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DJi - Penas Privativas de Liberdade

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condenado definitivo ou preso provisório que cometerem crime doloso
capaz de subverter a ordem e disciplina internas, ou para presos de alto
risco, autoriza a restrição das visitas pelo prazo de duas horas semanais
no máximo, por apenas duas pessoas visitantes, não incluídas aí as
crianças.
Direitos políticos: CF, art. 15, III: a condenação transitada emjulgado
acarreta a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos.
O art. 15, III, da CF é auto-executável, sendo desnecessária a norma
regulamentadora, contrariamente ao que ocorria com o antigo texto
constitucional (cf. Damásio E. de Jesus, Código Penal anotado, São
Paulo, Saraiva, p. 222). A suspensão dos direitos políticos ocorre mesmo
no caso de concessão de sursis, já que se trata de efeito extrapenal
automático e genérico da condenação, que independe da execução ou
suspensão condicional da pena principal.
A perda de mandato eletivo decorre de condenação por crime praticado
com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração
Pública quando a pena for igualou superior a 1 ano ou, nos demais casos,
quando a pena for superior a 4 anos (redação determinada pela Lei n.
9.268/96). Trata-se de efeito extrapenal específico que precisa ser
motivadamente declarado na sentença.
Superveniência de Doença Mental: o condenado deve ser transferido
para hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (CP, art. 41), e a pena
poderá ser substituída por medida de segurança (LEP, art. 183).
Caracteriza constrangimento ilegal a manutenção do condenado em
cadeia pública quando for caso de medida de segurança.
Atenção: sobrevindo doença mental, opera-se a transferência do preso
para hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, porém, caso não seja
instaurado incidente de execução para conversão da pena em medida de
segurança, ele continuará cumprindo pena e, ao término dela, deverá ser
liberado, mesmo que não tenha recobrado a higidez mental. Da mesma
forma, após o cumprimento da pena, não mais poderá ser instaurado
incidente para transformação em medida de segurança. A única solução é
fazer a transferência, e, caso seja constatado o caráter duradouro da
perturbação mental, proceder-se-á à conversão em medida de
segurança.
Detração penal
Conceito: é o cômputo, na pena privativa de liberdade e na medida de
segurança, do tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o
de prisão administrativa e o de internação em hospital de custódia e
tratamento ou estabelecimento similar.
Pena privativa de liberdade: a interpretação literal do dispositivo que trata
da detração nos leva à conclusão de que somente será possível a
aplicação da detração nas penas privativas de liberdade, dado que a lei
não menciona nem a pena de multa, nem as restritivas de direitos. No
caso das restritivas, porém, o óbice não parece justificável, conforme
veremos a seguir.
Juízo da Execução: a detração é matéria de competência exclusiva do
juízo da execução, nos termos do art. 66, III, c, da LEP. Não cabe,
portanto, ao juiz da condenação aplicá-Ia desde logo, para poder fixar
um regime de pena mais favorável ao acusado, até porque estar-se-ia
dando início ao cumprimento da pena em dado regime antes de se
conhecer a pena definitiva.
Prisão Provisória: é o tempo em que o réu esteve preso em flagrante, por
força de prisão preventiva ou de prisão temporária, de sentença
condenatória recorrível ou de pronúncia.
Detração em pena de multa: não é admitida. Anteriormente à Lei n.
9.268/96, que proibiu a conversão da multa em detenção, havia
entendimento no sentido da possibilidade, com fundamento na eventual
conversão da pena pecuniária em detenção, no caso de não-pagamento
ou fraude à execução. Assim, se, por exemplo, 30 dias-multa equivaliam
a 30 dias de detenção, na hipótese de conversão, nada obstaria se
descontasse desses 30 dias-multa o tempo de prisão provisória,
abatendo-se, desde logo, esse período dos 30 dias de detenção que
seriam aplicados caso o condenado não pagasse a multa ou frustrasse a
sua execução. Com a nova lei, a discussão perdeu interesse, pois
desapareceu o argumento que justificava a detração.
Detração e "Sursis": não é possível. O sursis é um instituto que tem por
finalidade impedir o cumprimento da pena privativa de liberdade. Assim,
impossível a diminuição de uma pena que nem sequer está sendo
cumprida, por se encontrar suspensa. Observe-se, porém, que, se o
sursis for revogado, a conseqüência imediata é que o sentenciado deve
cumprir integralmente a pena aplicada na sentença, e nesse momento
caberá a detração, pois o tempo de prisão provisória será retirado do
tempo total da pena privativa de liberdade.
Detração em penas restritivas de direitos: como o CP somente fala em
detração na hipótese de pena privativa de liberdade, a interpretação
literal do texto poderia levar à conclusão de que o benefício não deveria
ser estendido à pena restritiva de direitos. Deve-se considerar, no
entanto, que, se a lei admite o desconto do tempo de prisão provisória
para a pena privativa de liberdade, beneficiando quem não fez jus à
substituição por penalidade mais branda, refugiria ao bom senso impedi-
Io nas hipóteses em que o condenado merece tratamento legal mais
tênue, por ter satisfeito todas as exigências de ordem objetiva e subjetiva.
Quando se mantém alguém preso durante o processo, para, ao final,
aplicar-lhe pena não privativa de liberdade, com ainda maior razão não
deve ser desprezado o tempo de encarceramento cautelar. Além disso, a
pena restritiva de direitos substitui a privativa de liberdade pelo mesmo
tempo de sua duração (CP, art. 55), tratando-se de simples forma
alternativa de cumprimento da sanção penal, pelo mesmo período. Assim,
deve ser admitida a detração. Exemplo: o agente é condenado a 8 meses
de detenção, os quais vêm a ser substituídos pelo mesmo tempo de
prestação de serviços à comunidade. Se o tempo de prisão provisória
pode ser descontado dos 8 meses de detenção, não há razão lógica que
impeça tal desconto nos 8 meses da pena restritiva aplicada em
substituição.
Prisão provisória em outro processo: é possível descontar o tempo de
prisão provisória de um processo, cuja sentença foi absolutória, em outro
processo de decisão condenatória? Há três posições:
a) sim, desde que o crime pelo qual o réu foi condenado tenha sido
praticado antes da prisão no processo em que o réu foi absolvido, para
evitar que o agente fique com um crédito para com a sociedade;
b) sim, desde que o crime pelo qual houve condenação tenha sido
anterior à absolvição no outro processo;
c) sim, desde que haja conexão ou continência entre os crimes dos
diferentes processos.
Nossa posição: a primeira. É possível a detração penal em processos
distintos, ainda que os crimes não sejam conexos, de acordo com o que
dispõe a LEP, art. 111. A Constituição da República, em razão da
magnitude conferida ao status libertatis (CF, art. 5º, XV), inscreveu no rol
dos direitos e garantias individuais regra expressa que obriga o Estado a
indenizar o condenado por erro judiciário ou quem permanecer preso por
tempo superior ao fixado na sentença (CF, art. 5º, LXXV), situações
essas equivalentes à de quem foi submetido a prisão processual e
posteriormente absolvido.
Em face desse preceito constitucional, o art. 42 do Código Penal e o art.
111 da Lei das Execuções Penais devem ser interpretados de modo a
abrigar a tese de que o tempo de prisão provisória, imposta em processo
no qual o réu foi absolvido, seja computado para a detração de pena
imposta em processo relativo a crime anteriormente cometido (Nesse
sentido: 6" T., REsp 61.899-I-SP, Rel. Min. Vicente Leal, unânime,
DJU, 3-6-1996.).
Detração para fins de prescrição: pode ser aplicada calculando-se a
prescrição sobre o restante da pena. Exemplo: o sujeito ficou preso
provisoriamente por 60 dias. Desconta-se esse período da pena aplicada
e calculase a prescrição em função do que resta a ser cumprido. Em
sentido contrário, entendendo que a norma inscrita no art. 113 do Código
Penal