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Tribunal de Contas e Estatudo dos Congr - Batista

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Tribunal de Contas da União
O Tribunal de Contas da União tem como objetivo zelar pelo patrimônio público de modo que o dinheiro público não seja desperdiçado. Por ter esse tipo de atribuição (sustar a execução de determinado ato, por exemplo) que esse órgão merece o nome de Tribunal. O ato de sustação de um contrato não será nos moldes do art. 71, X, mas sim do art. 71, §1º. Como o contrato é um ato bilateral, o Congresso deve adotar o ato de sustação e deve falar com o Executivo. Se o Tribunal solicitar a sustação ao Congresso e este nada fizer, ou que o Executivo não efetive as medidas previstas, o §2º permite que o Tribunal tome tais medidas.
Estatuto dos congressistas
Para começarmos a falar em Estatuto dos Congressistas, é necessário que saibamos o que é imunidade e inviolabilidade. A imunidade pode ser de duas naturezas: formal e material. O foro privilegiado dos congressistas, por exemplo, é uma imunidade formal. Chama-se de imunidade formal as regras específicas segundo as quais o congressista pode ser responsabilizado. A grande característica da imunidade formal é que não impede que o congressista seja responsabilizado, apenas estabelece procedimentos específicos para que isso aconteça.
Na imunidade material, há uma cláusula que impede que o congressista seja responsabilizado. Isso também é chamado de inviolabilidade, ou seja, imunidade material é sinônimo de inviolabilidade. Enquanto que imunidade é um termo abrangente, a inviolabilidade é uma espécie de imunidade. Se certa regra constitucional impede que um congressista seja responsabilizado (art. 53, caput, por exemplo), falaremos em inviolabilidade.
Na teoria constitucional, diz-se que as normas constitucionais podem ser regras ou princípios. As regras são dotadas de objetividades e são aplicáveis em sua integralidade ou não são aplicáveis. Os princípios têm conteúdo valorativo e podem ser ponderados. Isso é importante para a interpretação do art. 53, caput. Aquele que considera que a norma do referido artigo é uma regra, defende que seu conteúdo é objetivo e, portanto, aplica-se sem ponderação. Nesses casos, os congressistas nunca serão responsabilizados por suas opiniões, palavras e votos. Há, porém, quem defenda que esse dispositivo é um princípio e, portanto, admite ponderação.
O art. 55, §1º, nos auxilia na compreensão do art. 53, caput. Ao determinar que configura quebra de decoro o abuso das prerrogativas do art. 53, percebe-se que a imunidade parlamentar é ponderável. Vemos, portanto, que é pacífico, tanto para a doutrina, quanto para a jurisprudência, que a norma constitucional do art. 53, caput, é um princípio, não uma regra. Caso um congressista chegue ao absurdo de incitar a violência, por exemplo, ele poderá ser responsabilizado.
Após essa imunidade material, ou inviolabilidade, vamos avançar às imunidades formais. O art. 53, §1º, determina-se que há um foro por prerrogativa de função. Qualquer crime cometido por um sujeito ativo que é congressista, quem julga é o Supremo. Não pesa a matéria, mas sim a pessoa e o cargo que ela ocupa. É importante atentar para o fato de que os congressistas estão sujeitos à jurisdição do STF a partir da diplomação. Assim, tecnicamente, o Estatuto dos Congressistas começa antes da posse. Isso faz sentido porque não podemos descartar uma prática autoritária que passa a perseguir uma pessoa já sabidamente eleita.
O §3º tem uma redação dada pela emenda constitucional 35/2001. Antes dela, enfrentava-se o problema de que o Supremo só poderia processar o congressista caso a casa em que ele atuasse desse uma autorização. Isso era muito cômodo para a casa já que bastava a inércia para que o processo não tramitasse no STF. Tal como estava o art. 53, tínhamos consagrada a ideia de impunidade. Hoje, para sustar o andamento do processo, é necessário que a casa se manifeste de forma expressa. Pode parecer que pouco mudou, mas hoje, o congressista será processado desde que a casa faça alguma coisa, enquanto que anteriormente, bastava a inércia. Além disso, se o crime for praticado antes da diplomação, a casa não poderá sustar o julgamento em nenhuma hipótese.
A única forma de prisão admitida para um congressista é a prisão em flagrante. Nesses casos, é necessário que sejam feitas três comunicações: ao juiz competente, ao próprio congressista e à casa em que ele atua. Como essa prisão tem um controle dúplice, é necessário que se aplique o in dubio pro reo nos casos de contradições. Se o juiz quiser mantê-lo preso, mas a casa em que ele atua defende a soltura, ele será solto. O contrário também se aplica. Ele só se manterá preso se houver concordância entre o entendimento da casa que ele atua e o juiz competente.
Sobre o §6º, há uma divergência doutrinária. Há quem defenda que é uma imunidade formal já que, no âmbito de um processo, o congressista não é obrigado a testemunhar. Para Berthier, é uma imunidade material já que aquele que é intimado a depor é obrigado não só a falar a verdade, como também de não omitir um fato sabido. Do contrário, essas pessoas incorrerão no crime de perjúrio. O congressista não é obrigado a falar nada e, portanto, seria imunidade material. Ele não é obrigado a falar e nem ordem judicial pode obrigá-lo.
A questão da perda de mandato nos remete ao art. 55, que arrola os seis casos em que isso pode acontecer. Volta e meia vemos na mídia congressistas condenados e julgados que não perdem o seu mandato por falta de decoro. O art. 55 nos leva para dentro de cada uma das casas e vemos quais procedimentos cabem para cada casa do Congresso.