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Caderno_alvaro-(Aula Batista)

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A regra geral seria portanto mais condizente com a própria realidade.
Rio, 10/08/11
Quando um empregador dá ao dinheiro ao empregado para que ele pague determinada viagem a trabalho não podemos considerar tal verba nem como remuneração e nem mesmo como salário, mas sim como uma verba indenizatória.
A CLT prevê em seu art. 457 parágrafo segundo uma forma de impedir que o empregador mascare o salário na forma de verba indenizatória. Podemos dizer que o direito do trabalho errou pois abandona a forma de conter fraudes a partir do princípio da primazia realidade. Não há sentido algum no teto estabelecido, posto que podem haver fraudes abaixo do limite estabelecido em lei. 
O que acontece no plano prático é que os empregados reúnem as notas do seus gastos, e em caso de excederem o limite da lei, pelo principio da realidade eles provam que a viagem realmente aconteceu e os gastos são legítimos.
OBS: o ônus da prova só importa quando ele não vem.
De quem é o ônus da prova no caso da necessidade de prova de que determinada verba tem natureza de diária ou não? Muitos juízes do trabalho utilizam o parágrafo segundo do art.457, utilizando o limite de 50 % para entregar o ônus da prova. Para o empregador (acima de 50%) e para o empregado (abaixo de 50%).
Percentagens: 
Há quem diga tais percentagens são adicionais, outros que tais percentagens são participações nos lucros (professor). Para os trabalhadores anteriores a CF 88 a participação nos lucros pelo empregado tinha natureza de salário.
Art. 7º, XI da CRFB. Este artigo é verdadeiramente fruto de um acordo entre o capital e o trabalho. Percebe-se com esse artigo que a participação nos lucros perde sua natureza salarial (em função da imposição constitucional), assumindo uma nova natureza, se é que assim podemos dizer.
A lei 10.101/2001 regulamentou o disposto no dispositivo acima afirmando que a participação nos lucros será definida por acordos e convenções coletivas. Na prática, então, para que haja participação nos lucros é necessário que haja acordo individual entre o empregador e empregado ou acordos e convenções coletivas tal participação.
Atenção pois nos acordos coletivos podem existir participações diferentes dependendo da função que o empregado exerce.
Abono:
O abono tem natureza salarial e representa um adiantamento da contraprestação que o empregado recebe em virtude de seu vinculo de trabalho.
Antes de FHC os aumentos do salário mínimos eram fixados por leis esporádicas. Com FHC o salário mínimo passou a ser definido por lei federal, e os sindicatos perceberam a necessidade de sua atuação como “barganhadores” ou negociadores de aumento salarial, agora não para todos, mas apenas para a sua categoria de trabalhadores. Os empregadores tem de ter cuidado ao aumentarem o salário de seus empregados. Pois devem aumentá-lo provisoriamente na forma de abono. Caso contrário, se o aumento for feito sem essa ressalva, isto é espontaneamente, quando houver um acordo coletivo para renegociação dos salários, os empregados já partiram do salário aumentado do que o empregador aumentou espontaneamente.
Rio, 15/08/2011
Hoje começaremos falando do:
Salário in natura ou Utilidade:
É uma forma de salário em que uma parte (nunca o salário todo) do mesmo é pago na forma de utilidades para o empregado.
Podemos lembrar das já citadas verbas que não tem natureza salarial, mas sim servem ao exercício da função do próprio empregado. A lógica para o salário utilidade é a mesma. De forma que nem todos os bens úteis entregues ao trabalhador serão salário utilidade. À exemplo daquelas utilidades que servem a execução da função pelo trabalhador
A empresa quando pagar salário utilidade especificará em dinheiro no contra cheque do trabalhador quanto tal salário utilidade valerá.
Devemos ressaltar que o salário utilidade deve representar somente uma parte do salário que porque no fim ele acaba cerceando a liberdade do trabalhador. EX: o carro, a roupa que o trabalhador vai usar.
OBS: a roupa fornecida por lojas aos seus vendedores não pode ser considerada salário utilidade. Pois a roupa serve à execução do trabalho.
Antes da CF de 88 quem fixava o salário mínimo era o próprio presidente através de decreto-lei. Alem disso o salário mínimo era regional. Hoje em dia o sistema funciona de forma distinta, ao menos teoricamente.
Art. 458 e 82 da CLT .
OBS: em caso de acidente ou doença do empregado, caso o empregador pague uma parte do salário na forma de dinheiro e outra parte na forma de salário utilidade, mesmo após o 15º dia, o patrão terá de continuar garantindo a moradia do empregado.
Art. 458, I – ok
II – percebemos o problema desse inciso pois o pagamento da educação do empregado representa claramente uma forma de contraprestação ao trabalho do mesmo, diferentemente do que dispõem o artigo. Esse inciso apesar de ir de encontro ao que defende a doutrina, foi elaborado justamente para incentivar tal prática do empregador. De forma que ao aumentar o salário do empregado na forma de pagamento da educação, tal aumento se daria na forma pura, isto é, sem reflexos no FGTS, no 13º salário. Percebemos claramente que aqui não prevalece a Primazia da Realidade.
III – este inciso corresponde a realidade. Pois de fato não podemos considerar salário aquilo que permite ao empregado a viabilização (Ou mesmo a facilitação ) do trabalho.
 Rio, 17/08/2011
EX: Um carro para um empregado usar só a trabalho
 Um carro utilizado somente para o transporte de sua família.
Estes exemplos são extremos e portanto não suscitam dúvida. Mas o grande problema do salário utilidade começa a surgir em situações medianas (ex: carro utilizado para o trabalho e para a família).
Súmula 367 – ex: empregado embarcado em um navio, tem que habitar no navio.
Quando a súmula fala em carro algumas críticas podem ser feitas. Já que ele pode ser ao mesmo tempo instrumento para o trabalho como também salário utilidade.
Equiparação Salarial:
PROVA
O mercado por excelência é desigual
Súmula 6 esgota quase todas as polêmicas do artigo abaixo
Art. 461 da CLT
O art. 7º, XXX – garante uma clausula de igualdade. Isonomia Salarial
O empregado a quem eu quero me equiparar é chamado de empregado paradigma.
Requisitos da equiparação:
- exercício de uma mesma função. Segundo o principio da Primazia da realidade, devemos analisar as funções não pela terminologia (nome da função), mas sim pelo que de fato o empregado faz. E a súmula 6 diz isso claramente.
-o trabalho deve ser de igual valor. Isto é, mesma qualidade – art.461, parágrafo primeiro.
OBS: Assevera a doutrina que não há como haver equiparação salarial quando o trabalho em questão é intelectual. Atenção: tal posição vai de encontro a regra do art. 7º, XXXII da CF.
Portanto o mais adequado é que consideremos a possibilidade de equiparação salarial memso em caso de trabalho intelectual. A súmula 6, VII também trata do tema. O professor faz uma crítica a parte final do inciso. Incoerência – critérios objetivos.
 -mesmo empregador.
Art. 2º, §2º da CLT - Há quem interprete de forma menos literária, defendendo uma equiparação salarial para empresas de um mesmo grupo econômico. Variando a tese, variará a solução. O professor defende a literalidade, uma vez que um mesmo grupo econômico pode conter atividades empresariais dos mais variados tipos. Primazia da Realidade.
-mesma localidade. A súmula 6, X também enfrenta o assunto, afirmando que mesma localidade é o mesmo município ou municípios diferentes que fazem parte de uma mesma região metropolitana. Ultimo ponto que parece não ser muito adequado (art. 25, §3º da CF)
Atenção:
Região Metropolitana – único perímetro urbano. Município Polo
Aglomeração Urbana – único perímetro. Municípios de importância equivalente
Microregião – vários perímetros. Municípios que desempenham uma mesma função econômica.
A súmula 6 comporta, por extensão a aglomeração urbana e micro região.
O professor afirma ainda, pelo principio da primazia da realidade, diz podemos considerar uma mesma localidade para o direito do trabalho, ainda que não haja