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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)

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serão fixados pelo juiz, nos termos da lei processual.
Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos.
Parágrafo único. Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor.
Art. 1.709. O novo casamento do cônjuge devedor não extingue a obrigação constante da sentença de divórcio. 
Art. 1.710. As prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido.
Aula – 30 de Junho de 2010-06-30
Continuação de adoção
A Constituição no art. 227, par. 5º deixou claro que a adoção deve ser assistida pelo poder público, requereu a assistência do poder público. Até que em 90 veio o ECA. Quando entrou em vigor, a maioridade pelo CC/16 se atingia aos 21 anos – pessoas com 18, 19, 20 ficavam numa situação de limbo jurídico – não eram maiores nem eram adolescentes. Eram relativamente incapazes, era uma situação esquisita. Até que em 2002 o CC reduziu a maioridade para 18 anos e esse problema terminou. E o Estatuto adotou o princípio da proteção integral (art. 1º). 
A adoção está prevista no art. 39 em diante. A partir do art. 19 temos o capítulo que trata do direito à convivência familiar e comunitária, que é um direito fundamental da criança e do adolescente. Em princípio, a família ser criada na família natural (pais ou qualquer um deles e descendentes). Essa é a preferência do legislador – que a criança seja mantida na sua família natural, seja com os pais, seja na família extensa (par. ún, art. 25) – avós, tios, etc. Não sendo isso possível, ela pode ser colocada em família substituta.
A partir do art. 40, o Estatuto começa a enumerar os requisitos para adoção. Lei 12.010/09 revogou praticamente toda a disciplina de adoção que estava prevista no CC/02, só deixou 2 artigos – 1.618 e 1.619 – continua sendo necessária a assistência do poder público. Em princípio, a gente não sabe ainda como os operadores do direito irão se posicionar frente a essa norma do maior de 18 anos – pode ter adoção intuito personae – já convivem há muito tempo, etc. Adoção não vai abranger poder familiar – adotado já tem mais de 18 anos, é plenamente capaz. No final do processo, vai ter uma sentença constitutiva – um vai mostrar a vontade de adotar, o outro a de ser adotado. 
O que se exige é a diferença de idade entre adotante e adotado – ECA, art. 42 e ss. Art. 41 – rompem-se todos os vínculos com relação à família biológica, com exceção dos impedimentos matrimoniais (isso vale também pra adoção de maior). A lei sempre permitiu que um cônjuge adotasse o filho do outro – nesse caso, é lógico que a criança não rompe os vínculos com a mãe/pai biológico – não faria nenhum sentido! A idéia é que traga essa criança mais ainda pro vínculo da família – o fato de eu adotar o meu enteado não vai romper os vínculos que ele tem com o genitor e com a família do genitor. Assim, nesse caso específico a adoção não vai implicar no rompimento dos vínculos com o cônjuge do adotante (pai ou mãe biológico).
Art. 42 – traz os requisitos da adoção:
- idade mínima para adotar: 18 anos (até aquela lei de 2009, a idade mínima era 21).
- não podem adotar os ascendentes e irmãos do adotando – é assim pra evitar um emaranhado nas relações de parentesco. Ex: avós paternos adotam – pessoa se torna filha dos avós, irmã do pai, tia dos irmãos, etc.Por um tio você pode ser adotado, mas não pode ser por avós, bisavós e irmãos.
- para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou que vivam em união estável, comprovada a estabilidade da família. 
- adotante tem que ser pelo menos 16 anos mais velho que o adotado – isso é muito antigo. 
- divorciados, judicialmente separados e ex-companheiros (esses incluídos pela lei do ano passado) podem adotar conjuntamente, contanto que aguardem sobre o regime de guarda e visitas e desde que a convivência, o vínculo de afetividade com ambos do casal tenha se iniciado antes da dissolução do casamento ou da união estável. Nessa adoção que é deferida já com a sociedade conjugal dissolvida, além do início da convivência ter se dado na constância do casamento, da necessidade de demonstrar afetividade, etc, a lei ainda exige consenso dos adotantes com relação à guarda e visitação. Ou seja, a lei não quer que as divergências que acarretaram a dissolução da sociedade conjugal se reflitam na guarda do adotado (ideal seria estabelecer a guarda compartilhada do menor adotado).
- a atribuição póstuma de paternidade não é uma novidade – já existia a atribuição póstuma da paternidade na adoção, desde o ECA – art. 42, par. 6º. Se adotante, depois de passado por todo o processo de habilitação pra adotar, escolhida a criança, e se ele já manifestou de forma inequívoca a vontade de adotar aquele menor, mas venha a falecer antes de prolatada a sentença, o juiz pode proferir sentença julgando procedente o pedido de adoção, e a sentença retroage os efeitos à data da morte do adotante. 
Art. 43 – a esse artigo tem sido dada grande importância. Isso significa dar efetividade ao princípio do melhor interesse da criança (no caso da adoção pelo casal homossexual é isso também – se esse casal se separasse no futuro, a criança só teria direito sucessório e etc com relação à mãe que estava no registro, com relação à companheira da mãe, que já a criava e tal, não teria direito a nada – STJ decidiu com base nisso).
A adoção depende do consentimento dos pais e do representante legal do adotando. O consentimento será dispensado se os pais forem desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. Em muitos casos a criança está no abrigo, tem registro, os pais são conhecidos, criança já está disponível pra adoção... Se no momento da adoção os pais criarem algum tipo de empecilho, pode o interessado em adotar entrar com a ação de adoção e de desconstituição do poder familiar, porque aí não precisa do consentimento. E se tratando de adotando maior de 12 anos (adolescente), será necessário o seu consentimento – lei está reconhecendo efeitos jurídicos à manifestação de vontade de absolutamente incapaz! 
Assim, os pais têm que dar o consentimento – se eles não derem, não cabe suprimento de consentimento nesse caso de adoção. Assim, a saída é o adotante tentar a destituição do poder familiar. 
Art. 46 – estágio de convivência – deve ser realizado pra ver como será a convivência, até pra evitar uma devolução da criança (a não ser que a criança já esteja em convívio com o adotante). No caso de adoção por estrangeiro, esse estágio de convivência tem que ser passado todo no Brasil.
Art. 47 – o vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial. Ou seja, a sentença do processo de adoção é constitutiva, constitui um vínculo de filiação. 
Adoção é irrevogável – vai inscrever no registro civil essa nova situação, sem nenhuma referência ao fato de ser filho adotivo. Vai constar o nome dos avós também, cancelar o vínculo anterior com a família biológica, etc. E pode ocorrer a mudança do prenome (par. 5º é uma exceção à imutabilidade do prenome) – assim, adotante, além de incluir o nome de família, pode mudar o prenome (como o estatuto não faz nenhuma diferenciação, entende-se que se for adotado até 17 anos pode mudar o prenome).
Art. 47, par. 8º - tem que ser conservado pra consulta a qualquer tempo (redação acrescentada pela lei do ano passado). Art. 48 – adotado tem direito de conhecer a sua origem biológica, sua ascendência genética – direito fundamental sendo reconhecido aos adotados. Isso não significa surgimento de nenhum direito em relação à família biológica; simplesmente ao fazer 18 anos ele tem direito de conhecer sua origem.

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