A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
51 pág.
Apostila Teoria e Pratica da Redacao Juridica 2012 (2)

Pré-visualização | Página 7 de 18

que o laboratório fizesse uma retratação pública. Na sentença, Werson Franco considerou que ao escolher Maitê, a empresa buscou alguém com reputação, seriedade e simpatia junto ao público feminino. 
 Segundo Paulo César Pinheiro Carneiro, advogado da atriz Maitê não fará qualquer comentário enquanto o processo não terminar. Ele disse que entrará com um recurso por considerar pequeno o valor da indenização, se comparado ao volume do faturamento do laboratório e aos danos que o fato causou à imagem da atriz.
 - “A indenização, nesse caso, deve ser exemplar e dois mil salários mínimos são insuficientes - disse”.
 A Schering informou que recorrerá da decisão após receber a notificação da Justiça.
Entenda o caso
 O Ministério da Saúde interditou por cinco dias, em junho de 1998, o laboratório Shering do Brasil, denunciado por mulheres que engravidaram mesmo tendo tomado o anticoncepcional Microvlar. A empresa informou que os comprimidos, inócuos, à base de farinha, estavam em cartelas usadas no teste de uma máquina de embalagem. 
 A empresa fora avisada do engano por uma consumidora em maio de 1998, mas nada comunicou às autoridades. Punida, a Shering chegou a levantar a hipótese de as cartelas terem sido roubadas e vendidas no mercado. Para a Vigilância Sanitária, o laboratório deveria ter controlado os lotes descartados e feito à incineração.
O Globo, sexta-feira, 10 de novembro de 2000.
Ementa a favor da Schering 
Empresa condenada a pagamento de indenização. Ciência da atriz em relação à falta de credibilidade do produto. Impossibilidade de vinculação da indenização ao faturamento da empresa. Má-fé. Parecer favorável à redução do valor da indenização
Ementa a favor da Maitê :
Empresa condenada a pagamento de indenização a atriz. Grave dano à imagem. Necessidade de indenização exemplar. Prejuízo pela perda de credibilidade no mercado de trabalho. Parecer favorável ao aumento do valor da indenização.
Caso 5)
O GLOBO, 2a. edição – Terça-feira, 27 de junho de 2000.
Juiz condena empresa em ação de fumante.
Doente afirma que desde criança foi vítima da propaganda
Arnaldo Ferreira
Maceió. Em decisão inédita, o juiz substituto da 2a. Vara Cível dos Feitos Não-Privativos do Fórum de Maceió, Henrique Gomes de Barros Teixeira, concedeu tutela antecipada em favor do ex-servidor municipal João Jorge Lopes Lamenha Lins, de 41 anos, determinando que a multinacional Companhia de Cigarros Souza Cruz S/A deposite, R$ 50 mil numa conta judicial para custear as despesas no tratamento de câncer do pulmão. A empresa não quis comentar a decisão da Justiça.
 Fumante desde os 13 anos, João Jorge teve o câncer detectado em 1999 e hoje está aposentado por invalidez. Os laudos de dois dos maiores especialistas de Alagoas, o cardiologista José Wanderley Neto (pioneiro de transplantes no estado) e a pneumologista e oncologista Andréa Albuquerque, atestam que o câncer foi causado pelo tabagismo.
Juiz cita dados de estudos contra o cigarro.
 Dizendo que não fuma, mas também não é um “antitabagista de carteirinha”, o juiz Barros Teixeira explicou que concedeu a tutela antecipada com base nas provas técnicas, nos laudos médicos e nos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que comprovam que o cigarro mata mais que a Aids, cocaína, álcool, suicídio e trânsito, juntos. 
 João Jorge, que ontem fazia quimioterapia na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, disse que tentou parar de fumar, diversas vezes, mas não conseguiu. Na ação, ele quer que a Souza Cruz lhe pague indenização de R$ 3 milhões, por danos materiais e físicos, e R$ 1,5 milhão por danos morais.
 A Souza Cruz pode recorrer da decisão. Porém, a tutela antecipada é indicativa do reconhecimento do direito do autor da ação.
Caso 6)
O DIA Sábado, 18-9-99.
Advogados acham que empregada pode faturar.
 O pesadelo da empregada doméstica Rogenas da Silva pode voltar a ser um sonho. De acordo com o advogado Jorge Béja, se a decisão da Justiça não for favorável a domestica, ela poderá entrar com ação de indenização por contribuir com sua sorte para o enriquecimento de seus padrões. E a indenização, acredita Béja, pode ser num valor ainda maior do que o do Mercedes, que custa R$ 29 mil.
 O caso é inédito na Justiça do Rio e, segundo o advogado, não há legislação específica sobre o assunto. A premiação está provocando uma controvertida discussão sobre ética, justiça e ganância - além de uma inédita polêmica no campo jurídico. A liminar foi concedida ao casal Adelino e Sandra Bulhosa sob alegação de que as compras foram feitas para eles, usando o cartão de crédito adicional do Bom Marche em que a titular é Sandra.
 Sem dinheiro nem advogado, Rogenas – que pediu demissão – levou seu drama para a Defensoria Pública, que apresentará a contestação segunda-feira. O ineditismo do caso vai fazer a defensora pública Maria Regina Amaral de Sá Barreto, que defende Rogenas, passar o fim de semana estudando o episódio. Mas, adiantou, irá sustentar que, no cupom sorteado, não constam informações que indiquem de quem era o dinheiro usado nas compras ou mesmo se foi pago com cartão. Embora juridicamente polêmico, o caso foi analisado por alguns advogados consultados pelo DIA em favor de Rogenas. 
 Segundo os advogados, só o fato de a doméstica ter feito, em várias ocasiões, compras particulares com o cartão da patroa e ser descontada no salário põem em cheque a discussão. Rogenas contou que preencheu vários cupons com seu nome e com os nomes dos filhos dos patrões. O fato, segundo o advogado João Tancredo, basta para que ela tenha direito ao Mercedes de R$ 29 mil. “Como advogado, penso que, se ela também fazia compras para si, o carro é seu. O patrão, sim, é que vai ter que provar que as compras eram só para ele. Como cidadão, se a minha empregada ganha um prêmio desses, mesmo sendo como o meu dinheiro, o carro também seria dela”, discursou Tancredo.
 “Nesse primeiro momento, o carro tem que ficar com ela. Os patrões, se quiserem, têm que entrar na Justiça contra ela”, observa o advogado Paulo Goldrajch. 
 Dona da gráfica Ral Fênix, no Engenho da Rainha, seus patrões – Adelino Bulhosa e Sandra Conrado Nobre Bulhosa Fernandes – moram no luxuoso condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca. Segundo Rogenas, eles têm um Fiat Coupé, um Vectra e duas picapes. 
Marcos Almeida e 
Mônica Marques
 Mecânico em Duque de Caxias há 20 anos, Nilson Jose da Silva, 45, jamais havia sido premiado em sorteios. Mas, em janeiro de 1992, sua sorte mudou. Ao comprar uma peça numa autorizada da Volkswagen, com o dinheiro do cliente Antônio Augusto Silva, o mecânico preencheu cupons para o sorteio de um Santana 2000. Acabou sendo premiado. Sua sorte foi melhor do que a da doméstica da Barra da Tijuca, Rogenas da Silva, que ganhou um Mercedes-Benz Classe A do hipermercado Bon Marché, mas não pôde levar por causa de uma liminar conseguida por seus patrões. Antônio Augusto, um empresário português de 59 anos, nem sequer questionou o direito de Nilson ao prêmio e ainda acabou comprando o Santana novo do mecânico. 
 “Não tinha nem o que discutir. Eu assinei o cupom sorteado. Talvez o doutor Silva não tivesse a mesma sorte se preenchesse os bilhetes”, destacou Nilson. Na época, graças ao valor da peça do veículo do empresário, o mecânico teve direito a preencher 18 cupons. Nilson foi honesto, entregou o troco ao português e comentou sobre o sorteio. “Cheguei a brincar com Nilson dizendo que iríamos ver se seu nome dava sorte”, relembra o empresário, indignado com a atitude contrária dos patrões de Rogenas. 
 No caso da doméstica, quando os patrões souberam da premiação, mal deram um sorriso amarelo. “Vale o que está escrito. Como no caso do Nilson, ela assinou o cupom premiado. É causa ganha. Eles só vão atrasar o lado da garota,