medida, por isso que o Decieto de 29 de fe-
vereiro de 1688 antorisa a reunião de dous o (D cios na 
mesma pessoa, quando são tão ténues, que não basta cada 
um delles para côngrua subsistência, e este Decreto não 
wtá revogado. —Av. de 8 de Fevereiro de 1839. 
 
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officiaes de justiça que os juizes julgarem 
necessários. I 
Art. 6." Feita a divisão, haverá em cada 
comarca um juiz de direito; nas cidades 
populosas, porém, poderão*haver até três 
juizes de direito com jurisdicçao cumula-
tiva, sendo um delles o chefe de policia 
(13 e 14). 
(13) Lei n. 2033 de 20 de Setembro de 1871. 
Bus autoridades o das substituições (13 a). 
•Art, 1." Nas capitães, que forem sedes de Relações, e 
nas comarcas de nm só termo a ellas ligadas por tio fácil 
çommunicação que no mesmo dia se possa ir e voltar, la 
jurisdicçao de 1* instancia será exclusivamente exercida 
pelos juizes de direito, e a de 2* pelas Relações. 
Na corte e nas capitães da Bahia, Pernambuco e Ma-
ranhão a provedoria de capellas e resíduos será de juris-
dicçao privativa. 
§ 1." Para a substituição dos juizes de direito nas ditas 
comarcas haverá juizes substitutos, cujo numero não ex-
cederá aos dos juizes effcctivos ; sendo nomeados pelo go-
verno d'entre os doutores ou bacharéis formados em di-
reito cem dous annos de pratica de foro pelo menos; e 
serviráõ por quatro annos nas mesmas condições e van-
tagens dos juizes municipaes. 
§ 2.* Os juizes substitutos somente exercerão a juris-
dicção plena, em falta dos effectivos, que substituem-se 
(13 a) Vide nota 10 ao Regulamento de 15 de V arco de 
1842 e notas 25 e seguintes á Lei de 3 de Dezembro de 
1811. 
(14) Vide » nota na pag. 6. 
6 
Art. 7.- Para a formação do conselho de 
jurados poderáõ ser reunidos interinamente 
dous ou mais termos, ou julgados, e se 
considerarão como formando um único 
termo, cuja cabeça será a cidade, villa, 
reciprocamente na mesma comarca, sempre que for pos-
sível. 
§ 3.° São reduzidos a três os supplentes dos juizes 
municipaes, delegados e subdelegados de policia em cada 
termo ou districto. Igual numero de supplentes terSo os 
juizes substitutos. 
§ li." t incompatível o cargo de juiz municipal e sub-
stitutos com o de qualquer autoridade policial. 
§ 5." Os chefes de policia serão nomeados d'entre os 
magistrados, doutores e bacharéis em direito que tiverem 
quatro annos de pratica do foro ou de administração, não 
sendo obrigatória a aceitação do cargo. E, quando magis-
trados, no exercicicío do cargo policial, não gozaráõ do 
predicamento de sua magistratura; vencerão, porém, a 
respectiva antiguidade e terão os mesmos vencimentos 
pecuniários, se forem superiores aos do lugar de chefe de 
policia. 
§ 6.* Nos impedimentos dos chefes de policia servirão 
as pessoas que forem designadas pelo governo na corte, 
e pelos presidentes nas províncias, guardada sempre que 
fôr possível a condição relativa aos eífeciivos. 
§ 7.* Haverá em cada termo um adjunto do promotor 
publico proposto pelo juiz de direito da respectiva comarca 
c approvado pelo presidente da provinda. 
§ 8.* Na falta de adjunto do promotor publico, as suas 
funcções serão exercidas por qualquer pessoa idónea no-
meada pelo juiz da culpa para o caso especial de que se 
tratar. 
(IA) Sobre chefes de policia, vide a Lei de 8 de Dezem-
bro de 1841, e Regulamento de 81 de Janeiro de 1842 na 
parte correspondente e as notas respectivas. 
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ou povoação, onde com maior commodi-
dade de seus habitantes possa reunir-se o 
conselho dos jurados (15) 
Art. 8.° Ficão extinctas as ouvidorias de 
comarca, juizes de fora e ordinários, e a 
jurisdicçâo criminal de qualquer outra 
autoridade, excepto o senado, supremo 
tribunal de justiça, relações, juízos mili-
tares (16), que continuâo a conhecer de 
crimes puramente militares, e juizes eccle-
siasticos em matérias puramente espiri-
tuaes (17). 
(15) Substituído pelo art. 31 da Lei de 8 de Dezembro 
de 1841. 
(16) No foro commutn deve ser julgado o director dos 
indios ; porque, embora pelo art. 11 do Decreto n. 426 
de 24 de Julho de 1845 lhe sejão conferidas graduações 
militares,' não são militares as funcções que exercem, e 
são cousas essencialmente distinctas graduações honorá-
rias e postos militares. —Av. n. 320 de 28 de Outubro 
de 1864. 
. Sobre competência de foro vide o Aviso do ministério 
da guerra n. 234 de 13 de Maio de 1869, que declara 
que os réos, devendo responder por seus crimes no lugar 
onde os commettêrão, não devem ser removidos do foro 
do delicto para outro estranho ao seu crime. 
(17) Ainda depois da Lei de 3 de Novembro de 1836 
subsiste a provedoria de capellas e resíduos com seu. 
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Art. 9.° A nomeação ou eleição dos-
juizes de paz se fará na forma das leis-em 
vigor (18); com a duTerença, porém, de 
conter quatro nomes a lista do eleitor de 
cada districto (19). 
respectivo escrivão, que deverá ser provido ncs termos da 
Lei de 41 de Outubro de 1827 e Resolução do 1* de Julho! 
de 1830.—Av. de 28 de Novembro de 1834. 
As cansas de divorcio pertencem ao juizo erclesiaslico, 
por serem de sua natureza e segundo os seus fins mera-
mente espiriluaes, pois que só tendem a fazer annullar 
ou suspender in perpetuum ou aã Un pus o vinculo es-
piritual do sacramento por que os cônjuges se ligarão, 
sobre que nenhuma ingerência pôde ter a jurisdicção 
secular. 
Não é objecto de duvida o juizo a que estão sujeitos 
os ecclesiasticos tanto no eivei como no crime.—Av. de 
12 de Setembro de 1835. 
(18) A eleição faz-se para todos os districtos nos mes-
mos dias, e por occasião das eleições municipaes, segundo 
a legislação em vigor. 
(19) As listas dos votantes devem comprehender, não 
só as pessoas dos districtos do juiz» de paz, mas as dos 
territórios que se lhes annexarem. — Portaria de 21 de 
Fevereiro de 1833. 
O sentenciado a prisão não € elegível, e por isso não 
pôde tomar posse mesmo depois da sentença.—Port. de 
8 de Junho de 1833. 
Não compete ás camarás municipaes alterar as eleições 
populares, a respeito das quaes só II cumpre a execução, 
pertencendo á mesa eleitoral decidir qualquer duvida 
que se origine sobre o cidadão votado.—Av, de 29 de 
Agosto de 1833. 
 
m. 
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 Art. 10. Os quatro cidadãos mais votados 
serão os juizes, cada um dos quaes 
servirá'um anno, precedendo sempre aos 
outros aquelle que tiver maior numero de 
votos (20). Quando um dos' juizes estiver 
(20) Osjuizesdepaz não podem accumular o exercício das 
ítincções de juiz ordinário, de fora nu de orphãos, nem 
de provedores.— Lei de 20 de Setembro de 1829. art. 1*. 
Os Avisos de 6 e 1U de Março de 1829, assim como o de 
26 de Novembro do mesmo anno, explicando aquelles, decla-
rão incompatíveis os cargos de juiz de paz e de vereador. 
A Tortaria.de 10 de Outubro de 1833 e os Avisos de 
A de Setembro de 183/j e 15 de Dezembro de lí*35 de-
clarão que o individuo eleito juiz de paz e vereador pode 
accumular os dous cargos, si se sujeitou a servi-los, uma 
vez que não se achem em actual exercício, ou como pro-
prietários nos respectivos annos, ou como supplentes no 
caso de impedimento, visto que a incompatibilidade só re-
sulta da accumulação do exercício dos dous cargos: se, 
porém, uma vez recusar algum dos dous cargos, não pôde 
ter lugar segunda opção. Os Avisos, porém, de 22 de 
Junho e de 30 de Julho de 1849 dtcíarão que, depois que 
a Lei de 3 de Dezembro de 1841 restringio a jurisdicção 
dos juizes de paz, e supprimio a altribuição que lhes com-
petia de julgarem