CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1
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antes 
da culpa formada só pode ter lugar nos crimes inalian-
caveis, por mandado escripto do juiz competente para a 
formação da culpa ou á sua requisição ; neste caso 
procederá ao mandado ou á requisição 
declaração de duas testemunhas, que jurem* de «ciência própria, ou prova documentai de que 
resultem vehementes indícios contra O culpado ou 
declaração deste confessando o crime. 
6 3.° A falta, porém, do mandado da autoridade for-
madora da Cdlpa, na occasião, não inhibirá a autoridade 
policial ou o juiz de paz de ordenar a prisão do culpado 
de crime inafiançavel, quando encontrado, se para isso 
houverem de qualquer modo recebido requisição da au-
toridade competente, ou se for notória a expedição de 
ordem regular para a captura ; devendo, porém, imme-
diatamente ser levado o preso á presença da competente 
autoridade judiciaria para delle dispor. E assim lambem 
fica salva a disposição do art. 181, membro 2* do Código 
Criminal. 
S &.° Não terá lugar a prisão preventiva do culpado se 
houver decorrido um auno depois da data do crime. 
Vide o At. de 14 de Novembro de 1865 em nota ao-«rt 
205. 
(iíiO) Para os factos de formação da culpa não se 
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de delicto quando este deixa vestígio» 
que? podem ser ocniarmente examinados ; não* existindo, 
porém, vestígios, formar-se-ha o dito auto por duas 
testemunhas, que de-ponhão da existência do facto e suas cir-J 
cumstancias (141). 
 
precisa esperar pelos dias designados para as audiências. 
\u2014Av. de 14 de Abril de 1836. 
Podem ser tratados durante as férias, e não se sus-
pendem pela superveniencía delias os processos de for-
mação de culpa, assim como os das fianças.\u2014 Dec. de 
30 de Novembro de 1853. 
(141) No processo actual não é essencial o auto. de 
corpo de delicto,. podendo sem elle intentar-se a queixa 
ou denuncia, e formar-se a culpa, como se deduz dos 
avts. 78, 79,140, 205 e 206. \u2014Av. de 9 de Abril de 
1836. 
No Accórdão de 6 de Julho de 1861, recorrente Ma-
noel Silvestre da Fonseca Ribeiro e recorrida a justiça» 
disse o Supremo Tribunal:.... «Nullidade manifesta, 
porque, havendo sido accusado o recorrente por três 
ordens de factos praticados em tempos diversos, e sendo-
esses factos de acção permanente e que deixão vestígios, 
como sejão tiros dados e empregados em paredes , in-
cêndio, destruições e mortes, não se ajuntou para servir 
de base ao procedimento, nos termos do art. 134 do 
Cod. do Proc., 47 da Lei de 3 de Dezembro de 1841 e 
256 do respectivo Regulamento, o necessário corpo de 
delicto, não se havendo demonstrado que, ao tempo da 
formação da culpa, não existião esses vestígios, para ter 
lugar a disposição excepcionai da ultima parte do mesmo 
artigo e do 257 do citado Regulamento. E se bem á fl. 
se juntasse o corpo de delicto, a que se procedeu no 
 
 
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Art. 135. Este exame será feito por peritos 
(142) que teuhão conhecimento do objecto, e 
na sua falta por pessoas de bom senso, 
nomeadas pelo juiz de paz, e por 
cadáver de F., esta juncrão, já depois da pronuncia e de 
\u2022na sustenção á (L , não pode sanar a nallidade anterior 
do processo. » 
Nos crimes qi«p não dclxto vestígios, ou de que m 
tiver noticia, quando os vestígios Ji não exislão, e não 
ae possão verificar ocularmcrile por uni ou mais peritos, 
poder-se-IiD formar o processo independente de inqui-
rição especial para corpo de delicio, sendo no snmmario 
inquiridas ae testemunhas, não só a respeito da exis-
tência do delicto c suas circumstancias, como também 
acerca do delinquente.\u2014Art. 47 da Lei de 3 de Dezem-
bro de I8.'il. 
Vide nota ao art 292 sobre o recurso que ba da 
decisão que julga improcedente o corpo de delicio. 
(142) No caso que seja mister o exame por cirurgiões, 
cbamar-se-hio os que mais promptos se acharem, pro-
curando-.se com preferencia os que tiverem vencimentos 
da fazenda nacional. \u2014 Av. de 2 de Novembro de 1833. 
Determinando este artigo que os juizes de paz nomeem 
peritos para a formação dos corpos de delicto, não se 
pode considerar esta faculdade desligada da do emprego 
de meios necessários para fazer tffcclivas taes nomea-
ções, e por isso podem constranger as pessoas que no-
mearem com a comminação e effecdva imposição da pena 
de desobediência, procedendo no caso delia peia forma 
dos arts. 303 e 304 deste Código.\u2014Av. de 23 de Junho 
de 1835. 
Qualquer juiz pode exigir da caixa da amortização o 
exame de notas e cédulas falsificadas; cumprindo ao ins-
pector da mesma caixa permillir o exame independente 
de ordem superior.\u2014 Ord. de 22 de Janeiro de 1836. 
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elle juramentadas, para examinarem e des-
creverem com verdade quanto observarem, 
e avaliarem o damno resultante do delicto, 
salvo qualquer juízo definitivo a este res-
peito. 
Art. 136. O juiz mandará colligir tudo 
quanto encontrar no lugar do delicto e sua 
vizinhança, que possa servir de prova 
(143). 
Art 137. O auto de corpo de delicto será 
escripto pelo escrivão, rubricado pelo juiz, 
e assignado por este, peritos e testemunhas 
. 
Art. 138. O juiz procederá a auto de 
corpo de delicto a requerimento de parte, 
ou ex-officio nos crimes em que tem lugar 
a denuncia. 
Art. 139. Os autos de corpo de delicto 
feitos a requerimento da parte, nos crimes 
em que não tem lugar a denuncia, serão 
(143) Vide a attribuição 3* dos juizes de direito das 
comarcas em a nota ao art. A6. 
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entregues á parte, se o pedir, sem que 
delles fique traslado. 
Art. 140. Apresentada a queixa ou de-
nuncia com o auto de corpo delicto, ou 
sem elle, não sendo necessário, o juiz a 
mandará autuar, e procederá á inquirição 
(144) de duas até cinco testemunhas que 
tiverem noticia da existência do delicto e 
de quem seja o criminoso. 
Art. 141. Nos casos de denuncia,-ainda 
que não haja denunciante, o juiz procederá 
á inquirição de testemunhas na forma do 
artigo antecedente, fazendo autuar o auto 
do corpo de delicto, se o houver (145). 
Art. 142. Estando o delinquente preso 
(144) Vide nota 115. 
Vide arts. 48 e 51 da Lei de 3 de Dezembro de 1841. 
As testemunhas para o summario da formação da 
culpa devem indispensavelmente ser inquiridas no lugar 
em que estiver o juiz, e por elle próprio, e as do ple-
nário poderio depor por carta de inquirição perante os 
juizes dos termos em que residirem, como se pratica nos 
processos civis.\u2014 Av. de 21 de Janeiro de 1853. 
(145) Vide as disposições do Reg. n. 4824 de 22 de 
Novembro de 1871, em nota ao art. 263do Reg. n. 120 
de 31 de Janeiro de 1842. 
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ou afiançado, ou residindo no districto, de 
maneira que possa ser conduzido á pre-
sença do juiz, assistirá á inquirição das 
testemunhas, em cujo acto poderá ser 
interrogado pelo juiz, e contestar as teste-
munhas sem as interromper (146). 
Art. 143. Da inquirição das testemu-
nhas, interrogatório e informações se Ia-| 
vrará termo, que será escripto pelo escrivão 
(1Ú6) Da combinação dos arte. 142 e 147 do Código 
do Processo Criminal se infere que, embora esteja preso 
um dos indiciados em um crime, pode a autoridade 
proceder em segredo de justiça, se os outros se a chão 
occultos ou foragidos.\u2014Av. de 3 de Julho de 1863. 
Perguntado o governo imperial si, á vista da dispo» 
sição deste artigo, a falta de comparecimento do indiciado 
á formação da culpa, para assistir á inquirição de teste-
munhas, importava nullidade do processo, respondeu em 
Aviso de 9 de Julho de 1867, que tal duvida estava res-
pondida pela própria letra do artigo. 
fio Accórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 20 
de Março de 1861, recorrente Manoel Dias Ribeiro de 
Almeida e recorrido Joaquim António de Souza Maia, 
16-se o seguinte: « Também não consta que fosse citado 
para assistir aos depoimentos das testemunhas, como de-
termina o art. 142, fórmula que não podia ser preterida, 
achando-se presente