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Apostila Teoria e Pratica da Redacao Juridica 2012 (2)

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que se falar nos dias de hoje, em constrangimento moral, já que a sociedade convive normalmente com a liberdade sexual;
Considerando que o diretor é conhecido pelo seu temperamento polêmico e que qualquer um que vá ver suas peças pode esperar o inusitado, não como uma agressão, mas como uma marca de sua inteligência, irreverência e modernidade, não se podendo, de forma alguma, considerar sua atitude como tendo por conteúdo qualquer afronta ou desrespeito à platéia; 
Considerando que um dos pilares da nossa Carta Magna é a garantia de liberdade de expressão e que Gerald Thomas praticou apenas o que sempre lhe foi permitido legalmente: criar peças de teatro com humor e irreverência para um público sofisticado e inteligente, e, portanto, não deve ser levado tão a sério a ponto de se exigir uma indenização por dano moral por um ato que visa apenas a chamar a atenção para uma obra artística de maneira descompromissada e alegre;
PEÇAS PROCESSUAIS
2a. CÂMARA CÍVEL
APELAÇÃO CÍVEL N° 760/96
RELATOR: DES. SÉRGIO CAVALIERI FILHO
RESPONSABILIDADE CIVIL DE EMPRESA JORNALÍSTICA. Publicação Ofensiva
I LIBERDADE CIVIL DE INFORMAÇÃO VERSUS INVIOLABILIDADE DA VIDA PRIVADA. Princípio da Unidade Constitucional. 
Na temática aos direitos e garantias fundamentais dois princípios constitucionais se confrontam e devem ser conciliados. De um lado a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; de outro lado a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas. Sempre que princípios constitucionais aparentam colidir, deve o intérprete procurar as recíprocas implicações existentes entre eles até chegar a uma inteligência harmoniosa, porquanto, em face do princípio da unidade constitucional, a Constituição não pode estar em conflito consigo mesma, não obstante a diversidade de normas e princípios que contém. 
Assim, se ao direito à livre expressão da atividade intelectual e de comunicação contrapõe-se o direito à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem, segue-se como conseqüência lógica que este último condiciona o exercício do primeiro, atuando como limite estabelecido pela própria Lei Maior para impedir excessos e abusos.
II DANO MORAL. Configuração 
Na tormentosa questão de saber o que configura o dano moral, cumpre ao juiz seguir a trilha da lógica do razoável, em busca da sensibilidade ético-social normal. Deve tomar por paradigma o cidadão que se coloca a igual distância do homem frio, insensível e o homem de extremada sensibilidade. Nessa linha de princípio só deve ser reputado como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou humilhação, que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe aflição, angústia e desequilíbrio em seu bem estar, não bastante mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada. À luz desse contexto, ninguém pode negar que fere a sensibilidade do homem normal e configura humilhação dolorosa divulgar em revista de grande circulação que conhecida artista de novela teria o hábito de faltar às gravações ou a elas comparecer alcoolizada. 
III ARBITRAMENTO DO DANO MORAL. Princípio da Razoabilidade.
O arbitramento judicial é o mais eficiente meio para se fixar dano moral. E embora nessa penosa tarefa não esteja o juiz subordinado a nenhum limite legal, nem a qualquer tarefa pré-fixada, deve, todavia, atentando para o princípio da razoabilidade, estimar uma quantia compatível com a reprobabilidade da conduta ilícita e a gravidade do dano por ela produzido. Se a reparação deve ser a mais ampla possível, não pode o dano transformar-se em fonte de lucro. Entre esses dois limites devem se situar a prudência e o bom senso do julgador.
Reforma parcial da sentença.
 VISTOS, relatados e discutidos estes autos de APELAÇÃO CÍVEL N° 760/96, em que e 1° apelante EDITORA ABRIL S/A, 2° apelante MARIA ZILDA BETHELM VIEIRA e apelados OS MESMOS.
 ACORDAM os Desembargadores que integram a 2a. Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade, em dar provimento parcial à apelação a fim de reduzir a indenização para 500 (quinhentos) salários mínimos, e negar provimento ao recurso adesivo, confirmando-se, no mais, a brilhante sentença, da lavra do eminente Juiz Dr. Luiz Fux.
 Reporto-me ao relatório de fls. 407/409, aduzindo que se trata de ação de indenização por dano moral decorrentes de publicação, em revista de grande vendagem e repercussão, ofensiva à honra e à intimidade da autora. Postulou indenização compatível com o grau de culpa, a intensidade do sofrimento do ofendido e o caráter punitivo da indenização.
 A sentença (fls. 407/416) julgou procedente o pedido, condenando a ré a pagar à autora a quantia equivalente a quatro mil salários mínimos a título de indenização por dano moral e verba honorária de 20% sobre o valor da condenação.
 Apela primeiramente a ré (fls. 420/439) alegando ter a sentença legada ao oblívio todas as disposições da Lei de Imprensa e da Constituição Federal, no livre direito/dever de informar. Sustenta, em síntese que: a) o julgador de primeiro grau tratou desigualmente as partes na análise da instrução processual; b) a apelante procurou mostrar nas provas documentais que trouxe aos autos as características da apelada, o que não foi considerado pelo julgador de primeiro grau; c) a revista VEJA atuou em absoluta conformidade com a Carta Magna, informando seus leitores a respeito de fato de interesse público, como lhe asseguram os artigos 5°, incisos IV e IX e 220, §§ 1° e 2°; d) nada se imputou à pessoa apelada, tendo a notícia sido dada na forma condicional, como manda todos os manuais de imprensa; e) a sentença incorre em engano quando afasta a aplicação da Lei de Imprensa no presente caso, trazendo à colação acórdão do STJ; f) a condenação imposta à apelante viola qualquer princípio que possa ser aplicado ao montante razoável da indenização, eis que o próprio Presidente da República não ganharia essa importância em todo o seu mandato; g) a indenização, no valor em que foi arbitrada, importa em enriquecimento sem causa. Traz à colação vários arestos deste Tribunal no sentido de que a indenização pelo dano moral deve respeitar os limites estabelecidos na Lei de Imprensa. Pede a total reforma da sentença para o fim de ser julgado improcedente o pedido, ou, alternativamente, que a condenação seja reduzida aos limites da lei especial que rege a matéria.
 Recorre adesivamente a autora (fls. 473, 484) postulando que a indenização seja elevada para importância correspondente a pelo menos 20% do valor total da tiragem da revista “VEJA”, ou seja 6.321,15 salários mínimos, e que os juros moratórios sejam computados a partir do ato ilícito.
 Os recursos foram respondidos (fls. 443/471 e 488/493), cada parte pugnando pela manutenção da sentença no ponto em que lhe foi favorável. Há preliminar de descabimento do recurso adesivo por não ter havido sucumbência recíproca.
 É o relatório.
 Ensejou a presente ação matéria jornalística publicada na seção Gente da revista Veja, noticiando que a autora, quando estava sendo transmitida a novela “Olho por olho”, teria o hábito de faltar às gravações ou chegar alcoolizada. O fato além de não contestado, está comprovado com um exemplar da revista trazida aos autos; resta, pois, a análise de suas conseqüências jurídicas.
 Colocadas em ordem lógica as questões levantadas nos recursos, cumpre apreciar em primeiro lugar a que