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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1

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Art. 84. As testemunhas serão offere 
cidas pelas partes, ou mandadas chamar 
pelo juiz ex-officio. 
Art. 85. As testemunhas serão obri-
gadas a comparecer no lugar e tempo que 
lhes fôr marcado, não podendo exi-mir-se 
desta obrigação por privilegio algum 
(113). 
(113! Deve deprecar-se licença ou consentimento do 
respectivo prelado para deporem os clérigos de ordens 
sacras nos juizes seculares, quando os seus juramentos 
forem necessários.—Av. de 5 de Julho de ISZIZI, u. 43. 
Não será precisa tal deprecação, quando a competente 
autoridade ecclesiastica, a quem deve ser dirigida, não re-
sidir no lugar do juízo. —Idem. 
Ás autoridades «eclesiásticas não é licito denegar a li-
cença ou consentimento pedido em taes casos.— Idem 
(113 a). 
Sempre que seja necessária a presença de algum em-
pregado publico fora de sua repartição para qualquer acto 
de justiça, cumpre qne o juiz se dirija directamente ao 
respectivo ministro ou presidente de província com a com-
petente requisição, para que este dê as providencias ne-
cessárias a não solTrer o serviço.—Dec. n* 512 de 16 de 
Abril de 18/.7. 
(118 a) Os paroebos não podem ser compellidos, debaixo de vara, 
a ir a juízo dar informações, sendo qne o Av. de 6 de Julho de 1814 
n. 43 e o art. 89 do Cod. do Proc. nenhuma applicacão tfim a esto 
caso _ Av. n. 195 de 80 de Julho de 1861. (Segue.) 
C. T. 8 
114 
Art. 86. As testemunhas devem ser pa-
ramentadas conforme a religião de cada 
uma; excepto se forem de tal seita que 
prohíba o juramento. 
Devem declarar seus nomes, pronomes, 
idades, profissões, estado, domicilio, ou re-
sidência; se são parentes, emquegráo; 
A autoridade civil que precisar de nm oficial para inqui-
rição ou acto judicial, deve requisita-lo por officio rogatório 
ao respectivo commandante das armas. — Av. de 17 de 
Julho de 1855. 
Sendo os agentes consulares de qualquer nação, por 
cominam c geral opinião e entre nós, da classe das pes-
soas distinctas, a quem em direito se dá o epjtbeto de 
egrégias, quando sejão precisos os seus depoimentos nas 
causas eiveis ba crimes, e elles não queirão da-Ios nasi 
casas dos próprios juizes, cumpre a estes usar do arbítrio, 
que faculta a Ord.t Liv. 1*, TIL 5% $ 14, dando com-
missão a quem assista á inquirição nas moradas dos ditos 
agentes, da mesma forma que deverão praticar com ci-
dadãos em igualdade de razão.—Av. de 17 de Dezembro 
de 1857. Vide também a resolução de consulta de 8 de 
Junho de 1866, no relatório da justiça de 1867. 
As mulheres de taes agentes, bem como outras quaes-
quer senhoras que por sua distineção se devão considerar 
na classe das pessoas egregias,tambem não devem ser com-
pellidas a virem a juizo deporem como testemunhas, mas 
sim serem os seus depoimentos recebidos em suas res-
pectivas residências. Vide resolução de consulta de 25 de 
Novembro de 1865 no relatório da justiça de 1866, pag. 5 
do anneso A. 
JL 
11S 
amigos, inimigos (114), ou dependentes 
de alguma das partes; bem como o mais 
que lhes fôr perguntado sobre o objecto 
(115), M 
Art. 87. A declaração das testemunhas 
deve ser escripta pelo escrivão; o juiz a 
(114) A testemunha, por ser inimiga de ama das partes, 
não deixa de ser inquirida, porque DO acto da inquirição 
pôde ella ser contestada, e ser-lhe provada a inimizade, 
para que se lbe dê o peso que em direito merecer.—Poit. 
de 2 de Setembro de 183A. 
(115) A ouvida vaga ou voz publica, conforme o di-
reito, nenhuma força tem.—Supr. Trib. de Justiça, Acc. 
de 6 de Julho de 1861, feito entre partes, recorrente 
Manoel Silvestre da Fonseca Botica e recorrida a justiça. 
No Acc. do mesmo Trib., de 7 de Dezembro de 1859, 
recorrente José Giacomo Giudice, recorrida a justiça, en-
contrasse o seguinte: 
« Outrosim condemnão como irregular e abusiva a pra-
tica seguida, no juízo da Ia instancia pelo que respeita á 
inquirição das testemunhas, tanto do summarío como 
do plenário, onde se vè que cilas, longe de deporem cum-
pridamente sobre os factos que fazião objecto da aceusa-
ção, se limitarão no summario & referir-se ao que jura-
rão na policia, e no plenário ao que havião jurado na 
policia e no summario, onde aliás nada havião dito; sendo, 
ao contrario do interesse da justiça e das partes que ellas jurem sempre cumpridamente, porque só assim,.confron-
tados os seus depoimentos respectivos, se pode avaliar a| 
verdade, exactidão e sinceridade com que depuzerão. »| 
Vide a Ord. do L. 1°, T. 86, princ. 
116 
assignará (116) com a testemunha que a 
tiver feito. Perante o jury se guardará o 
que está disposto nos arts. 266 e 268. Se a 
testemunha não souber escrever, nomeará 
uma pessoa que assigne por ella, sendo 
antes lida a declaração na presença de 
ambas. 
'Art. 88. As testemunhas serão inqui-
ridas cada uma de per si; o juiz provi-
denciará que umas não saibão ou não 
oução as declarações das outras, nem as 
respostas do autor ou réo. 
Art. 89. Não podem (117) ser teste-
munhas o ascendente, descendente, ma-
rido ou mulher, parente até 2o gráo, o 
(116) A falta de assignatura do juiz no depoimento da 
testemunha induz nullidade do depoimento. —Ar. de 29 
de Abril de 1837. 
(117) Vide em a nota 111 o Av. de 1 de Outubro de 
1868. 
Por Av. de 10 de igual mez de 1871 foi decidido que, 
conclusos os autos, nos termos dos arts. 353 e 354 do 
Reg. de 31 de Janeiro de 18Z|2, pôde o juiz de direito, 
jurando que nada sabe dos artigos, declarar por seu des-
pacho : fique de nenhum effeito a indicação de seu nome 
no rol das testemunhas; ou averbar-se de suspeito. 
117 
escravo e o menor de 14 annos; mas o juiz 
poderá informar-se delles sobre o objecto 
da queixa ou denuncia, e reduzir a termo a 
informação, que será assignada pelos 
informantes, â quem se não deferirá 
juramento. 
Esta informação terá o credito que o 
juiz entender que lhe deve dar, em at-
tenção ás circumstancias (118). 
Art. 90. Se o delinquente fôr julgado 
em um lugar, e tiver em outro alguma 
testemunha que não possa comparecer,, 
poderá pedir que seja inquerida nesse 
lugar, citada a parte contraria, ou o pro-
motor, para assistir á inquirição. 
quando tirer de depor, oficiando neste caso ao juiz sup-
plenie, afim de o substituir na presidência do jury, no 
aia designado para o julgamento da cansa. 
Não é motivo de nullidade no processo de formação-
de culpa, intentado ex oflicio, terem figurado como tes-
temunhas os donos do objecto roubado, embora compre-
bendidos no numero de testemunhas necessárias para se 
julgar completa a inquirição.—Acc. da Relação da corte, 
de 19 de Junho de 1866, no feito crime n. 5355.. 
(118) Vide nota 113 a. 
118 
Art. .91. Se algama testemunha houver I de 
ausentar-se, ou por sua avançada idade, cm por 
seu estado valetudinário houver receio que ao 
tempo da prova já não 'exista, poderá também, 
citados os mencionados no artigo antecedente, 
ser ia- j quirida a requerimento da parte 
interessada, a que será entregue o depoimento 
para delie usar quando e como lhe con-rvier. 
Art. 92. Os documentos, para que pos-são 
servir, devem ser reconhecidos verdadeiros 
pelo juiz ou pelo tabellião publico. 
Art. 93. As cartas particulares não j 
serão produzidas em juizo sem sf consen 
timento de seus autores, sarvo se pro 
varem oontra os mesmos (119). ' 
(119) Tide A», de 21 de Agosto de 1857, 26 de Abril 
de 1859 e 29 de Maio de 1861. 
A doutrina que consagra este ultimo Av. já era jriris-. 
prudência adoptada pelo Sup. Tjib. de Justiça, como se 
pode vêr no Acc n. 1605 de 6 de Agosto*de 1859, recor-
rentes Luiz Salgado e outro, recorrida a justiça. 
119 
Art. 94. A confissão do réo em juízo 
competente, sendo livre, coincidindo com as 
circumstancias do facto, prova o de-licto; 
mas, no caso de morte, só pôde sujeita-lo á 
pena immediata, quando não haja outra prova