CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 2
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CODIGO DE PROCESSO I IMPERIO - VOL 2


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razão de sabê-lo. 
á." Perguntar ao réo e ao offendido. 
Em geral tudo o que for útil para esclarecimento do 
facto e das suas circumstancias. 
Art. AO. No caso de flagrante delicio, ou por effeito de 
queixa ou denuncia, se logo comparecer a autoridade in-
diciaria competente para a formação da culpa, a investigar 
do facto criminoso, notório ou arguido, a autoridade po-
licial se limitará a auxilia-la, colligindo ex officio as provas 
e esclarecimentos qué possa obter e procedendo na es. 
phera de suas attribuições ás diligencias que lhe forem 
requisitadas pela autoridade judiciaria, ou requeridas pelo 
promotor publico ou por quem suas vezes fizer. 
Art. 41. Quando, porém, não compareça logo a auto-
ridade judiciaria ou não instaure immediatamente o pro-
cesso da formação da culpa, deve a autoridade policial 
proceder ao inquérito acerca dos crime» comrouns de que 
tiver conhecimento próprio, cabendo a acção publica, oa 
por denuncia ou a requerimento da parte interessada oit 
no caso de prisão em flagrante. 
Art. d'2. O inquérito policial consiste em todas as di-
ligencias necessárias para o descobrimento dos factos cri-
minosos, de suas circumstancias e dos seus autores e 
complices; deve ser reduzido a instrumento escripto, 
observando-se o seguinte: 
1.° Far-se-ha corpo de delicio, uma vez que o crime 
seja de natureza dos que deixão vestígios. 
2.° Dirigir-se-ba a autoridade policial com toda a prom-
ptidão ao lugar do delicto; e ahi, além do exame do facto 
criminoso e de todas as suas circumstancias e descripção 
\u2022da localidade em que se deu, tratará com cuidado de 
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«Investigar e colligir os indícios existentes e apprehender - 
os instrumentos do crime e quaesquer objectos encon-
trados, lavrando-se de tudo auto assignado pela autoridade, 
.peritos e duas testemunhas. 
3." Interrogará o delinquente, que for preso em fla-
grante e tomará logo as declarações juradas das pessoas -
ou escolta que o conduzirem e das que presenciarás o 
facto ou delle tiverem conhecimento. «ar 4.* Feito o 
corpo de delicio ou sem elle, quando não-possa ter lugar, 
indagará quaes as testemunhas do crime e as fará vir á sua 
presença, inquirindo-as sob-juramento a respeito do facto 
e suas circumstaneías e de seus autores ou co tríplices. 
Estes depoimentos na mesma occasião serão escriptos 
resumidamente em um só termo, assignado pela autoridade, 
testemunhas e delinquente, quando preso-*em flagrante. 
5.* Poderá dar busca com as formalidades legaes para 
appreheosâo das armas e instrumentos do crime e de 
quaesquer objectos a elle referentes: e desta diligencia se 
- lavrará o competente auto. . 
H 6.* Terminadas as diligencias e autuadas todas as pecas, 
serão conclusas á autoridade que proferirá o seu despacho* 
no qual, recapitulando o que for averiguado, ordenará 
que o inquérito seja remettido por Intermédio do juiz 
municipal ao promotor publico ou a quem suas vezes 
fizer; e na mesma occasião indicará as testemunhas mais 
idóneas que por ventura ainda não tenhão sido inqueridas. 
i Dessa remessa dará immediatamente parte circumstan- 
ciada ao juiz de direito da comarca. 
Nas comarcas especiaes a remessa será por intermédio do 
juiz de direito que tiver a jurisdicção criminal do dis-Jricto, 
sem participação a outra autoridade. 
7." Todas as diligencias relativas ao Inquérito serão 
ifeitas" no prazo improrogavel de cinco dias, com assis-
tência do indiciado delinquente, se estiver preso; podendo 
impugnar os depoimentos das testemunhas. 
Poderá também impugna-los nos crimes afiançados, se 
wreqnerer sua admissão aos termos do inquérito. 
8.* Nos crimes, em que não tem lugar a acção publica» 
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o inquérito feito a requerimento da parte interessada e 
reduzido a instrumento, ser-lhe-ha entregue para o usa 
que entender. 
9.° Para a notificação e comparecimento das testemu-
nhas e mais diligencias do inquérito policial se obser-
varão, no que for appiicavel, as disposições que regulão 
o processo da formação da culpa. 
Art. A3. Se durante o inquérito policial, a autoridade judiciaria competente para a formação da culpa entrar no» 
procedimento respectivo, immediatamente a autoridade 
policial lhe communicará os esclarecimentos e resultado 
das diligencias que já tenha obtido e continuará a coo-
perar nos termos do art. 40. 
Mo ha prevenção de jurisdicção no acto do inquérito \u2022 
policial para oefleito de poder a autoridade judiciaria ou o 
promotor publico dirigir-se a qualquer autoridade policial e 
requisitar outras informações e diligencias necessárias; ou 
para o effeito de poder ex officio cada qual das autoridades 
policiaes colher esclarecimentos e provas a bem da 
mesma formação da culpa, ainda depois de iniciada. 
Art. /iZi.- Os juizes de direito das comarcas especiaes e os juizes municipaes dos termos das comarcas geraes,. 
recebendo directamente, por parte da autoridade policial. o 
inquérito, delle tomaráõ conhecimento e o transmitti-raõ 
ao promotor publico ou a quem suas vezes fizer, depois 
que verificarem se do mesmo inquérito resultão \u25a0 
vehementes indícios de culpa por crime inafiançavel contra 
alguém; e neste caso, reconhecida a conveniência da 
prompta prisão do indiciado, deverás logo expedir o com-
petente mandado ou requisição. 
Se não existir no termo promotor publico ou adjunto,. 
nomearão pessoa idónea que sirva no caso sujeito. 
Quando o próprio juiz effeciivo não puder encarregar-
sç da instrucção do processo, por afOuencia de trabalho-
ou impedimento legitimo, transmittindo o inquérito ao~ 
promotor ou adjunto ou a quem for nomeado na falta 
delles, deverá logo declarar que seja requerido o res-
pectivo si bstituto ou supplente, que de preferencia é o-
<que tem jurisdicção no districto do crime. 
a 
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14. Velar em que os seus delegados, 
subdelegados e subalternos cumprão os seus 
Regimentos, e desempenhem os seus deveres 
no que toca á policia. 
15. Dar-lh.es as instrucções que forem 
necessárias, para melhor desempenho das 
attribuições policiaes que lhes forem in-
cumbidas. 
16. Organizar a estatística criminal da 
província é a do município da corte. 
17. Organizar, por meio de seus de-
legados, subdelegados, juizes de paz e 
parochos, o arrolamento da população da 
província. 
18. Fazer ao ministro da justiça, e aos 
presidentes das províncias as devidas par-
ticipações, na forma prescripta no capitulo 6o 
das disposições policiaes deste Regulamento. 
19. Nomear os carcereiros, e demitti- 
los quando lhes não mereção confiança. 
Art. 59. Os chefes de policia exerceráõ 
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por si mesmos, e immediatamente, as at-
tribuições mencionadas nos §,§ Io, 2o, 3% 
4°, 5o, 6', 7o, 11° e 12° do artigo ante-
cedente, dentro do termo da capital em 
que residirem, e nos outros somente quando 
nelles se acharem, ou por intermédio dos 
seus delegados ou subdelegados. 
Art. 60. O governo ou os presidentes 
nas províncias poderáõ ordenar que os 
chefes de policia se passem temporaria-
mente para um ou outro termo ou comarca 
da província, qnando seja ahi necessária a 
sua presença, ou porque a segurança e 
tranquillidade publica se ache gravemente 
compromettida, ou porque se tenha alli 
commettido algum ou alguns crimes de tal 
gravidade e revestidos de circumstan-cias 
taes, que requeirão uma investigação mais 
escrupulosa, activa, imparcial e in-
telligente; ou finalmente porque se achem 
envolvidas nos acontecimentos que occor-
rerem pessoas. cujo poderio e prepotência 
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tolha a marcha regular eHvre das justiças do 
lugar fá-3). 
Art. 61. A remessa, de que trata o § 13 do 
art. 58 poderá ter lugar nos casos dos §§ 1°, 
2°, 3», 4&quot;, 5o, 6o, 7Ô, e 12° do mesmo artigo, 
todas as vezes que esses casos se não 
apresentem revestidos de círcumstancias 
extraordinárias e taes que reclamem a 
attenção particular