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DJi - Penas Restritivas de Direitos - Penas Alternativas

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ou
processo criminal (art. 312), para os quais não é prevista abstratamente a
interdição temporária de direitos, em princípio nada impediria a
substituição da pena privativa aplicada pela suspensão de habilitação
prevista no art. 47, III, do Código Penal. No entanto, como o art. 57 do
Estatuto Repressivo somente permite a aplicação dessa pena aos delitos
culposos de trânsito, considerando que todos os crimes acima referidos
são dolosos, não será aplicável a substituição.
Revogação da pena prevista no Código Penal: não existindo mais
qualquer alternativa em que possa ser aplicada, visto que os delitos
culposos de trânsito passaram a ser punidos com a nova interdição
temporária de direitos, considera-se revogada a pena de suspensão de
habilitação para dirigir veículo prevista no art. 47, III, do Código Penal
brasileiro.
Aplicação cumulativa de pena privativa de liberdade e suspensão ou
proibição para dirigir veículo: nos crimes em que a nova lei comina
cumulativamente essa pena restritiva de direitos com a privativa de
liberdade (arts. 302, 303, 306, 307 e 308) é possível a imposição de
ambas em concurso material. Trata-se de regra especial aos crimes do
Código de Trânsito, que contraria a regra geral do art. 69, § 1º do
Código Penal, a qual tolera o concurso somente no caso de a privativa de
liberdade ser suspensa condicionalmente. Havendo imposição conjunta, a
interdição do direito não se iniciará enquanto o condenado estiver
recolhido a estabelecimento prisional.
Efeito extrapenal da condenação: o condutor condenado por qualquer
dos delitos previstos no Código de Trânsito Brasileiro perderá sua
habilitação ou permissão, ficando obrigado a submeter-se a novos
exames para que possa voltar a dirigir, de acordo com as normas
estabelecidas pelo Contran. Trata-se de efeito extrapenal automático da
condenação, que independe de expressa motivação na sentença. Não
importa tampouco, para a incidência desse efeito, a espécie de pena
aplicada ou até mesmo eventual prescrição da pretensão punitiva ou
executória (CTB, art. 160).
Execução da pena de suspensão ou proibição de dirigir: de acordo com o
disposto no art. 293, § 1º, do Código de Trânsito, transitada em ju1gado
a decisão condenatória que impuser a penalidade de suspensão ou
proibição de obter a permissão ou habilitação, o réu será intimado a
entregar à autoridade judiciária, em 48 horas, a Permissão para Dirigir ou
a Carteira de Habilitação. De qualquer forma, a pena será sempre
comunicada pela autoridade judiciária ao Contran e ao órgão de trânsito
local, para os fins mencionados no tópico anterior.
Inexistência de "Bis in idem": não há que falar em dupla apenação, uma
vez que se trata de penalidade administrativa, de natureza diversa da
sanção penal.
Reincidência específica: nos mesmos moldes do art. 5º da Lei de Crimes
Hediondos, a Lei n. 9.503/97 traz novamente à baila o conceito de
reincidência específica. Trata-se do agente que, após ter sido
definitivamente condenado por qualquer dos crimes previstos no Código
de Trânsito, vem a cometer novo delito ali também tipificado.
Efeitos da reincidência específica: nos crimes em que a leijá prevê a pena
de suspensão ou proibição de obter a permissão ou habilitação para
dirigir veículo (CTB, arts. 302, 303, 306, 307 e 308), a reincidência atua
como circunstância agravante preponderante (CP, art. 61, I, c/c o art.
67), naqueles em que o Código de Trânsito não comina essa modalidade
de interdição temporária de direitos (CTB, arts. 304, 305, 309, 310, 311
e 312), o juiz poderá aplicá-Ia, sem prejuízo das demais penas previstas.
Neste último caso, a fim de que a reincidência não prejudique o agente
duas vezes, não poderá ser aplicada como agravante.
Suspensão ou proibição cautelar: em qualquer fase da investigação ou da
ação penal, havendo necessidade para garantia da ordem pública, poderá
o juiz, como medida cautelar, de ofício ou a requerimento do Ministério
Público, ou ainda mediante representação da autoridade policial,
decretar, em decisão motivada, a suspensão da permissão ou da
habilitação para dirigir veículo, ou a proibição de sua obtenção.
Da decisão que decretar a providência cautelar ou da que indeferir o
requerimento do Ministério Público caberá recurso em sentido estrito,
sem efeito suspensivo.
Trata-se de decisão cautelar de natureza processual, que tem por
finalidade impedir que o condutor continue a provocar danos ou a
colocar em perigo a coletividade, enquanto se aguarda o desfecho
definitivo do processo. Ao contrário da prisão preventiva (CPP, art. 313
e seu inciso I), pode ser aplicada aos delitos culposos de trânsito, bem
como aos apenados com detenção. Mais uma vez, diferentemente da
custódia cautelar, cabe recurso em sentido estrito não apenas da decisão
que indefere o requerimento, mas também da que impõe a suspensão ou
proibição cautelar.
Livrar-se solto: ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de
trânsito de que resulte vítima, não se imporá prisão em flagrante, nem se
exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela. Repetindo
dispositivo da Lei n. 4.611/65, essa regra visa estimular o causador do
acidente a socorrer a vítima sem correr o risco de ser preso em flagrante.
Agravantes específicas: são aquelas que agravam somente as penas dos
crimes de trânsito:
a) ter praticado o crime com dano potencial para duas ou mais pessoas
ou com grande risco de grave dano patrimonial a terceiros;
b) utilizando veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;
c) sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
d) com permissão ou habilitação de categoria diferente do veículo;
e) quando sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o
transporte de passageiros ou de carga;
f) utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou
características que afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de
acordo com os limites de velocidade prescritos nas especificações do
fabricante;
g) sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a
pedestres.
Multa reparatória: consiste na condenação criminal do agente, mediante
depósito judicial em favor da vítima ou seus sucessores, ao pagamento de
uma quantia calculada de acordo com o critério do dia-multa, previsto no
art. 49, § 1º, do Código Penal, sempre que houver prejuízo material
resultante do crime. O valor da multa será fixado de acordo com dois
fatores - extensão do dano e capacidade econômica do agente -,
devendo o juiz buscar a justa medida entre ambos.
Esse dispositivo reforça a tendência da moderna criminologia de
privilegiar o interesse da vítima, outrora tão esquecida pela política
criminal.
Quadro Sinótico
Penas alternativas: quaisquer penas que o juiz puder aplicar em
substituição à pena privativa de liberdade. Atualmente são 10 (dez) [9
(nove) restritivas de direito, dentre as quais 6 (seis) em sentido estrito e
3 (três) pecuniárias] + a pena de multa.
Espécies:
a) Restritivas de direito:
aI) em sentido estrito: prestação de serviços à comunidade, limitação
de fim de semana e quatro interdições temporárias de direito (proibição
do exercício de cargo ou função pública, proibição do exercício de
atividade ou profissão que dependa de habilitação especial ou licença
do Poder Público, suspensão da habilitação para dirigir veículo e
proibição de freqüentar lugares).
a2) pecuniárias: prestação pecuniária, prestação inominada e perda de
bens e valores. b) Multa (diferencia-se das restritivas pecuniárias
porque, ao contrário destas, a multa não pode ser convertida em
privativa de liberdade, sendo considerada dívida de valor para fins de
execução).
Características: substituem a pena privativa de liberdade aplicada na
sentença condenatória, desde que preenchidos os requisitos legais (cf.
CP, art. 44 e incisos). Em regra, são genéricas, ou seja, podem ser
aplicadas em substituição a qualquer espécie de crimes, obedecidos os
requisitos impostos pela lei. Três penas restritivas, no entanto, são
específicas, só podendo ser aplicadas