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em: 1) 
Antecedentes/Preparatórias: são as propostas antes mesmo da ação principal e; 2) 
Incidentes/Incidentais: são as propostas durante o trâmite da ação principal. 
 
 
V. Tutelas de Urgência: Cautelares Satisfativas e Tutela Antecipada 
 
Em 1973, com a edição do CPC, no procedimento comum só existia um tipo de tutela 
antecipada. Disposta no Art. 804, podia ser chamada tutela antecipada cautelar, ou seja, era 
uma tutela antecipada dentro do processo cautelar que, apesar de designada como cautelar, 
era verdadeira tutela antecipada (portanto, satisfativa). Entretanto, como regra, não havia 
previsão de tutela antecipada fora do processo cautelar, ou seja, não havia a possibilidade de 
se pedir antecipação de tutela em processo de conhecimento ou de execução. Só existia 
tutela antecipada em alguns procedimentos especiais ,como na ação de alimentos, no 
mandado de segurança, e na ação possessória. Chamavam-se essas tutelas antecipadas dos 
procedimentos especiais de liminares, as liminares dos procedimentos especiais. Exemplos: 
Mandado de Segurança e Interditos Possessórios. 
 
Entretanto, começou-se a perceber a necessidade de tutelas antecipadas (e. portanto, 
satisfativas) no procedimento comum ordinário, mas elas ainda não eram possíveis. Assim, os 
advogados começaram a pedir providências de cunho satisfativo (tutelas antecipadas) como se 
fossem providências cautelares adotando a nomenclatura – tutela antecipada cautelar – e 
fundamentando no Art. 804 do CPC (que fazia expressa previsão dessa medida de urgência, 
mas que só valia dentro do processo cautelar). 
 
Assim, os juízes colmataram a lacuna do sistema distorcendo a tutela antecipada cautelar 
(literalmente tutela antecipada dentro do processo cautelar), dando provimento ao que se 
começou a chamar na prática de cautelar satisfativa, ou seja, uma deformação da tutela 
cautelar em razão da omissão legislativa. Ex: sustação de protesto. 
 
Depois de obtido o provimento (tutela antecipada) ainda era necessário ajuizar outra ação 
(principal) somente para referendar a primeira decisão, ou seja, o mesmo engodo jurídico 
gerava dois processos. 
Exemplo: suspensão de deliberações sociais. 
 
Essa situação só se alterou em 1994, com o artigo 273 e o § 3 do Art. 461. A partir desse 
momento, a tutela antecipada satisfativa se tornou genérica, aplicável ao procedimento 
comum, pelo que se colmatou legislativamente a lacuna outrora existente (quando só existia 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
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para o processo cautelar sob o nome de tutela antecipada cautelar, e para alguns 
procedimentos especiais sob o nome de liminar). 
 
Assim, não havia mais nenhuma justificativa para a propositura de cautelares satisfativas, pois 
a omissão legislativa que justificou a existência dessa deformidade jurídica, já não mais existia. 
 
Entretanto, a doutrina dessa época começou a fazer uma comparação entre tutela antecipada 
e tutela cautelar, dedicando estudos para, por exemplo, esclarecer porque cabe tutela 
antecipada dentro da tutela cautelar. 
 
No que tange à tutela antecipada, ela acabou recebendo regulamentação específica em 1994. 
Conforme passou a enunciar o art. 273 do CPC, o juiz pode, a requerimento da parte, 
antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, 
existindo prova inequívoca (fumus boni iuris, lembrando-se que essa prova inequívoca seria 
incompatível com uma cognição sumária ou superficial), se convença da verossimilhança da 
alegação (fumus boni iuris) e: I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação 
(periculum in mora); ou; II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto 
propósito protelatório do réu. Os §§ do art. 273 ainda destacam que na decisão que antecipar 
a tutela, o juiz deverá indicar, de modo claro e preciso, as razões do seu convencimento, não 
podendo haver a antecipação da tutela quando houver perigo de irreversibilidade do 
provimento antecipado. Enuncia-se, ainda, que a tutela antecipada poderá ser revogada ou 
modificada a qualquer tempo (fungibilidade), em decisão fundamentada. Assim, concedida ou 
não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final julgamento. 
 
Importante observar que, com base no Poder Geral de Cautela (arts. 797 a 799 do CPC), pode o 
juiz mandar, ex officio, que se forneça alguma garantia quando da concessão de tutela 
antecipada, isso para que se garanta o resultado útil do processo em curso, no caso de a tutela 
antecipada não ser a medida mais acertada e ser modificada ou revogada, hipótese em que a 
garantia do juízo será a responsável pela satisfação, ainda que parcial, do objeto do litígio. 
 
Estando sedimentado o problema das tutelas antecipadas, nova alteração legislativa trouxe 
luzes ao processo civil em 2002, permitindo (ainda que implicitamente) a concessão de uma 
tutela cautelar dentro de um processo não cautelar. Não seria mais necessário dois processos 
para regularizar uma medida cautelar, pois ela poderia ter validade sem a necessidade de um 
processo cautelar. A doutrina passou a afirmar que a nova alteração criou a fungibilidade, ou 
seja, um pedido de tutela antecipada pode ser concedido como tutela cautelar. Mas pode 
haver o processo inverso? Se a parte entrar com um processo cautelar pedindo liminar poderá 
o juiz conceder como tutela antecipada em processo de conhecimento? A fungibilidade é de 
mão dupla? Prevalece o entendimento que sim, desde que o juiz, converta o processo cautelar 
em processo de conhecimento. O novo § 7, do Art. 273 do CPC, é claro ao afirmar que se o 
autor, a título de antecipação de tutela (portanto, identificando como antecipação de tutela), 
requerer providência de natureza cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos 
pressupostos, deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado3. 
 
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VI. Procedimento Cautelar Genérico 
 
1. Competência 
 
a) Primeiro Grau 
 
A competência das cautelares genéricas é a do juízo competente para a ação principal. Assim, 
se a ação principal já estiver em curso, aplica-se o critério da prevenção, ou seja, a 
competência é do juízo perante o qual o processo principal estiver tramitando. Entretanto, se 
a ação cautelar for preparatória, sua competência será definida conforme as regras que se 
aplicariam à futura ação principal a ser proposta. Importante observar que, em casos de 
urgência, pode a medida ser requerida a qualquer juízo, ignorando-se, se necessário, até 
 
A DISTINÇÃO ENTRE TUTELA CAUTELAR E TUTELA ANTECIPADA 
 
 Anoto, de início, que a antecipação da tutela se distingue da medida cautelar por ser aquela para 
gozo imediato e provisório do bem perseguido no processo. A medida cautelar não institui o autor da 
ação no gozo imediato do bem. Ele apenas preserva pessoas, provas e coisas para o resultado útil do 
processo principal. Não esqueçamos que a medida cautelar é instrumental. 
 Por outro lado, a antecipação da tutela pode ser concedida pelo risco da demora na prestação 
jurisdicional ou, alternativamente, pelo abuso do direito de defesa ou manifesto intuito protelatório do réu 
ou, ainda, pela falta de contestação de pedido formulado em cumulação de ações – inciso I e II e § 6º do 
art. 273. 
 A medida cautelar só pode ser deferida se houver risco de prejuízo ao processo principal pela 
demora na prestação jurisdicional. Não há medida cautelar por abuso do direito de defesa ou manifesto 
intuito