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DJi - Reincidência

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o agente a iniciar o cumprimento da pena de detenção em
regime semi-aberto (art. 33, 2ª parte, § 2º, c);
p) impede a liberdade provisória para apelar (art. 594 do CPP);
impede a prestação de fiança em caso de condenação por crime dolos o
(art. 323, III, do CPP).
Ocorrência: não importa qual a natureza dos crimes praticados. Assim, a
reincidência pode dar-se:
a) entre dois crimes dolosos;
b) entre dois crimes culposos;
c) entre crime doloso e culposo;
d) entre crime culposo e doloso;
e) entre crime consumado e tentado;
f) entre crime tentado e consumado;
g) entre crimes tentados;
h) entre crimes consumados.
Perdão Judicial: a sentença que o aplica não induz à reincidência (CP, art.
120).
Prescrição da reincidência: não prevalece a condenação anterior se, entre
a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração penal posterior,
tiver decorrido período superior a 5 anos (período depurador),
computado o período de prova da suspensão ou do livramento
condicional, se não houver revogação (CP, art. 64, I). Uma vez
comprovado o benefício do art. 64 do CP, o agente readquire a sua
condição de primário, pois se operou a retirada da eficácia da decisão
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Multa Substitutiva
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Penas
Pena de Multa
Penas Privativas de
Liberdade
Penas Restritivas de
Direitos
Perdão Judicial
Potencial Consciência
da Ilicitude
Prescrição
Prescrição Depois de
Transitar em Julgado
Sentença Final
Condenatória
Princípio da
Legalidade
Reabilitação Penal
Reincidência na
Contravenção Penal
Reincidência
Específica
Reincidência Ficta
Reincidência
Genérica
Reincidência Real
Requisitos da
Suspensão da Pena
Requisitos do
Livramento
Condicional
Resultado
Revogação do
Livramento
Revogação
Facultativa
Revogação
Obrigatória
Sanção Penal
Suspensão
Condicional da Pena
Tempo do Crime e
Conflito Aparente de
Normas
condenatória anterior.
Termo inicial do período depurador: depende das circunstâncias:
a) se a pena foi cumprida: a contagem do qüinqüênio inicia-se na data em
que o agente termina o cumprimento da pena, mesmo unificada. O
dispositivo se refere ao cumprimento das penas, o que exclui as medidas
de segurança;
b) se a pena foi extinta por qualquer causa: inicia-se o prazo a partir da
data em que a extinção da pena realmente ocorreu e não da data da
decretação da extinção;
c) se foi cumprido período de prova da suspensão ou do livramento
condicional: o termo inicial dessa contagem é a data da audiência de
advertência do sursis ou do livramento.
Termo final do período depurador: o termo final do qüinqüênio está
relacionado à data da prática do segundo crime, não à data da nova
sentença condenatória.
Sistema da temporariedade da reincidência: com a adoção da prescrição
da reincidência, o CP afastou o sistema da perpetuidade, adotando o da
temporariedade da reincidência. O estigma da sanção penal não é
perene. Limita-se no tempo. Assim, transcorrido certo lapso de tempo
sem que outro delito tenha sido praticado, evidencia-se a ausência de
periculosidade e sua normal reinserção social. O condenado quita sua
obrigação com a Justiça Penal. Assim, a reincidência só prevalece se o
crime for praticado até certo tempo após a extinção da pena imposta
pelo anterior.
Crimes que não induzem reincidência: são eles:
a) militares próprios: definidos como crimes apenas no Código Penal
Militar. Se a condenação definitiva anterior for por crime militar próprio,
a prática de crime comum não leva à reincidência. Se o agente, porém,
pratica crime militar próprio, após ter sido definitivamente condenado
pela prática de crime comum, será reincidente perante o CPM, pois este
não tem norma equivalente;
b) políticos: sejam puros (exclusiva natureza política) ou relativos
(ofendem simultaneamente a ordem político-social e um interesse
privado), próprios (atingem a organização política do Estado) ou
impróprios (ofendem um interesse político do cidadão). Modernamente,
o conceito de crime político abrange não só os crimes de motivação
política (aspecto subjetivo) como os que ofendem a estrutura política do
Estado e os direitos políticos individuais (aspecto objetivo).
Reincidência Específica: o termo é equívoco, comportando diferentes
significados. Está previsto na Lei de Crimes Hediondos e consiste na
reincidência em qualquer dos crimes previstos na Lei n. 8.072/90.
Reincidente específico para a Lei n. 8.072/90 é, portanto, o reincidente
em qualquer crime nela previsto, e o seu efeito é o de impedir o
livramento condicional. O Código de Trânsito Brasileiro também fala em
reincidência específica, em seu art. 296, quando o agente reincidir em
qualquer dos crimes de trânsito previstos na Lei n. 9.503, de 23 de
setembro de 1997, tendo como efeito possibilitar ao juiz aplicar a
penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo
automotor, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Na Lei n. 9.714, de
Tentativa
Teoria do Crime
Territorialidade da
Lei Penal Brasileira
Tipicidade
Tipo Penal nos
Crimes Culposos
Tipo Penal nos
Crimes Dolosos
Trânsito em Julgado
25 de novembro de 1998, que introduziu o § 3º no art. 44 do CP, a
reincidência específica voltou a ser prevista, com o efeito de proibir a
substituição de pena privativa de liberdade por pena alternativa, em caso
de reincidência específica. Entretanto, nesse caso reincidente específico
será o reincidente em crime previsto no mesmo tipo incriminador (furto e
furto, lesão corporal culposa e lesão corporal culposa etc.).
Reincidente em crime doloso: é aquele que, já tendo sido definitivamente
condenado por crime doloso, vem a praticar outro delito doloso, antes
do decurso da prescrição da reincidência. Também é assim considerado
aquele que, após ter sido definitivamente condenado por crime
preterdoloso, vem a cometer novo crime doloso, ou vice-versa (doloso e
preterdoloso).
O conceito de primariedade e a reincidência: a lei não define o que se
deve entender por criminoso primário. Na antiga sistemática do Código
Penal a doutrina e a jurisprudência divergiam quanto à exata conceituação
de primariedade. Havia duas correntes:
a) primário era todo aquele que não fosse reincidente;
b) no âmbito da primariedade era feita a seguinte separação: aquele que
sofrera a primeira condenação era considerado "primário", e aquele que
sofrera mais de uma condenação sem, no entanto, ser reincidente era
considerado "não primário", não merecendo os favores reservados pela
lei ao primário. Assim, de acordo com essa corrente, existiria a seguinte
qualificação: primário, não primário e reincidente.
Nossa posição: na atual sistemática do Código Penal tal discussão perdeu
relevância, na medida em que este adotou expressamente a orientação
que estabelece a bipolaridade "reincidência-primariedade", afastando
qualquer qualificação intermediária. Disso resulta que todo aquele que
não for reincidente deve ser considerado primário. Aliás, o próprio CP
fala em diversas passagens em não reincidente, sem fazer distinção entre
primário e não primário.
Primariedade técnica: expressão empregada pela jurisprudência para o
caso do agente que já sofreu diversas condenações, mas não é
considerado reincidente porque não praticou nenhum delito após ter sido
condenado definitivamente.
A mesma decisão pode ser empregada para fins de gerar reincidência e
maus antecedentes?
1ª posição: sim, não havendo que se falar em bis in idem. Nesse sentido
decidiu o Supremo Tribunal Federal: "se a biografia do paciente é
fartamente ilustrativa dos seus maus antecedentes, o que impõe o
agravamento da pena-base e se, de outro lado, há reincidência no sentido
técnico, o juiz não tem escolha quanto a suas conseqüências, aplicando
ao feito, também a circunstância agravante, sem incorrer em bis in idem"
(RT, 734/622.).
2ª posição: constitui bis in idem. Considerada e valorizada a reincidência
para estabelecer a pena-base acima do mínimo legal, incabível
consideráIa novamente para agravar