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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)

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gosta do escrito particular, acha que perde segurança jurídica, tendo em vista a importância do ato. Mas para você dar validade a esse escrito particular, a doutrina é unanime em afirmam que esse escrito particular tem que conter a qualificação completa das partes (pai que reconhece e filho que é reconhecido) e ser arquivado em cartório para depois averbar à margem do registro. E o escrito particular tem que ter a finalidade de reconhecimento, não pode ser que nem na escritura pública.
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado; - na época do CC/16, nem todos filhos ilegítimos havidos fora do casamento tinham direito de ter sua paternidade reconhecida – o código vedava que os filhos ilegítimos expúrios (aqueles que entre os pais havia ou impedimento matrimonial decorrente de parentesco – expúrios incestuosos – ou impedimento porque já eram casados com outra pessoa – expúrios adulterinos). O motivo de os filhos expúrios não terem direito era proteger a família legítima, até porque a maior parte desses filhos era adulterino.
	Ao longo do tempo, umas leis foram abrandando isso. Em 49, uma lei permitiu que na hipótese de desquite, como isso já dissolvia a sociedade conjugal, o filho expúrio poderia investigar a paternidade em face dele. E tinha também uma lei que dizia que o genitor mesmo na constância do casamento podia reconhecer o filho em testamento cerrado – só pode tomar conhecimento a respeito do conteúdo desse testamento depois da morte do testador.
	Os filhos adulterinos foram galgando aos poucos algumas melhoras; os filhos incestuosos, contudo, só passaram a poder investigar paternidade na Constituição de 88, com o estabelecimento da isonomia.
	A questão do testamento é que ele só vai ser aberto depois da morte – vai reconhecer o filho voluntariamente, mas isso só surtirá efeitos depois que a pessoa morrer. O testamento não necessariamente vai conter cláusulas patrimoniais – pode conter cláusulas de caráter não patrimonial, tipo essa – reconhecimento do filho. E o testamento, ao contrário do reconhecimento, é revogável – pessoa pode fazer vários testamentos em vida, e vai valer o último. Por isso que o 1.610 tomou esse cuidado, afirmando que o reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento! Ainda que a pessoa revogue esse testamento, reformulando toda a sua divisão patrimonial, a clausula relativa ao reconhecimento é a única que não será revogada pelo testamento posterior.
IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. – pessoa pode em um processo afirmar que aquela pessoa é seu filho e isso vai ter validade, qualquer que seja o tipo de processo (pessoa tá em um processo de acidente de trânsito e fala “eu e meu filho vimos...” – juiz toma isso como declaração voluntária).
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento, se ele deixar descendentes. 
O reconhecimento de filho extramatrimonial é ato personalíssimo – somente o pai, a mãe ou procurador com poderes especiais pode reconhecer filho fora do casamento. Além de ser ato personalíssimo, muitos afirmam que é ato unilateral – não é bem assim, reconhecimento de filho maior é bilateral, precisa do consentimento dele (art. 1.614).
	A forma mais comum de reconhecer um filho fora do casamento é ir ao cartório e fazer uma declaração, não precisa provar nada (por isso que é tão fácil a “adoção à brasileira”). No caso de maior, como precisa do consentimento do filho, o pai ou a mãe vai com ele ao cartório e averba esse reconhecimento com o consentimento do filho maior no registro dele – extrai uma nova certidão de nascimento (ou comparece com alguma declaração por escrito do filho maior). 
Art. 1.610. O reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento. – hoje um filho menor que nasce ou é concebido extramatrimonialmente e cujos pais fazem o ato de reconhecimento voluntário acaba tendo mais segurança jurídica que o filho concebido na constância do casamento, pois o ato é irrevogável, enquanto a ação investigatória de paternidade é prescritível. Uma vez reconhecido o filho, você não pode voltar atrás – só pode tentar anular se tiver algum vício, algo assim.
Art. 1.611. O filho havido fora do casamento, reconhecido por um dos cônjuges, não poderá residir no lar conjugal sem o consentimento do outro. – alguns doutrinadores são ferrenhamente contrários a esse dispositivo. A hipótese é: um dos cônjuges , ex: pai, teve filho fora do casamento e reconheceu esse filho, e algo aconteceu com a mãe dessa criança – pra criança residir com esse pai, depende do consentimento da mulher desse pai. É uma questão muito complicada, porque é muito estranho você submeter isso à mulher – ela tem que consentir para que o filho more com o pai. Por outro lado, temos que reconhecer que se não houver uma boa vontade, um interesse do casal em efetivamente cuidar dessa criança, a mulher pode fazer da vida desse filho um inferno, e isso não seria conforme o melhor interesse da criança, que é o que deve guiar a solução. Se a mulher se mostrar completamente desfavorável à vinda dessa criança, talvez não seja o melhor ela vir a residir nessa família. O juiz que vai ver o que é melhor para a criança.
Art. 1.612. O filho reconhecido, enquanto menor, ficará sob a guarda do genitor que o reconheceu, e, se ambos o reconheceram e não houver acordo, sob a de quem melhor atender aos interesses do menor.
Art. 1.613. São ineficazes a condição e o termo apostos ao ato de reconhecimento do filho. – ato re reconhecimento voluntário não está sujeito à condição ou termo.
Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. – reconhecimento de filho menor é unilateral, mas de filho maior é bilateral – precisa do consentimento de filho maior (lei não exige que o filho motive o não consentimento, mesmo que seja pai biológico). Muitos criticam esse artigo porque é o único que prevê um prazo extintivo pra uma ação que trata do estado da pessoa – são 4 anos a contar da maioridade (mas na maioria dos casos essa ação poderia ser substituída pela ação anulatória de registro).
Art. 1.615. Qualquer pessoa, que justo interesse tenha, pode contestar a ação de investigação de paternidade, ou maternidade.
Art. 1.616. A sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento; mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daquele que lhe contestou essa qualidade.
Art. 1.617. A filiação materna ou paterna pode resultar de casamento declarado nulo, ainda mesmo sem as condições do putativo.
O reconhecimento voluntário é um ato extremamente formal, precisa observar as formas prescritas em lei, como podemos ver no 1.609.
Em 92, a lei 8.560 tratou da investigação de paternidade dos filhos havidos fora do casamento. Filhos havidos fora do casamento – se o genitor não comparecer voluntariamente ao registro civil para reconhecer a paternidade, está nas mãos da mãe investigar a paternidade enquanto o filho for pequeno. O legislador tentou criar um mecanismo, com base na legislação portuguesa, para minimizar esse poder da mãe, até porque o direito de ter a paternidade reconhecida é do filho. 
Art. 2º - criou um procedimento chamado de averiguação oficiosa da paternidade. É um procedimento que meio que fere a inércia da jurisdição. Oficial vai remeter os dados constantes do registro com nome, prenome, qualificação do suposto pai ao juiz. O juiz, sempre que possível ouvirá a mãe sobre a paternidade alegada, e manda notificar o suposto pai, independentemente do seu estado civil, para que se manifeste a respeito da suposta paternidade – não é a mãe que notifica, é o juiz. A notificação é para que ele compareça em 30 dias ao cartório para se manifestar.
Se ele comparecer voluntariamente e perante o juiz