CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1
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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 1


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ou antes de se entrar no conhecimento do pro-
cesso, ou logo que se manifeste o motivo que torne, o 
juiz suspeito.\u2014Av. de 3 de Janeiro de 1834. 
Todas as decisões do jury deveráõ ser dadas em es-
crutínio secreto : nem se poderá fazer declaração alguma 
no processo por onde se conheça quaes os jurados ven-
cidos e quaes os vencedores.\u2014 Lei da reforma, art. 65. 
Sobre o modo da votação, vide nota ao art. 332. 
 
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Decidida a primeira questão negativa, 
mente, não se tratará mais das outras (240). 
Art. 271. Se a decisão fôr negativa, o 
juiz de direito por sua sentença nos autos, 
absolverá o accusado (241), ordenando a 
sua soltura immediata (no caso que elle 
tenha sido posto em custodia), e o levanta-
mento do sequestro dos impressos, gra-
vuras, etc, se o crime fôr por abuso de 
expressão de pensamento. 
Art. 272. Se a decisão fôr afirmativa, a 
sentença condemnará o ráo na pena 
correspondente, ordenando a suppressão 
(240) O empate a respeito da questão,principal im-
porta decisão negativa. \u2014 Accórdão da Relação da Corte, 
de 17 de Setembro de 1850. 
(241) Não é licito aos juizes de direito deixarem de 
conformar-se com a decisão dos juizes de factos.\u2014Ar. 
de 13 de Abril de 1835. 
Os juizes de direito derem executaras decisões do jnry 
ainda que se não conformem com ellas.\u2014 Ar. de A de 
Ferereiro de 1835. 
Á vista do disposto neste artigo e nos arts. 380 e 381 
do Regulamento de 31 de Janeiro de 1842, bem como 
nos antecedentes e subsequentes, é evidente que a sen-
tença deve ser proferida em seguimento e na mesma 
sessão do jury.\u2014Av. de 8 de Novembro de 1854. 
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das peças denunciadas, sendo a accusaçao 
de abuso de expressão de pensamento (242). 
Art. 273. Sc fôr affirniativa só quanto ao 
abuso, mas negativa quanto a ser cri-
minoso o. accusado, o juiz de direito o 
absolverá, c o mandará immcdiatamente 
soltar (se tiver sido posto em custodia); 
mas ordenará a suppressao das peças de-
nunciadas, sendo a accusaçào de abuso de 
expressão do pensamento. 
(2)2) Ao juiz de direito pertence a applicaçõo da 
pena, a qual deverá ser no gráo máximo, médio ou 
mínimo, segundo as regras de direito, á vista das deci-
sões sobre o facto proferidas pelos jurados.\u2014Art. 57 da 
Lei de 3 de Dezembro. 
O juiz de direito appellará ex-olticio se entender que \u2022 
jury proferiu decisão sobre o ponto principal da causa, 
contraria á evidencia resultante dos debates, depoimentos 
e provas perante elle apresentadas ; devendo em tal caso 
escrever ao processo os fundamentos de sua convicção 
contraria, para que a Relação, á vista delias, decida se a 
causa deve ou não ser submettida a novo jury. Nem o 
réo, nem o aceusador ou promotor terão direito de 
sollicitar este procedimento da parle do juiz de direito, o 
qual não o poderá ler, se, Immediatamente que as de-
cisões do jury forem lidas em publico, elle não declarar| 
que appcllará ex-oflicio, o que será declarado pelo es-
crivão do jury.\u2014Dita Lei, art. 79, | 1*. 
Também appellará ex-officio o juiz de direito, se a 
pena applicada for de morte ou de galés perpetuas.\u2014Dita 
Lei, art. 79, 8 2o. 
 
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Art. 274. Se, nas peças mandadas se 
questrar , apparecer claramente provada 
a existência de um ou outro facto crimi 
noso, distincto do que faz o objecto 4a ac- 
cusação, e pelo qual haja lugar o officio 
do promotor, por ser delieto publico, o 
mesmo promotor se servirá dos autos como 
corpo de delieto, e requererá ao juiz de 
direito a convocação do jury pelo facto 
denunciado e provado. I 
CAPITULO Hl. 
De varias disposições communs ao jury de accusaçio, e 
sentença, e peculiares aos casos de abuso da lia bardado 
de exprimir os pensamentos. 
Art. 275. Entrando-se no sorteamento 
para a formação do segundo conselho, e á 
medida que o nome de cada um juiz de 
facto fôr sendo lido pelo juiz de direito, 
farão o aceusado e o aceusador suas re-
cusaçôes sem as motivarem (243). 
(243) Se, feita» as recreações, se derem por suspeitos 
 
240 
O accusado poderá recusar doze, e o 
accusador depois delle, outros tantos ti-
rados á' sorte (244). 
Art. 276. Se os accusados forem dous, 
ou mais, poderáo combinar suas recusa-
ções, mas, não combinando ser-lhes-ha 
permittida a separação do processo, e nesse 
caso cada um poderá recusar até doze. 
Art. 277. São inhibidos de servir no 
mesmo conselho: ascendentes e seus des-
cendentes, sogro e genro, irmãos e cu-
nhados, durante o cunhadio. 
tantos juizes que não se possa continuar no julgamento, 
havendo na casa menos de 60 jurados, dever-se-ha re-
correr ao remédio do art. 315 do Código do Processo 
para a continuação da sessão. \u2014 Av. de 2 de Julho de 
1834. 
Vide nota ao art. 356 do Regulamento de 31 de Ja-
neiro de 1842. 
(2fi4) Mas os recusados hão podem mais ser aceitos para 
completar numero de juizes, porque isso importa uma 
transacção entre promotor e partes, que não é admissível 
nem por parte do promotor nem do juiz. \u2014Av. n. 6 de 
10 de Janeiro de 1854. 
 
241 
Destes o primeiro que tiver sahido á 
\u2022sorte é que deve ficar (245). 
Art. 278. Preenchido o numero dos 
juizes de facto, que effectivamente hão de 
formar o jury de sentença, o juiz de di\u2014 
(245) O Código, estendendo a este tribunal esta prohi-
bição expressa no Decreto de 23 de Julho de 1698 e 
reproduzida no Aviso de 21 de Agosto de 17%, não teve 
por fim limita-la a este tribunal, antes pelo contrario, 
ucneralisaudo-a, como que lhe deu mais força e vigor. 
Assim não deve um juiz municipal conhecer das pro-
nuncias proferidas por seu irmão ; não sendo todavia ne-
cessário que se declare suspeito.\u2014 Av. de 26 de Abril 
de 1849. 
Vide nota ao art. 247 do Regulamento de 31 de Ja-
neiro de 1842. 
Este artigo n3o inhibe de*servirem no mesmo conse-
lho dons primos-irmãos, pelo que o Supremo Tribunal 
entendeu dever annullar uma decisão, em que interviera» 
jurados incompetentes, por não serem os primeiros sor-
teados, na forma deste Código, visto que destes não fôrão 
dous aceitos pelo fundamento de serem primos-irmãos de -
outros já sorteados. \u2014 Accordão de 29 de Julho de 1865. 
Na appellação n. 6231, no accordão de 9 de Outubro 
<le 1868 a Relação deu como nullidade ter sido julgado 
inhibido de servir no conselho um dos jurados sorteados, 
por ser sogro do juiz de direito, quando não era isso 
motivo legitimo de escusa, segando este art. 277 ; o que? 
\u2022deu lagar a que fosse substituído por outro que assim 
iicou incompetente. 
Na appellação n. 7237, accordão de 19 de Dezembro 
<le 1871, mandou o tribunal o appellado a novo jury, 
\u2022além de outros motivos, pela irregularidade do sorteio 
\u2022dos 12 membros do conselho, nSo fazendo-se menção dos 
nomes dos jurados impedidos. 
c. P. 16 
242 
reito lhes tomará o juramento. Na prestação 
dos juramentos basta que o primeiro* que o 
der leia a fórmula, dizendo depoi»-cada um 
dos outros\u2014 Assim o juro \u2014- 
Art. 279. Qualquer cidadão pôde re-
presentar ao promotor, para este officiar-
nos casos em que o deve fazer, para o que 
lhe suhministrará o conhecimento e-
instrucçÕes do crime, cuja denuncia pro-
puzer, com declaração do tempo, do lugar-
e das testemunhas' presenciaes ao acto-, 
denunciado (246). 
Art. 280. Participando o promotor por-
escripto ao juiz de direito que o impressor-
faltou á sua obrigação, procederá o juiz-de 
direito ex-officio, mandando autuar a. 
participação, e, sem mais formalidade que-a 
audiência do impressor, lhe imporá &. 
pena, ou Ih'a relevará como fôr justo (247)- 
(246) Mesmo nos casos de responsabilidade de empre-
gados públicos.\u2014AT. de 18 de Outubro de 1834. 
(2A7; Este artigo está derogado, diz o Aviso n. úG2 de 
42 de Outubro de 1869. 
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Art. 281. Todas as questões incidentes, 
de que dependerem as deliberações finaes, 
em um ou em outro jury, serão decididas 
pelos juizes