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 Tópicos em LIBRAS: surdez e inclusão
Professor Fabiano Guimarães
Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2011
Aula 10
Literatura em língua de sinais
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Talvez seja fácil definir e localizar, no tempo e no espaço, um grupo de pessoas; mas quando se trata de refletir sobre o fato de que nessa comunidade surgem – ou podem surgir – processos culturais específicos, é comum a rejeição à ideia da “cultura surda”, trazendo como argumento a concepção da cultura universal, a cultura monolítica. 
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Não me parece possível compreender ou aceitar o conceito de cultura surda senão através de uma leitura multicultural, ou seja, a partir de um olhar de cada cultura em sua própria lógica, em sua própria historicidade, em seus próprios processos e produções. Nesse contexto, a cultura surda não é uma imagem velada de uma hipotética cultura ouvinte. Não é seu revés. Não é uma cultura patológica. (Skliar 1998, p. 28).
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Não visualizamos a cultura surda como algo localizado, fechado, demarcado. Ao contrário, como algo híbrido, fronteiriço. Visualizamos no sentido que Heidegger1 imprimiu aos locais da cultura quando considera que “Uma fronteira não é o ponto onde algo termina, mas, como os gregos reconheceram, a fronteira é o ponto a partir do qual algo começa a se fazer presente.”
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Surdos reúnem-se freqüentemente para contar histórias e, entre as preferidas, estão as histórias de vida, as piadas e aquelas que incluem elementos da cultura surda, com personagens surdos, com tramas que, em geral, envolvem as diferenças entre o mundo surdo e o ouvinte. (Alves e Karnopp 2003)
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“Esta história de um menino surdo é parecida com a de muitas outras crianças que nasceram ou ficaram surdas. Dúvidas, desespero, culpa, acusações, sofrem os pais. Solidão, um imenso sem-sentido, um mundo que teima em não se organizar, sobre a criança. O que fazer?” (Bisol, 2001, apresentação
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A história “A cigarra surda e as formigas” – 
escrita por duas professoras de surdos,
Carmem Oliveira e Jaqueline Boldo,
 uma ouvinte e a outra surda, respectivamente apresenta como tema a importância da amizade entre surdos e ouvintes e faz um apelo ao final da história
 “Amiguinhos precisamos respeitar as diferenças.” (Oliveira; Boldo, s.d.)
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O livro “O som do silêncio” (Cotes, 2004) conta a história de uma menina surda que não tem medo do barulho.
 
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REFERÊNCIAS
 QUADROS, Ronice Muller de. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. SILVA, KAUCHAKJE e GESUELI (orgs.). Cidadania, surdez e linguagem: desafios e realidade. São Paulo: Plexus, 2003. SILVA, Maria da Piedade Marinho. A construção de sentidos na escrita dos surdos. São Paulo: Plexus, 2001. SKLIAR, Carlos.A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 2001.
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