DJi - Liberdade Condicional - Livramento Condicional
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de descumprimento das obrigações constantes da sentença
(art. 87, 1ª parte): é inadmissível a suspensão do livramento pelo
descumprimento das condições impostas na sentença concessiva, pois ela
somente é admissível na hipótese do art. 145 da LEP, ou seja, quando o
liberado, durante a fruição do benefício, pratica outra infração, caso em
que, suspenso o curso do livramento, a revogação ficará dependendo do
julgamento definitivo do processo.
Na hipótese do art. 87, 2ª parte: permite-se a suspensão provisória do
benefício até o julgamento final do processo, tendo em vista que o art.
145 da LEP não distingue a espécie de infração penal.
Extinção da Pena
Art. 89: o juiz não poderá declarar extinta a pena enquanto não passar
em julgado a sentença em processo a que responde o liberado por crime
cometido na vigência do livramento. Isso vale dizer que, no momento em
que o sentenciado começa a ser processado, o período de prova se
prorroga até o trânsito em julgado da decisão desse processo para que
se saiba se haverá ou não revogação do benefício. Convém frisar que só
haverá prorrogação se o processo originar-se de crime cometido na
vigência do livramento e não de crime anterior. Por uma razão: a
condenação por crime praticado antes do benefício não invalida o tempo
em que o sentenciado esteve em liberdade condicional; logo, seria inútil
prorrogar o livramento além do período de prova, pois a pena já estaria
cumprida. Da mesma forma, é importante lembrar que a mera instauração
de inquérito policial não acarreta a prorrogação do benefício, pois a lei
fala só em processo.
Art. 90: se, até o seu término, o livramento não é revogado, considerase
extinta a pena privativa de liberdade. Esse dispositivo deve ser
interpretado em consonância com o art. 89, ou seja, após a prorrogação
automática, ou quando esta não ocorrer, a pena será extinta se não
houver motivo para a revogação do livramento.
Livramento condicional antes do trânsito em julgado: o STJ já admitiu
essa hipótese em casos nos quais o acusado já se encontrava preso
provisoriamente por mais tempo do que o necessário para o benefício (no
caso, mais do que 1/3 da pena aplicada na sentença transitada em
julgado para a acusação e, portanto, insuscetível de ser aumentada)
(Nesse sentido: STJ, RHC 1.030, proveniente do Estado de
Pemambuco, julgado pela 6ª Turma, e publicado no DJU de 25-3-1991,
p. 3231.). Há, ainda, um julgado da 2ª Turma do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região (Referente ao Recurso n. 420.201, publicado no
DJU de 8-5-1991, p. 9821), entendendo que não há necessidade de
aguardar o trânsito em julgado do acórdão para o início do livramento,
uma vez que o recurso especial não tem efeito suspensivo.
Exame Criminológico: é desnecessário se o crime foi cometido sem
violência ou grave ameaça contra a pessoa (Nesse sentido: STJ, 6ª T.,
REsp 690, proveniente do Estado do Paraná, publicado no DJUem 5-
11-1990, p. 1243.). A jurisprudência vem entendendo que, mesmo nos
crimes com violência ou grave ameaça, o exame não é imprescindível,
pois a lei não o exige (STF, RT, 604/468.). Conforme a posição dessa
mesma Corte, "O Supremo Tribunal Federal, muito embora acentue em
seus pronunciamentos jurisprudenciais que o art. 83, parágrafo único, do
Código Penal não toma compulsória a perícia médica, adverte que esta
não se acha vedada pela norma legal, submetendo-se, quanto a sua
realização, à apreciação discricionária - e sempre motivada - do juiz"
(STF, HC 69.740-SP, DJU, 18-6-1993, p. 12112.). Portanto, para o
STF o exame criminológico, se o crime foi cometido com violência ou
grave ameaça contra a pessoa, é facultativo, ficando a análise de sua
necessidade subordinada à apreciação discricionária do juiz, podendo
este aferir as condições postas no art. 83, parágrafo único, do CP por
outros meios que não o exame pericial.
O julgado do STJ acima mencionado, ao que parece, a contrario sensu,
exige o exame criminológico nesses delitos.
"Habeas Corpus": não configura meio idôneo para a concessão de
livramento, uma vez que não admite investigação probatória, sem a qual
não é possível verificar o preenchimento dos requisitos legais.
Contraditório e ampla defesa: é inadmissível a revogação do livramento
condicional sem a prévia oitiva do condenado e a oportunidade de se
defender.
Estrangeiro: nada impede que obtenha o benefício, desde que preencha
os requisitos. No caso de turista, sem residência fixa, não terá direito
(Nesse sentido: STF, 1 ª T., RHC 65.643, do Estado do Rio de Janeiro,
publicado no DJU, 26-2-1988, p. 3193.).
A impossibilidade para que o estrangeiro com permanência irregular ou
visto temporário no Brasil obtenha o livramento condicional decorre do
impedimento, que lhe impõe o art. 97 da Lei n. 6.815/80, de exercer
atividade honesta e remunerada (Nesse sentido: STF, RT, 601/377.).
Inadmissível a concessão de livramento condicional a estrangeiro cujo
decreto de expulsão esteja condicionado ao cumprimento da pena a que
foi condenado no Brasil (Nesse sentido: STF, RT, 606/418.).
Livramento condicional humanitário: é assim chamado o benefício
concedido a sentenciado que ainda não cumpriu o período de tempo
necessário, mas é portador de moléstia grave e incurável. Não tem base
legal, não podendo ser concedido quando não preenchidos todos os
requisitos objetivos e subjetivos previstos em lei.
STF, RT, 601/377; STF, RT, 606/418.
STF, 1 ª T., RHC 65.643, do Estado do Rio de Janeiro, publicado no
DJU, 26-2-1988, p. 3193.
STF, HC 69.740-SP, DJU, 18-6-1993, p. 12112.
STJ, 6ª T., REsp 690, proveniente do Estado do Paraná, publicado
no DJUem 5-11-1990, p. 1243.
TRF, 4ª Região, 2ª T, Recurso n. 420.201, publicado no DJU de 8-5-
1991, p. 9821.
STJ, RHC 1.030, proveniente do Estado de Pemambuco, julgado
pela 6ª Turma, e publicado no DJU de 25-3-1991, p. 3231.
STJ, 6ª T., HC 14.532, j. 28-8-2001, DJU de 24-9-2001, p. 347.
STF, RT, 604/468; STF, HC 73.002-7-RJ, DJU, 26-4-1996, p. 13114.
STJ, HC 57.669-RJ, DJU, 4-8-1997, p. 34888.
STJ, RT, 668/332-3; RT, 584/450; STJ, RSTJ, 65/122; STF, RT,
649/361; RT, 640/341.
Jesus, Damásio E. de, Direito penal, 25 ed., São Paulo, Saraiva, v. 1.
Delmanto, Celso, Código Penal comentado, 3. ed., São Paulo,
Saraiva.
Capez, Fernando, Curso de Direto Penal, parte geral, vol. 1,
Saraiva, 10ª ed., 2006
(Revista Realizada por Suelen Anderson - Acadêmica em Ciências
Jurídicas - 19 de dezembro de 2009)
Modelo de Petição de Liberdade Condicional
Jurisprudência Relacionada:
- Condenação por Crimes Hediondos ou Assemelhados - Progressão de
Regime Prisional - Súmula nº 471 - STJ
- Falta Grave - Interrupção do Prazo para Obtenção de Livramento
Condicional - Súmula nº 441 - STJ
- Liberdade Vigiada ao Extraditando - Prazo de Prisão - Súmula nº 2 -
STF
- Pena Unificada - Limite de Trinta anos de Cumprimento -
Consideração para a Concessão de Outros Benefícios - Súmula nº 715 -
STF
Normas Relacionadas:
Art. 96, Não Aplicação do Livramento Condicional e Art. 97,
Casos Especiais do Livramento Condicional - Livramento
Condicional - Penas - Código Penal Militar - CPM - DL-
001.001-1969
Art. 618, Condições para a Obtenção do Livramento Condicional,
Art. 623, Petição ou Proposta de Livramento, Art. 626, Normas
Obrigatórias para Obtenção do Livramento, Art. 633, Novo
Livramento. Soma do Tempo de Infrações, Art. 637, Processo no
Curso do Livramento e Art. 642, Crimes que Excluem o
Livramento Condicional - Livramento Condicional - Incidentes da
Execução - Execução - Código de Processo Penal Militar -
CPPM - DL-001.002-1969
Livramento Condicional - Incidentes da Execução - Execução -
Código de Processo Penal - CPP - L-003.689-1941
Livramento Condicional - Incidentes da Execução - Execução -
Código de Processo Penal Militar - CPPM - DL-001.002-1969
Livramento Condicional - Penas - Código Penal - CP - DL-
002.848-1940
Livramento Condicional - Penas - Código Penal Militar - CPM -
DL-001.001-1969
Livramento Condicional - Penas Privativas