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DJi - Necessidade - Requisitos do Estado de Necessidade

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- Índice Fundamental do Direito
Legislação - Jurisprudência - Modelos - Questionários - Grades
Necessidade - Estado de Necessidade - Art. 24, Estado de Necessidade - Crime - Código Penal - CP -
DL-002.848-1940
 O Estado de Necessidade é uma situação de perigo atual de
interesses protegidos pelo direito, em que o agente, para salvar um bem
próprio ou de terceiro, não tem outro meio senão de lesar o interesse de
outrem. ex.: violação de domicílio para acudir vítimas de crime ou
desastre, etc.
Penal
- conceito: Art. 24, caput, CP
- excesso punível: Art. 23, parágrafo único, CP
- exclusão de ilicitude: Art. 23, I, CP
- impossibilidade de alegação por quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo: Art. 24, § 1º, CP
Processo Penal
- absolvição em processo do júri; recurso ex officio do juiz: Art. 411,
CPP
- coisa julgada no cível: Art. 65, CPP
- liberdade provisória: Art. 310, CPP
- prisão preventiva; não será decretada: Art. 314, CPP
- sentença absolutória; menção a tal circunstância: Art. 386, V, CPP
Requisitos do Estado de Necessidade
a) situação de perigo (ou situação de necessidade);
b) conduta lesiva (ou fato necessário).
Situação de perigo:
a) um perigo atual;
b) ameaça a direito próprio ou alheio;
c) situação não causada voluntariamente pelo sujeito;
d) inexistência de dever legal de arrostar o perigo (C.P.,
Art. 24, § 1º).
Exigência da conduta lesiva:
a) inevitabilidade do comportamento lesivo;
b) inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado;
c) conhecimento da situação de fato justificante.
Estado de Necessidade "é a causa de Exclusão de Ilicitude da Conduta
de quem, não tendo o dever legal de enfrentar uma situação de perigo
atual, a qual não provocou por sua vontade, sacrifica um bem jurídico
ameaçado por esse perigo para salvar outro, próprio ou alheio, cuja
perda não era razoável exigir. No estado de necessidade existem dois ou
Referências
e/ou
Doutrinas
Relacionadas:
Ação Penal
Antijuridicidade
Antijurídico
Aplicação da Pena
Arrependimento
Posterior
Caso Fortuito
Causas de Exclusão
da Antijuridicidade
Causas de Extinção
da Punibilidade
Circunstâncias
Classificação dos
Crimes
Comunicabilidade e
Incomunicabilidade
de Elementares e
Circunstâncias
Concepção do
Direito Penal
Concurso de Crimes
Concurso de Pessoas
Conduta
Crime
Crime Consumado
Crime Continuado
Crime Impossível
Crime Preterdoloso
Crimes Culposos
Culpa
Culpabilidade
Descriminantes
Putativas
Desistência
Voluntária e
mais bens jurídicos postos em perigo, de modo que a preservação de um
depende da destruição dos demais. Como o agente não criou a situação
de ameaça, pode escolher, dentro de um critério de razoabilidade ditado
pelo senso comum, qual deve ser salvo. Exemplo: um pedestre joga-se na
frente de um motorista, que, para preservar a vida humana, opta por
desviar seu veículo e colidir com outro que se encontrava estacionado nas
proximidades. Entre sacrificar uma vida e um bem material, o agente fez a
opção claramente mais razoável. Não pratica crime de dano, pois o fato,
apesar de típico, não é ilícito.
Teorias
a) Unitária: adotada pelo Código Penal. O estado de necessidade é
sempre causa de exclusão da ilicitude. Dessa forma, para o nosso Código
Penal, ou a situação reveste-se de razoabilidade, ou não há estado de
necessidade. Não existe comparação de valores, pois ninguém é
obrigado a ficar calculando o valor de cada interesse em conflito,
bastando que atue de acordo com o senso comum daquilo que é
razoável. Assim, ou o sacrifício é aceitável, e o estado de necessidade
atua como causa justificadora, ou não é razoável, e o fato passa a ser
ilícito.
O estado de necessidade jamais atuará como causa supralegal de
exclusão da culpabilidade. Tal interpretação aflora do texto legal, pois o
art. 24, § 2º, do CP dispõe que, quando o sacrifício não for razoável, o
agente deverá responder pelo crime, tendo apenas direito a uma redução
de pena de 1/3 a 2/3. Ora, se a falta de razoabilidade leva tão-somente à
diminuição de pena, isso significa que ficou caracterizado o fato típico e
ilícito, e, além disso, o agente foi considerado responsável por ele
(somente se aplica pena, diminuída ou não, a quem foi condenado pela
prática de infração penal).
b) Diferenciadora ou da diferenciação: de acordo com essa teoria deve
ser feita uma ponderação entre os valores dos bens e deveres em
conflito, de maneira que o estado de necessidade será considerado causa
de exclusão da ilicitude somente quando o bem sacrificado for reputado
de menor valor. Funda-se, portanto, em um critério objetivo: a diferença
de valor entre os interesses em conflito.
Quando o bem destruído for de valor igualou maior que o preservado, o
estado de necessidade continuará existindo, mas ·como circunstância de
exclusão da culpabilidade, como modalidade supralegal de exigibilidade
de conduta diversa (é o que a teoria chama de estado de necessidade
exculpante). Somente será causa de exclusão da ilicitude, portanto,
quando o bem salvo for de maior valor.
Em contraposição a esse entendimento, pode-se lembrar o caso do
náufrago que sacrifica a vida do seu companheiro para poder preservar a
própria, ao tomar para si a única bóia. As duas vidas têm igual valor,
mas, mesmo assim, pode ser invocado o estado de necessidade.
A teoria diferenciadora foi adotada pelo Código Penal Militar (arts. 39 e
43), mas desprezada pelo nosso CP comum.
Na Alemanha, onde tal teoria é preponderante, o estado de necessidade
só será considerado excludente de ilicitude quando o bem jurídico
preservado tiver maior valor. Sendo este equivalente, a exclusão será da
Arrependimento
Eficaz
Direito Penal no
Estado Democrático
de Direito
Efeitos da
Condenação
Elementares
Erro de Tipo
Estado
Estado de Perigo
Estrito Cumprimento
de Dever Legal
Exclusão de Ilicitude
Exercício Regular de
Direito
Exigibilidade de
Conduta Diversa
Fato Típico
Fontes do Direito
Penal
Força Maior
Função Ético-Social
do Direito Penal
Ilicitude
Imputabilidade
Interpretação da Lei
Penal
Legítima Defesa
Limites de Penas
Livramento
Condicional
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Moderamen
inculpatae tutela
Necessidade Pública
na Desapropriação
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Pena de Multa
Potencial Consciência
da Ilicitude
Prescrição
Princípio da
Legalidade
Pronúncia,
Impronúncia e
culpabilidade (dirimente) e não da antijuridicidade. Em sentido contrário,
na Espanha, prevalece a posição mais ampliativa, no sentido de que o
estado de necessidade exclui a ilicitude, tanto no caso de o bem salvo ser
do mesmo valor, quanto na hipótese de ter maior valor do que o
sacrificado. A posição espanhola parece ser a mais correta, pois eliminar
uma vida alheia, quando imprescindível para preservar a própria (bens de
idêntico valor), não pode ser considerada conduta antijurídica, pois
decorre do natural instinto de sobrevivência humana, e o que está de
acordo com a ordem natural deve ser tido como justificável
juridicamente. Nosso ordenamento, porém, adotou a teoria unitária (CP,
art. 24, § 2º), pois, ou se trata de excludente de ilicitude ou de causa de
diminuição de pena.
c) Da eqüidade (Adãquitãtstheorie): criada por Kant, sustenta que o
estado de necessidade não exclui nem a antijuridicidade, nem a
culpabilidade. O fato déixa de ser punido, apenas por razões de
eqüidade.
Faculdade do juiz ou direito do réu? Cabe ao juiz analisar com certa
discricionariedade se estavam presentes as circunstâncias fáticas
ensejadoras do estado de necessidade. Não pode, porém, fugir da
obviedade do senso comum. Uma vida humana vale mais do que
qualquer objeto, mesmo obras. , de arte ou históricas, e do que a vida de
um animal irracional. Do mesmo modo, não é razoável exigir atos de
heroísmo ou abdicação sobre-huma~a, como, por exemplo, sacrificar a
própria vida para salvar a de outrem. Por essa razão, se existe liberdade
para o julgador interpretar a situação concreta, há também limites ditados
pela consciência coletiva reinante