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obrigação e 
extinguirá a execução. Não tendo sido a obrigação cumprida integralmente, o credor terá as 
mesmas opções já referidas acima, quais sejam, requerer seja complementada por terceiro, às 
custas do executado, ou optar pela conversão em perdas e danos. 
 
2) Procedimento das execuções das obrigações de não fazer 
Se o devedor tiver praticado o ato a que estava obrigado a não praticar, será 
citado para desfazê-lo em prazo a ser fixado quando do despacho inicial da execução. 
Admissível a fixação de multa por dia de atraso no descumprimento desta obrigação positiva 
de desfazer, determinada judicialmente. 
Não sendo atendida a determinação para desfazer, o credor, da mesma forma 
como ocorre na execução das obrigações de fazer, poderá optar por pleitear que o 
desfazimento seja feito por terceiro, às custas do devedor, ou pleitear a conversão em perdas 
e danos, por meio de liquidação incidente. Idênticas opções são facultadas ao credor nas 
hipóteses em que o desfazimento do ato não se tenha dado por completo, ou seja, se o 
devedor apenas desfez parte do ato que estava obrigado a não praticar. 
Sendo impossível o desfazimento do ato, não restará outra alternativa ao credor 
senão a conversão em perdas e danos. 
 
TEORIA GERAL DAS CAUTELARES 
 
 
I. Introdução e Conceitos Fundamentais 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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1. Processo, Jurisdição e Lide 
 
O processo é um instrumento para o exercício da jurisdição (função por meio da qual o Estado 
soluciona as lides, que são os conflitos de interesse caracterizados por uma pretensão 
resistida). 
 
As lides surgem a partir de crises, assim, o processo serve para a solução dessas, que podem 
ser de três naturezas: 
 
1. Crise de Certeza: resolve-se pelo processo de conhecimento 
2. Crise de Satisfação/Adimplemento: resolve-se pelo processo de execução 
3. Crise de Urgência: resolve-se pelo processo cautelar 
 
Enquanto no processo de conhecimento a atividade precípua é a cognição, consistente em 
uma técnica de análise de alegações e provas, com o fim de esclarecer acerca da existência ou 
inexistência de um direito, no processo de execução a finalidade é a satisfação/adimplemento 
de um direito de crédito (lato sensu). Já no Processo Cautelar o que se visa é assegurar o 
resultado útil do processo diante da perspectiva de perda do objeto do Processo de 
Conhecimento ou do Processo de Execução. Parte da doutrina até defende que o processo de 
conhecimento e o processo de execução poderiam ser reunidos para formar a categoria dos 
processos satisfativos, enquanto que, por sua vez, o processo cautelar seria uma categoria à 
parte, por ser mero processo assecuratório. 
 
2. Conceito de Processo Cautelar 
 
A palavra “cautelar” remete à idéia de segurança, prevenção, garantia. Nesse sentido, o 
Processo Cautelar é aquele por meio do qual se obtêm meios para garantir a eficácia plena do 
provimento jurisdicional, a ser obtido por meio de futuro ou concomitante processo de 
conhecimento ou de execução. Exemplo: A é credor de B, mas não pode cobrar judicialmente a 
dívida porque esta ainda não está vencida. Contudo, A percebe que B está se desfazendo de 
seu patrimônio e pretendendo sair do país. Ainda que não possa entrar com ação para cobrar 
B, A pode justamente lançar mão do Processo Cautelar para, por meio deste, obter medida 
liminar que de algum modo bloqueie certos bens de B, cujo valor seja suficiente para saldar 
seu débito. 
 
3. Processo Cautelar, Ação Cautelar e Tutela Cautelar 
 
Nesse ponto, é importante que sejam feitas algumas distinções. Processo cautelar é aquele por 
meio do qual se assegura o resultado útil de um processo principal de conhecimento ou de 
execução. Já a ação cautelar, em sentido processual, refere-se à demanda, ao exercício do 
direito de provocar o poder judiciário a apreciar uma questão em relação à qual se deverá 
demonstrar via petição inicial, que o resultado de um processo principal pode se tornar inútil. 
Assim, por meio da ação cautelar se instrumentaliza o processo cautelar. A seu turno, medida 
cautelar é gênero, que abrange todo e qualquer meio de proteção à eficácia do provimento 
jurisdicional de conhecimento ou de execução, abrange, portanto, as ações cautelares (que 
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instrumentalizam o processo cautelar), as medidas cautelares genéricas (que podem ser 
concedidas no bojo de qualquer tipo de processo não cautelar, segundo autorização do novo § 
7 do Art. 273 do CPC) e as medidas cautelares especiais (que são concedidas nos 
procedimentos especiais). 
 
II. Requisitos/Pressupostos/Mérito do Processo Cautelar 
 
São dois os componentes do Mérito do Processo Cautelar: 
 
1. Fumus boni iuris: identifica a circunstância em que há fumaça ou aparência do bom direito e 
é correlata à expressão cognição sumária, não exauriente, incompleta, superficial ou 
perfunctória. Quem decide com base em fumus não tem conhecimento pleno e total dos fatos 
e, portanto, ainda não tem certeza quanto a qual seja o direito aplicável. 
 
2. Periculum in mora: identifica circunstância em que, se não for concedida a medida 
pleiteada, posteriormente não mais adiantará a sua concessão. 
 
Assim, agregando-se os dois requisitos, se tudo indicar que o autor tem o direito que alega 
(fumus boni iuris), e diante da circunstância de a não concessão de uma medida de garantia 
poder significar a impossibilidade de asseguramento do direito no momento oportuno dentro 
do processo principal (periculum in mora), estarão satisfeitos os requisitos de instauração do 
Processo Cautelar. 
 
III. Características do Processo Cautelar 
 
1. Autonomia: trata-se de processo com estrutura e componentes próprios, que nasce com 
uma PI e termina, necessariamente, por sentença. 
 
2. Acessoriedade: apesar de autônomo (início e fim próprios), é acessório, pois existe em 
função do processo principal, e para servi-lo. Observe-se que, o CPC fala em dependência, o 
que não é um bom qualificativo, pois se choca com a idéia de autonomia. 
 
3. Instrumentalidade: se de um lado se pode afirmar que o processo tem caráter instrumental 
com relação ao direito material (por exemplo, as normas de direito civil), porque existe para 
fazer com que sejam efetivamente cumpridas essas normas, de outro lado, o processo cautelar 
existe para fazer com que sejam efetivamente cumpridas estas normas, de outro lado, o 
processo cautelar existe para garantir a eficácia do processo de conhecimento ou da execução, 
sendo, nessa medida, instrumento do instrumento. 
 
4. Prevenção: visa evitar que o decorrer do tempo e/ou as atividades do réu possam frustrar a 
realização do provável direito do autor. 
 
5. Sumariedade, Eficácia Temporária, e Revogabilidade: é sumário porque é curto, baseado no 
fumus boni iuris e não na colheita exaustiva de provas, e só se admite um processo baseado 
em aparência de direito porque ele tende a durar pouco, ser temporariamente eficaz, e 
também porque não é perene, sendo revogável a qualquer tempo, eis que a sentença que 
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produz não se acoberta pelos efeitos da coisa julgada material (salvo pronunciamento de 
prescrição ou decadência em relação ao direito a ser apreciado no processo principal), 
conforme enuncia o art. 807 do CPC, que diz que as medidas cautelares conservam a sua 
eficácia no prazo do artigo antecedente e na pendência do processo principal; mas podem, a 
qualquer tempo, ser revogadas ou modificadas. 
 
IV. Classificação das Ações Cautelares 
 
A partir do critério momento de propositura, as ações cautelares podem classificar-se