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de conhecimento regulado pelo CPC (como as sentenças penais condenatórias, 
sentenças arbitrais ou sentenças estrangeiras), a competência será relativa, e deverá observar 
o critério territorial previsto para o processo de conhecimento, observando-se apenas que a 
execução da sentença estrangeira tramitará perante a Justiça Federal (CF, art. 109, inciso X). 
Inovação, porém, é a trazida pelo parágrafo único do art. 457-P, que admite a 
opção do credor pelo processamento do cumprimento de sentença no juízo onde se 
encontram os bens sujeitos à expropriação ou no juízo do atual domicílio do executado, casos 
em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. Tal faculdade de 
solicitar a alteração da competência original foi atribuída apenas ao credor, que deverá fazê-la 
ao juízo que entender competente para a execução. Nessa hipótese, reconhecendo-se 
competente, o juízo da execução solicitará a remessa dos autos da ação de conhecimento ao 
juízo de origem. 
 
3) Prazo para pagamento 
Com relação ao prazo de 15 (quinze) dias previsto no art. 475-J do CPC para 
pagamento da dívida reconhecida em sentença, que seja certa ou já esteja apurada em 
liquidação, a jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de que deva ser contado a partir 
do trânsito em julgado da sentença condenatória (se for líquida) ou da decisão que julgar a 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
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fase de liquidação. Desnecessária, portanto, segundo o entendimento do STJ, a intimação do 
devedor ou de seu advogado para que se inicie a contagem do prazo para pagamento da 
dívida. 
O art. 475-J do CPC, por sua vez, prevê que no caso de não ser feito o pagamento 
no referido prazo de 15 (quinze) dias, o montante da condenação será acrescido de multa no 
percentual de 10% (dez por cento), que reverterá em benefício do credor. 
A fase de cumprimento de sentença, na realidade, inicia-se somente com o 
requerimento do credor, depois de findo o prazo para pagamento espontâneo da condenação, 
sem que o devedor tenha quitado o débito. 
Havendo pagamento parcial da dívida, a multa de 10% (dez por cento) deve incidir 
apenas sobre o saldo devedor remanescente (CPC, art. 475-J, § 4º). 
A multa também incidirá se o devedor efetuar o depósito da quantia devida, mas 
não a título de pagamento, e sim para garantia do juízo e oposição de impugnação. Isto porque 
o art. 475-J nitidamente privilegia o pagamento voluntário da dívida; não ocorrendo tal 
pagamento, de rigor a incidência da multa, ainda que tenha havido depósito para garantia do 
Juízo. 
Incabível, porém, será a incidência da multa nas execuções provisórias de 
sentenças impugnadas por recurso recebido apenas no efeito devolutivo, pois ainda não terá 
ocorrido o trânsito em julgado da decisão condenatória a propiciar o início do prazo para 
pagamento voluntário do montante da condenação. 
 
4) Procedimento 
A fase de cumprimento de sentença se iniciará mediante requerimento do credor, 
que será feito somente depois de findo o prazo de 15 (quinze) dias para pagamento voluntário 
do montante da condenação certa ou fixada em liquidação. O requerimento deverá estar 
acompanhado do demonstrativo atualizado do débito, já acrescido da multa de 10% prevista 
no art. 475-J do CPC. 
Em seguida, será expedido mandado de penhora e avaliação e não mandado de 
intimação para pagamento da dívida, vez que já transcorrido o prazo para pagamento. 
Poderá o credor, em seu requerimento, desde já indicar bens do devedor a serem 
penhorados. 
Não sendo, porém, requerido o cumprimento da sentença no prazo de seis meses, 
contados do término do prazo de pagamento voluntário da dívida pelo devedor, o juiz 
determinará o arquivamento provisório dos autos, até que se consuma a prescrição 
intercorrente. Porém, o feito poderá ser desarquivado a pedido do credor, desde que não 
tenha ocorrido a referida prescrição (CPC, art. 475-J, § 5º). 
Tendo o oficial de justiça encontrado bens do devedor para serem penhorados, 
deverá proceder a avaliação deles. Não podendo o oficial de justiça efetuar a avaliação, por 
depender de conhecimentos especializados, o juiz nomeará avaliador e fixar breve prazo para 
a entrega do laudo. 
Em seguida, o executado será intimado da realização da penhora, na pessoa de 
seu advogado, ou mesmo pessoalmente ou na pessoa de seu representante legal, por 
mandado ou ainda pelo correio. 
De fundamental importância na execução tem esta intimação da penhora, porque 
é a partir da juntada aos autos do mandado ou AR de intimação do devedor, ou da data da 
publicação ao seu advogado, que se inicia a contagem do prazo de 15 (quinze) dias para 
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oferecimento de impugnação. A impugnação, como veremos, assemelha-se aos embargos à 
execução de título executivo extrajudicial. 
Não tendo sido apresentada impugnação ou sendo ela rejeitada, seguirá a 
execução com os demais atos expropriatórios (adjudicação, alienação por iniciativa particular, 
alienação em hasta pública, usufruto do bem penhorado), nos moldes como previsto para a 
execução de título extrajudicial, em função da previsão contida no art. 475-R do CPC. 
Relevante questão que deve ser considerada é a referente ao cabimento ou não 
de fixação de honorários advocatícios na fase do cumprimento de sentença. A despeito da 
falta de previsão específica, o STJ firmou entendimento no sentido de que é devida a fixação 
de honorários advocatícios nesta fase. Segundo este entendimento, se é obrigatório o 
arbitramento de honorários na execução autônoma de título extrajudicial, nos termos do art. 
20, § 4º, I, do CPC, e se o cumprimento da sentença faz-se por execução (CPC, art. 475, I), 
devida é a fixação da verba honorária também nesta fase de cumprimento de sentença. 
Ademais, não teria sentido fixar multa sancionatória de 10% (dez por cento) em caso de 
descumprimento da condenação, nos termos do art. 475-J do CPC, se por outro lado afastada 
estaria a condenação no pagamento de honorários no percentual de 10% a 20%, também 
sobre o valor da condenação. 
 
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
 
1) Noções gerais e procedimento 
A impugnação constitui o meio de defesa do devedor na fase do cumprimento da 
sentença condenatória que prevê obrigação de pagar quantia. 
Não se admite a oposição de impugnação na fase de satisfação das sentenças que 
definem obrigação de entregar coisa ou de fazer ou não fazer, pois estas são cumpridas por 
meio do procedimento previsto nos artigos 461 e 461-A do CPC. 
Quanto à natureza jurídica da impugnação, o CPC a considera como mero 
incidente da fase de cumprimento da sentença e não como ação autônoma de conhecimento, 
como são considerados os embargos. Porém, é inegável a natureza de ação da impugnação 
fundada na hipótese prevista no incido VI do art. 475-L (“qualquer causa impeditiva, 
modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação 
ou prescrição, desde que superveniente à sentença”), por visar à declaração de extinção da 
própria obrigação. 
A impugnação poderá ser oferecida pelo devedor no prazo preclusivo de 15 
(quinze) dias, contados da juntada aos autos da intimação do auto de penhora e avaliação 
(CPC, art. 475-J, § 1º). Portanto, a realização da penhora é pressuposto necessário para a 
oposição da impugnação, diversamente do que ocorre com os embargos à execução da 
obrigação prevista em título executivo extrajudicial. 
Não tendo natureza de ação, à impugnação é aplicável o disposto no art. 191 do 
CPC, contando-se em dobro o prazo de oposição quando os devedores litisconsortes tiverem 
procurados diferentes, devendo o prazo ainda ser contado a partir da juntada aos autos da 
última intimação realizada,