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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1

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CAPITULO H. 
Do segundo conselho de jurados, ou jury de 
sentença (221). 
Art. 254. Declarando o primeiro con-
selho de jurados que ha matéria para 
accusaçâo, o accusador offerecerá em juizo 
o seu libello accusatorio dentro de vinte e 
quatro horas (222), e o juiz de direito 
(221) Os processos em que ao tempo da publicação do 
Código já houvesse pronuncia, convindo o réo pôr termo 
nos autos, serão preparados de libello e contestação dentro 
de prazos sufficlentes e iguaes para ambas as partes, e 
logo submetlidos ao segundo conselho de jurados, para 
o que os juizes de direito podem convoca-lo extraordi 
nariamente. — Dec. de 22 de Agosto de 1833, art. 3*. 
O mesmo Decreto, no art U*, determina que onde 
houver mais de um juiz de direito, cada um driles po-
derá convocar ao mesmo tempo um jarv de sentença, 
observando-se então, pelo que diz respeito ao promotor 
publico, o que está disposto no ârt. 38 deste Código. 
Os processos pendentes no segundo conselho de jura-
dos devem ficar em guarda do escrivão» — Av. de 26 de 
Outubro de 1833. 
Quando fòr necessário nomear defensor a algum réo, 
se poderá constranger a qualquer advogado do auditório, 
comminando-lhe a pena de desobediência, e formando-se 
o processo delia nos termos dos arts. 203 e 20/t, no caso 
de se verificar. — Av. de 21 de Novembro de 1835. 
(222) O que não obedecido traz ao processo falta substan 
cial. — Sup. Trib., Acc. de 3 de Setembro de 1859» 
o. P. IS 
 
 
226 
mandará notificar o accusado para com-
parecer na mesma sessão dos jurados, ou 
na próxima seguinte, quando na presente 
recorrente João Adrião Chaves, recorrida D. Luiza Maria 
Angela de Brito. 
As vinte e quatro horas para a apresentação do libello 
correm do momento da decisão do primeiro conselho, 
porquanto o aceusador se deve achar preparado e pre-
sente em juizo, em virtude das citações e editaes que 
precedem a convocação do mesmo jury, na forma dos 
arts. 236 e 237 deste Código; e tanto a lei os Julga 
notificados, que, se não comparecerem, são lançados de 
aceusar, como é expresso no art. 221, não havendo dis-
posição d'onde se possa deduzir a necessidade de nova 
citação. E não vindo o aceusador com o libello dentro das 
vinte e quatro horas, deve ser lançado e continuado o 
processo com vista ao promotor, para que tenha mais 
rápido andamento, segundo as vistas deste artigo. Se o 
aceusador não vier com o libello em tempo, e se o crime 
não fâr daquelles em que o promotor pode intervir, ficará 
a aceusação perempta. Sendo claro que, devendo alguém 
dar baixa na culpa em taes casos, e nos de perdão, depois 
de julgada a criminalidade pelo primeiro conselho, nos 
crimes em que não ha lugar a denuncia, ao juiz -de di-
reito pertence dar a sobredita baixa na culpa do réo.—Av. 
de 25 de Agosto de 1834. 
Por Accórdão de 30 de Abril de 1864, recorrente Adão 
Duarte, recorrido Victorino da Siha Leitão, o Supremo 
Tribunal declarou que não procedera regularmente o es-
crivão, que não ajuntou logo aos autos um libello, que lhe 
foi apresentado, mas não em papel sellado, pois bem 
devia saber que a falta de pagamento de sello não para-
Jysa o andamento dos processos crimes; e que, portanto, 
Alo pode ser imputada ao autor a falta de não ter sido 
apresentado o libello no prazo da lei, quando effecti vã-
mente foi apresentado no dia seguinte ao da intimação 
para isso, sendo a culpa do escrivão. 
 
227 
não seja possível ultimar-se a accusa-ção 
(223). 
Art. 255. A notificação do réq, para 
responder na mesma sessão, será feita três 
dias pelo menos antes do encerramento 
delia, e será acompanhada da cópia do 
libello, da dos documentos, e do rol das 
testemunhas (224). 
Antes deste prazo poderá ser feita em 
qualquer occasiao. 
Art. 256. Para a declaração de que não é 
pos'sivel ultimar-se a aceusação na 
(223) As sentenças de pronuncia, nos crimes indi-
viduaes, proferidas pelos chefes de policia, juizes niuni-l 
cipaes, e as dos delegados e subdelegados que forem 
confirmadas pelos juizes municipaes, sujei ião os réos á 
aceusação, e a serem julgados pelo jury, procedendo-se 
na forma indicada nos aris. 254 e seguintes do Cod. do 
Proc Crim.—Art. 54 da Lei de 3 de Dezembro de 4841. 
(224) Não ter o réo recebido em tempo as cópias deter-
minadas pela lei é nullidade. Assim declarou a Relação 
da Corte nos Acc. ns. 4189 e 4201 de 12 de Dezembro 
de 18«2J,4257 e 4271 de 10 de Março de 1863. Tratando, 
apenas, da cópia do libello, no mesmo sentido decidio o 
Acc. n. 6959 de 6 de Dezembro de 1867. E tendo sido 
entregue a cópia do libello, mas não o rol das testemu-
nhas, o Sup. Trib., no feito n. 1762, por Acc de 9 de 
Maio de 1863, declarou ter sido preterida uma fórmula 
substancial. 
 
228 
mesma sessão, o juiz de direito o proporá 
ao conselho dos jurados, e o que fôr deci-
dido pela maioria absoluta de votos dos 
membros presentes será observado (225). 
Art. 257. Nenhum privilegio isenta a 
pessoa alguma (excepto aquelles que têm 
seus juízos privativos expressamente de-
signados na Constituição) de ser julgada 
pelo jury do seu domicilio, ou do lugar do 
delicto (226). 
(225) Da combinação do art. 254 com o 256 vê-se que 
aos jurados pertence dar maiores prazos, tanto para a aceit 
ação, como para a defesa.—Ar. de 7 de Janeiro de 1834. 
(226) Qualquer individuo que tenha commettido delicto 
em um municipio em que não seja morador, deverá ser 
julgado no lugar do delicto, não só por se achar a juris- 
dicção preventa, como porque o art. 160, g 3*, dá somente 
ao queixoso a escolha de um dos dous lugares. — Av. de 
h de Março de 1835. 
Sendo a pena do crime de ameaças seis mezes de prisão 
e multa correspondente a duas terças partes do tempo, e 
excedendo ella á alçada das autoridades policiaes, só ao jury pertence o julgamento desse crime. — Ar. de 19 de 
Janeiro de 1856. 
A aceusação poderá ser feita por procurador, precedendo 
licença do juiz, quando o autor tiver impedimento que o 
prive de comparecer. — Art. 92 da Lei de 3 de Dezembro 
de 1841. 
Quando nas rebelliões ou sedições entrarem militares, 
serão estes julgados pelas leis e tribunaes militares. — 
Dita Lei, art. 109. 
 
229 
Art. 258. Quando no jury de accusação se 
decidir que ha matéria para accusação, e a 
responsabilidade recahir sobre pessoas que 
tenhão' seus juizos privativos pela 
Constituição, serão remettidos os autos ex-
officio pelo juiz de direito ao tribunal 
competente. 
Art. 259. Formado o segundo conselho, que 
deve ser de doze jurados, guardadas todas as 
formalidades que estão prescriptas para a 
formação do primeiro, e prestado o mesmo 
juramento, o juiz de direito (227) fará ao 
accusado as perguntas que julgar convenientes 
sobre os artigos do libello, ou contrariedade; e 
aquelles factos sobre que as partes 
concordarem assignando os artigos que lhes 
forem relativos, não serão submettidos ao 
exame dos jurados (228). 
(227) O juiz de direito deve rubricar e assignar o interro-
gatório feito ao réOi como determina o art. 99 do Cod- do 
Proc— Acc. da Relação da Carte de 17 de Agostodelbú6. 
(228) Vide nota aos arls, 238 e 242. 
 
 
230 
Art. 260. Findo o interrogatório, o es-
crivão lerá (229) todo o processo de for-
mação de culpa, e as ultimas respostas do 
réo, que estaráõ nelle escríptas. 
Art. 261. O advogado do accusador 
abrirá o Código, e mostrará o artigo, e gráo 
da pena em que pelas circu instancias 
entende que o réo se acha incurso; lerá 
outra vez o libello, depoimentos, e respos-
tas do processo de formação de culpa, e as 
provas com que se acha sustentado (230). 
Art. 262. As testemunhas do accusador 
serão introduzidas na sala da sessão, e ju-
raráõ sobre os artigos, sendo primeiro 
inquiridas (231) pelo accusador, ou seu 
(229) Fórmula substancial. — Acc. do Sup. Trib. de 3