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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)

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ou ascendentes e que esse bem tenha que ser partilhado, se ele for o único bem imóvel residencial constante do inventário, o cônjuge/companheiro sobrevivente tem direito de continuar residindo ali). Embora o CC não fale em direito real de habitação para o convivente, isso vem sendo aplicado por analogia. 
Essa lei de 96 na revogou expressamente a lei de 94 – teria havido a revogação tácita da lei anterior? Divergência. Um entendimento gerou até enunciado do TJRJ – aqui o entendimento prevalecente é que a lei de 96 revogou tacitamente a lei anterior - hipótese de revogação tácita - lei nova trata inteiramente da matéria anterior ou é com ela incompatível – ordenamento jurídico não pode ter disposições conflitantes. Foi esse o entendimento que prevaleceu no rio de janeiro – enunciado do TJRJ afirmava que a lei de 96 ab-rogou (revogou totalmente) a lei de 94 tendo em vista que tratou inteiramente da matéria da lei anterior.
Mas houve quem entendesse (Kátia concorda) que a lei nova não revogou a lei anterior – alguns dispositivos foram revogados porque eram incompatíveis – ela teria apenas derrogado (revoga em parte apenas, não a lei toda) - lei nova só conferiu direito real de habitação. Lei de 96 foi muito mais restrita em matéria sucessória do que a lei anterior – parte sucessória teria ficado mantida.
Art. 8º - CF, art. 22, in fine, fala que a lei deve facilitar a conversão da união estável em casamento. Veio a lei de 96 e determinou a conversão administrativa – pessoas fazem o requerimento ao oficial do registro civil. Não existe casamento sem aferição de impedimentos – ainda que o pedido pudesse ser feito administrativamente, as pessoas teriam que apresentar toda aquela documentação do 1.525 que as pessoas apresentam para a habilitação para o casamento para que fosse verificada a inexistência de impedimentos.
Art. 9º - o problema desse artigo é que quem legisla sobre organização judiciária são os estados. Esse artigo é inconstitucional. Os estados, contudo, adaptaram para ficarem de acordo com essa lei. 
Código Civil de 2002 – arts. 1723 a 1727 – trata da união estável. 
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. – mesma definição da lei de 96
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente. - Os impedimentos do casamento se aplicam à união estável para que não seja possível burlar a lei – pessoas não poderiam casar, viveriam em união estável e adquiririam praticamente os mesmos direitos. Para constituir uma união estável você pode ser solteiro, viúvo, divorciado e até casado com outra pessoa, desde que esteja separado de fato.
§ 2o As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável. – os impedimentos se aplicam, as causas suspensivas não.
Art. 1.724. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e educação dos filhos. – enumera deveres decorrentes da união estável. Hoje o que se discute muito é a abrangência desse termo “lealdade” – lealdade abrange fidelidade? 
VER RE 397762-8
Aula – 21 de Maio de 2010-05-21
Continuação de união estável
Para a previdência social, há um pressuposto de dependência econômica. Uma vez provada essa dependência, eles tem flexibilizado o requisito de fidelidade.
 Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. – pela primeira vez a lei efetivamente estabeleceu o regime de bens à semelhança do casamento para a união estável, salvo pacto dispondo em contrário – regime de comunhão parcial de bens (também regime legal supletivo pra união estável). Esse “no que couber” tem gerado uma certa controvérsia – 1.647 não se aplica à união estável, por exemplo. Há quem defenda que a presunção de esforço comum no regime parcial de bens com relação aos bens adquiridos durante a união é relativa (e não absoluta como no casamento) – admite prova em contrário. A chance de uma tese dessas ter aplicabilidade na prática é pouca, mas pouca não significa nenhuma. Pacto de convivência continua se aplicando.
Art. 1.726. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. – a conversão da união estável em casamento pode se dar por duas formas: modo administrativo e modo judicial. A lei de 96 tinha estabelecido o modo administrativo – isso durou até a entrada em vigor do Código. Hoje, entretanto, o que está determinado no CC é o modo judicial de conversão – eles têm que ingressar em juízo e requerer a conversão da união estável em casamento. Kátia não vê muita vantagem nessa conversão porque os efeitos da união estável e do casamento são basicamente os mesmos, o regime de bens é o mesmo, etc. Pra valer a pena, deveria pelo menos ter efeitos retroativos. Mas isso não é regra – se as pessoas fazem a conversão e decidem modificar o regime de bens que era de comunhão parcial para separação total, muito difícil ter esse efeito retroativo (já na comunhão universal é mais fácil retroagir). Kátia acha que mais fácil do que fazer a conversão é casar logo. 
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato. – não eventuais significa dizer que são relações dotadas de estabilidade, durabilidade e publicidade. Se houver impedimento pra casar, isso vai constituir concubinato (Helena e Bruno). Mas quais são os efeitos do concubinato? S. 380, STF – o máximo que se pode ter é a caracterização de uma sociedade de fato e que eles possam obter a partilha do patrimônio que adquiriram com esforço comum. Ou seja, o efeito é: partilha dos bens adquiridos pelo esforço comum, nos moldes da S. 380, STF.
Casais homossexuais – pra gente poder admitir a união estável entre pessoas do mesmo sexo precisaríamos de uma emenda constitucional que retirasse a expressão “entre homem e mulher” do par. 3º do art. 226. A S. 380, contudo, se aplica a uniões entre pessoas do mesmo sexo – isso já temos há um bom tempo. Só que já não são poucas as decisões aplicando por analogia a legislação da união estável às chamadas uniões homoafetivas. Esses casais estão buscando o direito de ter essas uniões reconhecidas, tendo em vista que são cidadãos. No Brasil ainda estamos um pouco longe de ver uma lei admitindo o casamento homossexual. Kátia não vê um impedimento no nosso ordenamento jurídico pra legislar sobre essa matéria (é, na verdade, uma questão de política legislativa), mas acha que uma lei permitindo esse casamento ainda está longe – estamos mais próximos do reconhecimento dessas uniões como uniões estáveis.
	A primeira lei que efetivamente reconheceu algum direito foi a previdência – pensão por morte ao companheiro homossexual sobrevivente. O que Kátia acha que é o marco e que pode nos trazer um grande avanço foi a decisão do STJ do final de abril que concedeu a adoção de um casal homossexual feminino. A lei da adoção e a lei do ano passado, embora tenha trazido algumas alterações, não modificou isso. A regra é a adoção por uma pessoa – só se admite a adoção conjunta em situações de família – cônjuges ou concubinos. Certamente, admitir a adoção por casal homoafetivo pressupõe o reconhecimento de união homoafetiva. STJ, em sua decisão, acabou dizendo duas coisas: admitimos a união estável homoafetiva e admitimos que essas pessoas adotem, porque o que fundamenta uma decisão de adoção é o melhor interesse da criança. 
Poder familiar
	Contém normas de direito pessoal e de direito patrimonial. O poder familiar (chamado de pátrio poder no CC/16) é um instituto extremamente antigo, que tem origem na patria potestas romanas. Só que o curioso é que quando pegamos o instituto hoje e

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