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Aula 7

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objetivos. Valores são componentes determinantes destas decisões. 
Ainda assim, ou apesar disso, não podemos também abrir mão de critérios de justiça neste processo decisório. E critérios de justiça tendem a ser mais objetivos e imparciais.
Critérios
Dentre estes critérios, José R. Goldim indica a utilização de duas características básicas na classificação da tipologia dos recursos a serem utilizados.
A primeira destas características se refere ao fato de os recursos serem divisíveis ou não.
A segunda se refere ao fato de serem homogêneos ou heterogêneos em relação à clientela que deles necessita.
Estas categorias são normalmente analisadas em conjunto. Por exemplo: Medicamentos a serem distribuídos para um grupo de pacientes com a mesma patologia é um recurso homogêneo e divisível, na medida em que todos irão dividir o estoque do mesmo remédio. Já o estoque de sangue, é um exemplo de recurso que, apesar de ser divisível, pois muitos utilizarão o mesmo estoque, é heterogêneo, na medida em que nem todos terão necessidade dos mesmos componentes. 
Os leitos hospitalares são recursos indivisíveis homogêneos, pois apenas um paciente pode usufruir do mesmo recurso que todos necessitam por igual e um órgão a ser implantado em um paciente é um recurso indivisível e heterogêneo, na medida em que cada órgão atenderá a apenas um paciente e nem todos os pacientes podem se beneficiar do mesmo órgão.
Critérios de priorização
Quanto aos critérios de priorização para utilização destes recursos, em geral, os mais comumente utilizados são:
Igualdade de Acesso: Este critério, na forma como é proposto por Edmond Cahn, defende que do ponto de vista ético se um recurso não pode ser acessível a todos que dele necessitam, então não pode ser ofertado a ninguém. Esta perspectiva segue a lógica de que não seria ético salvar a vida de uns em detrimento das vidas de outras pessoas. Este critério é denominado como sendo a igualdade de acesso real. Já James Childress, em uma perspectiva diferente do mesmo critério, denominada de igualdade de acesso provável, considerar que a igualdade não estaria necessariamente na possibilidade de acesso do recurso a todos, mas na forma como as pessoas seriam escolhidas para se beneficiar destes recursos. Assim, defende a escolha através de sorteios, filas de espera e outras formas aleatórias de definição de beneficiados. (in J.R. Goldim - http://www.ufrgs.br/bioetica/acessoig.htm)
Benefício Provável: Fundamentado em dados estatísticos este critério considera a probabilidade que cada indivíduo em particular (microalocação) ou um grupo de indivíduos (macroalocação) tem em se beneficiar do recurso que está sendo disputado.
Efetividade: O critério orientado para o futuro, a efetividade prega que os recursos escassos devem ser alocados para aqueles pacientes que possam fazer o melhor uso para si (efetividade local) ou para os outros, especialmente a sociedade, como, por exemplo, a priorização a agentes de saúde e demais profissionais de serviços essenciais (efetividade global).
Merecimento: O critério do merecimento é voltado para o passado, para a vida pregressa de cada pessoa que necessita o recurso. Segundo este critério, os recursos devem ser alocados prioritariamente para pessoas que já demonstraram efetiva contribuição para a sociedade, como uma forma de agradecimento ou demonstração de sua importância ao grupo social.
Necessidade: O critério da necessidade vincula a disponibilização de recursos escassos àqueles que deles mais necessitam em uma condição presente. Ou seja, estabelece a prioridade aos que estão em estado de saúde mais grave, independente de qualquer análise referente ao custo desta intervenção ou mesmo à efetividade da terapêutica.
Conclusão
Estes e outros critérios visam dar alguma objetividade a um processo decisório de alocação de recursos de saúde em situações de escassez. Naturalmente que, apesar disso, esta jamais será uma tarefa fácil ou isenta de conflitos internos ou mesmo livre de pressões políticas ou econômicas.
O objetivo principal destes procedimentos é evidenciar justamente a complexidade destas ações, na medida em que tentativas de simplificação deste processo decisório, invariavelmente, implicarão em injustiças ou favorecimentos ilícitos e antiéticos.
Atividade Proposta:
Tropas do Nepal foram fonte de surto de cólera no Haiti, diz ONU.
Uma investigação das Nações Unidas sobre o surto de cólera que atingiu o Haiti no ano passado apontou que um acampamento de tropas do Nepal que integram as forças de paz da ONU no país, conhecidas pela sigla Minustah, foi a provável fonte da epidemia. 
As conclusões dos peritos contradizem declarações anteriores da ONU, que havia afirmado que as condições sanitárias no acampamento eram adequadas. 
Mais de 4,5 mil pessoas morreram em consequência do surto de cólera, que ocorreu pouco após o terremoto devastador que matou mais de 300 mil pessoas no país em janeiro de 2010. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,tropas-do-nepal-foram-fonte-de-surto-de-colera-no-haiti-diz-onu,715330,0.htm 
Analisando a notícia acima, selecione quais princípios éticos básicos não foram seguidos nesta situação.
1.Marx dizia que privilegiar as condições situacionais sem considerar os sujeitos e suas manifestações de vontade pessoal no entendimento ou análise dos processos históricos era um equívoco tão grande quanto entender determinadas tomadas de decisões pessoais sem levar em conta as condições históricas e temporais inerentes aos sujeitos. Seguindo esta mesma lógica, podemos afirmar que, em termos éticos:
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1) A manutenção dos direitos individuais fica sempre condicionada à preservação dos direitos coletivos. 
2) A manutenção dos direitos individuais é inviolável sobre quaisquer condições ou circunstâncias. 
3) A preservação dos direitos individuais deve estar condicionada às necessidades do momento histórico de uma sociedade. 
4) As decisões pessoais sempre levam em consideração a preservação dos direitos coletivos. 
5) A preservação dos direitos coletivos deve ser compreendida pelas manifestações de vontade pessoal dos sujeitos.
2.O chamado Princípio da Prevenção tem como fundamentação básica, a lógica pela qual:
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1) Nenhuma medida preventiva em situações epidêmicas pode ser descartada sem que esteja absolutamente comprovada a ausência de sua necessidade. 
2) Na possibilidade de risco grave ou eminente todas as medidas preventivas devem estar pautadas em convicções cientificamente comprovadas. 
3) Na falta de certeza científica absoluta a respeito da existência de riscos graves ou eminentes não há necessidade de estabelecimento de medidas preventivas em excesso. 
4) Nenhuma medida preventiva deve ser tomada antes da certeza científica absoluta de sua eficácia em situações epidêmicas. 
5) Em condições epidêmicas todas as medidas preventivas existentes devem ser tomadas, independente da certeza científica absoluta da ausência de sua necessidade. 
3.Um recurso é classificado como homogêneo e indivisível quando:
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1) Todos os pacientes necessitam do mesmo recurso e podem compartilhar dele. 
2) Todos os pacientes necessitam do mesmo recurso, mas não podem se beneficiar dele ao mesmo tempo. 
3) O recurso é o mesmo para todos os pacientes, mas cada um se utiliza de uma especificidade deste. 
4) O recurso não pode beneficiar a todos os pacientes ao mesmo tempo e nem todos os pacientes necessitam daquele recurso em particular. 
5) O recurso é o mesmo para todos os pacientes, mas a distribuição dele não é feita em condições éticas igualitárias. 
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