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Salário utilidade-(Aula Batista)

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Salário utilidade
Quando se fala em salário utilidade, pensamos em bens fornecidos pela empresa como contra-prestação de um serviço prestado. Será salário utilidade aquele bem fornecido pelo trabalho, e não para o trabalho. Há outros bens que são fornecidos como meio para a execução do trabalho. Isso não pode ser contabilizado como salário. Apesar de não ser uma quantia em dinheiro, é um bem que pode ser quantificado. No contra-cheque, haverá uma discriminação das quantias pagas em dinheiro e aquelas pagas em utilidades. Será necessário fazer o respectivo recolhimento ao INSS e ao fundo de garantia e este será feito em dinheiro. 
É importante ressaltar também que o salário utilidade não exclui a parcela do salário paga em dinheiro. Com as utilidades cerceiam a liberdade de escolha do trabalhador, é imprescindível que se pague uma quantia em dinheiro. A casa paga pelo empregador determina aonde o empregado vai morar. A roupa dada pelo empregador determina como o empregado vai se vestir. Sobre isso, é importante salientar a diferença entre utilidades dadas pelo trabalho e para o trabalho. É ilícita a prática das lojas de descontar do salário a quantia referente às roupas utilizadas como uniforme. Essas roupas são utilidades para o exercício do trabalho, e não como contra-prestação.
O art. 458 prevê o que é o salário utilidade. Porém, é omisso ao não determinar quanto deve ser pago em pecúnia. Para preencher essa lacuna, utiliza-se o art. 82, parágrafo único, da CLT. Esta seção da CLT é pouco utilizada desde a promulgação da Constituição de 88 já que esta não recepcionou esses dispositivos. Ainda assim, entende-se que este artigo é aplicável. Berthier acha que 30% é pouco, mas esta é a melhor solução para a prática jurídica atual.
Sobre o §1º do art. 458, é necessário lembrar que, quando se paga parte do salário em bens ou serviços, é feita uma discriminação dos valores referentes a essas utilidades. Assim, o trabalhador sabe quanto está ganhando. Uma prática habitual dos empregadores é conceder uma moradia ao empregado. Se este adoece, nos primeiros 15 dias o empregador ainda o deve salário. A partir do 16º dia, o empregado receberá o auxílio doença pago pelo INSS. Porém, a moradia concedida pelo empregador continua sendo devida.
No §2º do art. 458 os problemas começam a acontecer. No inciso I, aparece a questão das utilidades concedidas para a execução do trabalho. No inciso II, vemos os casos em que o empregador se propõe a custear a educação dos empregados e de seus dependentes. Nesses casos, vemos que a lei se afasta do princípio da primazia da realidade já que, de fato, esse custeio é uma contra-prestação do trabalho executado. Deveria, portanto, ser salário utilidade. Porém, a lei muda em 2001 e determina que a educação não é salário. Há uma diminuição do ônus do empregador não só durante as férias do empregado, mas também em relação aos recolhimentos devidos. Isso favorece o empregador já que é menos custoso fornecer a educação in natura e o incentiva a adotar essa prática ao invés de aumentar o salário.
O inciso III, assim como o inciso I, desqualifica como salário aquilo que realmente não o é. O empregador realmente reve fornecer o transporte ao empregado já que isso é uma utilidade fornecida para o trabalho.