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DJi - Prescrição

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reduzido com a desclassificação, provocará a
necessidade de uma recontagem. Sim, porque pode ser que por esse
prazo menor tivesse ocorrido a prescrição. No entanto, essa recontagem
se fará com obediência aos mesmos marcos interruptivos: 1) da data do
fato até o recebimento da denúncia; 2) do recebimento da denúncia até a
pronúncia (que continua valendo); 3) desta até a decisão condenatória.
Pretendia-se que, na recontagem do prazo (agora bem menor), fossem
levados em conta apenas dois marcos, suprimindo-se a pronúncia: 1) do
fato até o recebimento da denúncia; 2) deste até a sentença condenatória,
desaparecendo a decisão de pronúncia. Argumento: se o crime não é
doloso contra a vida, nunca deveria ter existido pronúncia. Esse
argumento não prevaleceu, pois o importante é que, na época em que foi
proferida a pronúncia, o crime foi considerado doloso contra a vida
(tempus regit actuam), não tendo a desclassificação posterior o condão
de fazer desaparecer aquela decisão. A impronúncia, a absolvição
sumária e a desclassificação a que se refere o art. 410 do CPP não
interrompem a prescrição;
c) acórdão confirmatório da pronúncia;
d) publicação da sentença condenatória recorrível: a publicação de uma
sentença ocorre na data em que o escrivão a recebe em cartório assinada
pelo juiz. O acórdão que confirma a condenação não interrompe a
prescrição, ao contrário do acórdão que confirma a pronúncia. Só haverá
interrupção em um caso: se a sentença for absolutória e o acórdão a
reformar, proferindo o veredicto condenatório. Portanto, o que
interrompe a prescrição é a primeira decisão condenatória recorrível
(monocrática ou colegiada) proferida no processo. Se da decisão
condenatória não couber recurso (p. ex., acórdão unânime do STF),
ainda que seja a primeira condenação proferida naquele processo, não
haverá interrupção. A sentença que concede o perdão judicial não
interrompe a prescrição, pois se trata de sentença declaratória da
extinção da punibilidade (Súmula 18 do STJ). A sentença que reconhece
a semiimputabilidade do acusado interrompe, pois é condenatória.
- a interrupção da prescrição, em relação a qualquer dos autores,
estende-se aos demais. Assim, por exemplo, a denúncia recebida contra
Tício interrompe a prescrição contra todos os seus co-autores e
partícipes, ainda que desconhecidos à época. Se, futuramente, vierem a
ser identificados e denunciados, a prescrição já estará interrompida desde
o primeiro recebimento.
Causas suspensivas da prescrição: são aquelas que sustam o prazo
prescricional, fazendo com que recomece a correr apenas pelo que
restar, aproveitando o tempo anteriormente decorrido. Portanto, o prazo
volta a correr pelo tempo que faltava, não retomando novamente à estaca
zero, como nas causas interruptivas.
Suspende-se a prescrição:
a) enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o
conhecimento da existência do crime: trata-se das questões prejudiciais,
ou seja, aquelas cuja solução importa em prejulgamento da causa.
Exemplo: o réu não pode ser condenado pela prática de furto enquanto
não resolvido em processo cível se ele é o proprietário da res furtiva.
Enquanto o processo criminal estiver suspenso, aguardando a solução da
prejudicial no litígio cível, a prescrição também estará suspensa;
b) enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro por qualquer motivo:
salvo se o fato for atípico no Brasil;
c) na hipótese de suspensão parlamentar do processo: a partir da
Emenda Constitucional n. 35, de 20 de dezembro de 2001, não há mais
necessidade de licença prévia da Casa respectiva para a instauração de
processo contra'deputado ou senador. O Supremo Tribunal Federal
pode receber a denúncia, sem solicitar qualquer autorização ao Poder
Legislativo. Há, no entanto, um controle posterior, uma vez que, recebida
a peça acusatória, o Poder Judiciário deverá cientificar a Câmara dos
Deputados ou o Senado Federal, conforme o caso, os quais, por maioria
absoluta de seus membros (metade mais um), em votação aberta, que
deverá realizar-se dentro de prazo máximo de 45 dias, poderão
determinar a sustação do processo. A suspensão do processo
suspenderá a prescrição, enquanto durar o mandato (CF, art. 53, §§ 3º a
5º, com a redação dada pela EC n. 35/2001);
d) durante o prazo de suspensão condicional do processo, nos crimes
cuja pena mínima for igualou inferior a um ano, nos termos do art. 89, §
6º, da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995 (Lei dos Juizados
Especiais);
e) se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo
prescricional, até o seu comparecimento, de acordo com a nova redação
do art. 366 do Código de Processo Penal, introduzida pela Lei n. 9.271,
de 17 de abril de 1996. A questão que aqui se impõe é a seguinte: se o
acusado jamais for localizado, o processo ficará indefinidamente
suspenso e não prescreverá? Se o imputado for encontrado 40 anos
depois, já com 80 anos de idade, o processo retomará seu curso normal
nessa data? A resposta negativa se impõe, uma vez que os casos de
imprescritibilidade encontram-se delimitados expressamente no Texto
Constitucional (art. 5º, XLII e XLIV), não havendo possibilidade de
ampliá-los por meio de dispositivo infraconstitucional. Dessa forma, a
prescrição não poderá ficar perpetuamente suspensa, havendo um
momento de retomada da contagem, com o reinício da prescrição. A
indagação que fica é a seguinte: se a suspensão não é perpétua, por
quanto tempo a prescrição ficará suspensa? Entendemos que o prazo de
suspensão será o prescricional máximo, calculado com base na maior
pena abstrata cominada ao crime, ou seja: toma-se o máximo de pena
previsto, coteja-se essa pena abstrata à tabela do art. 109 do CP e
encontra-se o prazo máximo de suspensão. Após o decurso desse
período, o processo continua suspenso, mas a prescrição voltará a
correr.
Uma última questão: a norma tem conteúdo híbrido, isto é, tem uma parte
penal, relativa à suspensão do prazo prescricional, e outra processual,
referente à suspensão do processo. Deveria essa regra retroagir para
alcançar os crimes cometidos antes da entrada em vigor da Lei n.
9.271/96? Resposta: não é possível dividir a lei em duas partes, para que
somente uma delas retroaja: ou a lei retroage por inteiro ou não. Sempre
que houver lei híbrida (misto de penal e processo), a parte penal tende a
prevalecer, para fins de retroatividade em benefício do agente. Como a
parte penal (suspensão da prescrição) é menos benéfica, a norma não
retroage por inteiro (Nesse sentido: STF, 2ª T., HC 74.695-SP,j. 11-3-
1997, Informativo STF, n. 63, p. 2, de 19-3-1997, Boletim IBCCrim, n.
54/192; STF, 1 ª T., HC 75.284-5, j. 14-10-1997, DJU, 21-11-1997;
STJ, HC 5.546-SP, 6ª T., Rel. Min. Wi1liam Patterson, j. 26-5-1997,
DJU, 16-6-1997.);
f) estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado
mediante carta rogatória, suspendendo-se o prazo de prescrição até seu
cumprimento, de acordo com a nova redação do art. 368, determinada
pela Lei n. 9.271, de 17 de abril de 1996. No caso de rogatória não
cumprida, o prazo também ficará suspenso até a sua juntada com a
notícia da nãolocalização do acusado;
g) nos crimes contra a ordem econômica, o acordo de leniência: foi
criado pela Lei n. 10.149, de 21 de dezembro de 2000, a qual alterou a
Lei n. 8.884, de 11 de junho de 1994, que dispõe sobre a repressão às
infrações contra a ordem econômica. Trata-se de espécie de delação
premiada e se aplica aos crimes previstos nos arts. 4º, 5º e 6º da Lei n.
8.137/90. "Significa que, à colaboração do autor de infrações à ordem
econômica, sejam administrativas ou penais, corresponde um tratamento
suave, brando, da autoridade administrativa oujudicial" (Damásio E. de
Jesus, PHOENIX, órgão informativo do Complexo Jurídico Damásio de
Jesus, n. 1, fev. 2001.). Existem duas espécies desse acordo: (a)
econômico-administrativo (art. 35-B da Lei n. 8.884/94); (b) penal (art.
35-C da Lei n. 8.884/94). Esse acordo