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a inclusão dos alunos surdos. 
Também, minimizará a ansie-
dade do primeiro contato com 
alunos surdos em sala de aula, 
situação esta muito estressante 
para os professores atuais que 
nunca receberam informações 
sobre a educação de surdos e a 
LIBRAS. Para esses professo-
res, os surdos são estranhos. O 
contato dos professores na gra-
duação com a língua de sinais 
e com surdos possibilita que 
esse estranhamento já acon-
teça nesse período de forma-
ção. Os professores que tive-
rem tido a disciplina de língua 
de sinais na graduação possi-
velmente não serão fluentes 
na LIBRAS para ministrar au-
las diretamente nessa língua, 
mas já terão desconstruído al-
guns dos mitos sobre os surdos 
e sua língua. Isto terá impacto 
na sala de aula quando estiver 
diante do aluno surdo.
Uma outra frente de ação 
do decreto é a possibilidade 
que fonoaudiólogos terão de 
ter uma formação que contem-
ple a LIBRAS. Os fonoaudió-
logos são os profissionais que 
trabalham com as questões re-
lacionadas com a linguagem. 
Ao terem a LIBRAS na sua 
formação, poderão estar tra-
balhando com questões rela-
cionadas à linguagem da pes-
soa surda na língua de sinais, 
pois alguns surdos apresen-
tam desvios de linguagem co-
mo afasias e aquisição tardia 
da LIBRAS. Portanto, os fono-
audiólogos poderão contribuir 
para a intervenção nesses des-
vios na LIBRAS. 
Estas ações são importan-
tes, pois muitos pais ouvintes, 
ao se depararem com um fi-
lho surdo, geralmente não têm 
informações sobre os surdos. 
Freqüentemente, recorrem a 
profissionais como médicos, 
fonoaudiólogos e professo-
res para obterem informações. 
Com a formação prevista no 
decreto, estes profissionais te-
rão mais subsídios para infor-
mar os pais sobre a comunida-
de surda e a língua de sinais. 
Esta orientação minimizará as 
aflições que a família passa ao 
se defrontar com um filho sur-
do (REIS, 1997, in DIZEU & 
CAPORALI, 2006:6).
As políticas lingüísticas, 
que podem ser desmembradas 
desse decreto, terão impacto 
direto no povo surdo e na sua 
educação, pois possibilitarão a 
formação de profissionais qua-
lificados para a atuação com 
os surdos, bem como a forma-
ção dos próprios surdos.
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Informativo Técnico-Científico Espaço, INES - Rio de Janeiro, n. 25/26, p.25, janeiro - dezembro/2006
DEBATE
INES
ESPAÇO
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sj.cefetsc.edu.br/~nepes/. Acessada em 04 de abril de 2006.
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Informativo Técnico-Científico Espaço, INES - Rio de Janeiro, n. 25/26, p.26, janeiro - dezembro/2006
DEBATE
Anotações sobre língua, cultura e 
identidade: um convite ao debate 
sobre políticas lingüísticas 
Alexandre do Amaral Ribeiro* 
*Doutor em Lingüística pela Unicamp. Mestre em Letras pela PUC/RJ. Professor de Lingüística da Universi-
dade Gama Filho e Professor do Curso Normal Superior Bilíngüe do INES. 
Material recebido em maio de 2006 e selecionado em maio de 2006. 
Resumo
Este artigo se pretende um 
convite à discussão sobre po-
líticas lingüísticas e suas re-
lações com o modo como as 
pessoas concebem a língua, 
cultura e identidade em suas vi-
das. A língua tem uma vida so-
cial e política que é comumen-
te negligenciada por algumas 
crenças, em especial quando 
o assunto é língua e seu papel 
na sociedade. Isto porque a lín-
gua é freqüentemente vista co-
mo um dom natural e, por isso 
mesmo, fora da questão éti-
ca. Neste artigo, é sustentada a 
idéia de que tal posição não é 
apropriada e que discutir a lín-
gua implica, sim, discutir seu 
lugar na vida social e política 
dos indivíduos.
Palavras-chave: política 
lingüística; identidade; inclu-
são.
Abstract
This article intends to be an 
invitation to discuss linguistic 
policies and their relations to 
the way people conceive lan-
guage, culture and identity 
in their lives. Language has a 
social and political life which 
are commonly neglected by 
some beliefs, specially, when 
the subject is language and 
its role in the society. That’s 
because language is often seen 
as a natural gift and therefore 
completely outside of the ethics 
issue. It’s here sustained this 
idea is inappropriate and that 
to discuss language implies to 
discuss its place in individual’s 
social and political life.
Key words: linguistic poli-
tics; identity; inclusion. 
A proposta deste artigo é 
fomentar o debate sobre políti-ti-
cas lingüísticas a partir das 
possíveis relações entre língua, 
identidade e cultura. Para tal, 
relata situações do cotidiano 
dos falantes/cidadãos brasilei-
ros, bem como resgata alguns 
fatos históricos que, embora 
pouco divulgados, podem au-
xiliar na compreensão do lu-
gar da língua na vida política 
e social da nação. Ao final, a 
título de se compreender a ex-
tensão e conseqüências ineren-
tes aos atos políticos relacio-
nados à língua, aponta-se para 
a situação do inglês (no mun-
do globalizado), pretendendo 
dar maior amplitude à discus-
são sobre políticas lingüísticas 
no país (o caso dos estrangei-
rismos, por exemplo) e fazem-
se alguns comentários sobre as 
políticas de inclusão. Apontar 
para tais fenômenos, nes-
te texto, não significa discu-
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Informativo Técnico-Científico Espaço, INES - Rio de Janeiro, n. 25/26, p.2�, janeiro - dezembro/2006
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ti-los com profundidade, mas 
mostrar o quanto é importan-
te admitir a vinculação língua-
identidade-cultura-educação-
cidadania e suas implicações 
políticas.
Não é raro encontrar, em 
conversas informais entre ami-
gos e familiares, diferentes po-
sicionamentos pessoais sobre a 
adequação ou não de determi-
nados usos lingüísticos e so-
bre o quanto aqueles usos (ci-
tados nas referidas conversas) 
lhes são motivo de vergonha e/
ou chacota. Essa situação rela-
tivamente recorrente torna-se 
de grande relevância quando 
o assunto é “o absurdo de uma 
determinada pessoa ter usa-
do certa construção lingüística 
considerada errada ou desele-
gante”. Isto acontece, em espe-
cial, ao se considerar a posição 
social de quem fala. 
Há também situações em 
que se observa um certo des-
caso para com o uso e usuários 
de línguas visuais – como a 
LIBRAS – uma vez que para a 
maioria da população trata-se, 
equivocadamente, – de sim-
ples gestos. Assim, tampouco 
é raro encontrar interlocuto-
res que juram serem “os ges-
tos utilizados por surdos” uni-
versais.