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Aula 4

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contrária.
Assim, se não há manifestação explicita da negativa de doação, as equipes de saúde podem proceder a retirada dos órgãos.
Em 1998, através de medida provisória e em 2001 promulgada pela Lei 10.211/2001(que alterou alguns dos dispositivos da Lei dos transplantes original de 1997) a legislação brasileira (houve ainda a Lei 11.633 de 2007 que incluiu um artigo na lei original sobre o direito a informação sobre os benefícios da doação de placenta e sangue do cordão umbilical) substitui este critério pelo do consentimento familiar, onde o cônjuge ou parente na linha sucessória assume a responsabilidade pela autorização da doação.
As duas demais modalidades, representam apenas propostas ainda não amplamente debatidas.
A chamada manifestação compulsória defende o conceito de que todo cidadão deve fazer formalmente a opção entre ser ou não um doador e a abordagem de mercado defende a possibilidade de incentivos financeiros à família do doador como forma de estimular as doações voluntárias.
De modo geral, podemos resumir os aspectos vinculados à questão da doação de órgãos a um conjunto de princípios éticos gerais, nos quais, se vinculam intrinsecamente as questões dos transplantes. São eles:
O princípio da intangibilidade corporal, que associa de modo absoluto o corpo à identidade pessoal, e assim, estende ao corpo do indivíduo (e às suas partes) os mesmos princípios de dignidade e indisponibilidade por terceiros que regem os direitos da pessoa. O sentido de integridade, portanto, fica compreendido sob a perspectiva da integridade pessoal ampla, não sendo possível separar o “eu físico” do psíquico, compondo ambos uma única identidade. Assim, intervenções no corpo são sempre interpretadas como intervenções na integridade pessoal.
O princípio da solidariedade, que considera que o ato de doar órgãos inclui-se na possibilidade que os indivíduos têm de sacrificar sua individualidade em detrimento do bem da comunidade (de outros), desde que estas doações não impliquem em comprometimento da vida ou da saúde geral da pessoa.
O princípio da totalidade (já visto na aula 2), que entende o corpo como uma unidade, sendo cada parte do mesmo avaliada de acordo com o todo. Assim, cada parte (membro, órgão ou função), só pode ser sacrificada em função da unidade do corpo, ou seja, desde que isso seja útil para o bem-estar de todo o organismo ou que em caso de doação a terceiros, não comprometa a integridade geral.
A estes princípios éticos gerais, somam-se ainda aspectos específicos que se traduzem em princípios do biodireito próprios para as situações de transplantes. Dentre eles, destacam-se:
O princípio da autonomia, pelo qual qualquer coleta de tecidos ou órgãos tem de passar pelo consentimento do doador.
O princípio da confidencialidade, pelo qual se preserva o direito do indivíduo doador em decidir qual a informação sua que autoriza a veiculação ao receptor e qual quer manter em anonimato.
O princípio da gratuidade, que estabelece que o órgão ou tecido apenas poderá ser dado e nunca vendido, visto que não se trata de objetos e sim partes da própria individualidade.  
O princípio da não discriminação, em que a seleção dos receptores só pode ser feita mediante critérios médicos. O Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplantes, estabeleceu na Portaria n.º 3.407 de 5 de agosto de 1998 o chamado sistema de lista única. Este sistema informatizado integra toda rede de saúde nacional e segue critérios de distribuição específicos para cada tipo de órgão ou tecido, alocando cada receptor em função de sua posição na lista de espera pelos critérios próprios do órgão ou tecido ao qual se candidatou.
Segundo José R. Goldim, a alocação dos órgãos para transplante deve ser feita em dois estágios. “O primeiro estágio deve ser realizado pela própria equipe de saúde, contemplando os critérios de elegibilidade, de probabilidade de sucesso e de progresso à ciência, visando à beneficência ampla. O segundo estágio, a ser realizada por um Comitê de Bioética, pode utilizar os critérios de igualdade de acesso, das probabilidades estatísticas envolvidas no caso, da necessidade de tratamento futuro, do valor social do indivíduo receptor, da dependência de outras pessoas, entre outros critérios mais.”  
1.Chamamos de alotransplantes aos:
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1) Transplantes de órgãos realizados entre seres de diferentes espécies vivas. 
2) Transplantes de órgãos realizados entre um homem e uma mulher. 
3) Transplantes de órgãos realizados entre seres humanos. 
4) Transplantes de órgãos realizados de forma ilegal. 
5) Transplantes de órgãos realizados entre seres humanos cadáveres. 
2.Em relação aos meios de obtenção de órgãos para transplantes de um ser humano morto, o entendimento ético atual é o de que:
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1) O bem-comum está acima da vontade individual e, consequentemente, se aceita a apropriação de órgãos de cadáveres. 
2) Todo cidadão é um doador em potencial a menos que tenha expressado vontade contrária. Assim, se não há manifestação explicita da negativa de doação, as equipes de saúde podem proceder à retirada dos órgãos. 
3) Só pode haver retirada de órgãos para doação caso o falecido tenha explicitado esta vontade em vida (doação voluntária). 
4) Em caso de ausência de manifestação própria de vontade de doação a família do falecido pode decidir se os órgãos serão ou não doados para transplantes. 
5) As partes do corpo pertencem ao conjunto chamado pessoa. Assim, são considerados bens do falecido e a família pode decidir se doa ou vende os órgãos. 
3.O princípio da solidariedade, que considera que o ato de doar órgãos inclui-se na possibilidade que os indivíduos têm de sacrificar sua individualidade em detrimento do bem de outros. Impõe a esta ação a limitação de que:
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1) Estas doações não podem implicar comprometimento da vida ou da saúde geral da pessoa. 
2) Estas doações não podem ser feitas a estranhos se houver doentes na família necessitando destes órgãos. 
3) Estas doações devem necessariamente ser realizadas em vida. 
4) Estas doações não devem ser feitas por intermédio de bancos de órgãos públicos ou privados. 
5) Estas doações não podem ser feitas de modo identificado, de forma a que o receptor tenha conhecimento de quem foi o doador. 
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