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processual 
(partes), quais sejam: autor e réu. Diz-se do autor aquele que formula o pedido ao juízo, 
enquanto o réu é aquele em face de quem o autor faz o pedido; juiz – sujeito imparcial do 
processo, investido de autoridade para dirimir a lide; e terceiros interessados - poderá 
ingressar como parte principal. 
 
PARTES E SEUS PROCURADORES 
 
 
 
 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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Partes são pessoas, físicas ou jurídicas, que participam da relação processual, ou seja, os 
sujeitos do processo. De forma geral, no processo de conhecimento são chamadas de autor e 
réu. Diz-se autor aquele que formula o pedido ao juízo, enquanto o réu é aquele em face de 
quem o autor faz o pedido. Note-se, no entanto, que esta denominação das partes varia 
conforme o tipo de processo, a espécie do procedimento ou mesmo de acordo com a fase 
processual. 
 
DEVERES DA PARTES 
 
Embora o processo seja um jogo, todo aquele que dele participa (partes, procuradores, 
serventuários, auxiliares, terceiros etc.) deve proceder com probidade e lealdade, isto é, 
sustentar suas razoes dentro dos limites da ética, da moralidade e da boa fé (princípio da 
probidade processual), expondo os fatos conforme a verdade e evitando provocar incidentes 
inúteis e/ou infundados que visam apenas à procrastinação do feito. Neste sentido, declara o 
art. 14 do CPC que “são deveres das partes e todos aqueles que de qualquer forma participam 
do processo: I –expor os fatos em juízo conforme a verdade; II – proceder com lealdade e boa-
fé; III – não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de 
fundamento; IV – não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à 
declaração do direito; V – cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar 
embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final”. 
 
COMENTÁRIOS AOS ARTS. 36 A 40 DO CPC 
 
Conforme o art. 3ºdo CPC, o primeiro requisito para o ingresso em Juízo consiste em que a 
pessoas esteja no exercício do direito da ação, isto é, que lhe assista o direito de agir e que 
tenha, ainda, qualidade para agir, alem da possibilidade jurídica do seu pedido, ou seja, que a 
pretensão seja suscetível de acolhimento judicial, por estar prevista em lei. Reunindo esses 
três fatores que constituem o primeiro requisito para o ingresso em juízo, a pessoa estará apta 
a exigir a prestação jurisdicional do Estado, isto é, a requerer que o Estado, por via do Poder 
Judiciário, intervenha na contenda e a decida. 
Todavia, para que o ingresso em juízo se concretiza, a parte interessada deverá fazer-se 
representar por advogado legalmente habilitado, conforme expressa exigência do artigo 36, 
CPC. Entende-se por advogado legalmente habilitado o bacharel em direito regularmente 
inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil e em dia com suas contribuições a essa entidade de 
classe. 
O documento pelo qual se constitui um procurador é a procuração, que pode ser pública ou 
particular. Pública, quando passada em cartório, no livro de notas do tabelião, da qual se extrai 
o traslado (cópia) que acompanhará a petição para o ingresso em juízo. Particular, quando 
impressa, datilografada, digitada ou manuscrita, e, de qualquer forma, assinada de próprio 
punho pelo outorgante, com a firma reconhecida por tabelião, conforme exigência expressa do 
artigo 38, CPC. Portanto, só podem outorgar procuração particular as pessoas alfabetizadas e 
que estejam em condições de assinar de próprio punho. 
 
A pessoa capaz para ingressar em juízo deve, portanto, constituir um advogado seu 
procurador, outorgando-lhe a competente procuração, seja pública ou particular. Se se tratar 
de pessoa absolutamente incapaz, a procuração deverá ser outorgada pelo pai ou pela mãe, 
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pelo tutor ou pelo curador, e, nesse caso, o incapaz será representado; se se tratar de 
relativamente incapaz, ele próprio assinará a procuração, porém juntamente com o pai ou a 
mãe, o tutor ou o curador, e, nessa hipótese, o incapaz será representado, mas apenas 
assistido. 
 
Deste modo, nenhum advogado sem estar munido de procuração poderá ser admitido em 
juízo para tratar de causas em nome de outrem. O próprio Código, porém, no mesmo artigo 
37, abrindo uma exceção, permite o ingresso do advogado em juízo, sem procuração, a fim de 
evitar decadência ou prescrição, bem como intervir, no processo, para praticar atos reputados 
urgentes e falte-lhe tempo para munir-se do mandato. Nesse caso, expondo a situação ao juiz, 
o advogado se comprometerá a apresentar a procuração no prazo que lhe for concedido, 
prazo este que será de 15 (quinze) dias, prorrogável por mais 15(quinze). 
 
Caso a procuração não seja apresentada no prazo, ficarão nulos e considerados de nenhum 
efeito todos os atos até então praticado pelo advogado, que ficará, ainda responsável por 
todas as despesas e perdas e danos que ocorrerem. (parágrafo único, art. 37, CPC). 
 
Se a pessoa que pretende ingressar em juízo é bacharel em direito e está com o seu diploma 
regularizado, inclusive com a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e quitação com as 
contribuições devidas a essa instituição, pode postular diretamente em juízo, defendendo os 
seus próprios interesses. É o que expressamente dispõe o artigo 36 do CPC. 
 
Todavia, mesmo não sendo bacharel em direito ou não estando com seu diploma regularizado, 
a pessoa poderá ingressar pessoalmente em juízo, em defesa de seus direitos como se 
depreende do artigo 36, se no lugar não houver advogado devidamente habilitado, ou se os 
existentes estiverem impedidos ou recusarem o patrocínio da causa. Em casos tais, o 
interessado deverá provar as circunstancias que ocorrerem, juntando, inclusive, declaração do 
advogado impedido ou recusante, conforme o caso. 
 
Segundo o artigo 39 do CPC, cumpre o advogado, ou à parte, quando postular em causa 
própria: 1) declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço em que receberá as 
intimações; 2) comunicar ao escrivão do processo qualquer mudança. Se tal não for feito, no 
primeiro caso, o juiz, antes de ordenar a citação, concederá prazo de 48 horas para que seja 
declarado o endereço, sob pena de indeferimento da petição; e, no segundo caso, serão tidas 
como válidas as intimações feitas por carta registrada, para o endereço constante dos autos. 
 
Para evitar que nas procurações se inscrevam, pormenorizadamente, todos os poderes 
conferidos ao advogado e necessários ao acompanhamento eficiente do processo, admite a lei 
a outorga de mandato para o foro em geral, a que faz referencia o artigo 38, e que vem a ser a 
procuração “ad judicia”. 
 
Trata-se de cláusula que habilita o advogado a praticar todos os atos necessários ao 
andamento do feito e em defesa de seu constituinte. Quaisquer outros poderes, além dos 
estritamente referentes a atos do processo, devem constar expressamente da procuração, 
conforme determina o mesmo artigo 38. 
 
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Daí porque se inserem nas procurações os poderes inerentes à cláusula “ad judicia” e mais os 
especiais que venham a ser necessários, tais como os de transigir, desistir, receber, dar 
quitação, firmar compromisso etc. 
 
Conforme preceitua o artigo 40, o advogado tem direito: 1) de examinar, em cartório ou 
secretaria de Tribunal, autos de qualquer processo, salvo os que correm em segredo de justiça, 
a saber: os que o interesse público exigir sigilo; os que dizem respeito a casamento, filiação, 
separação de cônjuges,