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o prazo prescricional da
pena pecuniária, é preciso verificar se a hipótese é de PPP ou de PPE.
O art. 114 do Código Penal, que trata apenas da prescrição da
pretensão punitiva, dispôs, com a redação determinada pela Lei n.
9.268/96, que a multa prescreve: (inciso I) em 2 anos quando for a única
cominada ou aplicada; (inciso II) no mesmo prazo estabelecido para a
prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for alternativa
ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada com aquela.
Dessa forma:
a) quando a multa for cominada abstratamente no tipo penal, cumulativa
ou alternativamente com pena privativa de liberdade, o seu prazo
prescricional será o mesmo desta, obedecendo ao princípio estabelecido
no art. 118 do Código Penal, de que as penas mais leves (multas)
prescrevem junto com as mais graves (privativas de liberdade);
b) quando imposta na sentença condenatória, cumulativamente com pena
privativa de liberdade, a multa prescreverá no mesmo prazo desta,
obedecendo ao princípio estabelecido no art. 118 do Código Penal, de
que as penas mais leves (multas) prescrevem junto com as mais graves
(privativas de liberdade);
c) quando prevista abstratamente no tipo isoladamente, a multa
prescreverá no prazo de 2 anos;
d) quando imposta isoladamente na sentença condenatória, a multa
prescreverá no prazo de 2 anos.
- o art. 114, que traça essas quatro regras, somente está fazendo menção
à prescrição da pretensão punitiva da multa, não tratando da prescrição
executória. Assim, quando fala em "multa aplicada", está querendo
referir-se à prescrição retroativa e à intercorrente, reguladas pela pena
aplicada. A prescrição da pretensão executória da multa dar-se-á sempre
em 5 anos, e a execução será feita separadamente da pena privativa de
liberdade, perante a Vara da Fazenda Pública, uma vez que a nova lei
determinou que, para fins de execução, a pena pecuniária fosse
considerada dívida de valor. Dessa forma, o prazo prescricional (5 anos),
as causas interruptivas e suspensivas da prescrição, a competência e o
procedimento para a cobrança passam a ser os da legislação tributária
(cf. nova redação do art. 51 do CP, determinada pela Lei n. 9.268/96),
não incidindo mais nenhum dispositivo do Código Penal (Damásio E. de
Jesus, Direito penal, 23. ed., v. 1, p. 543). Sobre a forma de execução
da pena de multa, conferir o tópico "Alterações promovidas pela Lei n.
9.268, de 12 de abril de 1966", dentro do capítulo que trata da pena de
multa.
Termo inicial da prescrição da pena de multa: havia duas posições a
respeito de quando a PPE da multa começa a correr:
1ª) se a multa foi imposta juntamente com pena corporal, a PPE só
começa a correr depois de cumprida a pena privativa de liberdade
imposta cumulativamente ou depois de encerrado o sursis (JTACrimSP,
97/59). Isso significa que, durante a execução da pena privativa de
liberdade, não corre o prazo prescricional em relação à pena pecuniária;
2ª) quando a multa for a única pena imposta, o prazo prescricional se
inicia a partir do trânsito em julgado da condenação para a acusação (cf.
art. 112, I, 1ª parte, do CP).
Essas posições perderam o sentido, uma vez que a execução da multa
passa a ser independente da pena privativa de liberdade e a ter regras
próprias, ditadas pela legislação tributária, não prevalecendo mais as
disposições do Código Penal.
Aumento do prazo prescricional: a reincidência aumenta em 1/3 o prazo
da PPE. A prescrição que sofre o aumento não é a da condenação
anterior, mas a da condenação pelo novo crime praticado. Exemplo: o
réu é condenado a 4 anos de reclusão; o prazo da PPE é de 8 anos;
durante esse prazo, o condenado pratica um crime; nesse momento, há a
interrupção da prescrição, pela reincidência; contudo, a prática desse
crime não aumentará o prazo prescricional da condenação anterior; caso
o réu venha a ser também condenado pela prática dessa nova infração, e
reconhecido expressamente como reincidente, o prazo prescricional
dessa nova condenação será aumentado de 1/3; portanto, o que sofre
aumento é a condenação pelo novo crime e não a condenação anterior.
Dessa forma, a reincidência interrompe o prazo prescricional da
condenação anterior, mas só aumenta o prazo da prescrição da
condenação em que o réu foi reconhecido como reincidente.
A chamada reincidência futura não aumenta o prazo prescricional
(aumentar o lapso prescricional da condenação anterior com base no
futuro reconhecimento da reincidência).
- o Superior Tribunal de Justiça inicialmente entendeu que o acréscimo
decorrente da reincidência incidia também sobre a prescrição da
pretensão punitiva (Cf. REsp 6.814, 6ª T., Rel. Min. Carlos Thibau,
unânime, DJU, 3-2-1992, p.476-477.). Essa posição contrariava
entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, que só admite tal
aumento para a prescrição da pretensão executória. Entendemos correta
essa interpretação do Pretório Excelso, pois está em perfeita consonância
com o disposto no art. 110, caput, do Código Penal, segundo o qual "a
prescrição, depois de transitar emjulgado a sentença condenatória,
regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo
anterior, os quais se aumentam de um terço se o condenado é
reincidente". Assim, é a própria lei que está dizendo ser o aumento
aplicável apenas à prescrição posterior ao trânsito em julgado (PPE)
(Nesse sentido: HC 69.044, 2ª T., Rel. Min. Célio Borja, DJU, 10-4-
1992, p.4798.). Atualmente, a questão não apresenta mais qualquer
divergência, em face da edição da Súmula 220 do Superior Tribunal de
Justiça: "A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão
punitiva".
12. Prescrição na Legislação Especial
Abuso de Autoridade: como a lei não faz referência ao tema prescrição,
de aplicar-se os princípios do CP (art. 12). Assim, no tocante à
prescrição da pretensão punitiva, o prazo é regulado pelo máximo da
pena privativa de liberdade. Como é inferior a um ano (6 meses), decorre
em 2 anos (CP, art. 109, VI). Em relação à prescrição da pretensão
executória (prescrição da pena, da condenação), se imposta pena
pecuniária, prescreve em 2 anos; se imposta pena de detenção, que é
inferior a um ano, o prazo prescricional da pretensão executória é de 2
anos; se imposta pena funcional (perda do cargo e inabilitação funcional),
ocorre também a prescrição da pretensão executória. O prazo
prescricional é de 2 anos.
Crimes contra a Segurança Nacional: o art. 6º, IV, da Lei de
Segurança Nacional (Lei n. 7.170, de 14-12-1983) determina a extinção
da punibilidade pela prescrição. Nos termos do art. 7º da lei supra, em
sua aplicação deve ser observado, no que couber, o disposto na Parte
Geral do CPM, que regula o cálculo da prescrição punitiva pelo máximo
da pena privativa de liberdade abstratamente cominada (CPM, art. 125),
enquanto a prescrição da pretensão executória tem seus prazos
determinados pela pena imposta na sentença condenatória (art. 126 do
CPM).
Contravenção Penal: a LCP não dispõe a respeito da prescrição,
aplicando-se então os princípios gerais sobre o tema (art. 12 do CP).
Crimes Contra a Economia Popular: em seus dispositivos legais, as
Leis n. 1.521/51, 4.591/64 e 6.435/77 e o Decreto-lei n. 73, de 21 de
novembro de 1966, não cuidam do tema da prescrição. Em face disso,
devem ser aplicados os princípios contidos no art. 12 do CP.
Crimes Eleitorais: o Código Eleitoral, Lei n. 4.737/65, deixa de cuidar
da prescrição, mas, em seu art. 287, afirma a incidência do art. 12 do
Código Penal, o mesmo ocorrendo com a Lei n. 6.091/74, que também
define delitos eleitorais.
Crimes Falimentares: de acordo com a regra do art. 182 da Lei n.
11.101, de 9 de fevereiro de 2005 - que regula a recuperação judicial, a
extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária -, a
prescrição regula-se pelo Código Penal, e tem início a partir do dia da
decretação da falência, da concessão da recuperação judicial ou da
homologação do plano de recuperação extrajudicial. Concedida a
recuperação judicial ou a homologação