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331 do CPC sofreu reforma em 2002, com a Lei 10744). 
Até 2002, nos casos de direitos indisponíveis, o saneamento era feito na própria audiência (o 
despacho era feito na própria audiência). 
Hoje em dia, como até mesmo os direitos indisponíveis podem ser objeto desta audiência, não 
há mais o despacho. 
Se o juiz não realizar a audiência (e em muitos casos os juizes entendem que não são 
obrigados a fazer a conciliação, apesar deste pensamento ser equivocado, em face do art. 125 
do CPC), ele irá despachar que está tudo correto no processo, e esta é uma decisão 
interlocutória (art. 162). 
São atos do juiz: 
 Sentenciar (sem mérito – art. 267, ou com mérito – art. 269) 
 Dar decisão interlocutória 
 Despachar 
O despacho saneador não se encaixa na hipótese do art. 267 e nem na hipótese do art. 269 e, 
portanto, ele só pode ser uma decisão interlocutória. 
A sentença extingue o processo (põe fim ao processo) – seu conteúdo está no art. 267 ou no 
art. 269. Se não for esta hipótese, tratar-se-á de uma decisão interlocutória. 
A decisão do juiz de que está tudo correto para que a ação seja julgada é uma decisão 
interlocutória. 
Caso uma das partes não esteja satisfeita com esta decisão, deverá interpor o recurso de 
agravo (art. 522), o qual poderá ser proposto em audiência, até mesmo oralmente. 
O despacho saneador, embora esteja ultrapassado, ainda é praticado. 
A reforma de 1994 quis acabar com este ato processual, criando a AP (Audiência Preliminar), 
para estabelecer um contato maior do juiz com a causa e com as partes (não deixando este 
contato restrito apenas à AIJ) e também para que o juiz pudesse consertar o que fosse preciso 
no processo, preparando-o para o julgamento (para a AIJ). 
O despacho saneador, como era visto antigamente, era mais uma causa de demora processual. 
A AP, por sua vez, tinha como objetivo dar mais celeridade ao processo. 
Observação: 
Toda liminar, seja ela de natureza cautelar ou de natureza satisfativa (uma tutela antecipada) é 
uma decisão interlocutória, que pode ser combatida com o agravo (art. 522) 
As liminares são meras resoluções de incidentes processuais. 
Antigamente só era possível utilizar a antiga "audiência de conciliação" no caso de direitos 
disponíveis, pois o legislador entendia que somente os direitos disponíveis eram passíveis de 
negociação. Porém, hoje em dia, sabe-se que mesmo os direitos indisponíveis podem ter uma 
certa margem de conciliação, como por exemplo: 
 No caso de alimentos, o valor dos mesmos pode sofrer acordo. 
 No caso de uma separação litigiosa, esta pode-se converter em separação consensual. 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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Portanto, a AUDIÊNCIA PRELIMINAR pode ser realizada mesmo diante de direitos 
indisponíveis. 
 
Art. 331. Se não ocorrer qualquer das hipóteses previstas nas seções precedentes, e versar a 
causa sobre direitos que admitam transação, o juiz designará audiência preliminar, a realizar-
se no prazo de 30 (trinta) dias, para a qual serão as partes intimadas a comparecer, podendo 
fazer-se representar por procurador ou preposto, com poderes para transigir. 
§ 1o Obtida a conciliação, será reduzida a termo e homologada por sentença. 
Segundo o disposto no §1º do art. 331, havendo conciliação, esta reduzida a termo e 
homologada por sentença. Portanto, se as partes fizerem acordo, haverá uma sentença de 
mérito (do art. 269, III, do CPC) que, obviamente, fará coisa julgada material. 
Algumas vezes, na prática, ocorre dos advogados do autor e do réu fazerem uma petição em 
comum dizendo que as partes não pretendem se conciliar de forma alguma. Com isto, o juiz, 
muitas vezes, despacha já marcando a AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. 
No entanto, isto é criticado pela doutrina, pois é dever do juiz tentar, em todos os momentos, a 
conciliação entre as partes, conforme dispõe o art. 125, IV, do CPC. 
O §2º do art. 331 dispões sobre as TAREFAS DE SANEAMENTO DO PROCESSO: 
§ 2o Se, por qualquer motivo, não for obtida a conciliação, o juiz fixará os pontos 
controvertidos, decidirá as questões processuais pendentes e determinará as provas a serem 
produzidas, designando audiência de instrução e julgamento, se necessário. 
§ 3o Se o direito em litígio não admitir transação, ou se as circunstâncias da causa 
evidenciarem ser improvável sua obtenção, o juiz poderá, desde logo, sanear o processo e 
ordenar a produção da prova, nos termos do § 2o. 
Segundo o § 2º do art. 331, não havendo conciliação, o juiz fixará os pontos controvertidos. 
Segundo o Princípio do Ônus da Defesa Especificada (art. 302) o réu deve contestar cada fato 
alegado pelo autor, pois haverá presunção de veracidade dos fatos não impugnados. 
O juiz, ao fixar os pontos controvertidos, irá verificar quais os fatos impugnados pelo réu e 
quais os não impugnados (fatos incontroversos, ou seja, que não precisam ser provados). 
Os fatos impugnados serão objeto de prova. 
Além disso, neste momento, o juiz também irá decidirá questões processuais pendentes 
(verificará irregularidades do processo). 
O juiz também vai determinar as provas que devem ser produzidas – deferir ou indeferir as 
provas que serão produzidas em cima dos fatos controvertidos (impugnados). 
Finalmente, o juiz marcará a AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO, se for o caso. 
 
 
 
 
 
 MODELO DE CONTESTAÇÃO 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .... ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE .... 
 
 
.................................., (qualificação), pessoa jurídica de direito privado, com sede em ...., na 
Rua .... nº ...., neste ato representada pelo seu proprietário ........................, (qualificação), por 
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seu advogado adiante assinado, com escritório profissional na Rua .... nº ...., onde recebe 
notificações e intimações, vem respeitosamente à presença de V. Exa., apresentar 
CONTESTAÇÃO 
 
aos termos da AÇÃO DE INDENIZAÇÃO que lhe move ................, aduzindo as seguintes razões: 
 
A requerente, através de advogado constituído, pretende receber a importância de .... (....) 
salários mínimos a título de indenização, eis que julga-se lesada na honra e na reputação em 
virtude da ação ilícita da requerida. 
 
Diz na preferencial que na qualidade de ...., contratou os serviços do .... para ser fotografada, 
fotos estas para formar uma espécie de "book". Aduz que a contratada teria vendido algumas 
fotografias executadas ao ex-marido, o qual serviu-se das mesmas para instruir processo de 
destituição de guarda do filho menor ...., junto a .... ª Vara de Família, que tendo 
conhecimento da aludida ação, surpreendeu-se com as referidas fotografias que segundo seu 
equivocado entendimento teve relevância para tirar-lhe seu filho menor. 
 
Emérito Julgador, em que pese as razões esgrimidas pela autora, a ação em tela não deve 
prosperar, uma vez que a requerida não incorreu em violação de direito material ou moral 
para ser obrigada a reparar eventuais danos, conforme se provará no decorrer da defesa. 
 
"Ab initio", a requerida realmente executou a mando da requerente a confecção de 
fotografias, algumas com pose de cunho sensual, tendo entregue as fotografias à requerente 
que passou a utilizá-las para fins que bem entendesse. Ocorre que o ex-marido da autora, ...., 
ao fazer uma das rotineiras visitas ao filho, ...., veio a encontrar algumas fotos produzidas pelo 
estúdio da requerida, assenhorando-se das mesmas. De posse dos mencionados retratos, o ex-
marido, de forma vil e clandestina, valendo-se do descuido da fotografada, engendrou a 
confecção de novas fotos no estúdio da requerida, valendo-se de terceira pessoa, exibiu a 
numeração das fotografias ao preposto fotógrafo da requerida, que na boa fé realizou as 
cópias, sem questionar