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Caso Clínico 4 - Robson

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CASO CLÍNICO – ROBSON 
Letícia Guedes Morais Gonzaga de Souza 
 
Robson, 32 anos, negro, fazendeiro, chega ao hospital queixando-se de dores 
articulares e inchaço no joelho, paralisia facial e tontura. Durante a triagem, paciente 
apresenta batimento cardíaco irregular. 
No consultório, Robson nega possuir problemas de saúde crônicos não transmissíveis 
ou Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Para além, médica observa eritema 
na pele do paciente. Quando questionado, paciente relata que frequentemente é 
picado por carrapatos, uma vez que seu trabalho é no campo. Ao exame físico, 
paciente apresenta: 
Pressão Arterial (PA) 122/78 mmHg 
Frequência Cardíaca (FC) 119 bpm 
Glicose 73 mg/dL 
Temperatura 38ºC 
Altura 1,82 m 
Peso 76 kg 
 
 
Figura 1: Lesão apresentada pelo paciente semanas antes da consulta. Fonte: 
Nolen, 2020. 
Considerando as queixas e o ambiente de trabalho relatados pelo paciente, bem como 
o que foi observado em consulta, médica suspeita que paciente esteja infectado por 
Borrelia burgdorferi, agente etiológico da Doença de Lyme. Por conta de a pele do 
paciente ser negra, o sinal-alvo característico da infecção não está presente. Como 
pode ser observado a seguir: 
 
Figura 2: Diferença do sinal apresentado em pele negra e branca. Fonte: Nolen, 
2020. 
Neste sentido, médica solicita ao laboratório a identificação direta do agente 
etiológico, sorologia e teste de biologia molecular (PCR). 
Para análise laboratorial, o farmacêutico esclarece ao paciente como será a coleta e 
soluciona suas dúvidas. Para pesquisa do agente, é realizada a biópsia da lesão da 
pele (eritema migrans); para os testes sorológicos, colhe amostras de sangue e para 
realização do PCR, é colhido material do líquido articular. 
No laboratório, farmacêutico explica ao técnico porque não realizará cultura: “Se 
realizada a cultura, a mesma seria feita com material colhido da lesão e em meio de 
Barbour Stoenner-Kelly em ambiente de microaerofilia, em temperatura entre 30 a 
37ºC. Entretanto, essa metodologia carece de sensibilidade e a bactéria B. burgdorferi 
tem crescimento lento, entre seis a oito semanas. Por isso, é melhor adotar outras 
metodologias”. 
Para identificação de B. burgdorferi, farmacêutico prepara material para visualização 
em microscópio e opta por corar material com coloração de prata de Warthinneg 
Starry. No microscópio, observa espiroquetas: 
 
Figura 3: Borrelia burgdorferi corada com nitrato de prata Warthin-Starry. Fonte: 
Krupta et al., 2007. 
A sorologia é realizada em duas etapas: ELISA seguido de teste de immunoblotting 
para reatividade com antígenos específicos de B. burgdorferi. Neste contexto, 
farmacêutico observa que o teste de ELISA foi positivo e realiza Immunoblot para 
confirmar o resultado obtido no ELISA. No segundo teste, farmacêutico considera 
número e tamanho molecular dos anticorpos que reagem com as proteínas de B. 
burgdorferi e observa presença de anticorpos IgG e IgM reativos, o que indica estágio 
2 da doença de Lyme. O estágio 2 desta condição é caracterizado por envolvimento 
neurológico e/ou cardíaco, os quais são observados em Robson. 
Por meio do teste de PCR, farmacêutico detecta o DNA de B. burgdorferi no líquido 
sinovial. Entratanto, assim como o teste sorológico, profissional não consegue 
determinar, apenas por esse método, a diferenciação da bactéria viva na doença ativa 
daquela morta, na doença tratada ou inativa. 
Após realização dos testes e interpretação, farmacêutico emite laudo confirmando a 
presença da bactéria B. burgdoferi nas amostras obtidas do paciente, assim como 
presença de anticorpos reativos. 
Com os resultados laboratoriais e considerando o clínico do paciente, médica 
diagnostica Robson com a Doença de Lyme e para tratamento opta por Ceftriaxona 
intravenosa, uma vez que este medicamento atinge bactérias presentes no coração e 
articulação do paciente, bem como atravessa barreira hematoencefálica e age no 
Sistema Nervoso Central (paralisia facial). Ainda, médica orienta que paciente adote 
medidas de prevenção no trabalho, como adoção de repelentes e uso de roupas que 
cubram o corpo, assim como exame cuidadoso da pele após permanecer em 
ambientes externos. 
““Não sei como não percebi”, disse meu pai ao médico, e parecia genuinamente perplexo, como se 
não tivesse sentido um único sintoma que pudesse descambar àquele ponto, como se não tivesse 
passado semanas, meses ou até anos, ignorando a dor”. 
Obama, Michelle. Minha história (Locais do Kindle 2417-2418). Edição do Kindle. 
REFERRÊNCIAS 
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Microbiologia Clínica 
para o Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde: módulo 6 – Detecção 
e Identificação de Bactérias de Importância Médica. Brasília, 2013. 
BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia Médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26ª ed. 
Artmed: Porto Alegre, 2014. 
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Disponível em: < https://www.cdc.gov/lyme/index.html> Acesso em outubro de 2020. 
KRUPKA, Michal et al. Biological aspects of Lyme disease spirochetes: unique 
bacteria of the Borrelia burgdorferi species group. Biomedical papers. 151(2): 175-
186. Checoslováquia, 2007. 
MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14ª ed. Porto Alegre: Artmed, 
2016. 
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<https://medlineplus.gov/lymedisease.html> Acesso em outubro de 2020. 
NOLEN, LaShyra. How medical Education is missing the bull’s-eye. The New England 
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<https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1915891> Acesso em outubro de 2020. 
https://www.cdc.gov/lyme/index.html