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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1

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da culpa, onde é limitado o numero de testemunhas; 
e que não é razão para annullar-se os processos policiaes o> 
simples facfo de se haverem concluído depois da primeira 
ou segunda audiência, sendo que a demora não motivada 
da conclusão de taes processos, assim como o retarda-
mento das sentenças, pôde apenas dar causa a responsa-
bilidade do juiz respectivo. 
(192) Somente por impedimento invencível, e declarado 
na sentença, poderá esta ser proferida depois da segunda 
audiência.—Dec. n. 2488 de 6 de Julho de 1859, art. 2°. 
Vide nota 191. 
Das sentenças proferidas pelos juizes municipaes e au-
toridades policiaes nos crimes que cabem na alçada não 
se dá recurso de revista, em face do art. 89, § Io da Lei 
de 3 de Dezembro de 1841 e 464 do Reg. n. 120.— Sup. 
Trib. de Justiça, Acc. de 24 de Abril de 1861 e 9 de 
Novembro de 1864, proferida nos feitos ns. 1676 e 
1815. 
 
199 
«competente remessa, suspensa a execução 
(193). 
Art. 212. Taes recursos não terão lugar : 
I § 1>0 Quando os juizes punirem seus 
officiaes omissos com prisão que não passe 
de cinco dias (194). 
§ 2.° Quando punirem as testemunhas 
que não obedecerem ás suas notificações: 
(193) A vista da generalidade com que é* concebido 
este artigo, é indubitável que as pessoas, presas em fla-
grante delicio, podem reclamar em seu favor a execução 
do mesmo artigo. — Av. de 26 de Março de 1830. 
(194) Em 12 de Outubro de 1865, sobre resolução de 
consulta da Secção de Justiça do Conselho de Estado, 
decidio o governo que cabe ao juiz municipal prender 
por cinco dias um official de justiça, que incorre em falta 
de serviço, quando essa falta não pôde ser qualificada 
criminosa, em face deste art.—Vide Relatório da Justiça 
de 1866. 
« Emquanto ao crime de abuso de .excesso de poder, 
reformãò a sentença appellada, porque estaudo provado 
do ventre dos autos a 11. que o solicitador F., em estado 
de embriaguez, dirigira palavras injuriosas ao réo, per-
turbando desta maneira os trabalhos da audiência a que 
presidia o mesmo réo, nenhum excesso de autoridade 
praticou, por certo, este em prender em flagrante delicio, 
conservando-o preso 1/2 hora somente, quando o poderia 
conservar preso por espaço de cinco dias, firmado no> 
art. 202 do Cod. do Proc» — Acc. da Relação da CôrteJ 
<le 31 de Maio de 1861. 
200 
Ho entretanto fica a uns e outros o direito»! 
de vindicarem a injuria, e responsabili-j 
sarem o juiz pelos meios ordinários. 
CAPITULO x. 
Dai junta» de paz (195). 
Art. 213. As juntas de paz consistem, na 
reunião de maior ou menor numero do 
juizes de paz, sob a presidência de um 
d'entre os que forem presentes, escolhido-
por seus collegas em escrutínio secreto por 
maioria absoluta de votos. 
Não poderáõ ser formadas com menos 
de cinco, nem com mais de dez membros. 
Art. 214. Na provincia em que estiver a 
corte, o ministro da justiça, e nas outras, os 
presidentes em conselho, sob a informação 
das camarás municipaes, determinarão 
(195) Ficão abolidas as juntas de paz. As suas attri-
buições serão exercidas pelas autoridades polidaes creadas 
por esta lei e na forma por ella determinada. — Art. 95* 
■da Lei de 3 de Dezembro de 1841. 
201 
onde e quantas vezes terão lugar estas 
reuniões ena differentes pontos de cada 
termo; não podendo serv menos de quatro, 
nem mais de doze vezes no anno, com 
attenção ao numero das causas e ás 
distancias. 
Art. 215. As sessões das juntas de paz 
serão publicas, a portas abertas, na casa 
que fôr para esse fim pelos juizes de paz 
escolhida, e não poderáõ durar mais de 
oito dias successivos, incluídos os dias 
santos, nos quaes também haverá sessão. 
Art. 216. Compete a estas juntas co-
jahecer de todas as sentenças dos juízes de 
paz, que houverem imposto qualquer pena 
de que se tiver recorrido em tempo, e as 
confirmarás ou revogaráõ, ou alteraráõ, 
sem mais recurso, excepto o da revista. 
Art. 217. O juiz' de paz, que faltar, será 
multado pela junta por cada dia de sessão 
em 1$000 nas villas, e 2$000 na* 
 
202 
kjidades. salvo produzindo escusa legitima 
e provada. 
Art. 218. Não concorrendo pelo menos 
metade, e o presidente dos juizes de paz, 
não haverá sessão, mas ficará*adiada para 
outro dia, e se chamarás os supplentes dos 
que faltarem. 
Art. 219. Todos os negócios serão deci-
didos á maioria absoluta de votos doa 
membros presentes: o empate importa.a 
absolvição do réo. 
Art. 220. Se o réo ou autor, ou ambos 
juntamente não comparecerem, mas man-
darem escusa legitima, a decisão da causa 
ficará adiada para a sessão seguinte, se não 
puder ter lugar na actual por não compa-
recerem as partes em tempo (196). 
Art. 221. A falta de comparecimento 
(196) As escusas de que trata o art. 22o, a que se refere 
o art. 2Z|1 do Cod. do Proc. Crim., devem ser aliendidas, 
ainda mesmo quando apresentadas por procurador ou. 
escusador, uma vez que se verifique sereia legitimas e 
fundadas em motivo real.—Av. de 18 de Abril Ide 1842. 
203 
cio róo, sem escusa legitima, o sujeitará á 
pena de revelia, isto é, á decisão pelas 
provas dos autos sem mais ser ouvido; a do 
autor, á perda do direito de continuar a 
accusação-, a qual por este mesmo facto 
ficará perempta (197). 
Esta mesma disposição se guardará na 
falta de ambas as partes. 
Art. 222. Principiado o conhecimento de 
um processo, não poderá ser mais 
interrompido, nem mesmo pela noite, salvo 
a requerimento das partes por motivo 
justo. 
Art. 223. O juie de paz, que julgou a 
causa, não entrará no segundo julgamento 
delia, mas somente dará as explicações 
que lhe forem pedidas pelas partes, ou 
membros da junta. 
■ ■- ■ — —' ■ ■ —* — - ■ i ' - i ■ ■ - ' ^0 
(197) Devem comparecer pessoalmente ambas as partes, 
sob pena ao réo de revelia, e ao autor de ficar perempta 
a acção — Av. de 2 de Janeiro de 1834. 
Este artigo deve ser cumprido litteralmente, seja quem 
for a pessoa que deva comparecer perante as juntas de 
paz. — Portaria de 23 de Setembro de 1835. 
204 
Art. 224. A ordem do processo será a 
seguinte: 
m § 1«° O escrivão da junta de paz, que será o 
do districto em que se reunir ajunta, lerá os 
autos perante as partes, juizes e| testemunhas. 
§ 2,° O queixoso ratificará sua queixa, e o 
réo«sua defesa: o primeiro será obrigado a 
jurar, se o segundo requerer. I 
§ 3.° As testemunhas serào «perguntadas, e 
outras que de novo apresentem as partes se 
assim o requererem, escrevendo-se os seus 
ditos para os casos de recurso, se as partes o 
requererem. 
Art. 225. O presidente proporá por es-
«ripto nos autos as seguintes questões, depois 
de discutida a matéria: 
§ 1.° O crime está provado? 
§ 2.° O réo é por elle responsável? 
§ 3.° Que pena se lhe ha de impor ? 
§ 4.° Deve indemnização? 
§ 5.° Em quanto monta ella? 
T 
205 
Árt. 226. O presidente lavrará a sentença 
em conformidade: se a pena fôr 
simplesmente pecuniária, o réo dará logo 
fiança tanto a ella como ás custas e damno, 
ou irá para a cadéa por tanto tempo Quanto 
seja necessário para a satisfação, con-
tando-se como se pratica acerca das fianças; 
se fôr de prisão ou correcção, o réo não 
sahirá mais da sessão senão para o seu 
destino; e se além disso tiver de pagai* 
indemnização á parte, e o não fizer, será 
comprehendido no que fica acima deter-
minado até pagar (198). 
Art. 227. Ajunta marcará o vencimento 
das testemunhas que forem chamadas a 
requerimento das partes, as quaes o pa-
garáô. 
(198) Mo caso de empate, quer sobre a condemnação, 
quer sobre o gráo de pena, seguir-se-ha a parle mais 
favorável ao réo. — Dec. de 22 de Agosto de 1833, re-| 
ferindo-se á Resolução de 9 de Novembro de 1830, 
art. 3*. 9 
ki 
206 TITULO 
IV. 
Do processo ordinário. 
CAPITULO I. 
Da ao cusaçSo. 
SECÇlO