A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
12 pág.
DJi - Liberdade Condicional - Livramento Condicional

Pré-visualização | Página 2 de 5

sentenciado, a ele
cabe a satisfação do débito, não sendo suprida com a apresentação de
certidão negativa (Nesse sentido: STF, RT, 649/361.).
d) cumprimento de parte da pena: mais de 1/3, desde que tenha bons
antecedentes e não seja reincidente em crime doloso; mais da metade, se
reincidente em crime doloso; entre 1/3 e a metade, se tiver maus
antecedentes, mas não for reincidente em crime doloso; mais de 2/3, se
tiver sido condenado por qualquer dos crimes previstos na Lei n.
8.072/90 (Lei de Crimes Hediondos).
Reincidente específico: tal expressão, que havia sido sepultada pela
reforma penal de 1984, ressuscitou e voltou a ser prevista por nosso
ordenamento jurídico. Tem dois significados:
a) Lei n. 8.072/90: acrescentou o inciso V ao art. 83 do CP, o qual
vedou o livramento condicional para os reincidentes em qualquer dos
crimes previstos na Lei dos Crimes Hediondos. Assim, o "reincidente
específico em crimes dessa natureza" não terá direito algum ao benefício.
Reincidente específico, aqui, não quer dizer em crimes previstos no
mesmo tipo legal, mas em crimes previstos na mesma lei. Por exemplo:
tortura e terrorismo, latrocínio e tráfico de drogas, homicídio qualificado e
extorsão mediante seqüestro e assim por diante. Trata-se de um novo
conceito, um pouco mais amplo. Deve-se observar, contudo, que, para
que prevaleça a vedação do art. 83, V, do CP, é necessário que ambos
os delitos tenham sido cometidos após a entrada em vigor da Lei n.
8.072/90, pois, se um deles foi praticado antes, não haverá reincidência
específica, nem proibição de obter o livramento condicional (Nesse
Desinternação ou
Liberação
Condicional
Deveres dos Presos
Diminuição da Pena
Direção e Pessoal
dos Estabelecimentos
Penais
Direito Penal no
Estado Democrático
de Direito
Direito Processual
Penal
Direitos do
Condenado ou
Internado
Disciplina
Disposições Gerais à
Prisão e à Liberdade
Provisória
Efeitos da
Condenação
Efeitos da Revogação
do Livramento
Condicional
Eficácia de Sentença
Estrangeira
Elementares
Erro de Tipo
Espécies de Pena
Especificações das
Condições para o
Livramento
Condicional
Estabelecimentos
Penais
Estado de
Necessidade
Estrito Cumprimento
de Dever Legal
Exame Criminológico
Excesso ou Desvio
Execução das
Medidas de
Segurança
Execução das Penas
em Espécie
Execução Penal
Exercício Regular do
sentido: STJ, 6ª T., HC 14.532, j. 28-8-2001, DJU de 24-9-2001, p.
347.).
b) CP, art. 44, § 3º, parte final: o reincidente específico em crime culposo
não tem direito à substituição por pena alternativa. Na hipótese de
reincidência em crime doloso, pouco importa se a reincidência é
específica ou não, não pode nunca (CP, art. 44, II). Na hipótese do
crime culposo, porém, somente estará vedado o benefício da pena
restritiva de direitos se o agente for reincidente específico, que, neste
caso, quer dizer reincidente em crimes previstos no mesmo tipo penal
(homicídio culposo e homicídio culposo, por exemplo).
Pode-se concluir, com isso, que existem, atualmente, duas definições
possíveis para a reincidência específica: uma para a Lei dos Crimes
Hediondos (reincidente em crimes previstos nessa lei, estejam ou não
definidos no mesmo tipo) e outra para o CP e a legislação em geral (em
crimes previstos no mesmo tipo legal).
Condenado primário, mas portador de maus antecedentes: segundo
orientação do Supremo Tribunal Federal, é inadmissível que o condenado
primário, mas portador de maus antecedentes, obtenha o livramento
condicional após o cumprimento de 1/3 da pena. "Aplicação da exigência
do inciso II do art. 83 do Código Penal (cumprimento de mais da metade
da pena), e não do pressuposto temporal requerido no item I do mesmo
dispositivo (mais de um terço)" (STF, HC 73.002-7-RJ, DJU, 26-4-
1996, p. 13114.). Assim, a lei teria equiparado ao condenado reincidente
o portador de maus antecedentes. Em sentido contrário manifestou-se o
Superior Tribunal de Justiça: "o parecer favorável do Conselho
Penitenciário, aliado à satisfação pelo sentenciado dos requisitos de
ordem objetiva e subjetiva, autoriza o deferimento do pedido de
livramento condicional que não deve ser simplesmente afastado sob o
fundamento da ausência de bons antecedentes, circunstância já sopesada
na fixação da pena, acima do mínimo legal. Não se pode equiparar o
tecnicamente primário ao reincidente, com a exigência de cumprimento de
mais da metade da pena" (STJ, HC 57.669-RJ, DJU, 4-8-1997, p.
34888.).
Nossa posição: entendemos que o não reincidente em crime doloso,
portador de maus antecedentes, deve cumprir entre 1/3 e a metade para
obtenção do livramento (vide supra).
Subjetivos: são os seguintes:
a) comportamento satisfatório (menos do que bom) durante a execução
da pena: aqui importa considerar a vida carcerária do condenado. Exige-
se comportamento carcerário satisfatório, ou seja, não ser indisciplinado
de modo a empreender fugas (caracteriza falta grave) ou envolver-se em
brigas com outros detentos. Contudo, as sanções havidas no curso da
execução não impedem a concessão do livramento condicional se o
apenado, após ser devidamente sancionado administrativamente,
demonstra adequado comportamento carcerário;
b) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído: a omissão do
Poder Público na atribuição de trabalho ao condenado não impede a
concessão do benefício;
c) aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto;
Direito
Exigibilidade de
Conduta Diversa
Extinção do
Livramento
Condicional
Extraterritorialidade
da Lei Penal
Brasileira
Faltas Disciplinares
Fato Típico
Fontes do Direito
Penal
Função Ético-Social
do Direito Penal
Habeas Corpus
Hospital de Custódia
e Tratamento
Psiquiátrico
Ilicitude
Imputabilidade
Incidentes de
Execução Penal
Interdição
Temporária de
Direitos
Interpretação da Lei
Penal
Irretroatividade da
Lei Penal
Juízo da Execução
Penal
Legítima Defesa
Leis de Vigência
Temporária
Liberado
Liberdade
Liberdade Provisória
Com ou Sem Fiança
Limitação de Fim de
Semana
Limites de Penas
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Ministério Público
Multa (s)
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
d) nos crimes dolosos cometidos mediante violência ou grave ameaça à
pessoa, o benefício fica sujeito à verificação da cessação da
periculosidade do agente;
e) nos crimes previstos na Lei n. 8.072/90, não ser reincidente específico.
Requisitos procedimentais
a) Requerimento do sentenciado, de seu cônjuge ou parente em linha
reta, ou, ainda, proposta do diretor do estabelecimento ou do Conselho
Penitenciário (cf. art. 712 do CPP).
b) Relatório minucioso do diretor do estabelecimento penal a respeito do
caráter do sentenciado, seu procedimento durante a execução da pena,
suas relações com familiares e estranhos e, ainda, sobre sua situação
financeira, grau de instrução e aptidão para o trabalho (art. 714 do CPP).
c) Manifestação do Ministério Público defensor (cf. art. 112, §§ 1º e 2º,
da LEP, com a redação determinada pela Lei n. 10.792/03).
d) Parecer do Conselho Penitenciário: a nova redação do art. 70 exclui
uma das atribuições do Conselho Penitenciário, qual seja, a de emitir
parecer sobre a concessão dó livramento condicional (cf. redação
determinada pela Lei n. 10.792/2003). Embora tenha assim procedido, o
legislador, por outro lado, manteve intactos todos os dispositivos legais
relativos à intervenção do Conselho Penitenciário quando da concessão,
execução e revogação do livramento condicional (LEP, arts. 131 e s.).
Tendo em vista a manutenção dos mencionados dispositivos legais,
entendemos que, por lei, continua a ser exigível a emissão de parecer do
Conselho Penitenciário no livramento condicional. Se fosse a intenção da
lei, com a sua omissão, excluir essa atribuição do Conselho Penitenciário,
teria revogado expressamente todos os dispositivos legais atinentes a essa
matéria, constantes do Título V, Capítulo I, Seção V, da LEP. Não foi o
que sucedeu. Aparentemente, a supressão dessa função do rol do art. 70,