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DisciplinaÉtica na Saúde6.247 materiais61.636 seguidores
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em modelos não interdisciplinares tendem a ter uma perspectiva isolacionista de sua própria atuação, ou seja, atuam sobre o foco de suas especialidades sem perceber as correlações de sintomas com outras especialidades.
Caso percebam, simplesmente indicam ao paciente outro especialista para que este complemente o tratamento, mas sem qualquer tipo de interação entre as abordagens. A interface do trabalho dos profissionais implica no respeito às áreas de competências de cada profissional e na percepção da existência de áreas de atuação comuns.
É preciso compreender que a interdisciplinaridade não é igual à transdisciplinaridade.
Nesta segunda, como indica o prefixo \u201ctrans\u201d, os saberes transcendem às especialidades e se integram em um único campo de conhecimento.
Edgar Morin, em seu livro Ciência com Consciência (1996), defende o conceito de transdisciplinaridade e compara à interdisciplinaridade à ONU, que atua de modo a preservar as fronteiras entre os saberes enquanto que a transdiciplinaridade eliminaria estas fronteiras. Na interdisciplinaridade, a atuação em conjunto não elimina as áreas de domínio de cada especialidade.
Ainda sob este mesmo aspecto, temos o terceiro preceito, a autonomia dos profissionais.
Como há o respeito às áreas de atuação, este também se estende além das competências técnicas ao controle de suas ações. Isto é, em uma equipe de atuação interdisciplinar, não há o comando de um profissional sobre a atuação de outro de diferente especialidade. Cada profissional é o responsável por sua ação e não há subordinação hierárquica no campo técnico entre os especialistas.
Texto Adicional:
Equipes Interdisciplinares
Um aspecto absolutamente necessário em equipes interdisciplinares, diz respeito ao fluxo de ações a serem executadas pela equipe. O trajeto executado na análise de cada caso pode não ou ser padronizado, mas é importante que seja definido logo no início do atendimento e, preferencialmente, com a anuência de toda a equipe. Assim, definido o fluxo das atuações, as sequências nos atendimentos ficam condicionadas exclusivamente a uma lógica técnica e não a uma hierarquia de avaliações prioritárias que indicam outras especialidades para atendimento, como se estas fossem análises secundárias ou complementares. O Sistema Único de Saúde (SUS) e a maioria dos planos de saúde ainda atuam equivocadamente de modo que determinadas áreas só possam atender pacientes previamente consultados e indicados por profissionais de outras especialidades. Mais comumente, médicos que obrigatoriamente precisam indicar tratamentos em determinadas especialidades da área de saúde, por exemplo, ou a seguradora não autoriza o atendimento. Não há motivo técnico para este procedimento.
Qualquer profissional da área de saúde pode atender em sua especialidade sem que, necessariamente, tenha havido um encaminhamento prévio por outro profissional de área distinta.
Para que a interdisciplinaridade não se constitua apenas em uma abstração epistemológica, um ideal filosófico ou em uma nomenclatura burocrática para que se transforme em um procedimento natural e solidário entre profissionais do setor de saúde, a UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), em 1998, constituiu uma comissão formada por renomados educadores de várias nacionalidades, chamada Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI que foi presidida pelo francês Jacques Delors. Delors foi o organizador e autor de um importante relatório, produzido a partir das conclusões finais desta comissão e publicado no Brasil em 2000 sob o título de \u201cEducação \u2013 um tesouro a descobrir.\u201d (Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=14470)
Neste relatório é proposto um conjunto de saberes e habilidades a serem desenvolvidas que abrangem: atitudes de reflexão, espírito crítico, autocrítico e a capacidade de abstração. A prática de uma interdisciplinaridade consciente e ética depende fundamentalmente destas habilidades cognitivas. A interdisciplinaridade deve ocorrer a partir de realidades e ações concretas, no âmbito das práticas, dos cotidianos e das demandas de Atenção Integral em Saúde.
Assim, seja em relação aos indivíduos, às comunidades ou ao ambiente de trabalho, estas relações profissionais precisam se fundamentar intrinsecamente na ética pautada pelo princípio da Integralidade abarcado pelas ciências da saúde. Segundo o documento \u201cPrincípios e Conquistas do SUS\u201d publicado em 2000 pelo Ministério da Saúde (Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_principios.pdf), este princípio diz que \u201c...a atenção à saúde deve levar em consideração as necessidades específicas de pessoas ou grupos de pessoas, ainda que minoritários em relação ao total da população. Ou seja, a cada qual de acordo com suas necessidades, inclusive no que é pertinente aos níveis de complexidade diferenciados.\u201d Em outras palavras, é preciso entender que as relações profissionais interdisciplinares objetivam sempre o paciente. A união das especialidades é, antes de tudo, uma ação voltada para a atenção integral à saúde.
1. A equipe multidisciplinar caracteriza-se por:
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1) Um grupo de profissionais que atua de forma independente e em um mesmo ambiente de trabalho, utilizando-se de comunicações informais. 
2) Um grupo de profissionais, com formações diversificadas, que atua de maneira interdependente em um mesmo ambiente de trabalho, através de comunicações formais e informais. 
3) Um grupo de profissionais da mesma especialidade, que atua em diferentes fases dos processos de saúde e com intervenções variadas sobre cada caso. 
4) Um grupo de profissionais, com formações diversificadas, que atua em diferentes instituições de saúde e que se reúne para trocas de experiências e estudos. 
5) Um grupo de profissionais que atua de forma independente em diferentes ambientes de trabalho, utilizando-se de comunicações formais e informais. 
2. O preceito referente à interface do trabalho dos profissionais prega que:
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1) Em uma equipe de atuação interdisciplinar, não deve haver o comando de um profissional sobre a atuação de outro de diferente especialidade. 
2) Há a necessidade de uma formação acadêmica de qualidade e de abordagem interdisciplinar para que os profissionais aprendam a trabalhar em equipe. 
3) Deve haver o respeito às áreas de competências de cada profissional e à anuência por parte dos profissionais de onde se localizam as áreas de atuação comuns. 
4) A atenção à saúde deve levar em consideração as necessidades específicas de pessoas ou grupos de pessoas, ainda que minoritários em relação ao total da população. 
5) Qualquer profissional da área de saúde pode atender em sua especialidade sem que, necessariamente, tenha havido um encaminhamento prévio por outro profissional de área distinta. 
3. O de fluxo de ações a serem executadas por uma equipe interdisciplinar, em relação ao paciente, deve ser definido:
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1) no início do tratamento, de modo que as sequências nos atendimentos fiquem condicionadas exclusivamente a uma lógica técnica e não a uma hierarquia de avaliações prioritárias. 
2) no decorrer do tratamento, de modo que as sequências nos atendimentos possam ir sendo determinadas a partir das ocorrências e eventos que possam surgir. 
3) ao final do atendimento, de modo a que possa refletir o que de fato ocorreu no processo terapêutico. 
4) no início do tratamento, onde o médico especialista define quais profissionais de saúde precisam atender o paciente e em qual sequência. 
5) no decorrer do tratamento, em consequência da ordem de liberação das autorizações emitidas pela seguradora do paciente ou pelo SUS. Parte inferior do formulário
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