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LMA 1 - Anexo - Suprarrenais e Emoções

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virilizantes dessas glândulas. Os tumores virilizantes da Suprarrenal são raros, felizmente, com uma incidência estimada 1 caso por 1,7 milhões de pessoas. Nestes casos haveria virilização com puberdade precoce.
Na Síndrome de Cushing, os níveis sanguíneos de cortisol são sempre altos, já que as Suprarrenais estão hiperfuncionantes e, ao contrários das pessoas normais, nesta síndrome não se pode observar variação nesses níveis entre o sangue colhido de manhã e durante o dia. 
Para o diagnóstico laboratorial existem 2 testes úteis; a inibição do ACTH e do cortisol por injeção de dexametasona (um corticóide sintético) e o teste de estimulação do ACTH e de11-desoxicortisol mediante a metirapona (que bloqueia a ll-hidroxilação de os precursores do cortisol). Estes dois testes permitem determinar se a hiperfunção Suprarrenal é produzida por alguma alteração dela própria (primária), ou se é originada no Sistema Nervoso Central (secundária). 
2 - HIPOCORTISONISMO 
A hipofunção das glândulas Suprarrenais também, como ha hiperfunção, pode ser de origem primária (Doença de Addison) ou secundária. Na sua forma secundária é conseqüência de uma hipofunção da hipófise, a qual pode ser ocasionada por lesão da própria hipófise ou do hipotálamo (onde se situa a hipófise). Normalmente essas lesões se dão por necrose isquêmica dessa região cerebral ou por excesso de corticoterapia. Na grande maioria das vezes a hipofunção é de origem primária, na própria Suprarrenal e, em 70% dos casos, não se sabe a causa. Inúmeros casos são causados por razões auto-imunes. 
Sintomatologia psiquiátrica
A maioria dos pacientes com insuficiência Suprarrenal (hipofunção) apresenta algum transtorno emocional discreto, tal como apatia, astenia ou irritabilidade. Há, com freqüência, queixas somatizadas de dores pelo corpo, notadamente nas pernas. Na metade dos casos existe uma depressão leve ou moderada com comorbidade para ansiedade. Sem dúvida, a característica principal de uma insuficiência Suprarrenal gira em torno da fadiga crônica, insônia e anorexia, geralmente levando à perda de peso. 
Sinais e Sintomas
A insuficiência Suprarrenal é acompanhada sempre de fatiga, anorexia, perda de peso, náuseas, vômitos, dores abdominais ou de estômago, diarréia, dores nas juntas, hipotensão arterial e hiperpigmentação da pele (pele escura), exceto nos casos secundários. 
Para o diagnóstico da insuficiência Suprarrenal primária (Doença de Addison), a dosagem de cortisona no sangue é baixa, porém, os níveis de ACTH são altos. Observa-se ausência de estimulação da Suprarrenal quando se administra ACTH (teste para diagnóstico).
Por outro lado, quando a insuficiência Suprarrenal é conseqüência de uma insuficiência da hipófise, as concentrações sangüíneas de ACTH e de cortisol são baixas e existe uma resposta da glândula quando se administra ACTH. 
Sintomas:
Debilidade, fadiga, perda de peso.
Anorexia, náuseas, vômito, fome pelo sal.
Diarréia, dor abdominal.
Alterações pigmentárias da pele.
Desidratação, hipotensão arterial ortostática.
Hipoglicemia com períodos de confusão mental
Vitiligo(10%)
Artralgias, mialgias, rigidez muscular.
Alterações emocionais, ansiedade, irritabilidade.
Coração menor
Hiperplasia do tecido linfóide
Poucos pelos axilares e púbicos
Amenorréia e diminuição da libido 
EMOÇÕES e EIXO HIPOTÁLAMO-HIPOFISÁRIO-SUPRARRENAL
As emoções compreendem nossos sentimentos e estados de ânimo, bem como sua expressão em condutas motoras e as respostas do Sistema Nervoso Autônomo e Endócrino. Portanto, as emoções compreendem tanto as experiências subjetivas, como também as alterações fisiológicas concomitantes. Habitualmente as emoções são classificadas de acordo com o sentimento que determinam, ou seja, como agradáveis, desagradáveis ou neutras.
A expressão orgânica das emoções está baseada, principalmente, nas reações neurovegetativas ou, como preferem alguns, autonômicas (do Sistema Nervoso Autônomo). Essas reações neurovegetativas são, em boa parte, inatas, hereditárias e típicas da espécie. Outras vezes podem ser adquiridas.
As reações emocionais neurovegetativas inatas são próprias da espécie e têm uma importante função adaptativa. As reações emocionais neurovegetativas adquiridas resultam das primeiras experiências e necessidades de adaptação dos recém nascidos em sua inter-relação com o meio.
     Qualquer animal, por exemplo, que enfrenta uma agressão apresenta uma alteração neurovegetativa (autonômica); há aumento da freqüência cardíaca e respiratória, as pupilas se dilatam, a função digestiva se inibe, há ereção dos pelos, etc. Isso é o que se vê exteriormente. Internamente, entretanto, uma verdadeira revolução orgânica acontece, principalmente em relação ao Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal. 
Nos seres humanos essas reações acontecem mesmo na ausência de agressões objetivas, podendo ser desencadeadas por emoções e sentimentos. As alterações emocionais se traduzem em modificações quantitativas e qualitativas da atividade autonômica em diversos órgãos e sistemas. Durante o medo, por exemplo, a pele da face e as mucosas ficam mais pálidas, durante a fúria ficam mais vermelhas.
ESTRESSE e EIXO HIPOTÁLAMO-HIPOFISÁRIO-SUPRARRENAL
As respostas fisiológicas aos diversos tipos de estressores são parecidas entre as pessoas (e animais). Essas alterações têm sempre, basicamente, uma função adaptativa às exigências da situação causadora do estresse. No Sistema Nervoso Central as reações emocionais são integradas pelo hipotálamo e pelo córtex pré-frontal, os quais coordenam as ações do Sistema Nervoso Autônomo e do Sistema Neuroendócrino.
A mobilização do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal para adaptação resulta em alterações globais do organismo chamadas, genericamente, de estresse. Hanz Selye chamava essa situação de Síndrome Geral de Adaptação. Trata-se da ativação fisiológica do organismo que precisa de uma tomada de atitude, e essa ativação só será considerada estresse nocivo, quando for muito intensa e/ou contínua. Nessa fase se produziria hiperplasia da córtex Suprarrenal, involução do timo e podem aparecer úlceras de estômago.
O estresse causa elevação dos níveis de cortisol, os quais perduram enquanto o estímulo estressante persistir. Portanto, os estressores crônicos causam níveis de cortisol persistentemente elevados, levando o organismo a um estado de hipercortisonismo. 
A elevação continuada de cortisol, por sua vez, pode atrofiar os receptores de corticóides no hipocampo e assim causar mais estresse ainda, fazendo uma espécie de círculo vicioso. A depressão causa hipercortisonismo também, o qual se manifesta com níveis de cortisol matinal e noturno significativamente aumentados . 
Nos casos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, considerado no DSM-IV como uma das modalidades dos Transtornos Ansiosos provocado por uma forte tensão ambiental, as anomalias do Eixo Hipotálamo-Hipofisário-Suprarrenal são diferentes das alterações observadas nos casos de Depressão.
No Transtorno de Estresse Pós-Traumático a secreção do Hormônio Liberador da Corticotrofina (CRH) está aumentada e do cortisol diminuída. Os níveis de Hormônio Liberador da Corticotrofina são pesquisados no liqüor. No sangue periférico, contrariamente ao que seria de se esperar, já que há aumento do Hormônio Liberador da Corticotrofina, o cortisol se encontra diminuído, principalmente pela manhã e ao final da tarde.
Sob essa ótica, o cortisol pode ser considerado como um hormônio anti-estresse, uma vez que, quando os níveis de cortisol se encontram demasiadamente baixos, falham os mecanismos de adaptação e se desenvolve um estado de estresse crônico. O que gera alguma polêmica é saber se as alterações nos níveis de cortisol são uma conseqüência direta do trauma que leva ao estresse ou, ao contrário, se uma possível insuficiência de cortisol que já existia antes é que leva à falência adaptativa no estresse crônico.
As influências do estresse sobre o Sistema Endócrino são muitas e globais, começando sempre pelo Eixo Hipotálamo-Hipofisário-Suprarrenal.