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parcial. 
 
Este fato não contestado torna-se um fato INCONTROVERSO, ou seja, ele não sofreu 
contestação (controvérsia) – não se discutiu sobre ele, todos o aceitaram. E os fatos 
incontroversos são precisam ser provados (não há necessidade de movimentação de prova no 
que diz respeito a fatos que não foram controvertidos, ou seja, não sofreram impugnação). 
O Princípio do Ônus da Defesa Especificada está descrito no art. 302 do CPC (até a expressão 
"salvo"), e este mesmo dispositivo já traz as suas exceções (a partir da expressão "salvo"): 
Art. 302. Cabe também ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição 
inicial. Presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: 
I - se não for admissível, a seu respeito, a confissão; 
II - se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da 
substância do ato; 
III - se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. 
Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se 
aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. 
As exceções ao Princípio do Ônus da Defesa Especificada estão nos incisos e no parágrafo 
único do art. 302: 
 
 INCISO I – Os direitos que não admitem confissão são os DIREITOS INDISPONÍVEIS (não 
se pode confessar uma coisa da qual não se dispõe). Exemplos: direitos de família, 
direitos políticos, direitos difusos (ambiental, por exemplo), etc. Se, por exemplo, 
numa separação litigiosa, o autor diz que o réu lhe agredia, não lhe dava dinheiro e 
não era fiel, e o réu deixa de contestar o fato de que não era fiel, isto não lhe causará 
problemas. Não haverá, sobre este fato, presunção de veracidade, pois estamos diante 
de um direito indisponível (direito de família). Ele não sofrerá as conseqüências do 
Princípio do Ônus da Defesa Especificada. Tudo terá que ser provado pelo autor. 
 INCISO II – Numa questão envolvendo, por exemplo, a propriedade de um imóvel, o 
autor não anexa na petição inicial, o registro do mesmo (escritura pública). Não 
adiantará ele declarar ser proprietário, nem uma numerosa quantidade de 
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testemunhas, etc. Se ele não possuir o documento que a legislação civil determina 
para provar este fato, ainda que o réu não conteste nada, o autor terá que provar. 
 INCISO III – É uma questão de lógica da contestação. Se o réu está sendo acusado de 
ter causado um acidente e danificado o carro do autor e, na sua contestação, afirma 
que estava, na época do acidente, em outro país, ainda que ele não tenha argüido 
especificamente que não causou o acidente, por uma questão de coerência, o juiz 
considera que o fato foi contestado. 
 PARÁGRAFO ÚNICO – Fala de pessoas que não precisam, ao contestar, obedecer ao 
Princípio do Ônus da Defesa Especificada: o Ministério Público, o curador especial 
(no Rio de Janeiro, a Defensoria Pública – art. 9º, II) e o advogado dativo (advogado 
comum chamado pela justiça para cumprir um favor público – munus público - em 
locais onde não há defensoria). Eles poderão contestar através da chamada 
NEGAÇÃO GERAL, sem se aprofundar em cada um dos fatos do processo. 
A CAPACIDADE PROCESSUAL, no CPC, encontra-se descrita do art. 7º ao 13. Este é um 
pressuposto processual de validade. O curador especial está definido no art. 9º, dentro do 
capítulo da capacidade processual: 
 
Art. 9º O juiz dará curador especial: 
I - ao incapaz, se não tiver representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os 
daquele; 
(quando o menor não tiver representantes legais ou quiser litigar contra eles) 
II - ao réu preso, bem como ao revel citado por edital ou com hora certa. 
(passado o prazo da contestação sem que a mesma tenha sido apresentada, o juiz vai aos 
autos e verifica que o réu foi citado por edital ou por hora certa – citações fictas – para que 
não se fira os princípios do contraditório e da igualdade, o legislador criou a figura do curador 
especial, que será nomeado pelo juiz – no Rio de Janeiro, o defensor público; será aberto prazo 
para o defensor público oferecer a contestação; esta contestação não poderá, obviamente, 
estar sujeita ao ônus da defesa especificada, pois o defensor não tem o conhecimento real dos 
fatos – ele irá verificar o que é lógico, e fará as defesas relativas ao direito, sem realizar uma 
defesa especificada) 
Parágrafo único. Nas comarcas onde houver representante judicial de incapazes ou de 
ausentes, a este competirá a função de curador especial. 
 
 
PRAZOS PARA CONTESTAR 
 
O art. 297 determina o prazo para contestação, exceção e reconvenção, no procedimento 
ordinário, que é de 15 dias. 
 
O art. 241 estabelece como fazer a contagem deste prazo de 15 dias. 
 
Tenha sido a citação realizada pelo correios ou através de mandado por oficial de justiça, a 
partir do momento que o recebimento chega aos autos (juntada do mandado citatório 
cumprido ou do aviso de recebimento), no dia seguinte inicia-se o prazo de 15 dias (o prazo 
nunca se inicia no primeiro dia, e sim no segundo). 
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Havendo vários réus, no dia seguinte ao da juntada aos autos da última citação, começa a 
contagem do prazo em comum. 
Quando a citação for por edital (inciso V do art. 241), deve-se observar o disposto no art. 232, 
IV, que determina o que é a "dilação do prazo assinada (determinada) pelo juiz". 
 
 
CITAÇÃO POR EDITAL 
Prazo de 15 dias 
Neste prazo deverão ocorrer, pelo menos, três publicações: 
Primeira publicação Segunda publicação Terceira publicação 
Diário oficial Jornal local Jornal local 
 
 
Quando ocorre a primeira publicação, aplica-se o inciso IV do art. 232, que determina que o 
juiz estabelecerá um prazo, entre 20 e 60 dias a partir desta primeira publicação, para que a 
notícia se propague. Este é o PRAZO DE DILAÇÃO – prazo para que ocorra a propagação da 
notícia do processo. 
 
Exemplo: 
 Primeira publicação em 07/08/2003 
 O juiz assina (determina) prazo de 25 dias para a propagação da notícia (PRAZO DE 
DILAÇÃO). 
 A partir do dia 08/08/2003 começa a correr o PRAZO DE DILAÇÃO (25 dias). 
 Terminando o prazo de 25 dias, no dia seguinte inicia-se a contagem do prazo para 
contestação (de 15 dias). 
 
A citação é ato solene, e os seus tipos estão definidos no art. 221: 
 Pelo correio 
 Por oficial de justiça (a citação simples por oficial de justiça e a citação por hora certa – 
arts. 227 e seguintes – são citações realizadas por oficial de justiça) 
 Por edital 
A citação por hora certa possui um elemento objetivo (não encontrar o réu) e um elemento 
subjetivo (se o oficial de justiça verificar, por uma situação fática, que o réu está evitando a 
citação, criando um obstáculo para receber a notícia do processo). O oficial de justiça tem que 
relatar no próprio mandato esta situação e, obviamente, o autor, diante deste relato, vai 
requerer que o juiz determine a citação por hora certa. O juiz irá analisar a situação para ver se 
realmente é caso de citação por hora certa. 
A citação por hora certa é uma citação ficta. Na citação ficta, ninguém (inclusive o juiz) poderá 
ter a certeza absoluta de que o réu teve a notícia do processo. Apenas nas citações reais 
(pessoais) pode-se ter a certeza de que o réu recebeu a notícia do processo. As citações fictas 
devem ser deixadas somente para o último caso. Por isso ele deverá fazer uma análise, para 
verificar se não está ocorrendo algum tipo de nulidade ou vício neste ato processual. 
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