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LMA 1 - Anexo - Suprarrenais e Emoções

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Suprarrenais e Emoções
Incluído em 14/01/2005
O Hipotálamo é uma área cerebral nobre e intimamente relacionada às emoções. Ele ativa a Hipófise e todo o Sistema Nervoso Autônomo gerando respostas físicas e psicológicas em todo organismo. Assim, podemos dizer que todo Sistema Endócrino é mobilizado a partir do Hipotálamo, vindo daí a expressão Eixo-Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal. 
Para ilustrar o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal, lembramos que os corticóides, responsáveis pelas defesas orgânicas, pelo controle das reações alérgicas e pelo equilíbrio do sal e da água, são sintetizados a partir do colesterol na córtex da glândula Suprarrenal. Para as Suprarrenais liberarem o cortisol, que é o principal corticóide naturalmente produzido no ser humano, é necessário que elas sejam estimuladas por um outro hormônio secretado no cérebro, mais precisamente, na Hipófise. Esse hormônio é o Hormônio Corticotrófico (Corticotrofina ou, simplesmente, ACTH). 
 No cérebro, mais precisamente na Hipófise, para que seja produzido o ACTH que irá estimular as Suprarrenais, há necessidade do estímulo de um outro hormônio, chamado Hormônio Liberador da Corticotrofina (corticotropin-releasing hormone, CRH) que é sintetizado no núcleo paraventricular, na Hipófise.
A secreção do CRH, que é onde toda mobilização orgânica começa, é controlada por, pelo menos, dois tipos de estímulos: o estresse e o relógio biológico, responsável por todo ritmo circadiano do organismo. Pois bem. Esse nosso relógio biológico faz com que a secreção noturna de ACTH e de cortisol se faça de modo pulsátil, alcançando seu nível mais baixo na primeira metade da noite, aumentando rapidamente ao aproximar-se o despertar, quando sua secreção é máxima (entre as 6 e as 10 horas da manhã).
Para o controle desse teatro de liberação-inibição hormonal existe um mecanismo chamado de feed-back, ou seja, o próprio nível elevado de cortisol na circulação proporciona a inibição da liberação de CRH e de ACTH que, finalmente, resultará na inibição do próprio cortisol.
 
Se a base de liberação hormonal está situada no cérebro, então as questões cerebrais interferem diretamente na secreção de hormônios, ou seja, o estresse e a ansiedade influem diretamente nos níveis dos hormônios, ainda que estes sejam sintetizados em glândulas fora do cérebro, porém, comandadas por ele. Estamos falando aqui do eixo que liga o Hipotálamo (núcleos da base), a Hipófise e as Suprarrenais. Mas existem outros eixos, como por exemplo o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Tireóide.
As alterações hormonais podem, de fato, induzir alterações emocionais importantes e vice-versa. O excesso ou a falta de corticóides, por exemplo, pode produzir ansiedade, depressão e estados confusionais como se fossem verdadeiras psicoses. Os sintomas psicológicos decorrentes de disfunções hormonais ocorrem através de, pelo menos, 3 tipos de mecanismos:
1 - alterações no hipotálamo, na hipófise ou no córtex pré-frontal.
2 - ação dos hormônios sobre os receptores específicos do cérebro.
3 - alterações metabólicas periféricas. 
Portanto, os hormônios estão implicados na ativação, inibição ou modulação dos mecanismos centrais do Sistema Nervoso Central relacionados com padrões de conduta e emoções específicas. Os hormônios hipotalâmicos, por exemplo, atuam direta ou indiretamente na regulação das emoções negativas. A ação desses hormônios, que se deve à existência de receptores específicos no Sistema Nervoso Central, podem influir na memória, na aprendizagem, na conduta sexual, na conduta maternal, na afetividade, etc. 
As reações primárias do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal são moduladas pelo Sistema Nervoso Central, principalmente pela amígdala e pelo córtex pré-frontal. Em caso de reações emocionais o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal é mobilizado para equilibrar o organismo, porém, quando tais reações emocionais são muito intensas, quando a atuação desse eixo não é adequada, as alterações da cortisona (elevação dos 17-OHCS) são muito marcantes, e de tal forma que a dosagem desse hormônio é considerado um índice sensível e objetivo do estado emocional da pessoa.
O Cortisol
Os corticóides e os hormônios androgênicos são as sustâncias mais relacionadas com o estresse. O cortisol é o corticóide mais abundante no organismo e o chamado DHEA é o que melhor representa os hormônios androgênicos.
Os níveis de cortisol variam segundo o ciclo circadiano, como vimos, e exerce efeitos importantes sobre o metabolismo das proteínas, carboidratos e lipídeos, sobre a tonicidade dos músculos e outros tecidos, sobre a integridade do miocárdio e sobre as respostas antiinflamatórias. O cortisol influi também na conservação da glicose, na síntese de proteínas, na regulação de ácidos graxos em nos tecidos adiposos. A relação entre o cortisol e o sistema imune se comprova pela sua influência sobre os Linfócitos T, sobre o IL-2 e sobre o interferom.
Transtornos mentais e disfunção do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal 
1 - HIPERCORTISONISMO (Síndrome de Cushing) 
O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode ter sua causas fora da própria Suprarrenal, ou seja, da alteração na secreção de ACTH (por exemplo, devido a um tumor hipofisário, um tumor extrahipofisário, pela administração química de ACTH, etc). O hiperfuncionamento Suprarrenal pode ainda ter sua causa relacionada à esta própria glândula, como por exemplo, um adenoma ou carcinoma da córtex Suprarrenal. A chamada Doença de Cushing é conseqüência da hipersecreção de ACTH hipofisária, comumente devido a algum tumor (adenoma basófilo ou cromófobo). Esse aumento do ACTH provoca uma hiperfunção das glândulas Suprarrenais com conseqüente aumento de seu tamanho (hiperplasia bilateral de as glândulas Suprarrenais). 
Sintomatologia Psiquiátrica
O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode provocar Depressão, Transtorno Ansioso com ou sem ataques de pânico, Alteração da Personalidade, ou mesmo, dependendo do grau, de uma Síndrome Delirante com alucinações (auditivas e visuais) e/ou estado confusional. 
A depressão está, de fato, presente em cerca de 75% dos pacientes com Síndrome de Cushing, o que a coloca como sintoma pertencente ao quadro clínico dessa endocrinopatia. Tal quadro depressivo pode ser classificado como Distimia nos casos mais leves e por Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, nos mais graves.
Por outro lado, os Episódios Maníacos ou Hipomaníacos são excepcionais nas disfunções Suprarrenais, entretanto, podem aparecer como complicação do tratamento, principalmente quando este se dá com altas doses de medicamentos corticoesteróides. Aliás, por falar em medicamentos corticóides, é bom lembrar que em altas doses eles podem produzir estados confusionais, assim como profundas depressões quando há interrupção abrupta.
O hiperfuncionamento da córtex Suprarrenal pode provocar também dificuldades de concentração e déficits da memória, os quais são compatíveis com a alteração no funcionamento do hipocampo e, como sabemos, há forte correlação entre o volume do hipocampo (aumentado no hipercotisonismo) e a diminuição da cognição. 
Sinais e Sintomas
A hiperfunção da Suprarrenal tem características anatômicas. O rosto do paciente tem um aspecto arredondado, existe obesidade predominantemente no tronco (pernas mais finas) com depósito de gordura atrás do pescoço. A pele é fina com facilidade de formar equimoses e estrias (no abdome). Na face formam-se pelos (hipertricose). A hipertensão arterial é uma complicação freqüente, assim como a formação de cálculos renais, osteoporose, intolerância à glicose. 
Uma das causas de hiperfunção da Suprarrenal é o quadro conhecido por Hiperplasia Suprarrenal Congênita. Não há, na hiperfunção devido à Hiperplasia Suprarrenal Congênita, superprodução de hormônios androgênicos (DHEA e androstenodiona), portanto, não ocorre o fenômeno chamado virilização. Mesmo assim, em mulheres com este problema não ocorrem menstruações devido à deficiência de hormônios estrogênicos. 
Outra causa de hiperfunção da Suprarrenal são os tumores