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importância pouco superior a R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais), usufruindo, em 
contrapartida, os serviços atinentes ao plano contratado. 
 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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03. A proteção, como observamos no decorrer desta peça processual, foi frustrada 
recentemente, negando-se a adversa parte a prestar serviços em favor da autora, serviços que 
foram prometidos na contratação. 
 
04. Repetindo conduta cotidianamente vista em todos os cantos deste país (representando 
abusos a direitos de consumidores), sem qualquer fundamento no contrato firmado, a adversa 
parte decidiu negar cobertura a determinado procedimento médico, qualificado, de forma 
clara e incontestável, como procedimento de urgência e de emergência. 
 
05. Na semana em curso, por conta de abundante sangramento vaginal, a autora recebeu o 
diagnóstico de que estaria sofrendo aborto, o que foi confirmado, gerando a recomendação 
médica de que fosse internada, para realizar uma curetagem, o que foi providenciado, 
resultando o internamento da autora no HOSPITAL ESPERANÇA, na cidade do Recife. 
06. Esse problema demanda a realização de procedimento cirúrgico, em caráter de 
urgência. Essa alegação é ratificada pela conclusão médica constante do laudo médico em 
anexo, nos seguintes termos: 
“HDA - ... sangramento vaginal abundante no baixo ventre há +/- 5 hs. Exame - ... HD – 
Aborto retido – Conduta – Curetagem em caráter de urgência” 
07. Além da intervenção cirúrgica em destaque, a autora teve de permanecer internada em 
leito hospitalar, o que representa vultoso gasto, sem falar nos exames preparatórios do 
procedimento cirúrgico, o que foi negado pela adversa parte, frustrando todas as expectativas 
contratuais da promovente. 
 
08. Em decorrência da negativa manifestada pela adversa parte, a autora foi obrigada a 
prestar caução, representada pelo cheque n° 000187, emitido contra o BANCO BRADESCO, 
encontrando-se o título na iminência de ser depositado na conta do hospital, com imenso 
prejuízo financeiro para a autora. Através desta demanda judicial, a peticionária tenta aprumar 
o procedimento narrado, perseguindo resposta jurisdicional que obrigue a adversa parte a 
adimplir as obrigações assumidas, afastando o seu anseio – cada vez maior – de somente 
lucrar. 
 
DO DIREITO 
 
A peticionária pede vênia para reproduzir as exclusões de coberturas médico-hospitalares 
que se encontram detalhadas, em numerus clausus, no contrato firmado entre as partes: 
 
DESPESAS NÃO COBERTAS PELO PLANO: 
 
Doenças e acidentes provocados por ato ou operação de guerra e qualquer outra 
perturbação de ordem pública, envenenamento e exposição à radioatividade ou radiação de 
qualquer natureza de caráter coletivo; 
 Doenças e acidentes de ato deliberado de auto-medicação ou tentativa de suicídio, quer 
por ingestão de drogas ou outras substâncias nocivas ao organismo, quer por qualquer outro 
meio; 
Tratamentos de doenças nos casos de epidemias declaradas por órgão público ou que 
ultrapassem os percentuais divulgados pela Organização Mundial de Saúde; 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
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 Atos ilícitos, interrupção provocada da gravidez e suas conseqüências imediatas ou tardias, 
tratamentos clínicos ou cirúrgicos não éticos e alterações do corpo; 
Cirurgia plástica estética, RPG – REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL e Excimer Laser; 
Enfermagem particular e assistência médica domiciliar, inclusive fornecimento de materiais 
e medicamentos; 
Aparelhos ortopédicos e para substituição ou complementação de função; 
Próteses e órteses e seus acessórios não ligados ao ato cirúrgico; 
Tratamentos clínicos ou cirúrgicos, com finalidade estética; abrasão química; 
Tratamento de senilidade, rejuvenescimento, emagrecimento, repouso, convalescença e 
suas conseqüências; 
Vacinas preventivas e auto vacinas, medicamentos e materiais cirúrgicos, exceto aqueles 
utilizados durante o regime da Internação hospitalar ou durante o tratamento ambulatorial; 
Despesas com doadores de órgãos; transporte e armazenamento de órgãos a serem 
transplantados, excetuando-se transplantes de rim e de córnea; 
Tratamentos relacionados com métodos de anti-concepção e infertilidade e suas 
conseqüências; 
Check-up médico, exames periódicos para avaliação preventiva da saúde, investigação 
diagnóstica eletiva, exames periódicos, admissionais e demissionais; 
Aluguel de equipamentos e aparelhos, exceto aqueles necessários em regime de internação 
hospitalar; 
Procedimentos diagnósticos e tratamentos clínicos ou cirúrgicos não abrangidos pela tabela 
CAMED e medicamentos não reconhecidos por órgão governamental competente; 
Despesas com extraordinários, não relacionados com o atendimento médico hospitalar; 
Despesas com acompanhantes no caso de internação em apartamento para pacientes com 
idade a partir de 18 anos; 
Cirurgia de acne, fuguração de pelangiectasias, gesso sintético, transplantes, à exceção de 
córnea e rim, tratamento de impotência, inseminação artificial; 
Odontologia em regime hospitalar; 
Doenças e lesões pré-existentes e suas seqüelas durante 24 (vinte e quatro) meses 
contados da data de adesão a este contrato; 
Exames e tratamentos não disponíveis no rol de procedimentos do ministério da saúde e 
fora das especificações contratuais para respectiva segmentação na data de assinatura do 
contrato. 
 
9. Cotejando as normas transcritas com o caso dos autos, é inquestionável que as causas de 
exclusão têm fundamento na disfunção psíquica ou mental de segurados, em problemas 
causados pela utilização de drogas em suas mais variadas formas, em acontecimentos da 
natureza, ou por exposição do paciente a situações que oneram o contrato em detrimento da 
seguradora. 
 
10. A problemática enfocada retrata caso de aborto retido, enfermidade que apresenta 
tratamento excluído do rol reproduzido (rol dos procedimentos não cobertos pelo contrato), 
encontrando-se, portanto, sob a cobertura da contratação firmada, sobretudo porque é 
procedimento de urgência, cuja não realização acarretaria conseqüências danosas para a 
autora. 
 
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11. A interpretação realizada pela ré, para justificar a negativa de cobertura do 
procedimento cirúrgico, incluindo internação, realização de exames e o procedimento 
cirúrgico propriamente dito, contrapõe-se aos preceitos contidos na lei de proteção e defesa 
do consumidor, que estabelecem, de forma expressa, que a avença deve ser interpretada em 
favor do consumidor, conforme norma abaixo destacada: 
 
“Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao 
consumidor.” 
 
12. A clareza das disposições contratuais e das ofertas publicitárias que vinculam o 
prestador de serviços, conforme dispositivo inserido no CDC: 
 
“Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer 
forma ou meio de comunicação, com relação a produtos e serviços, oferecidos ou 
apresentadas, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utiliza integra o contrato que 
vier a ser celebrado”, 
não permitem qualquer outra interpretação que não a literal, sob pena de se caracterizar 
como interpretação indevidamente excludente, e propositadamente manifestada para lesar o 
consumidor, permitindo que o prestador de serviços somente lucre com o contrato, somente 
exija para nada cumprir. 
 
13. É evidente, concessa vênia, que os custos relacionados à internação, à realização de 
exames e ao procedimento cirúrgico devem ser suportados pela ré, considerando que os 
procedimentos