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realidade do País, não negando os avanços científi-
cos advindos de sociedades que já atingiram um pa-
tamar de desenvolvimento maior que o do Brasil.
Também não se deve negar os avanços obtidos por
vários municípios brasileiros, principalmente no que
tange a êxitos epidemiológicos em relação à cárie
dental. Essas localidades buscaram alternativas dife-
rentes, de acordo com suas realidades loco-regionais.
Dentre essas destacam-se a água de abastecimento
fluoretada e sua efetiva vigilância, escovação super-
visionada com creme dental fluoretado em escolas,
entre outras. Este êxito epidemiológico pode ser cons-
tatado na Tabela 6.
O modelo de atenção em saúde bucal para o Bra-
sil não pode, portanto, ser baseado em atenção indi-
vidual que dependa de profissionais e equipamentos
odontológicos, o que ocasionaria um custo extrema-
mente alto, mas sim em políticas de promoção de
saúde que possam ser de alcance da maioria da po-
pulação. Como exemplos pode-se citar a fluoretação
Rev. Saúde Pública, 30 (6), 1996 525Custo financeiro e RH em assistência odontológica
Traebert, J.L.
Tabela 6 - CPO-D aos 12 anos de idade em alguns municípios brasileiros.
Município Autores Ano CPO-D
São José dos Campos (SP) Rosa e col.27 1992 3,96
Ipatinga (MG) Peres21 1995 2,80
Araucária (PR) Rocha & Fonseca25 1994 3,49
Jaraguá do Sul (SC) Clavera3 1994 4,47
Santos (SP) Pref. Mun. Santos24 1994 1.73
Balneário Camboriú (SC) Lunardelli17 1994 4,12
Florianópolis (SC) Peres e col.22 1995 2,71
Blumenau (SC) Traebert e col.28 1995 2,87
das águas de abastecimento e sua vigilância, ou o
tratamento das águas em áreas menos favorecidas, o
acesso universal ao creme dental fluoretado e aos
meios de higiene bucal, uma política mais adequada
de alimentos visando reduzir o consumo de açúcar e
estimular a utilização, principalmente em nível in-
dustrial, dos substitutos da sacarose, ampla forma-
ção de pessoal auxiliar em odontologia, com o intui-
to de fortalecer a educação em saúde e proporcionar
o aumento das equipes de trabalho destinadas ao aten-
dimento da população, e, finalmente, uma melhor
distribuição de renda, melhorando as condições de
vida e ampliando o acesso aos meios de prevenção
às doenças bucais mais prevalentes. O modelo deve
basear-se na promoção de saúde, incluindo preven-
ção e educação, que não necessariamente depende
de recursos humanos humanos odontológicos e de
alto custo, e não somente no tratamento da doença,
embora esta, quando já instalada, deva ter seu trata-
mento propiciado através de um amplo acesso aos
serviços. Estes devem estar adequados quanto à tec-
nologia, que deve ser apropriada, e priorizações, de
acordo com o quadro epidemiológico vigente.
AGRADECIMENTOS
Aos professores Maria do Carmo Matias Freire,
do Departamento de Odontologia Social da Univer-
sidade Federal de Goiás (UFG) e Marco Aurélio de
Anselmo Peres, do Departamento de Saúde Pública
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
pela revisão e sugestões.
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