Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)
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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)


DisciplinaDireito de Família e Procedimentos Correlatos41 materiais563 seguidores
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art. 1046, par. 3º) \u2013 cônjuge que não contraiu a dívida vai entrar com embargos de terceiro para livrar sua meação da penhora, mas pra ele conseguir isso, ele tem que demonstrar que a dívida não reverteu em proveito da família (ordenamento jurídico veda o enriquecimento sem causa). Juiz vai fazer a verificação antecipada do casamento (antecipada porque é anterior à dissolução da sociedade conjugal). O STJ tem dois entendimentos: uma Turma, com a qual Kátia concorda, entende que basta você verificar a meação na totalidade do patrimônio (3 bens \u2013 1 valendo 100, o outro 50 e o outro 150 \u2013 poderia excluir da penhora esse de 150 \u2013 meação do cônjuge \u2013 e ele mudaria de natureza, não seria mais bem comum). Outra Turma afirma que os cônjuges são meeiros em cada bem que compõe o acervo conjugal. 
Pacto antenupcial
Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento. \u2013 o pacto antenupcial é um negócio jurídico celebrado entre os nubentes anteriormente ao casamento com a finalidade de regular as relações patrimoniais entre os cônjuges e dos cônjuges com terceiros que decorrerão do matrimônio. A lei exige que o pacto seja feito por escritura pública, se não ele é nulo. Além disso, o pacto não tem vida própria, ele está ligado ao casamento; se o casamento não acontecer, o pacto não vai ter eficácia, porque começa a produzir efeitos na data da celebração do casamento. A nulidade do casamento afeta o pacto, mas o inverso não \u2013 se o pacto for nulo e o casamento for celebrado, vai vigorar o regime da comunhão parcial de bens.
Art. 1.654. A eficácia do pacto antenupcial, realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante legal, salvo as hipóteses de regime obrigatório de separação de bens. \u2013 no caso de menor (16 ou 17 anos), o pacto tem que ser assistido por representante legal. Essa norma não era expressa no CC passado, e havia uma divergência doutrinária: Caio Mário e alguns seguidores diziam que, se os representantes legais já tinham autorizado o casamento, não precisaria da autorização também para o pacto antenupcial- quem autorizou o mais, autoriza o menos (corrente minoritária).
Art. 1.655. É nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de lei.
Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aqüestos, poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares.
Art. 1.657. As convenções antenupciais não terão efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges. \u2013 o pacto, para ser válido, tem que ser feito por escritura pública. Uma vez feito o pacto, ele tem eficácia entre os cônjuges e seus herdeiros, mas, para ter eficácia erga omnes, ele tem que ser levado a registro. Isso significa que se o pacto não for registrado \u2013 o registro é que confere publicidade \u2013 os terceiros não têm como adivinhar. Se o pacto não foi registrado, ele não vai produzir eficácia perante terceiros \u2013 perante terceiros, eles estarão casados por comunhão parcial de bens.
Aula \u2013 28 de Abril de 2010-04-28
Comunhão Parcial de Bens
	É o regime que acaba regendo mais de 90% dos casamentos, porque é o regime legal supletivo \u2013 é ele que vale se não for feito pacto ou se este for nulo.
	Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;
São incomunicáveis os bens anteriores ao casamento e aqueles adquiridos na constância do casamento a título gratuito (doação ou sucessão); se comunicam os bens adquiridos a título oneroso na constância do casamento (CC, art. 1658 c/c 1659, I). A intenção do legislador é privilegiar a idéia de esforço comum na constância do casamento \u2013 presunção absoluta de esforço comum dos cônjuges na aquisição dos bens \u2013 lei impõe a comunicabilidade de bens adquiridos a titulo oneroso.
	A comunhão é diferente de condomínio \u2013 aquela decorre do regime de bens do casamento, este posso adquirir com qualquer um. No condomínio, posso ter um percentual diferente para cada condômino. Na comunhão, cada cônjuge tem direito a 50%, ela perdura enquanto perdurar o casamento e só se dissolve no momento da dissolução da sociedade conjugal \u2013 com a separação de fato, quando deixa de existir a comunhão de vida e de interesse. A única exceção é se houver cobrança de dívida de um dos cônjuges \u2013 possibilidade de ver o que é a meação de cada um na constância do casamento; se não for assim, só com o fim da sociedade conjugal. O condômino pode desfazer o condomínio quando quiser, pode vender sua cota... Nada disso pode acontecer na comunhão. Muitos cônjuges se separam e querem que um imóvel continue sendo dos dois (não querem vender, um não pode comprar a parte do outro, etc) \u2013 passam para o regime de condomínio.
	Sub-rogação direta é uma permuta, uma troca; indireta é quando você vende um bem e com o produto da venda adquire outro bem. Se eu recebo uma doação na constância do casamento e pouco tempo depois vendo e com o produto da venda adquiro o outro, este também será incomunicável. E se eu não uso exclusivamente os valores do bem particular para comprar este outro, o que acontece? Esse bem tem natureza mista/dúplice \u2013 é em parte particular e em parte comum, ainda que seja indivisível (ou seja, mesmo que seja um imóvel). Ex: mulher vende algo que ganhou de herança e isso corresponde a 60% do valor do novo bem; casal integra mais 40%. Na hora da dissolução da sociedade conjugal, faz-se a meação da seguinte forma: mulher vai ter 80% (60 seu mais metade dos 40) e o homem vai ter 20%.
III - as obrigações anteriores ao casamento;
Doutrina e jurisprudência complementam: a menos que isso tenha revertido em benefício para o outro cônjuge.
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal;
Aqui vigora a máxima do direito penal de que a pena não vai alem da pessoa do condenado \u2013 somente o cônjuge que praticou ato ilícito vai responder com o seu patrimônio por esse ato. É uma dívida que não vai se comunicar, salvo reversão em proveito do casal. Se reverteu em proveito do outro cônjuge, ele será chamado a responder também sob pena de locupletamento \u2013 pode não responder na esfera penal, mas certamente poderá acabar respondendo patrimonialmente por isso na esfera civil, na proporção dos benefícios que auferiu. 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
Bens de uso pessoal tudo bem, mas a parte de livros e instrumentos de profissão causa algumas confusões. O legislador quis proteger o cônjuge no momento da separação dizendo que ele permaneceria com os bens que são essenciais para sua profissão (ex: dentista \u2013 cadeira, aparelhos, etc \u2013 instrumentos de profissão; o imóvel onde ele tem o consultório não entra nisso). A lei diz que esses instrumentos de profissão não se comunicam, são particulares \u2013 a confusão é: no regime de comunhão parcial não há a presunção absoluta de esforço comum? Muitas vezes um cônjuge faz um sacrifício pessoal para ajudar o outro na compra de instrumentos de profissão Aí, no momento da separação, lei quer mudar a natureza do bem, porque muitas vezes é um bem adquirido a título oneroso na constância do casamento, entendendo que ele é bem particular \u2013 posição de Maria Berenice Dias. Assim, vários tem sido os julgados admitindo a partilha desses bens \u2013 a prioridade é que o cônjuge que utiliza esses bens no seu exercício profissional fique com eles; contudo, o outro deve ser compensado de alguma forma no que diz respeito ao restante do patrimônio (ex: consultório de dentista \u2013 60 mil, fica com o profissional; outro cônjuge tem direito a 30 mil do patrimônio comum que se referiria à metade do valor do consultório). Essa é uma decisão contra legem, mas está ficando mais comum
Celyane
Celyane fez um comentário
me ajudou bastante , obrigada :D
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Marcus
Marcus fez um comentário
sinceramente eu não gostei. isso não é um resumo!
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maria
maria fez um comentário
adorei, muito bem esclarecido. obrigada
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maria
maria fez um comentário
está excelente, tenho certeza que faremos uma prova sensacional, iremos bater um récord!!!!!
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