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5 REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE ASSISTENTE SOCIAL: ASPECTOS 
INTRODUTÓRIOS
5.1 Serviço Social: uma profissão liberal
Iniciaremos com a seguinte pergunta: o que é uma profissão liberal? Conforme preconiza o Estatuto 
da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) no seu artigo 1º, parágrafo único, profissional 
liberal é aquele legalmente habilitado à prestação de serviços de natureza técnico-científica de cunho 
profissional com a liberdade de execução que lhe é assegurada pelos princípios normativos de sua 
profissão, independente de vínculo da prestação.
De acordo com a CNPL, profissão liberal é aquela que se constitui como uma profissão legalmente 
reconhecida e regulamentada por lei específica. O profissional deve ter uma formação técnica ou 
superior. A formação deve acontecer por meio de estudos para se adquirirem conhecimentos teóricos, 
técnicos e metodológicos, todos de cunho científico.
Quando o Estatuto da Confederação Nacional das Profissões Liberais se refere à liberdade do 
profissional na execução de suas atribuições, está garantindo a autonomia profissional. No entanto, é 
cada vez menor o número de profissionais que exercem suas atividades de forma autônoma. No caso 
do Serviço Social, a maioria dos assistentes sociais atua no âmbito do serviço público (União, Estado e 
Município) na condição de assalariado, vendedor de sua força de trabalho.
Ao se referir aos princípios normativos, a CNPL preconiza que o exercício profissional deve ser 
orientado pelas normativas estabelecidas em lei que regulamentam a profissão. O Serviço Social é 
regulamentado pela Lei 8.662, de 7 de junho de 1993, e o fazer profissional do assistente social é 
norteado pelo Código de Ética do assistente social. O exercício profissional é ainda fiscalizado pelas 
entidades representativas da categoria: Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselhos 
Regionais de Serviço Social (CRESS).
O Serviço Social foi enquadrado pela Portaria 35, de 19 de abril de 1949, do Ministério de Trabalho, 
Indústria e Comércio no 14º grupo de profissões liberais. Apesar de o Serviço Social ser considerado como 
uma profissão liberal, autores da área do discutem sobre a fragilidade da autonomia do assistente social 
no exercício profissional. Vamos pontuar as observações feitas pela autora Marilda Vilella Iamamoto, no 
livro Relações sociais e Serviço Social no Brasil.
Para Iamamoto e Carvalho (2000), o Serviço Social não tem uma prática peculiar às profissões liberais. 
O assistente social não tem exercido a profissão de forma independente, uma vez que não dispõe de 
condições materiais e técnicas para exercer o seu trabalho de forma autônoma. Por se constituir como 
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vendedor de sua força de trabalho, numa relação de assalariamento, o profissional não tem o completo 
controle sobre o seu trabalho, especialmente no que se refere às questões de caráter administrativo, 
como a jornada de trabalho a ser cumprida, o valor da sua remuneração e, ainda, o público a ser 
atendido. Na maioria das vezes, quando o assistente social se insere na instituição empregadora essas 
questões já estão predefinidas.
A fragilidade da autonomia profissional do assistente social não implica a eliminação do caráter 
liberal do Serviço Social, visto que a profissão é regulamentada por lei, a qual normatiza o exercício 
profissional.
Outra situação que favorece o exercício liberal da profissão de assistente social é a reivindicação de 
uma deontologia (Código de Ética); o caráter não rotineiro da intervenção, inviabilizando os agentes 
especializados, cria certa margem de manobra e de liberdade no exercício de suas funções institucionais. 
Outra característica a ser ressaltada é a existência de uma relação singular no contato direto com os 
usuários, o que reforça certo espaço para a atuação técnica, abrindo a possibilidade de se reorientar a 
forma de intervenção conforme a maneira de se interpretar o papel profissional (IAMAMOTO; CARVALHO, 
2000, p. 80).
Portanto é preciso ter claro que há uma definição jurídico-legal que assegura o caráter de profissão 
liberal ao Serviço Social e que, apesar das fragilidades anteriormente pontuadas, possibilita e garante 
ao assistente social o exercício independente da sua atuação profissional. A profissão tem uma Lei de 
Regulamentação, que estabelece atribuições que são privativas do assistente social, as quais serão ainda 
trabalhadas. A seguir nós iremos fazer uma contextualização histórica do processo de regulamentação 
do Serviço Social.
5.2 Regulamentação do Serviço Social: contextualização histórica
Na década de 1930, surgem no Brasil as primeiras escolas de Serviço Social, fundamentadas na 
doutrina cristã da Igreja católica e realizadas a partir da filantropia, com base na caridade desenvolvida 
pelos agentes leigos da Igreja.
Nessa época, o Serviço Social tinha um caráter conservador e atuava para legitimar a ordem 
estabelecida pelas classes dominantes em detrimento da defesa dos direitos das classes trabalhadoras. 
Somente na década de 1950, especificamente em 13 de junho de 1953, foi criada a Lei 1.889, 
regulamentada pelo Decreto 35.311, de 1954. A referida lei dispunha sobre os objetivos do ensino do 
Serviço Social, sua estruturação e, ainda, sobre as prerrogativas dos portadores de diploma de assistente 
social e agente social.
Ainda na década de 1950, foi instituída a Lei 3.252, de 27 de agosto de 1957, regulamentada pelo 
Decreto 994, de 15 de maio de 1962. Essa lei regulamentou o exercício da profissão de assistente social 
e criou o Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e os Conselhos Regionais (CRAS). De acordo com 
o artigo 3º da Lei 3.252, são atribuições do assistente social:
• direção de escolas de Serviço Social;
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• ensino das cadeiras ou disciplinas de Serviço Social;
• direção e execução do Serviço Social em estabelecimentos públicos e particulares;
• aplicação dos métodos e técnicas específicas do Serviço Social na solução de problemas sociais.
Na década de 1990, especificamente em 7 de junho de 1993, foi sancionada a Lei n.º 8.662/93 de 
Regulamentação da Profissão de assistente social. Essa Lei é a vigente no país, regulamenta a profissão 
e representa um avanço no Serviço Social, pois contempla as conquistas da categoria no que diz 
respeito à ampliação da atuação profissional. A Lei 8.662/93 estabelece atribuições que são privativas 
do assistente social. Altera as denominações de Conselho Regional de Assistentes Sociais - CRAS para 
Conselho Regional de Serviço Social - CRESS e de Conselho Federal de Assistentes Sociais - CFAS para 
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS. Vamos conhecer aspectos introdutórios da lei atual de 
regulamentação da profissão e as atribuições privativas do assistente social.
5.3 Conhecendo a lei de regulamentação da profissão de assistente social
A Lei de nº 8.662, de 7 de junho de 1993, dispõe sobre a profissão de assistente social e assegura 
que “é livre o exercício da profissão de assistente social em todo o território nacional, observadas as 
condições estabelecidas nesta lei” (Art. 1º).
No artigo 2º, a Lei nº 8.662/93, reza que “somente poderão exercer a profissão de assistente social os 
possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido 
por estabelecimento de ensino superior existente no país, devidamente registrado no órgão competente”. 
No parágrafo único do referido artigo, dispõe-se que “o exercícioda profissão de assistente social requer 
prévio registro nos Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado 
nos termos desta lei”.
O art. 3º deixa explícito que a designação profissional de assistente social é privativa dos habilitados 
na forma da legislação vigente, não devendo ser usado para indicar práticas assistenciais.
No artigo 5º da Lei 8.662/93 estão estabelecidas as atribuições privativas do assistente social:
• coordenação, elaboração, execução, supervisão e avaliação de estudos, pesquisas, planos, 
programas e projetos na área de Serviço Social;
• planejamento, organização e administração de programas e projetos em Unidade de Serviço 
Social;
• assessoria e consultoria a órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e 
outras entidades, em matéria de Serviço Social;
• vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço 
Social;
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• magistério de Serviço Social tanto em nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e 
funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular;
• treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;
• direção e coordenação de Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-
graduação;
• direção e coordenação de associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social;
• elaboração de provas, presidência e composição de bancas de exames e comissões julgadoras 
de concursos ou outras formas de seleção para assistentes sociais, em que sejam aferidos 
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
• coordenação de seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de 
Serviço Social;
• fiscalização do exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;
• direção serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;
• direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria 
profissional.
Somente o assistente social pode exercer essas funções sob pena de medidas judiciais cabíveis ao 
exercício ilegal dessas atribuições por outros profissionais.
O artigo 15 da Lei de Regulamentação da Profissão de assistente social determina que é vedado o uso 
da expressão Serviço Social por quaisquer pessoas de direito público ou privado que não desenvolvam 
atividades previstas nos artigos 4º e 5º da Lei 8.662/93. O Parágrafo único do mesmo artigo diz:
As pessoas de direito público ou privado que se encontrem na situação 
mencionada neste artigo terão o prazo de noventa dias, a contar da data 
da vigência desta lei, para processarem as modificações que se fizerem 
necessárias a seu integral cumprimento, sob pena das medidas judiciais 
cabíveis.
Percebe-se um avanço no Serviço Social desde a promulgação da primeira lei de regulamentação 
da profissão em 1957. A Lei 3.252 só se referia, enquanto atribuições do assistente social, à prática da 
docência, direção, secretaria e supervisão nas escolas de Serviço Social e à função de direção e execução 
de serviços sociais.
A Lei nº 8.662/93 trouxe avanços, na medida em que acrescenta a coordenação, elaboração, execução 
e avaliação de programas e projetos sociais e, na área do ensino, acrescenta o magistério de Serviço 
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Social tanto em nível de graduação como de pós-graduação, e a supervisão direta de estagiários de 
Serviço Social.
5.4 CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL DE 1993
5.4.1 Contextualizando o Serviço Social 
O Serviço Social tem sua origem na implantação do sistema capitalista no período de instauração 
da Revolução Industrial, no século XIX. Nesse contexto histórico, emerge na sociedade a luta de classes 
entre burguesia e proletariado.
Com a consolidação do sistema capitalista surge a chamada questão social que são as expressões 
sociais manifestadas da contradição entre capital e trabalho. A questão social exige a intervenção do 
Estado nas relações sociais entre empresariado e operários para minimizar os problemas sociais advindos 
da exploração da força de trabalho para acumulação de lucros.
O lucro é mola propulsora do modelo capitalista de sociedade e, para alcançá-lo, os donos do capital 
utilizam a exploração da força de trabalho da classe operária que, com o seu trabalho, produz riquezas 
para as classes dominantes. Há um cenário de exploração: uma classe que detém todos os meios de 
produção e todo o poder econômico e que, para se legitimar enquanto classe hegemônica, explora uma 
classe subalterna, que só detém a sua força de trabalho na luta pela sobrevivência. É esse o cenário que 
fomenta os critérios para o surgimento do Serviço Social como profissão.
O Serviço Social teve, no início da sua profissionalização, a missão de contribuir para a 
legitimação do capitalismo. Para isso, desenvolveu uma prática profissional pautada pelos 
ditames da burguesia industrial, com vistas a atender aos interesses das classes dominantes. 
Com essa missão, o Serviço Social se inseriu na divisão social e técnica do mercado de trabalho 
e na organização e prestação de serviços sociais, por meio de políticas públicas sociais para o 
enfrentamento da questão social como resposta do Estado às condições de miséria por que 
passava a classe operária.
Na atualidade, o Serviço Social atua sob novas perspectivas, na defesa intransigente dos direitos 
humanos e na recusa do arbítrio e do autoritarismo. Assume o compromisso profissional com a 
ampliação e consolidação da cidadania a partir da defesa pelo aprofundamento da democracia 
e do posicionamento em favor da equidade e justiça social, visando à construção de uma nova 
ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero. Na contemporaneidade, 
o Serviço Social vem traçando um fazer profissional na formulação de propostas criativas frente 
às expressões da questão social. Sobre o Serviço Social na contemporaneidade, Iamamoto (2005, 
p. 75) afirma:
O desafio é redescobrir alternativas e possibilidades para o trabalho 
profissional no cenário atual; traçar horizontes para a formulação de 
propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com 
o modo de vida daqueles que a vivenciam, não só como vítimas, mas 
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como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida, da sua 
humanidade. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho 
profissional contemporâneo.
Na sociedade vigente, o assistente social necessita estar revestido do conhecimento teórico e 
metodológico para conseguir decifrar a realidade na qual está inserido, somente assim poderá intervir 
de forma propositiva e criativa numa perspectiva emancipatória dos usuários da profissão, visando à 
transformação social.
Para contribuir na construção de uma nova ordem societária, mais justa e equânime, a atuação 
do assistente social é norteada pelo Código de Ética do assistente social, o qual orienta os rumos 
ético-políticos do fazer profissional.
O desafio para o assistente social é materializar os princípios fundamentais do Código de Ética no 
cotidiano da prática profissional.
5.4.2 Código de Ética de 1993: algumas considerações
O Código de Ética do assistente social de 1993 com seus valores ético-políticos direciona a identidade 
profissional do assistente social na luta pela defesa dos direitos humanos. Essa luta se dá na relação 
entre o público e o privado, isto é, entre as instituições públicas e privadase o “desafio é transformar 
espaços de trabalho, especialmente estatais, em espaços de fato públicos, alargando as possibilidades de 
apropriação da coisa pública por parte da coletividade” (IAMAMOTO, 2005, p. 79).
O Código de Ética fornece respaldo jurídico à profissão e se constitui como referência ético-política 
para o assistente social. Estabelece um conjunto de regras jurídico-legais para a atuação profissional, 
traduzidos em forma de artigos.
Os artigos são, portanto, dotados da capacidade seja de orientar as melhores 
escolhas seja de detectar e combater as infrações à ética profissional. A partir 
daí, tais infrações tornam-se passíveis de denúncia por qualquer pessoa 
que se sinta lesada em seus direitos, decorrente da atuação profissional do 
assistente social e, portanto, de ser alvo da apreciação e ação dos órgãos 
fiscalizadores da categoria, os Conselhos Regionais de Serviço Social – 
CRESS (PAIVA; SALES, 2000, p. 180).
O Código de Ética cita onze princípios fundamentais que materializam o Projeto Ético-Político do 
Serviço Social e os compromissos ético-profissionais do assistente social com os usuários da profissão. Os 
princípios perpassam os artigos e as alíneas do Código e se configuram ao longo dos títulos e capítulos. 
Sua estrutura é composta de quatro títulos. O primeiro trata das disposições gerais sobre a 
competência do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS. O título II se reporta aos direitos e às 
responsabilidades gerais do assistente social. No título III, abordam-se as relações profissionais do 
assistente social com os usuários, com as instituições empregadoras, com outros profissionais, com 
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entidades da categoria e demais organizações da sociedade civil. Além disso, refere-se ao sigilo 
profissional e às relações do assistente social com a justiça. O título IV trata da observância, das 
penalidades, da aplicação e do cumprimento do Código de Ética.
O Código de Ética do assistente social de 1993 nos seus quatro títulos é composto por seis capítulos 
e trinta e seis artigos que asseguram os direitos do assistente social, bem como estabelecem os seus 
deveres profissionais. Defende muito mais os interesses dos usuários do Serviço Social do que os 
interesses do assistente social, por isso se constitui como um Código peculiar na história das profissões 
liberais.
5.4.3 Princípios Fundamentais do Código de Ética de 1993
Os princípios fundamentais do Código de Ética de 1993 se articulam complementam entre si para 
nortear os caminhos a serem percorridos pelo assistente social na sua atuação profissional, a partir dos 
compromissos assumidos pela categoria com os usuários do Serviço Social. Iremos agora apresentar os 
onze princípios do Código de Ética trazendo algumas considerações sobre cada um deles.
• 1º Princípio: reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela 
inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais.
Esse princípio solicita que se tenha a compreensão, no exercício do Serviço Social, de que a 
necessidade da liberdade não pode suplantar o ideal da igualdade. Não se trata de uma concepção de 
liberdade como está presente no Liberalismo, que a percebe apenas como livre arbítrio ou que coincide 
com o individualismo. Não é possível reduzir a liberdade ao estrito âmbito das decisões individuais, pois 
a experiência da liberdade se constitui como uma construção coletiva.
O conceito de liberdade que referencia o Código de Ética dos assistentes sociais exige a sua própria 
redefinição, apontando para uma nova direção social, que tenha o indivíduo como fonte de valor, mas dentro 
da perspectiva de que a plena realização da liberdade de cada um requer a plena realização de todos. Para 
tanto, é preciso garantir as demandas que a ela se vinculam: autonomia, emancipação, e plena expansão 
dos indivíduos sociais. Esse projeto de realização da liberdade, contudo, é colidente com a dinâmica social 
capitalista, que em si é limitadora da liberdade, quase sempre reduzida aos seus termos formais e jurídicos.
Embasado nessa noção de liberdade, o Código de 1993 opera o resgate da dimensão do indivíduo 
como sujeito com direito à liberdade. Quando se opta pela caracterização dos indivíduos sociais, 
estamos expressando uma concepção mais ampla de indivíduo que se deseja construir, com a qual 
estamos comprometidos: a cada um, segundo as suas necessidades e de cada um, segundo as suas 
possibilidades, como analisa Marx (1985). Daí o claro posicionamento em favor da construção de 
uma nova sociedade.
Agora, de que maneira a liberdade emerge como um problema no cotidiano do profissional? Ela 
pode, por exemplo, se colocar como um fosso intransponível entre o nosso desejo de transformação 
e as condições objetivas que envolvem o fazer profissional. Sentimo-nos, então, diante da ausência 
de liberdade, atados ora pela impotência e pela resignação, ora pela visão fatalista e determinista das 
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circunstâncias. Essa postura, fruto da inércia conformada no interior do sujeito, no caso o assistente 
social, é qualificada por Chauí (1994, p. 357) como uma situação em “[...] que diante da adversidade, 
renunciamos a enfrentá-la, fazemo-nos cúmplices dela e isso é o pior. Pior é a renúncia da liberdade”. 
Portanto, face ao dilema da liberdade, podem-se afigurar caminhos mistificadores: seja o da submissão 
passiva, de que “nada podemos fazer”, seja a atitude ilusória da liberdade absoluta, em que é possível 
“fazer tudo” e em qualquer direção.
O assistente social comprometido com a construção e difusão da liberdade não sucumbe a 
esse “vão combate”, mas faz da necessidade o campo da criação e do sonho da liberdade como 
realidade. Isto significa que o profissional aposta e é capaz de empreender a sua ação como uma 
“[...] unidade entre a autonomia e direção” (RIOS, 1993, p. 62) interpretada como e pelo projeto 
político-profissional. 
Assim, o exercício do Serviço Social só é compreendido nessa perspectiva, da reinvenção do cotidiano, 
da iniciativa, fruto da crítica social e do dimensionamento das estratégias político-profissionais, a exigir 
uma delicada sintonia entre o saber técnico e a competência política.
Reforçando o conceito de liberdade, para Paiva e Sales (2000), o referido conceito defendido pelo 
Código de Ética se refere ao indivíduo enquanto sujeito com direito à liberdade, contrário à liberdade 
defendida pelo sistema capitalista, a qual diz respeito ao livre-arbítrio e ao individualismo. No modo 
de produção capitalista, o indivíduo é livre para usufruir de todas as oportunidades e possibilidades 
oferecidas pelo Estado. O sucesso e o fracasso com o trabalho são atribuídos ao indivíduo. O sistema se 
abstém de qualquer responsabilidade.
A liberdade referendada pelo Código de Ética faz menção ao “indivíduo como fonte de valor, mas 
dentro da perspectiva de que a plena realização da liberdade de cada um requer a plena realização de 
todos” (PAIVA; SALES, 2000, p. 182). A liberdade deve ser regida pela autonomia dos indivíduos sociais, 
conforme estabelece o Código de Ética. 
• 2º Princípio: defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo.
Esse princípio, formulado nestes termos pela primeira vez num Código de Ética dos assistentes 
aociais, alerta para o fato de que os assistentes sociais, sobretudo da segunda metade dos anos 1970 
até hoje, vêm se posicionando contra todo tipo de abuso de autoridade, torturas, violência doméstica, 
grupos de extermínio; isto é, vêm demonstrando historicamente a sua firme vinculação à luta em favor 
dos direitos humanos. 
Tal formulaçãose estabelece, pois, como uma exigência imprescindível para a consecução dos 
nossos valores éticos, uma vez que sua violação contraria os postulados básicos da humanização e 
sociabilidade igualitária. Estamos cientes de que o Brasil, há muito tempo, está sendo avassalado por 
práticas de crueldade, típico de um contexto de “barbárie civilizada”, cometidas por autoridades policiais 
(anteriormente, militares também), traficantes e até pela própria população, que, em desespero, vem 
executando a “justiça” com as próprias mãos, configurando situações bastante avessas à vigência dos 
direitos humanos. Por mais que a indignação e a revolta façam parte da experiência ética, elas não 
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podem ser exercidas com esse nível de arbítrio, ou seja, apenas a violência como resposta à violência. 
Deixa-se, com isso, de aliar a razão ao humanismo e o que predomina, então, é o irracionalismo e o 
terror, o que não têm nada a ver com essa perspectiva.
O desemprego, a fome, a carência de educação digna e a morosidade do judiciário, a impunidade 
generalizada, a falta de horizontes, enfim, concorrem para o embotamento das consciências e o 
embrutecimento dos indivíduos. Perante este quadro de crise social e ética, em que sobressai a 
imoralidade consentida e incentivada para alguns, delineia-se o retrato mesquinho de uma nação cuja 
elite apodreceu e arrasta tudo e todos para dilemas sórdidos: “a bolsa ou a vida”, ou “sem bolsa nada de 
vida”. Ainda segundo Costa (1994, p. 99), “[...] quem pode prever (numa realidade destas) o que se torna 
necessário para defender o valor da vida?”.
Não há como desvincular o aprofundamento da desigualdade e a degradação das condições de vida 
das múltiplas expressões que a violência assume na nossa sociedade, hoje sob a égide do neoliberalismo: 
hostilidades étnicas e regionais, particularismos e exacerbação do individualismo, entre outras tensões 
e contradições objetivas e intersubjetivas.
A possibilidade de romper com esse conservadorismo, justificador da desigualdade, acena para uma 
permanente crítica e autocrítica aos comportamentos e pensamentos reprodutores do paradigma da 
crueldade e da desumanização. Trata-se de empreendermos uma recusa e um combate nos espaços 
institucionais e nas relações cotidianas, diante de todas as situações que ferem a integridade dos 
indivíduos e que os submetem ao sofrimento, à dor física e à humilhação. Como contraponto 
a essa lógica da perversidade e da omissão, os assistentes sociais devem se imbuir, pelo que o 
Código de Ética sinaliza, de um espírito e de uma postura assentados numa cultura humanística e 
essencialmente democrática.
Entretanto, o território da luta em prol dos direitos humanos mostra-se deveras desafiador e, por 
vezes, ameaçador. Neste sentido, não podemos subestimar o fato de que a coragem aqui é uma virtude 
e uma aliada imprescindível, pois o conhecimento em si não é dissipador dos medos, ao contrário. 
Embora a premência desse agir ousado e corajoso não se configure em todas as situações aflitivas, 
nem o tempo todo, é preciso que o assistente social esteja atento e forte para enfrentá-las, dominá-las 
e, quiçá, superá-las, como almejamos. Com certeza, o Código de Ética constitui-se, neste tipo de luta, 
como um instrumento que oferece respaldo às decisões e atitudes profissionais, balizando-as com 
critérios éticos, o que já é um passo importante.
Este princípio deixa explícito o posicionamento da categoria profissional na luta em prol da defesa 
dos direitos humanos e da recusa de toda forma de dominação, autoritarismo, violência, exploração, 
opressão e crueldade contra a pessoa humana. Paiva e Sales (2000, p. 185) especificam que:
[...] trata-se de empreendermos uma recusa e um combate nos espaços 
institucionais e nas relações cotidianas, diante de todas as situações que 
ferem a integridade dos indivíduos e que os submetem ao sofrimento, à 
dor física e à humilhação. Como contraponto a essa lógica da perversidade 
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e da omissão, os assistentes sociais devem se imbuir pelo Código de Ética 
de um espírito e de uma postura assentados numa cultura humanística e 
essencialmente democrática.
O assistente social deve orientar os usuários do Serviço Social sobre os seus direitos e buscar 
alternativas e possibilidades de atendimento para que esses direitos sejam garantidos e efetivados de 
fato, pois sabemos que eles estão assegurados em leis. No entanto, precisam alcançar os cidadãos, como 
forma de proteção e promoção social.
• 3º Princípio: ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda 
sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras.
Este é um princípio de presença vital no projeto ético-político do Serviço Social, na medida em 
que temos a particularidade de atuar no espaço de viabilização de direitos. Estamos à frente de 
políticas sociais, programas institucionais, benefícios e, também, realizando atividades que vão desde o 
planejamento até o atendimento individual. 
A plena realização da cidadania se identifica, pois, com o projeto societário com o qual estamos 
comprometidos. Daí porque não podemos nos restringir à referência de cidadania posta pelos parâmetros 
da ordem civil e política liberal, que é aquela que se contenta com um limite mínimo (precaríssimo) para 
a satisfação das necessidades básicas dos indivíduos, principalmente no que tange aos trabalhadores. Os 
assistentes sociais não têm que se orientar por esse limite, e, sim, lutar para que o nível de possibilidade de 
atendimento das necessidades dos trabalhadores e dos usuários do Serviço Social seja amplo, ambicionando 
a contemplação integral dos direitos sociais, e não aquela cidadania que se esgota nas cestas básicas, na 
entrega do leite, ou simplesmente num vale. Não que esses benefícios não sejam considerados importantes. 
Temos, inclusive, como categoria profissional, protagonizado toda uma luta e defesa da assistência social 
como política pública, porém não a pleiteamos descontextualizada das demais políticas sociais.
Comprometermo-nos com a cidadania implica apreendê-la na sua real significação, o que 
seguramente exige a ultrapassagem da orientação civil e política imposta pelo pensamento liberal, e, 
como tal, a superação dos limites engendrados pela reprodução das relações sociais no capitalismo. 
A cidadania, de acordo com a nova acepção ético-política proposta, consiste na universalização dos 
direitos sociais, políticos e civis, pré-requisitos estes fundamentais à sua realização.
São muitos os impasses e as dificuldades que perpassam o dia a dia da prática profissional: 
precariedade de recursos, aviltamento das condições de trabalho, rebaixamento salarial, entraves 
institucionais, projetos e programas intermitentes e à mercê da política governamental. Com isso, somos 
conclamados constantemente a reafirmar e consolidar os objetivos do Serviço Social, na certeza de 
que a consecução dos compromissos e direitos é oportunizada pela história (sempre dialética) de luta 
e conquistas dos trabalhadores.
Então, qual a contribuição que se espera dos assistentes sociais? O terreno onde se inscreve a 
luta pela ampliação e defesa dos direitos de cidadania é prenhe de conflitos e estes se apresentam 
como matéria mesma da nossa intervenção. A mediação exercida pelo profissional, na tensão entre 
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a universalização de direitos e os limites econômicos decretados pela lógica da lucratividade, exige 
o trabalho politicamenteengajado na potencialização das reivindicações e interesses presentes nos 
conflitos, de forma a estabelecê-los como direitos. Assim, o cotidiano institucional, viabilização do 
acesso a benefícios, triagem, plantões etc., marcado por pressões desta natureza, solicita ao profissional, 
com frequência, a produção de estratégias teórico-metodológicas e políticas, que não devem se 
distanciar dos fins e princípios éticos. As respostas a serem construídas em meio à imediaticidade destas 
demandas, imprescindíveis e inadiáveis, não podem, contudo, se resumir ao enfrentamento de fatos 
isolados, estanques ou absolutizados. Isto quer dizer que, à consciência da importância da intervenção 
nos problemas engendrados neste dinamismo, não deve seguir a subestimação e/ou negação dos 
projetos coletivos de médio ou longo prazo, a exemplo do que indicam os princípios do Código.
Nota-se que esse princípio expõe ao assistente social que ele é um profissional que atua no espaço 
de viabilização de direitos, intervindo nas políticas públicas sociais, em programas institucionais e na 
prestação de benefícios aos usuários da profissão. Sua atuação deve primar pela ampliação e consolidação 
da cidadania. Paiva e Sales (2000, p. 187) acrescentam que: 
[...] o compromisso com a cidadania implica apreendê-la na sua real 
significação, o que seguramente exige a ultrapassagem da orientação civil 
e política imposta pelo pensamento liberal e, como tal, a superação dos 
limites engendrados pela reprodução das relações sociais no capitalismo. A 
cidadania, de acordo com a nova acepção ético-política proposta, consiste 
na universalização dos direitos sociais, políticos e civis, pré-requisito este 
fundamental à sua realização. 
O assistente social, enquanto profissional criativo e propositivo, deve constantemente buscar 
estratégias teórico-metodológicas e políticas para viabilizar o acesso do cidadão aos bens e serviços 
oferecidos pelas instituições públicas.
Para contribuir na universalização dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras, o 
assistente social tem que ultrapassar os entraves e limites impostos pela burocracia das instituições 
públicas. A prestação de serviços deve possibilitar aos usuários a garantia de seus direitos que são 
assegurados em leis vigentes no país. Acredita-se que, só por meio da efetivação dos direitos, os 
indivíduos poderão usufruir da plena cidadania.
• 4º Princípio: Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação 
política e da riqueza socialmente produzida.
Intimamente ligada à defesa da cidadania, a concepção de democracia preconizada pela categoria 
aponta para a necessidade de socialização da riqueza e distribuição de renda. Para além da democracia 
política, consentida e tolerada pela ordem liberal burguesa, a democracia que queremos reclama 
igualdade de acesso e oportunidades para que todos os indivíduos tenham direito a um trabalho e 
existência dignos, a condições de moradia, saúde, educação, lazer e cultura. Estamos questionando a 
lógica do capitalismo e entendemos que a democracia constitui o único sistema de organização política 
capaz de favorecer a expressão da liberdade, da equidade e da justiça.
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O atual cenário político, alinhado aos ditames do neoliberalismo, tem revelado estéreis e perversas 
medidas que penalizam a maioria da população, como cortes nos gastos sociais, desregulamentação dos 
direitos sociais e trabalhistas etc. Tal quadro anuncia os desafios societários que se avolumam em face 
do enraizamento de um modelo que exacerba as contradições entre a ética e a economia.
Tal como os demais princípios, a reinvenção da democracia se situa também como parâmetro 
das relações interprofissionais. Está relativamente subordinada, portanto, à intencionalidade e ao 
compromisso dos agentes singulares. O assistente social deve assumir, junto à classe trabalhadora, 
o compromisso de defender a democracia a partir da viabilização da participação política dos 
usuários nos espaços de debate e decisões institucionais. Dessa forma, Paiva e Sales (2000, p. 190) 
acrescentam que:
[...] no âmbito da relação que se estabelece entre o assistente social e o 
usuário, ser democrático significa romper com as práticas tradicionais de 
controle, tutela e subalternização. E mais, contribuir para o alargamento dos 
canais de participação dos usuários nas decisões institucionais entre outras 
coisas, por meio de ampla socialização de informações sobre os direitos 
sociais e serviços. 
Nota-se que este princípio diz respeito à necessidade de socialização da riqueza socialmente 
produzida no país e da participação política dos trabalhadores nas decisões institucionais. Diante desse 
princípio, importa relembrar que vivemos em uma sociedade regida por um modo de produção com 
interesse maior na cumulação de lucro e riquezas. Assim, beneficia-se uma classe que, apesar de ser 
minoria, detém todos os meios de produção e explora outra que, apesar de ser maioria, só detém a sua 
força de trabalho para sobreviver.
A categoria profissional dos assistentes sociais, por meio do Código de Ética de 1993, posiciona-
se radicalmente em favor dos interesses da classe trabalhadora e contra os ditames do capitalismo, 
repudiando toda forma de exploração e exclusão social.
• 5º Princípio: posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade 
de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão 
democrática.
A justiça social fala da necessidade imperiosa de se atribuir a cada um o que é seu, no sentido 
do respeito à igualdade de direitos e aos indivíduos. Ela tenta corrigir as insuficiências e problemas 
decorrentes do modo dos homens se organizarem e produzirem a sua própria vida. Logo, numa sociedade 
como a capitalista, a justiça figura sempre como um ideal a ser perseguido, cuja objetividade se assenta, 
de um lado, sobre a legalidade, com todo o seu signo controverso, e, de outro, sobre a igualdade.
A justiça, tal como a democracia e a liberdade, pressupõe a dignidade de cada um e os direitos 
do outro; solicita, por conseguinte, a reciprocidade e a equivalência, a partir do reconhecimento da 
igualdade dos homens entre si.
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Não se trata, portanto, de direitos naturalmente adquiridos ou assegurados, mas de frutos do 
amadurecimento de uma consciência coletiva e da intensa mobilização política em prol da equidade, 
apesar das diferenças e desigualdade de fato.
Embora marcados por um conteúdo fortemente utópico, estes princípios constituem valores 
essenciais ao nosso compromisso ético, imbricados que estão com a realização da democracia e da 
liberdade. A defesa da equidade e da justiça social funciona, pois, como signo da luta pelo efetivo 
processo de democratização do acesso e usufruto dos serviços sociais. Ao par desta referência e medida 
fundamentais, a ação profissional se põe por inteiro a serviço do compromisso com a universalidade de 
direitos e de alcance das conquistas e riquezas sociais.
É necessário insistir na questão da universalidade, porque os assistentes sociais precisam fortalecer, 
cada vez mais, junto aos usuários, o entendimento de que eles têm direito ao franco trânsito e alcance 
em termos dos programas e das políticas, enquanto uma primeira forma de viabilizar a distribuição de 
riquezas produzidas no seio da sociedade capitalista. É bem verdade que, historicamente, o assistente 
social foi, muitas vezes, contratado para empreender rígida seleção de quem é mais necessitado: os 
carentes, dentre os mais carentes. Havia sempre uma elegibilidade com a construçãode critérios, 
beirando o artificialismo, de mensuração dos níveis de pobreza e exclusão.
Estamos na mediação das políticas sociais, entretanto não é nosso papel difundir esse tipo de 
concepção restritiva ou ainda acatar essa lógica que preside a distribuição dos benefícios e dos programas. 
Nós, assistentes sociais, temos, sim, que apoiar a sociedade civil na sua luta em prol da universalidade 
de acesso ao atendimento e à cobertura social nas áreas da saúde, previdência, assistência, educação, 
moradia e trabalho. 
De modo distinto do que tradicionalmente se espera e do que se solicita ao Serviço Social, cabe-nos, 
no processo de implementação dos programas e políticas sociais, contribuir para a radical democratização 
dos critérios de elegibilidade como estratégia de inclusão de um número sempre crescente de cidadãos 
nas frações do patrimônio econômico-social, coletivamente erigido.
Neste contexto, o assistente social, enquanto um dos agentes impulsionadores de mudanças no 
plano das relações sociais e de poder na esfera institucional, deve mobilizar sua potência ético-política 
e profissional na direção da justiça e da equidade, contudo sem falsas ilusões ou amargos ceticismos. 
Conclui-se que o assistente social, com este princípio, deve assumir o compromisso de lutar por uma 
sociedade na qual prevaleça a equidade e justiça social. Por meio das políticas sociais, o profissional 
contribui para a distribuição das riquezas socialmente produzidas na sociedade capitalista. O papel do 
assistente social é democratizar o acesso dos usuários aos serviços sociais oferecidos e assim “a ação 
profissional se põe por inteiro a serviço do compromisso com a universalidade de direitos e o alcance 
das conquistas e riquezas sociais” (PAIVA; SALES, 2000, p. 191).
• 6º Princípio: empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito 
à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças.
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Esse princípio é muito instigante e totalmente novo em relação aos Códigos que o precederam. 
Primeiro, porque ele vai resgatar a dimensão privada e individual da experiência ética, já comentada 
acerca do princípio da liberdade, reconhecendo e valorizando os direitos e preferências individuais dos 
assistentes sociais e usuários. Depois, porque fica muito claro que o assistente social trabalha numa 
esfera onde o confronto de valores culturais e sociais está presente: na relação com o usuário, com 
outros profissionais e entre os próprios assistentes sociais.
Essa temática é de grande centralidade na discussão da ética, possuindo aí um lugar especial, seja 
pela intensidade das polêmicas que desperta, seja pela delicadeza que reclama para o seu fiel tratamento 
valorativo.
Devemos, então, indagar: como podemos nos opor eticamente ao problema do preconceito e da 
discriminação? O arcabouço filosófico e político detalhado nas argumentações anteriores, concernentes 
aos princípios da liberdade, igualdade, democracia, justiça e cidadania, conforma o caldo de cultura 
essencial à batalha ideológica levada à frente pelas classes trabalhadoras como parte do secular esforço 
civilizatório de humanização. 
Dentro disso, cabe explicitar, mais uma vez, que a ética é engendrada historicamente e determinada 
pela cultura, sendo aquele seu feixe de valores produto da luta pela afirmação da condição humana. A 
realização gradual e contínua da humanidade se expressa sob o signo da genericidade — materializada 
em exigências sociais, ideias, instituições etc., que foram construídas coletivamente e que também 
foram capazes de atravessar diferentes épocas e sociedades, mantendo-se viva e válida a sua capacidade 
valorativa e emancipadora para os indivíduos. 
Entretanto, no tempo presente em que se faz a história, no cotidiano de uma comunidade concreta, 
como no caso da sociedade capitalista, é preciso distinguir, dentre os vários projetos societários, aquele 
que realiza mais e melhores valores. No decurso do processo histórico do último século, as classes 
trabalhadoras, por meio de seus movimentos e de uma militância consciente, vêm se empenhando no 
sentido de democratizar o produto social e de instituir a ética, de fato, como uma práxis. Como diz Heller 
(1989, p. 121), a ética “[...] não pode existir sem uma realização prática, sem se realizar na prática de 
algum modo”.
Os indivíduos, em face disto, como integrantes dos grupos e classes sociais, ao mesmo tempo em 
que são seus produtores, se reapropriam dos conteúdos ético-culturais, traduzidos em normas, regras, 
conceitos, pré-noções etc., resignificando-os continuamente, com o que se estabelece como uma 
interação dialética entre indivíduo e sociedade.
Para o bem e para o mal, como se vê, a cultura é a morada da ética. Convém, então, ter em mente 
que os indivíduos se movem a partir tanto da moral constituída a priori, repassada através das tradições 
e costumes, quanto da construção de novos valores decorrentes do posicionamento crítico e da 
intervenção consciente do indivíduo na realidade. Das ”certezas” adquiridas inicialmente, o indivíduo 
pode ser levado a reproduzir, de maneira acrítica, noções e convicções por toda a vida, ou pode ser 
surpreendido e despertado “[...] pelo plano trágico da dúvida e da responsabilidade” (GARAUDY, 1982, p. 
8), um momento ímpar da subjetivação ética.
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Sabemos que o preconceito é uma das expressões do pensamento cotidiano, marcado por repetições, 
rotinas e pela rigidez do modo de vida. É, neste caso, um pensamento fixado na experiência, empírico 
e ultrageneralizador, que se manifesta na forma de estereótipos, analogias e simplificações, ou seja, 
são juízos provisórios. Na acepção de Heller (1985, p. 47), “[...] juízos provisórios, refutados pela ciência 
e por uma experiência cuidadosamente analisada, mas que se conservam inabalados contra todos os 
argumentos da razão, são preconceitos”. 
Perceba que a autora chama a atenção ainda para um aspecto emblemático deste fenômeno, qual 
seja o fato dos indivíduos possuírem uma “fixação afetiva no preconceito”, assim como uma espécie de 
fé. Portanto, sinaliza para a desinformação, ignorância e irracionalismo presentes no comportamento 
preconceituoso, os quais contribuem para tolher a autonomia do indivíduo, por estreitarem as suas 
possibilidades e alternativas reais de escolha.
Não ceder aos argumentos ”fáceis” e preconcebidos é uma das primeiras atitudes do sujeito consciente 
no embate contra os preconceitos. Outro anteparo nessa luta é a construção de uma confiança em 
ideais e convicções que ultrapassem a nossa particularidade individual e, consequentemente, nossos 
interesses egoísticos; e, também, na capacidade do conhecimento e da experiência refutar ideias que 
outrora acalentamos.
Só poderemos nos libertar dos preconceitos se assumirmos corajosamente o contínuo processo de 
desalienação, o que equivale na formulação de Gramsci à superação do senso comum: inicialmente, 
como bom senso e, por fim, como práxis libertária. Assim, o contraponto ao preconceito dá-se por meio 
do resgate da ética na perspectiva da afirmação dos indivíduos sociais como sujeitos livres, críticos e 
criativos, porque “[...] sem um ideal que caucione a vida social, o homem se torna um ente que viaja na 
escuridão” (COSTA, 1994, p. 13).
A noção de direito, nesse conflitante campo das diferenças, precisa ser lucidamente revigorada como 
ideal ético, pois são inúmeras as tentativas de cindir o homem em sua porção de natureza e cultura, 
no intuito de justificar a hierarquização dos indivíduos e a sua desigualdade, com base em traços e 
característicasbiológicas e sociais. Parte das condutas movidas pela discriminação e pelo preconceito 
pretende fundamentar sua razão de ser e de se exceder, alegando uma justificativa naturalizadora. 
Tais tentativas propõem-se, em outras palavras, a absolutizar os determinismos e particularismos, 
étnicos, religiosos, sexuais, econômicos etc., em detrimento de uma ética definida coletivamente e que 
objetiva assentar o convívio humano sobre o respeito, a dignidade e a liberdade.
Em tese, o assistente social é um profissional privilegiado nessa empreitada, por conta da natureza 
sociopolítica da sua ação e, sobretudo, pelo cabedal de conhecimentos reunidos no processo de formação. 
Se o cotidiano profissional é, por um lado, entrecortado por uma série de dilemas e angústias, por outro 
é passível de ser iluminado pela reflexão e reinvenção integrantes do debate da ética na profissão.
O fato de lidarmos com a efetivação de uma prática social torna premente o nosso dever de 
exercitar e suscitar a tolerância e o respeito diante do outro e das diferenças, requisitos fundamentais 
para o amadurecimento da democracia e da liberdade. Imputamos, assim, um alto valor ético a esta 
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postura profissional, mesmo sabedor de que, infelizmente, o preconceito é impossível de ser banido 
na sua totalidade. 
Todavia, não se trata, de maneira alguma, de invocar a neutralidade, mas, sim, de preconizar 
o respeito à diferença e ao outro, o que é completamente distinto. Há que se ressaltar, nesse 
caso, a importância da isenção, como atributo técnico-profissional necessário e condizente 
com a nossa atividade, uma vez que contribui para a mediação e regulação de circunstâncias e 
acontecimentos marcados por conflitos e tensões desta natureza, no contexto do processo de 
trabalho do assistente social.
De acordo com o princípio em foco, cabe-nos, enquanto profissionais imbuídos de razão, esta 
assentada em conhecimentos teórico-práticos e compromissos éticos, formular estratégias de ação com 
vistas a contribuir para a desalienação dos diferentes atores com os quais contracenamos no espaço 
institucional. Igualmente, é dever do profissional de Serviço Social incentivar o respeito à diversidade, a 
participação dos grupos discriminados e a explicitação e o debate das diferenças. Esta é uma das mais 
importantes parcelas que nos compete como profissionais e cidadãos na construção de uma cultura 
humanista, democrática e plural.
Nota-se que, com esse princípio, o assistente social deve assumir uma postura crítica de repúdio 
contra toda forma de preconceito na construção de uma cultura social, na qual se prime pelo respeito 
às diversidades e diferenças na defesa e valorização das preferências individuais dos sujeitos sociais. Isso 
significa, asseveram Paiva e Sales (2000, p. 196), que:
[...] não se deve, portanto, no fazer profissional, atuar com parâmetros e 
crivos meramente pessoais, muitas vezes balizados por valores religiosos, 
morais e pré-noções conflitantes com o universo ético-profissional.
O assistente social deve atuar visando à construção de uma sociedade mais humana e democrática, 
na qual o respeito às diferenças seja uma realidade de fato e que, ainda, seja garantida a participação 
dos grupos nos espaços de discussão e debate acerca das diferenças sociais.
• 7º Princípio: garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas 
existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual.
Este princípio vem coroar um profícuo debate que foi gestado e acumulado, nos anos de 1980, 
no âmbito do Serviço Social, do qual participaram diferentes linhas de pensamento que estavam 
em disputa pela hegemonia quanto à orientação e direção social do projeto político-profissional 
do assistente social. Essa discussão é assaz rica e certamente desborda a esfera das profissões. 
Atualmente, por exemplo, a questão do pluralismo também está presente no debate dos 
movimentos sociais e da política. 
No que diz respeito à polêmica interna do Serviço Social, é preciso deixar claro que pluralismo não 
significa que todas as posições teóricas e político-profissionais se equivalem. 
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Este princípio refere-se ao respeito às correntes teóricas e às diferentes linhas de pensamento que 
circulam no Serviço Social. A categoria profissional opta pela corrente teórica que, a seu ver, consegue 
explicar a realidade social com suas demandas e desafios. Paiva e Sales (2000, p. 197) sublinham que:
Todas têm direito a uma expressão teórica e política, na qual se deve 
garantir o máximo de condições de liberdade de crítica e de discussão; no 
entanto, essas concepções terão uma repercussão e influência diferenciadas 
na própria categoria. 
A superação do mito da neutralidade traz no seu bojo a desmistificação da homogeneidade e da 
harmonia no terreno do debate de ideias. A constatação inequívoca da legitimidade da disputa, que ora 
defendemos, se contrapõe à atitude hesitante e fugidia dos que não trabalham bem a divergência e que, 
outrora, se escudavam atrás daquele mito. Evidentemente que o confronto de opiniões, a explicitação 
dos argumentos e a convivência com as concepções alheias não se confundem com agressividade, perda 
da polidez e intolerância.
As ideias e as posições políticas é que devem ser combatidas e não as pessoas. Também não podemos 
confundir debate com rivalidades pessoais. Tratam-se apenas de pessoas que divergem e não de 
inimigos. Uma compreensão distorcida desse processo só leva à cristalização de posturas imobilizadoras, 
bloqueando o fluxo de ideias e a troca de experiências. A perpetuação desse jogo cego, movido mais 
pelas paixões e preconceitos do que pela razão, é incompatível com os princípios do Código de Ética do 
assistente social, os ideais de liberdade, democracia e igualdade, por exemplo. 
Defende-se, ainda, uma concepção do pluralismo com hegemonia, o que é diferente de supremacia: 
quando a predominância de determinada posição teórico-prática não admite controvérsias, nem o fluxo 
da polêmica, não admite também o debate.
Ainda com relação ao pluralismo, ressalta-se que este supõe uma convivência respeitosa e produtiva 
entre todas as correntes que circulam no Serviço Social. Contudo, não se pode desejar, sob pena de 
frustração, que essa convivência seja isenta de tensões e conflitos; ou seja, vão continuar a existir 
polêmicas e momentos de acirramento, entretanto, o que não se pode perder de vista, dentro dessa 
atitude plural, é o respeito às várias orientações democráticas.
 Conclui-se que o Assistente social deve assumir o compromisso de se revestir constantemente de 
aprimoramento teórico, técnico e metodológico para intervir de forma propositiva e contribuir para a 
transformação social e emancipação dos usuários do Serviço Social.
• 8º Princípio: opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova 
ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero.
A categoria dos assistentes sociais selou seu compromisso ético-político referenciando-se nos ideais 
igualitários e libertários, pertencentes ao horizonte das lutas sociais dos trabalhadores. O sonho da 
democracia a ser consolidado, sobretudo pelo enfrentamento real da desigualdade, mantém-se atento 
à agenda de proposições que os movimentos sociais vêm construindo.
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Dentro disso, o eixo do projeto político-profissional tem sido a defesa das políticas públicas e da 
qualidade dos serviços prestados à população,na perspectiva da garantia da efetivação dos direitos 
sociais, onde sobressai a nossa militância política junto a várias entidades e atores da sociedade civil. Isto 
revela o adensamento do compromisso da categoria de assistentes sociais para com as necessidades e 
prioridades sociais, demarcadas pela luta dos segmentos populares no Brasil.
Enquanto categoria politizada, assumimos o posicionamento crítico frente a esse paradigma 
econômico-social privatizante e perverso, que busca dar uma sobrevida ao capitalismo após a crise 
da década de 1970, e à necessidade de compreensão do significado das largas mudanças no mundo 
do trabalho. Definimos também o apoio às lutas coletivas gerais dos trabalhadores como uma de 
nossas prioridades. O desdobramento dessa articulação prevista no Código de Ética se expressa hoje 
na intensificação da participação nos fóruns de discussão, formulação e controle social das políticas 
públicas. Este é um exemplo de investimento e reforço nos espaços propositivos e reivindicatórios 
delineados na pauta de defesa da cidadania em meio à luta democrática do país.
Esse giro ético-cultural propicia ao assistente social — na relação direta com os usuários e grupos, 
no trabalho com comunidades, na formulação de programas e políticas sociais —, valiosos elementos e 
subsídios que reafirmam a sua qualificação e contribuição como profissional legitimado para o trabalho 
e luta no campo da defesa e ampliação dos direitos de cidadania.
Por meio desse princípio, a categoria profissional dos assistentes sociais deve se posicionar 
contundentemente a favor da construção de uma nova ordem societária a partir do enfrentamento da 
desigualdade social que marca a vida em sociedade na contemporaneidade.
Dessa forma, os assistentes sociais assumem uma postura de luta por igualdade e justiça 
social, por uma sociedade pautada em princípios democráticos sem dominação e exploração de 
uma classe sobre a outra. Assim, a categoria profissional assume o compromisso “[...] por uma 
concepção de sociedade que preconiza o fim da dominação ou exploração de classe, etnia e 
gênero” (PAIVA; SALES, 2000, p. 201).
• 9º Princípio: articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos 
princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores.
O conteúdo da ética profissional dos assistentes sociais está efetivamente conectado às demandas 
postas no dia a dia institucional, e às prioridades ético-políticas da sociedade brasileira em geral. São 
necessidades profissionais que dizem respeito ao acesso a condições de trabalho condignas no âmbito 
da luta pela universalização das políticas sociais. 
Este princípio afirma o posicionamento da categoria profissional em favor da luta geral dos 
trabalhadores, assumida na década de 1980, quando, no 8º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais 
(CBAS), os profissionais presentes se posicionam contra todas as formas de exploração impostas aos 
trabalhadores. Para isso, defende-se a articulação dos assistentes sociais com os movimentos sociais e 
outras categorias profissionais que defendem a causa dos trabalhadores.
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• 10º Princípio: compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o 
aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional. 
A categoria, nos últimos vinte anos, conseguiu investir na reflexão e produção de um saber e de 
uma prática críticos, sintonizando-se com a história de lutas e com as prioridades sociais da população 
brasileira, o que impede, hoje, qualquer demonstração de alheamento em termos das atitudes 
profissionais.
Assim, vem se efetivando uma aposta cada vez maior na relação entre técnica, política e ética, 
como condição mesma da proficiência, no caso, de uma profissão como a de Serviço Social, a qual está 
inserida no âmago dos conflitos das esferas da produção e reprodução. Se, nos anos de 1980, uma das 
principais conquistas foi a descoberta e a ênfase da dimensão política da prática profissional, cresce 
agora a visualização do papel de mediação e articulação desempenhado pela ética entre o saber e a 
práxis política. 
Tal mediação se exerce como interiorização dos valores e princípios ético-profissionais, suscitadora 
de novas posturas e projetos de intervenção, pondo-se os conteúdos teóricos recebidos em movimento 
ou suscitando a consciência da necessidade de novo investimento na capacitação profissional; enfim, 
como enriquecimento dos carecimentos individuais e profissionais, enquanto uma opção pelo difícil, 
como signo do crescimento e não pelo conformismo e acomodação fáceis. E, ainda, como construção 
pessoal e profissional mais completa, a qual requer a participação consciente e ativa, seja nos fóruns da 
categoria ou nos espaços coletivos de discussão e formulação de políticas públicas, mas também junto 
aos movimentos sociais e demais organismos democráticos de atuação política. 
Pensar politicamente, enquanto forma de contribuir para a propulsão de mudanças, afigura-se 
hoje para os assistentes sociais como um requisito simultaneamente ético e técnico. As noções de 
responsabilidade, disciplina e dever fazem-se presentes como esteio do fazer profissional, sendo que 
agora aliados à referência da liberdade e do compromisso, uma vez que tal referência é fomentadora de 
uma convicção e de um empenho concreto na realização de uma ação. 
A motivação e mobilização dos profissionais, provocadas pela tríade ética, técnica e política, favorece, 
assim, não só uma releitura do poder institucional, mas um rompimento com a apatia, resignação, tédio 
e frustração, associados à falta de alternativas de intervenção, típica do estágio de “insulto aos males” 
do cotidiano.
Além disso, “a competência não é algo pronto e acabado, nem se adquire de forma mágica e 
instantânea. Também não é produto do espontaneísmo ou de modelos fixos e pré-definidos, nem 
tampouco da empreitada solitária dos indivíduos” (PAIVA; SALES, 2000, p. 204). Trata-se, sim, de uma 
experiência gradual e compartilhada, interseccionada pelas circunstâncias e condições de trabalho, 
enquanto componentes limitadores ou favorecedores do competente desempenho profissional.
Quanto ao entendimento presente no Código de Ética acerca da necessidade de aprofundamento da 
defesa da qualidade dos serviços prestados à população, urge assegurar aos usuários e às instituições, 
no que compete à profissão, presteza no oferecimento dos programas e na realização do próprio Serviço 
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Social. Dentro disso, cabe sinalizar, mais uma vez, que este é um esforço coletivo a ser abraçado pelo 
conjunto da categoria. Um esforço que compreende a qualificação dos objetivos a serem alcançados no 
que diz respeito à concepção de competência almejada para a nossa profissão, a saber: capacidade de 
crítica teórica, consistência histórica mais refinamento político, habilidade para projeções estratégicas 
no desempenho de atividades técnicas e políticas, e mais, superação de perspectivas reducionistas e 
unilaterais como o praticismo, o teoricismo, o ecletismo e o voluntarismo. Estes últimas constituem 
marcas tanto de um passado profissional distante quanto recente, que se fizeram em meio às tentativas, 
ora turvas ora vãs ou mesmo aquelas lúcidas, de afirmação e consolidação da excelência no que se refere 
à profissionalidade do Serviço Social e, por conseguinte, de obtenção de legitimidade frente à sociedade 
brasileira.
O signo ético-político das conquistas profissionais, no contexto dos anos 1990, parece atestar o 
êxito de uma nova concepção de competência, cuja referência primordial Iamamoto (2005) caracteriza 
como reconciliaçãoda profissão com a realidade.
Nota-se que o referido princípio trata do compromisso assumido com a população usuária da 
profissão pela qualidade dos serviços prestados, o que requer uma atuação revestida de competência 
teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política. O Assistente social assume a postura de 
constantemente buscar o aprimoramento intelectual e, assim, contribuir para a proposição de alternativas 
criativas que possibilitem uma intervenção profissional competente.
A competência no fazer profissional do assistente social depende também das condições de trabalho 
que lhes são oferecidas e que limitam ou favorecem seu bom desempenho profissional. Ela precisa ser 
construída gradualmente nas relações do Assistente social com o cotidiano do seu fazer profissional e 
nas relações com outros profissionais.
• 11º Princípio: exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar, por questões de 
inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, idade e condição 
física.
Este princípio assegura direitos para os assistentes sociais e, também, exige o respeito para com as 
diferenças dos usuários e outros profissionais. 
Ao operar mediações entre as diferentes esferas da sociedade capitalista e os contrapontos delineados 
no âmbito das relações interpessoais, os valores e princípios éticos permitem a configuração de parâmetros 
e critérios a partir dos quais os indivíduos adotam suas condutas, ainda que alienadas e intuitivamente. 
Assumimos nossa identidade, dentre a humanidade, pela maneira própria, particularizada, como 
trabalhamos, moramos, amamos, opinamos, desejamos, odiamos, agimos, sentimos prazer e dor, nos 
posicionamos diante das coisas e dos outros, decidimos, nos sentimos felizes ou infelizes. “Na diferença 
está a matriz da identidade” (COSTA, 1994, p. 147). Saber trabalhá-la eticamente constitui a fertilidade 
e a potencialidade dos nossos conhecimentos e ações.
A retomada da crítica ao preconceito deve garantir, pela substantivação da dimensão do direito, o 
exercício do Serviço Social e a relação com os que integram a vida profissional cotidiana a partir do que 
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são, isto é, de famílias de fazendeiros ou camponeses, homem ou mulher, negro, índio ou branco, petista 
ou ”pefelista”, evangélico ou umbandista, brasileiro ou estrangeiro, homossexual ou heterossexual, 
crianças/adolescente, jovem ou pessoa idosa, pessoas com deficiência ou não, enfim, um indivíduo 
como outro qualquer com manias, atributos, características que o particularizam exclusivamente, mas 
que em nada justificam qualquer tipo de exclusão ou privilégio, que extrapolem o âmbito estrito da 
competência profissional.
É oportuno reivindicar, mais uma vez e como sempre, a imperiosa atuação consciente e, claro, 
libertária, democrática e igualitária do profissional de Serviço Social, no sentido unívoco da construção e 
incorporação dessas novas posturas e virtudes plenamente humanísticas e inconformistas. Tal proposta 
de conduta ética e de convicção política passa, no desenho desses novos princípios e de uma nova 
práxis, a contribuir para que o Serviço Social venha a se firmar como categoria legitimada e admirada 
socialmente.
Cabe registrar que o Código de Ética, por mais bem elaborado que seja nos seus mais diversos 
aspectos, e por mais projeções que se faça nele em termos de realizações, valores e intenções, não pode 
ser garantido só a partir dele mesmo. Para que se realize absolutamente em tudo, o que prescreve e 
aponta enquanto projeto político e ético-profissional depende de outros fatores, como: a qualidade da 
formação profissional, o nível de consciência política e de organização da categoria, o compromisso dos 
profissionais enquanto cidadãos e as condições objetivas que incidem sobre o desempenho profissional. 
Se formos perseverantes e curiosos o bastante para ousarmos decifrar, como disse o poeta Carlos 
Drummond de Andrade, “o que tem dentro da casca do impossível”, saberemos que o possível, a 
construção cotidiana do projeto ético-político profissional, “[...] não é a pura contingência ou acaso. O 
necessário não é fatalidade bruta. O possível é o que se encontra aberto no coração do necessário e que 
nossa liberdade agarra para fazer-se liberdade” (Chauí, 1994, p. 365).
O atual Código de Ética pretende, assim, constituir uma nova motivação para os sujeitos profissionais, 
além de lhes suscitar novas exigências, sintonizados com o desafiador espírito de investimento e de luta 
da categoria e da sociedade brasileira, em prol de práticas sociais emancipadoras, livres e igualitárias 
neste final de século. 
Nota-se que o princípio apresentado se refere aos direitos assegurados aos assistentes sociais e ao 
respeito às causas sociais que envolvem questões de cunho social e individual. A categoria profissional 
defende e respeita as diferenças individuais e repudia toda forma de discriminação contra a pessoa 
humana.
Paiva e Sales (2000, p. 206) acreditam que seja necessário:
[...] aceitar os indivíduos com suas manias, atributos, características que os 
particularizam exclusivamente, mas que em nada justificam qualquer tipo 
de exclusão ou privilégio, que extrapolem o âmbito estrito da competência 
profissional.
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O profissional de Serviço Social deve entender que todo ser humano é singular e tem 
suas particularidades e preferências que devem acima de tudo ser respeitadas. Os assistentes 
sociais se posicionam a favor dessa causa quando inserem o décimo primeiro artigo do Código 
de Ética.
5.4.4 Direitos e Responsabilidades Gerais do assistente social
O título II do Código de Ética do assistente social, de 1993, trata dos direitos e deveres do assistente 
social no exercício profissional. Veremos como se dá o processo punitivo a um assistente social que viola 
o Código de Ética profissional.
O artigo 2º do Código de Ética do estabelece os direitos do assistente social no exercício da profissão: 
garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas:
a) estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão, e nos princípios firmados neste Código;
b) livre exercício das atividades inerentes à profissão;
c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na formulação e implementação 
de programas sociais;
d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo 
profissional;
e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional;
f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princípios deste Código;
g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se tratar de assuntos de 
interesse da população;
h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo obrigado a prestar serviços profissionais 
incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções;
i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de participação de 
indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos.
O artigo 3º do Código de Ética determina os deveres do assistente social no exercício profissional:
a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a 
legislação em vigor;
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da profissão;
c) abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento 
da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos 
competentes;
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d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no 
atendimento e defesa de seus interesses e necessidades.
O artigo 4º do Código de Ética institui o que é vedado ao assistente social no exercício da profissão:
a) transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da Lei de Regulamentação da profissão;
b) praticar e ser conivente com condutas antiéticas, crimes ou contravenções penais na prestação de 
serviços profissionais, com base nos princípios deste Código, mesmo que estes sejam praticados 
por outros profissionais;
c) acatar determinação institucional que fira os princípios e diretrizes deste Código;
d) compactuar com o exercício ilegal da profissão, inclusive nos casos de estagiários que exerçam 
atribuições específicas, em substituição aos profissionais;
e) permitir ou exercer a supervisão de aluno de Serviço Social em Instituições Públicas ou Privadas, 
que não tenham em seu quadro assistente social que realize acompanhamento direto do aluno 
estagiário;
f) assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja capacitado pessoal e tecnicamente;
g) substituir profissional que tenha sido exonerado por defender os princípios da ética profissional, 
enquanto pendurar o motivo da exoneração, demissão ou transferência;
h) pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam sendo exercidos por colega;
i) adulterar resultados ou fazer declarações falaciosas sobre situações ou estudos de que tome 
conhecimento;
j) assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, mesmo que executados sob 
sua orientação.
O assistente social precisa articular sempre os valores contidos no Código de Ética com o seu projeto de 
vida. Agindo desta forma estará de acordo com os princípios e objetivos da profissão do Serviço Social.
5.4.5 Ética e Instrumentos Processuais
5.4.5.1 O que é Instrumento Processual?
Para dar resposta a essa pergunta se faz mister abordar, mesmo que sucintamente, o papel do 
sistema jurídico na sociedade. Como afirma Terra (2000, p. 8): 
[...] se constitui em uma infinidade de normas, que objetivam regular as 
relações sociais, individuais e coletivas, de natureza privada ou pública. Tais 
normas preveem direitos, obrigações, outorgam faculdades e prerrogativas, 
e impõem restrições e vedações.
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Com esse fim, o Estado criou o Poder Judiciário, cuja competência é a recomposição do direito e 
a restauração da ordem jurídica. Juntamente a esse poder, criou também órgãos administrativos que 
possuem poder processante e punitivo, dentro de suas atribuições previstas por lei. É nesse cenário 
que se incluem os órgãos de fiscalização do exercício profissional que possuem competência legal para 
recomposição de direitos violados, em descumprimento de normas, no exercício profissional.
É nesse contexto que se insere o papel dos Conselhos Regional e Federal de Serviço Social. Estes, 
enquanto órgãos fiscalizadores do exercício profissional do assistente social, têm poder normativo, 
processante e punitivo, tendo em vista que sua atribuição é atuar nas denúncias de exercícios profissionais 
infratores.
Assim, como se procede numa situação de violação do direito? Como agem os conselhos perante 
uma infração no exercício profissional? É preciso que haja inicialmente uma denúncia. Contudo, antes 
de vermos o procedimento de instauração e as etapas de um processo, vamos esclarecer alguns termos.
• Sistemas punitivos: “formas” de justiça que foram aperfeiçoadas na sociedade para que se cumpra 
o direito material, em formas de lei.
• Processo: “instrumento voltado a assegurar a realização e concretização do direito, inscrito no 
ordenamento legal” (TERRA, 2000, p. 9). É um instrumento social de garantia das normas materiais. 
Pode ser judicial ou administrativo.
• Código: instrumentalização material da profissão, composto por um conjunto de princípios e 
normas cujo objetivo é orientar a conduta ético-valorativa de uma categoria profissional.
• Código processual: de cunho técnico-jurídico, estabelece normas às quais todos estão sujeitos, em 
qualquer ato infracional.
• Código processual de ética: órgão interno dos conselhos; respalda um processo disciplinar ético 
(inquérito ou sindicância).
• Conselho: entidade representativa fiscalizadora do exercício profissional, cujo papel é recompor os 
direitos que foram violados.
• Direito administrativo: órgão de fiscalização do exercício profissional que possui dimensão 
normativa e punitiva.
Para que se instaure um processo, é preciso que haja a denúncia. Feito isso, procede-se a sua 
instauração. Esta se divide em duas fases: fase pré-processual (instauração da denúncia) e fase processual 
(dos atos instrutórios até o julgamento do processo ético).
Antes de proceder à explicação dessas duas etapas, é interessante verificar quais os aspectos 
estruturais do processo, em face da Constituição Federal de 1988:
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• amplo direito de defesa e contraditório, com meios de recurso a ele inerentes;
• direito à produção de provas, necessárias à demonstração do direito;
• vedação de prova ilícita, quanto a sua obtenção ou a sua utilização;
• total imparcialidade do julgador;
• garantia de duplo grau de jurisdição;
• publicidade dos atos processuais, exceto quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
exijam;
• igualdade entre os litigantes;
• trâmite do processo e prolatação de sentença ou decisão, pela autoridade competente.
Os preceitos constitucionais processuais mencionados referenciam qualquer processo, seja 
administrativo ou judicial, e o seu descumprimento gera nulidade no processo.
5.4.5.2 Fases de um processo
A fase pré-processual antecede a instauração do processo e inicia-se com a apresentação de 
representação, queixa, denúncia acerca de irregularidades quanto ao exercício profissional do assistente 
social. A denúncia deve ser apresentada por escrito pelo denunciante, que pode ser qualquer pessoa que 
tenha conhecimento de irregularidade quanto ao exercício profissional do assistente social. A denúncia 
também pode proceder do próprio Conselho, enquanto entidade fiscalizadora.
A denúncia ética é sempre dirigida à Comissão de Ética (esta é composta por um conselheiro do 
CRESS e dois assistentes sociais da base) que determina o fluxo da denúncia, protocolando-a. A Comissão 
verifica se os elementos da denúncia são suficientes para se instaurar o inquérito, se a denúncia é de 
natureza ética e se o denunciado é inscrito no CRESS. Esses são os critérios fundamentais para se 
instaurar o processo, sem os quais o “caso” é arquivado. Se o assistente social denunciado não é inscrito 
no CRESS, será julgado pela “justiça comum”, que vai apreciar o exercício ilegal da profissão “através 
de uma ação civil para determinar a obrigação de inscrição nos quadros do conselho e a cominação de 
multa” (TERRA, 2000, p. 31).
À Comissão de Ética compete, então, avaliar a procedência da denúncia, que é realizada por meio 
de um parecer em que é feito o enquadramento. O enquadramento visa localizar o fato violador da 
denúncia e averiguar como se enquadra no Código de Ética (no conjunto de princípios, artigos e alíneas). 
Feito isso, a comissão opinará pela exclusão liminar da denúncia ou pela instauração do processo ético. 
Não compete a essa comissão deliberar, pois a deliberação passa pelo Conselho Pleno do CRESS, que 
nomeia a comissão de instrução do processo ético.
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A fase processual vai dos atos instrutórios até o julgamento do processo ético e se divide e em duas etapas.
• Instrução do processo
Ocorre com a nomeação da Comissão de Instrução que, geralmente, é formada por três assistentes 
sociais da base e que se encarregará de apurar os fatos. Compete-lhe a investigação minuciosa dos fatos. 
Possui todo o direito à investigação das provas, sejam elas de caráter testemunhal ou pericial. Deve ser 
sempre imparcial e oferecer o amplo direito à defesa. Após esgotarem-se todas as possibilidades na 
apuração dos fatos, a comissão, por meio de despacho, declara encerrada a instrução processual e, 
em seguida, elabora seu parecer conclusivo. Esse parecer consta de uma parte expositiva, em que são 
descritos os fatos de acordo com o enquadramento que a Comissão Permanente de Ética fez, bem como 
tudo o que se colheu na fase instrutória; e de outra parte conclusiva, em que é feita uma apreciação 
do conjunto dos fatos e provas para ver se ficou comprovada a transgressão ao Código. Caso haja 
improcedência da ação ética, a Comissão emite um parecer fundamentado. Feito isso, “a Comissão de 
Instrução, por meio de qualquer de seus membros, apresentará seu parecer conclusivo na reunião do 
Conselho Pleno, em que o processo for submetido a julgamento” (TERRA, 2000, p. 33).
• Julgamento do processo ético
Compete ao Conselho Pleno do CRESS proceder ao julgamento do processo ético que se embasará no 
Código Processual de Ética – instrumento interno do CFESS/CRESS – orientador de todo o procedimento 
do julgamento. 
Esta etapa é rigorosamente realizada como na “justiça comum”: as partes (denunciante e 
denunciado) são notificadas e poderão participar do ato em que irão exercer seu direito de defesa e 
manifestação. 
Encerrada essa primeira fase de discussão, o Conselheiro Presidente verifica a necessidade de 
conversão do julgamento em diligência (pedido de diligência). Essa etapa só ocorre caso o Conselho 
Pleno julgue que a comissão de instrução deixou de subsidiar a apuração por insuficiência de dados. Daí 
o Pleno remete o processo para a Comissão de Instrução, reabre a instrução processual ou nomeia uma 
nova comissão de instrução, que, após realização do que foi solicitado, intima as partes e complementa 
seu relatório, que será devolvido ao Conselho Pleno, para dar continuidade ao julgamento. 
O Conselho Pleno compõe-se de nove membros efetivos e nove suplentes, assim constituídos:
• presidente;
• vice-presidente;
• 1º secretário;
• 2º secretário;
• 1° tesoureiro;
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• 2° tesoureiro;
• três membros efetivos do Conselho Fiscal e nove membros suplentes.
Caso não haja o pedido de diligência, ao julgamento é dada sequência com a discussão da preliminar; 
o Conselho Pleno vai analisar a possibilidade de acatá-la ou não.
Declarada a “procedência ou improcedência da ação ética: é necessário que o julgamento da 
materialidade da ação seja independente da aplicação da pena” (TERRA, 2000, p. 35).
“A procedência da ação se caracteriza pela comprovação das violações” (TERRA, 2000, p. 35). Após 
decidir por unanimidade ou por maioria se a ação foi procedente, chega o momento da votação da 
pena a ser aplicada ao profissional que infringiu o Código de Ética. A votação da penalidade, caso a ação 
seja procedente, encerra o julgamento e todas as fases que compõem o processo na primeira Instância 
Administrativa. O processo poderá ser reaberto em Segunda Instância, caso uma das partes interponha 
recurso junto ao CFESS que irá rever a decisão do CRESS.
Caso as partes não estejam presentes no momento da decisão do Conselho Pleno do CRESS, elas 
serão avisadas, por correspondência, da decisão. A gradação da penalidade pode ir da advertência ou 
multa até a cassação do diploma do profissional infrator, dependendo da gravidade da situação. 
Caso haja cassação do direito do profissional exercer sua profissão, passados cinco anos, ele estará 
sujeito à reabilitação, podendo vir a exercer novamente a profissão através de um curso de formação ética.
Concluímos a discussão sobre instrumentos processuais. Outras discussões se iniciariam aqui, dentre 
elas, aquelas que extrapolam o âmbito profissional. Por exemplo, poderia um assistente social ter uma 
relação amorosa com um usuário? Ou ser denunciado por atos “imorais” fora do âmbito profissional?
Essas discussões poderiam vir à tona. O que fazer diante delas? Primeiro, existe uma norma que 
contemple uma questão moral de envolvimento amoroso entre um assistente social e um usuário. Essa 
situação em si não está prevista no Código de Ética profissional. Contudo, considera-se o caso em que 
no seu exercício profissional, o assistente social utiliza sua posição para favorecer um usuário com quem 
mantém uma relação afetiva. Se um assistente social, em sua residência, por exemplo, está explorando 
uma criança, mantendo-a como “empregada”, não pode ser denunciado no CRESS, pois essa é uma 
atitude que diz respeito à justiça comum e deverá ser denunciada no Juizado da Infância e Juventude 
ou mesmo no Conselho Tutelar, cujo papel é zelar pelo direito da criança e do adolescente.
6 ÉTICA, COTIDIANO E PRÁXIS PROFISSIONAL
6.1 Cotidiano: espaço de atuação do assistente social
A vida cotidiana é um campo de estudo de diversos autores na área do Serviço Social. Traremos 
algumas contribuições para entendermos o cotidiano enquanto espaço do fazer profissional do 
assistente social.
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Para Carvalho e Netto (2000), a vida cotidiana é feita dos mesmos gestos, repetidos todos os dias, 
como levantar nas horas certas para ir ao trabalho, ir à escola, fazer os afazeres domésticos etc. É a 
vida de todos os dias que está presente nas áreas da vida do indivíduo. Para a autora, a vida cotidiana 
introduz atividades repetitivas no dia a dia, as quais são percebidas em sua singularidade, de forma 
mecânica e automatizada, despidas de qualquer consciência.
A vida cotidiana, portanto, se insere na história, se modifica e modifica as 
relações sociais. Mas a direção destas modificações depende estritamente da 
consciência que os homens portam de sua “essência” e dos valores presentes 
ou não ao seu desenvolvimento (CARVALHO; NETTO, 2000, p. 29).
É na vida cotidiana que se concretiza a práxis profissional do assistente social. Esse profissional 
intervém na realidade social e é um mediador entre população usuária e Estado. O Serviço Social tem 
sua peculiaridade e especificidade, e atua na prestação de serviços sociais para suprir as necessidades 
humanas da classe excluída de bens, serviços e riquezas socialmente produzidas.
Dissemos que o assistente social é um mediador, então vamos entender o que é mediação. A mediação 
é uma categoria da práxis do assistente social e, de acordo com Netto (2000), é a terceira categoria 
central citada por Marx e permite viabilizar a dinâmica da totalidade concreta. “Na reconstrução do 
movimento da totalidade concreta, é a categoria de mediação que assegura a alternativa da síntese das 
muitas determinações, ou seja, a elevação do abstrato ao concreto” (CARVALHO; NETTO, 2000, p. 83).
A mediação é a categoria utilizada pelo assistente social para decifrar as demandas institucionais 
que lhes são impostas no cotidiano da sua atuação profissional. As demandas sociais aparecem de 
forma singular despidas de qualquer mediação, são o fato em si, tal qual se apresentam. “Somente pela 
reconstrução teórico-reflexiva das situações particulares e objetivas, podem-se avaliar as possibilidade 
contidas na dinâmica institucional e no exercício profissional” (BRITES; SALES, 2000, p. 75).
O assistente social,a partir de uma reflexão teórica, por meio da mediação, ultrapassa a singularidade 
dos fatos, levando-os para a dinâmica da totalidade. Ou seja, relacionando-os com os aspectos políticos, 
econômicos, sociais e culturais da sociedade, para alcançar a particularidade do problema, entender 
os fatores que contribuem para a ocorrência daquele fenômeno social, intervindo depois de forma 
propositiva e contribuindo para a transformação da realidade.
Segundo Carvalho e Netto (2000, p. 51), o assistente social busca o seu “referencial de ação nas 
complexas relações sociais de reprodução e dominação, ignorando o cotidiano como palco onde estas 
mesmas relações se concretizam e se afirmam”.
É preciso entender que a práxis do assistente social se dá no cotidiano da instituição na qual ele 
está inserido e que, para decifrar a realidade institucional, o assistente social precisa estar revestido de 
conhecimentos teórico-metodológicos, técnico-operativos e ético-políticos, pois é por meio da práxis, 
no cotidiano do fazer profissional, que o assistente social deve construir uma atuação competente, com 
todo respaldo teórico-metodológico adquirido em sua formação acadêmica, voltada para o Projeto 
Ético-Político da profissão.
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6.2 Práxis: categoria essencial no fazer profissional
A prática e a práxis são categorias que se relacionam e interagem na atuação do assistente social, 
profissional que tem como objeto de atuação as múltiplas expressões da questão social. Para atuar 
sobre a questão social na sociedade capitalista, o assistente social precisa conhecer a realidade na qual 
está inserido, para assim intervir sobre ela de forma propositiva, apresentando respostas criativas e 
inventivas que sejam capazes de transformar essa realidade. Para apresentar tais respostas, o assistente 
social necessita revestir-se de conhecimentos teórico-metodológicos.
Todos os aspectos anteriormente mencionados, exigidos na atuação do assistente social, compõem 
sua prática e contribuem para a constituição da sua práxis profissional. Nessa perspectiva, faz-se 
necessário entender que prática e práxis precisam estar intrinsecamente relacionadas e integradas para 
que de fato a intervenção do assistente social não seja mera execução de tarefas preestabelecidas. Ao 
contrário, que venha a transformar a realidade e contribuir para a construção de uma nova ordem 
societária, mais justa, equânime e fraterna.
Segundo Iamamoto (2005), é preciso compreender os fundamentos históricos, teóricos e metodológicos 
do Serviço Social. Essa compreensão requer entender como a profissão foi socialmente determinada e 
refletir como ela se desenvolve nas relações entre as classes sociais, burguesia e trabalhadores, por meio 
de uma intervenção especializada. Para a autora, “[...] pensar a profissão é também pensá-la como fruto 
dos sujeitos que a constroem e a vivenciam” (IAMAMOTO, 2005, p. 57- 56).
A práxis do assistente social ocorre por meio do acúmulo de conhecimentos teóricos que contribuem 
para que esse profissional atue de forma sistematizada. Os saberes teóricos são adquiridos, construídos 
e incorporados pelo assistente social ao longo do processo histórico de constituição da profissão e das 
demandas sociais que exigem a intervenção deste profissional. Assim,
[...] a práxis aqui reivindicada decorre de uma construção coletiva 
expressa na direção social do Projeto Ético-Político do Serviço Social 
que ganha [...] substância por meio da adesão consciente e crítica aos 
princípios e valores presentes no Código de Ética dos Assistentes Sociais 
(BRITES; SALES, 2000, p. 70).
A práxis profissional é uma categoria que está relacionada a toda atividade laboral. No entanto, 
nem toda atividade exercida é práxis, pois a práxis se define pelo conjunto de atividades que objetivam 
a modificação de uma determinada realidade e que se traduz numa transformação social. A práxis não 
está dissociada da ação prática, entretanto, para constituí-la, é preciso que as ações estejam articuladas 
e estruturadas como um todo, isto é, num processo total que culmine na transformação da realidade. 
Para Marx, a finalidade da práxis é a transformação real e objetiva do mundo natural e social, visando 
à satisfação das necessidades humanas. É o resultado de uma nova realidade que só é realizada através 
do homem para o homem como ser social. Vázquez (1997) salienta que, se o homem aceitar a realidade 
social como lhe é imposta, e se, por outro lado, aceitar a si mesmo no estado natural, não teria a vontade 
e necessidade de transformar essa realidade nem de transformar-se.
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Existem outros fatores que determinam a práxis do assistente social, por exemplo, a investigação, um 
instrumento indispensável na atuação profissional para a compreensão da realidade. Ela possibilita ao 
assistente social exercer uma práxis com capacidade teórica, o que fortalece e impulsiona a intervenção 
profissional.
Vivemos numa sociedade dividida em classes antagônicas, na qual a práxis do assistente social 
depende do conhecimento que ele tem da realidade que o cerca, da capacidade de entender a correlação 
de forças existentes para não incorrer no risco de propor ações que possam culminar em resultados 
neutralizados ou que venham a beneficiar os interesses das classes dominantes em detrimento dos 
interesses da população usuária do Serviço Social.
O assistente social precisa organizar e sistematizar suas ações a partir de fundamentação teórica, para 
provocar possibilidades de transformar o ideal de mudanças em real e exercer uma práxis revolucionária, 
capaz de contribuir para mudar as bases econômicas, sociais e políticas em que se constitui o poder 
material e ideológico da classe dominante.
A práxis profissional do assistente social deve primar pela construção de uma nova sociedade, sem 
as marcas da exploração e desigualdade social. Essa construção não é algo impossível, basta que ela seja 
incorporada pelo assistente social por meio de uma práxis de luta dirigida ao principal agente dessa 
mudança: o usuário do Serviço Social. Nessa luta, a atuação profissional precisa ser norteada pelos 
valores e princípios do Código de Ética do assistente social e estar voltada para a concretização do 
Projeto Ético-Político do Serviço Social.
6.3 O que vem a ser Projeto Ético‑Político?
Para esta definição, nada mais lúcido do que trazer o conceito dado por Reis (2003, p. 405- 406):
Trata-se de uma projeção coletiva que envolve sujeitos individuais e coletivos 
em torno de uma determinada valoração ética que está intimamente 
vinculada a determinados projetos societários presentes na sociedade que 
se relacionam com os diversos projetos coletivos (profissionais ou não) em 
disputa na mesma sociedade.
Esta concepção, a priori, torna-se complexa se não tivermos a clareza do que vêm a ser projetos e 
suas ramificações em projetos individuais, coletivos e societários.
De acordo com Netto (1999), projeto é uma ação teleológica (ação orientadas para objetivos, metas 
e fins), e cada indivíduo social tem o seu. Já os projetos societários são mais abrangentes e apresentam 
a imagem da sociedade a ser construída (proposta para o conjunto da sociedade). No capitalismo, os 
projetos societários são projetos de classe, têm uma dimensão política por envolver relações de poder 
e possuem propostas para o conjunto da sociedade. Tais projetos são simultaneamente projetos de 
classe e, geralmente, estes possuem mecanismos e dispositivos coercitivos e repressivos, quase sempre 
se sobrepondo aos da classe dominada, visto que os projetos das classes trabalhadoras e subalternas 
sempre dispõem de condiçõesmenos favoráveis nesse jogo de poder.
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Os projetos profissionais são coletivos e apresentam a autoimagem de uma profissão, construídos 
pela categoria profissional organizada. Possuem uma dimensão ético-política que extrapola as 
particularidades da categoria, tendo em vista que estão inseridos em uma dada sociedade e se atrelam 
a determinados projetos.
Nesse contexto, o Serviço Social constrói seu projeto profissional em consonância com o ideário 
político da categoria profissional (que consiste num posicionamento claro e definido a favor das classes 
subalternizadas) ao mesmo tempo em que traz particularidades ético-valorativas (conjunto de princípios 
e fundamentos filosóficos) que foram construídas pelos sujeitos individuais e coletivos que compõem o 
universo profissional.
Barroco (2005, p. 66) vem corroborar essa afirmação:
A coesão dos agentes profissionais, em torno de valores e finalidades comuns, 
dá organicidade e direção social a um projeto profissional. Esse aspecto, no 
entanto, diz respeito ao movimento interno da profissão, o que não existe 
sem mediações externas. A cultura, em geral, e a moral, em especial, são 
determinantes na configuração da moralidade dos agentes, influenciando 
sua ética profissional.
Nessa perspectiva, cabe aqui perguntar: mas, afinal, o que vem a ser esse Projeto Ético-Político do 
Serviço Social? Como ele se configura?
O Projeto Ético-Político do Serviço Social poderia ser resumido da seguinte forma: é um projeto que 
reflete o ideário da categoria profissional que consiste num posicionamento político, claro e definido por 
um determinado projeto de transformação social. É a opção preferencial pela classe trabalhadora no jogo 
de poder da sociedade capitalista. Esse projeto define aquilo que almeja a categoria enquanto profissão 
comprometida com as classes subalternizadas da sociedade, tendo como objetivo final uma nova ordem 
societária. Essa ideia, nos termos de Netto (1999, p. 104- 105), se traduziria da seguinte forma:
Tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor ético central 
– a liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolher 
entre alternativas, daí um compromisso com a autonomia, a emancipação 
e plena expansão dos indivíduos sociais. Esses valores foram construídos 
historicamente.
E, ainda:
O projeto profissional vincula-se a um projeto societário que propõe a 
construção de uma nova ordem social, sem dominação e/ou exploração de 
classe, etnia e gênero. A partir destas escolhas que o fundam, tal projeto 
afirma a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio 
e dos preconceitos, contemplando positivamente o pluralismo – tanto na 
sociedade como no exercício profissional (NETTO, 1999, p. 104 -105).
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Esse projeto não nasceu da “noite para o dia”, ele é um resultado sócio-histórico do processo de 
ruptura com o conservadorismo profissional e tem como marco inicial o famoso Congresso da Virada 
(III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais - CBASS), realizado no ano de 1979, quando a mesa do 
Congresso, que seria composta por membros da ditadura, passa a ser ocupada por representantes da 
classe trabalhadora.
A partir daí, o Projeto Ético-Político vai sendo construído e pode-se dizer que ele nasce nos anos 1970, 
é construído nos anos 1980 e consolidado nos anos 1990. Essa legitimidade que o Projeto Ético-Político 
adquire é resultado de diversos fatores internos e externos à profissão. Dentre eles, elencamos alguns 
com base em Netto (1999).
• Crítica ao conservadorismo profissional.
• Crise da ditadura brasileira, abertura política, conquista democrática.
• Consolidação da produção de conhecimento do Serviço Social Brasileiro:
— surgimento de massa crítica e acumulação teórica. Começam a surgir os primeiros autores 
dentro do Serviço Social;
— quebra do conservadorismo teórico e metodológico; encontro com o legado marxista; autores 
do Serviço Social se fundamentam teoricamente na obra marxista e em autores fidedignos da 
teoria de Marx;
— o Serviço Social se constitui como uma área de produção do conhecimento (1981 – 1ª Turma 
de Doutorado/São Paulo). Esse momento vai propiciar a produção do conhecimento dentro e 
para o Serviço Social.
• Debate sobre a formação curricular; Reforma curricular de 1982:
— apelo à construção de um novo perfil profissional.
• Dimensão político-organizativa da profissão:
— fórum de deliberação (o conjunto CFESS/CRESS, a ABEPSS, a ENESSO).
Dimensão jurídico-política da profissão: corrobora-se a discussão de que o Projeto Ético-Político 
está inacabado e uma das formas de materializá-lo seria via Código de Ética profissional, ferramenta 
primordial que orienta o exercício profissional do assistente social.
O debate contemporâneo em torno da ética em Serviço Social percorre a discussão de como 
operacionalizar na prática esse projeto. Quais os desafios que se apresentam para o assistente social 
hoje, em operacionalizar esse projeto, tendo em vista que as demandas que aparecem quotidianamente 
tendem a vir cada vez mais multifacetadas? Demanda multifacetada é a totalidade complexa que invade 
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as expressões da questão social, objeto de intervenção do assistente social. Ou seja, vivemos em uma 
realidade social em que as mudanças socioeconômicas, ideológico-políticas, ético-valorativas são tão 
aceleradas a ponto de “embaraçar a cabeça” das pessoas, fazendo com que todo mundo perca a direção.
São questões como essas que nos fazem refletir sobre qual é o papel do assistente social na sociedade 
e como agir em consonância com um projeto que, para muitos, ainda é utópico demais.
Para essa discussão, temos que partir do princípio de que o assistente social não é um messias, 
mas também não se pode “cruzar os braços” e dizer que não há nada a se fazer como ocorreu com o 
posicionamento fatalista de outro grupo de assistentes sociais. Ambas as correntes estão ultrapassadas 
e devem ser combatidas no seio da categoria.
 Lembrete
O messianismo no Serviço Social significou uma corrente de pensamento 
defendida por profissionais que achavam que competia ao Serviço Social 
“mudar o mundo”.
6.4 Então, qual seria o caminho?
Pode ser complicado dar uma resposta com precisão, diante de tamanha complexidade. Todavia, 
só há um caminho para os profissionais de Serviço Social atuarem em consonância com seu Projeto 
Profissional: assumir o compromisso que foi firmado, via Projeto Ético-Político e Código de Ética, 
com os movimentos sociais das classes subalternizadas da sociedade brasileira; utilizar os espaços 
socio-ocupacionais em que se atua, para, no exercício profissional, priorizar a qualidade dos serviços 
prestados à população, o que inclui a luta intransigente para que as decisões institucionais sejam abertas 
à participação dos usuários.
Esse desafio traz, mais uma vez, os termos de Netto (1999, p. 105):
O projeto sinaliza claramente que o empenho ético-político dos assistentes 
sociais só se potencializará se a categoria se articular com os segmentos 
de outras categorias profissionais que partilhem de propostas similares e, 
notadamente, com os movimentos que se solidarizam com a luta geral dos 
trabalhadores.
Diante do exposto, é necessário reiterar a importância do protagonismo do Serviço Social perante as 
discussões éticas contemporâneas e as suas formas de enfrentamento.
O verdadeiro compromisso ético da profissão consiste em contribuir com a 
dimensão ético/política para umprocesso social que elimine a exploração do 
homem pelo homem e resgate os princípios da igualdade, da liberdade e da 
justiça social (MUSTAFÁ, 2003, p. 370).
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A partir da abordagem do autor, percebe-se que a ética não se configura enquanto algo abstrato e 
longe da realidade. Ela, enquanto componente crítico-reflexivo das posições valorativas que perpassam 
a sociedade torna-se um elemento da luta social pela emancipação dos indivíduos sociais. Desse modo, 
é justamente aí que se insere o profissional de Serviço Social, profissão que busca legitimar seu projeto 
profissional.
6.5 Identidade profissional e suas representações: qual é o lugar da atividade 
profissional no processo de construção da identidade profissional
A identidade é concebida como um fenômeno social, um processo de mudanças que se constitui nas 
relações sociais e interpessoais, configurando-se e transformando-se. A identidade é entendida como 
um processo de construção da representação de si, como se é reconhecido.
Sua construção é calcada em significações, gostos, disposições, escolhas, formas de agir e pensar, 
crenças e valores, como princípios organizadores de práticas e representações, reflete um estilo de vida, 
um conjunto de escolhas.
A construção é dinâmica, incessante, um movimento permanente. Identidade remete àquilo que 
é idêntico, semelhante. É expressa singular ou coletivamente. Singularmente, quando diz respeito a 
características individuais, à representação de si mesmo; coletivamente, quando compartilhada de 
experiências de outros indivíduos ou segmentos sociais, grupos sociais etc.
Gentilli (1997, p. 128) aponta que a identidade se refere:
[...] a movimentos que dizem respeito tanto à singularidade humana quanto 
a particularidades de grupos, segmentos, estratos, classes, nações, culturas, 
etc., na produção de sentidos face às relações sociais das quais participa, de 
acordo com representações e imagens utilizadas para se referir a objetos 
que são identificados como exteriores. [...] categoria que possibilita analisar 
as contiguidades, as semelhanças, as diferenças e as contradições que se 
estabelecem entre indivíduos e sociedade, tanto na perspectiva dos sujeitos 
singulares quanto coletivos, por intermédio das noções de “identidade 
pessoal” e identidade social.
Que mudanças em suas condições objetivas de vida, voltadas para a futura profissão, e que 
repercussões teriam no processo de constituição da identidade? O projeto pessoal tem peso no projeto 
profissional no momento de transição na construção de sua identidade? Essa reflexão acompanhará o 
aluno durante sua formação.
Uma identidade, por quem não a conhece, aporta estigmas, atributos depreciativos decorrentes de 
expectativas sociais não correspondidas. O estigma gera uma identidade irreal da categoria profissional, 
conferindo-lhe denominações que realmente a categoria não tem.
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As expectativas em relação à identidade podem ser da ordem normativa e pessoal. As expectativas 
normativas direcionam ao cumprimento de leis, normas, regulamentos. Já a pessoal é de ordem relacional, 
como se dão as relações no contexto em que estão inseridas.
6.5.1 Processo de construção da identidade profissional do assistente social
Como em toda profissão, a identidade do Serviço Social vem sendo construída ao longo dos anos nos 
processos sociais e históricos da sociedade. Está ligada à origem da profissão, cujas raízes encontram-se 
no desenvolvimento do capitalismo e suas consequências sociais.
Com o aumento da produção e as mudanças nas relações de produção, acentuaram-se as diferenças 
sociais e, diante do aumento da pobreza, surgiram grupos de voluntários ligados a organizações religiosas, 
para atender às mazelas decorrentes da industrialização. Nesse contexto, os conflitos nas fábricas, 
buscando melhores condições de trabalho, entre outros, pediam a presença de um “mediador”, que 
conciliasse as partes envolvidas. Fora das fábricas, as condições de vida eram precárias, sem saneamento 
básico, sem creches, saúde e moradia. Essas condições precárias de vida impunham um profissional que 
pudesse atender e encaminhar as soluções para as necessidades que surgiam. 
Atualmente, nas empresas, o assistente social continua a fazer a mediação dos conflitos entre patrões 
e empregados, atuando na perspectiva de treinamento, prevenção de acidentes do trabalho e benefícios.
Como uma profissão que teve sua origem articulada à formação do sistema capitalista, cuja estratégia 
era de controle social, com uma ilusão de servir, a prática profissional surgiu com uma identidade 
atribuída pelo capitalismo. Isso se deu também pela fragilidade política e social da categoria profissional, 
que produziu práticas hoje analisadas como assistencialistas, filantrópicas, focalistas, marcadas pelo 
fornecimento de benefícios sociais.
Por ser uma profissão que trabalha com problemas sociais que afetam as pessoas e grupos em 
situação precária de vida, muitas vezes, é confundida com assistencialismo, caridade, doação etc., o 
que decorre da gênese dos problemas sociais da Antiguidade até a atualidade. Na Antiguidade, era 
tratada como caridade; hoje, há políticas sociais públicas para atender esses problemas, mas a confusão 
continua.
Outro estigma que a profissão carrega está relacionado ao baixo reconhecimento a ela socialmente 
atribuído, principalmente na área de pesquisa e à baixa remuneração em relação a outras profissões.
Registram-se, também, discursos diferentes no âmbito de organizações formais da profissão e no 
mercado de trabalho profissional. No âmbito das organizações, o discurso é da ordem do “dever ser”, 
representação que apresenta diferenças e divergências com os discursos no âmbito profissional, que 
trabalha com o “poder ser”, ou seja, com as possibilidades. Gentilli (1997, p. 129) assevera que: 
[...] a identidade profissional do Serviço Social é resultante de uma interação 
dinâmica entre os aspectos formais e informais da profissão. Essa interação 
expressa coletivamente as manifestações representacionais produzidas na 
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categoria profissional, realizada tanto por meio de discursos consagrados 
nas organizações e instituições formais da profissão, quanto nas formações 
discursivas que se disseminam no mercado de trabalho profissional.
Os discursos são a autorrepresentação da categoria profissional nas relações sociais dos quais sua 
categoria faz parte, na busca de se conhecer no processo histórico e social.
É no espaço da formação profissional que a identidade começa a ser construída, por meio da 
socialização de ideias, das diferenças, das divergências, de concepções de si mesmo, de papéis 
profissionais, de normalização do certo e do errado, de direitos e deveres e atribuições profissionais. O 
ambiente profissional ou campo de atuação será o local onde se legitimará a identidade.
Gentilli (1997) aponta sete direções acerca da concepção de “ser profissional” de Serviço Social no 
mercado de trabalho. Vamos analisá-las a seguir.
• A primeira concebe o assistente social a partir da delimitação do âmbito das atividades nas 
quais a profissão pode se realizar. A identidade profissional é expressa pelo fazer e pela natureza 
desse fazer, a partir da introjeção das diversas conotações que comportam a expressão “assistir à 
sociedade”, seja em atividades assistenciais, educacionais ou políticas.
• O segundo eixo, utilizado para expressar as definições acerca da identidade profissional, compreende 
os objetivos profissionaisrelacionados aos clássicos processos metodológicos. Aqui fica visível a 
permanência e o reconhecimento, por parte de alguns profissionais, da plausibilidade de tais 
processos, consagrados pelo uso e que se mantêm em vigor, deslanchando inclusive atividades 
que se apresentam como emergentes na profissão.
• A terceira forma concebe a identidade do Serviço Social a partir de representações vinculadas 
às ações “de ajuda”, realizadas pelos profissionais associados a concepções como bem-estar, 
equilíbrio, humanização, assim como aos diferentes tipos de atividades promocionais e assistenciais, 
realizadas pelos assistentes sociais.
• As atividades profissionais descritas como orientar, esclarecer e encaminhar serviram de ponto de 
partida para a materialização da primeira entidade profissional e de uma quarta manifestação, 
recontextualizada no discurso teórico contemporâneo.
• Uma quinta forma de definição do ser profissional, associada ou não à discussão das questões 
sociais, a ideia de mudança social, surge tendo como foco as definições que oferecem prioridade 
aos aspectos ligados ao processo de conscientização e às formas de transformação social, tanto 
no plano individual como no coletivo.
• A sexta variação na definição do “ser profissional”, encontrada na referência às diferenças 
e semelhanças existentes nas práticas profissionais, refere-se à discussão relativa aos campos 
de atuação (previdência, assistência social, bem estar etc.) e sobre seus respectivos âmbitos de 
interferência social.
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• De forma minoritária, aparece a sétima concepção, marcada por uma visão muito particularizada, 
decorrente de campos de atuação superespecializados e excepcionais. Nessa concepção, o 
profissional se visualiza como o agente que estabelece a vinculação de clientes que têm mundos 
internos especiais em relação à vida dos sujeitos considerados socialmente “normais”.
As concepções apresentadas anteriormente agrupam noções diferentes. Há concepções de 
transformação, cidadania, ajuda social, humanização das relações sociais, equilíbrio social etc. Essas 
representações revelam a multiplicidade de expressões da identidade profissional e suas finalidades, 
atividades, objetivos, funções.
Em suma, é preciso ficar claro que a identidade do Serviço Social está associada ao exercício da 
prática profissional e que a profissão, na sua gênese, desenvolve uma atuação assistencialista, voltada 
para atender os interesses do sistema capitalista. Assim, podemos afirmar que o Serviço Social, no início 
da profissão, teve sua identidade atribuída e não construída coletivamente pela categoria profissional.
6.5.2 O processo de institucionalização da profissão na sociedade brasileira
Faremos uma reflexão sobre o surgimento e a institucionalização do Serviço Social a fim de que os 
futuros assistentes sociais possam conhecer e compreender a profissão e seus fundamentos.
O Serviço Social tem como valor central a defesa dos direitos sociais e humanos e a luta pela 
democracia e pela justiça social.
Para uma boa atuação, o profissional precisa estar atento aos fatos e acontecimentos históricos que 
permeiam a constituição de uma sociedade, entendida como produto das relações sociais e das ações 
recíprocas entre os homens. O assistente social precisa entender a profissão no movimento histórico 
dessa sociedade e trabalhar com a clareza de que o fundamento de sua profissão é a realidade social e 
as questões sociais que estão postas.
O surgimento do Serviço Social como profissão na sociedade brasileira se deu a partir das relações 
históricas, sociais, políticas e econômicas da sociedade que moldam e definem seus usuários. Seu 
significado social e suas demandas, tarefas e atribuições se originam nas relações que constituem a vida 
social e nas respostas que a sociedade e o Estado constroem frente às necessidades diagnosticadas nas 
suas dimensões materiais e culturais da coletividade.
Para Iamamoto (2005), o Serviço Social surgiu com as manifestações da questão social, entendida 
como um conjunto de disparidades econômicas, políticas e culturais da sociedade, ou seja, esse 
surgimento se deu a partir do entendimento da necessidade de intervenção do Estado diante das 
desigualdades sociais da sociedade capitalista. Para a autora, o Serviço Social constitui-se no caráter 
coletivo da produção, opondo-se à apropriação privada da atividade humana e às condições necessárias 
à sua realização e seus frutos.
De modo geral, a função do assistente social é intervir em situações que afetam as condições 
concretas de vida da população e, de modo mais específico, intervir onde existe a concentração da 
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população mais empobrecida da sociedade. Essa atuação deve objetivar a produção de resultados 
concretos nos âmbitos materiais, sociais e culturais da vida dos usuários, de modo a garantir seus 
direitos sociais.
De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6: “são direitos sociais, a educação, 
a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção a maternidade e a 
infância, e assistência aos desamparados” (BRASIL, 1988).
Em relação à assistência social, a Constituição Federal de 1988 define no artigo 203 que será prestada 
(assistência) a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por 
objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a 
promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa 
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios 
de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família 
(BRASIL, 1988).
O artigo 204 da Carta Magna dispõe sobre as ações governamentais na área de assistência social e 
define que elas, além de outras fontes, serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, 
previstos no artigo 195, e organizadas com base nas seguintes diretrizes:
Descentralização político-administrativa, cabendo à esfera federal a 
coordenação e as normas gerais e às esferas estaduais e municipais e a 
entidades beneficentes e de assistência social, a coordenação e a execução 
dos respectivos programas.
Por meio de organizações representativas, participação da população na 
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis, 
sendo facultado, aos estados e ao Distrito Federal, vincular a programa 
de apoio à inclusão e promoção social 0,5% de sua receita tributária 
líquida, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de despesas 
com pessoal e encargos sociais, serviço da dívida ou qualquer outra 
despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações 
apoiados (BRASIL, 1988).
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O futuro profissional de Serviço Social deve ter clareza de que sua atuação precisa levar em 
consideração as relações de classe, gênero, etnia e credo religioso, as aspirações culturais e os 
componentes de ordem emocional e afetiva. Além disso, as intervenções do assistente social ocorrem 
no âmbito das políticas socioassistencialistas na esfera pública ou privada.
Tais intervenções podem ocorrer com atividades que envolvam contato direto com a população 
atendida ou por meio de pesquisas, administração, planejamento, supervisão, consultoriae gestão de 
programas sociais, de acordo com o que for mais viável ao atendimento.
As abordagens diretas com a comunidade podem ocorrer por meio de entrevistas, atendimento de 
plantão social, entrevista domiciliar, encaminhamentos, orientações, reuniões, trabalho com indivíduos, 
famílias, grupos e comunidades, ações de educação e organização popular etc.
A partir da divisão técnica do trabalho na sociedade industrializada, o Estado passou a ter uma 
intervenção progressiva nos processos reguladores da vida social, de modo que fez surgir também a 
necessidade da profissão.
No Brasil, o Serviço Social como profissão se institucionalizou nos anos 1930, como fruto da 
preocupação do Estado, da Igreja e do empresariado, visando ao enfrentamento da questão social, 
conjunto de manifestações da desigualdade social na estrutura capitalista.
As condições de vida dos segmentos mais pobres da população eram precárias e as ações de caráter 
assistencial, religioso e filantrópico desenvolvidas pela solidariedade social eram insuficientes. Desse 
modo, o Estado assumiu o papel de regulador da condução das políticas econômicas e sociais do país e, 
assim, o surgimento do Serviço Social se justificou a partir da questão social.
Vimos que a primeira escola de Serviço Social no Brasil foi criada em 1936 pela Igreja católica e hoje 
corresponde à Faculdade de Serviço Social da PUC-SP. A Igreja era a principal responsável pela formação 
do profissional, por moldar seu perfil e transmitir seu conteúdo e ideal profissional.
A formação dos primeiros profissionais tinha um caráter apostolado e era pautada na abordagem 
da questão social como problema moral de responsabilidade do sujeito que o vive, abordagem bem 
diferente da atual, que reconhece a questão social como um problema decorrente da má distribuição 
de renda. Assim, o profissional de Serviço Social reproduzia em seu trabalho o pensamento social da 
Igreja, fortemente humanista, conservador, contrário aos ideários liberais e marxistas, ocupado com a 
organização, ao invés de negação e destruição, mantenedor da ordem social vigente e reprodutor dos 
interesses da classe dominante.
Tendo como relevante a trajetória histórica do Serviço Social, retomamos a discussão sobre a década 
de 1940. A partir do momento em que a demanda por bens e serviços por parte dos trabalhadores cresceu, 
o Estado necessitou desenvolver ações sociais e intervir diretamente como regulador no processo de 
reprodução das relações sociais, viabilizando o processo de acumulação capitalista e o atendimento das 
necessidades sociais da população.
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Assim, políticas sociais e um mercado de trabalho para o assistente social no serviço público estatal 
foram criados, o que ampliou a ação profissional, ou seja, surgiu a possibilidade de intervenção do 
profissional na situação de vida da população para além da ação social. Pela crescente mediação de políticas 
no campo social, o Estado começou a intervir nas relações sociais, impulsionou a profissionalização e 
ampliou o campo de trabalho do assistente social, de modo que a população pudesse usar esses serviços 
em função das novas formas de enfrentamento das questões sociais.
Embora o assistente social não desempenhe suas atividades como profissional autônomo até os dias 
de hoje, o reconhecimento legal do Serviço Social como profissão liberal no Brasil se deu pela Portaria 
nº 35, de 19 de abril de 1949, do Ministério do Trabalho.
O Movimento de Renovação, nos níveis técnico, teórico, metodológico e político do Serviço Social, 
surgiu nos anos 1960 a partir de insatisfações com a estrutura vigente. Dessa forma, ficou manifestada 
a necessidade de construção de um novo projeto profissional que ilustrasse o comprometimento com 
os interesses da população atendida, ou seja, os usuários.
Surgiram então linhas diferentes de ação para os profissionais do Serviço Social. A partir das décadas 
de 1960 e 1970, além da ampliação da rede de serviços sociais, ampliou-se também a demanda de 
trabalho desses profissionais, o que permitiu um avanço nas esferas acadêmicas e institucionais dos 
âmbitos público e privado.
Com a estabilização das intervenções do Estado no campo social, o Serviço Social profissional se 
consolidou como profissão no Brasil e as condições concretas definiram as particularidades da profissão 
no campo da prestação de serviços socioassistenciais.
Como o fundamento da profissão é a realidade social, na medida em que novos desafios e exigências 
surgem com as situações cotidianas, surge também a necessidade de redefinir os procedimentos e ações 
do profissional para que haja adequação ao mercado de trabalho.
O Serviço Social foi criado oficialmente pela lei de regulamentação profissional, ou seja, a Lei nº 
3.252, regulamentada pelo Decreto nº 994, de 15 de maio de 1962, sendo que essa data ficou instituída 
como o Dia do assistente social.
Essa legislação representava um avanço significativo do Serviço Social frente às demais profissões 
da área social por ser a primeira delas a ter uma lei de regulamentação. Contudo, com o tempo, essa 
legislação deixou de corresponder à realidade da atuação profissional e a seus desafios, sendo necessária 
a busca de redefinições em seus aspectos teórico-metodológicos e ético-políticos.
Tais necessidades suscitaram a fiscalização do Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS), que já 
identificava, desde meados dos anos 1960, algumas fragilidades da legislação profissional.
A discussão sobre a necessidade de revisão da lei apareceu no I Encontro Nacional do Conselho 
Federal do Assistente Social - CFAS/Conselho Regional do Assistente social - CRAS, realizado em 1966. 
Depois, em 1971, no IV Encontro Nacional CFAS/CRAS, houve o debate sobre um anteprojeto, que 
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visava à atualização da lei e seria enviado aos parlamentares para uma possível discussão. Em 1986, 
um projeto de lei (posteriormente arquivado sem aprovação) foi encaminhado aos parlamentares, no 
entanto, somente após três anos o tema voltou a ser discutido nos encontros nacionais e aguardou a 
tão almejada aprovação.
O processo legislativo foi longo e sua aprovação se deu apenas em 7 de junho de 1993, a partir da 
Lei nº 8.662, que substituiu a lei anterior em vigor desde 1957. A nova lei definia com maior clareza as 
competências e atribuições profissionais do assistente social.
De acordo com o artigo 1º da lei de regulamentação da profissão do Serviço Social, Lei nº 8.662/93, 
o exercício da profissão de assistente social é livre em todo o território nacional, mas só poderão exercer 
a profissão aqueles que atenderem o que expõe o artigo 2º (BRASIL, 1993a):
• possuidores de diploma de curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, 
expedido por estabelecimento de ensino superior existente no país, devidamente registrado no 
órgão competente;
• possuidores de diploma de curso superior em Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, 
oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros, 
conveniados ou não com o governo brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado em 
órgãos competentes no Brasil;
• agentes sociais, qualquer que seja sua denominação com funções nos vários órgãos públicos, 
segundo o disposto no artigo 14 e seu parágrafo único da Lei. 1.889, de 13 de junho de 1953.
• a lei determina, ainda, que o exercício da profissão de assistente social necessitará de prévio 
registro nos Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado. 
Sobre as competências do assistente social, o artigo 4º (BRASIL,1993a) da lei em questão define:
• elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgão da administração pública, 
direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;
• elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de 
atuação de Serviço Social com participação da sociedade civil;
• encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;
• orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e 
fazer uso deles no atendimento e na defesa de seus direitos;
• planejar, organizar e administrar benefícios em serviços sociais;
• planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e 
para subsidiar ações profissionais;
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• prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública; direta e indireta, empresas 
privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;
• prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no 
exercício e na defesa dos direitos civis, políticos da coletividade.
• planejamento, organização e administração de serviços sociais e de Unidade de Serviço Social;
• realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto 
a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. 
As atribuições que apenas o profissional de Serviço Social pode desempenhar são (BRASIL, 1993a):
• coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e 
projetos na área de Serviço Social;
• planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;
• assessoria e consultoria a órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e 
outras entidades, em matéria de Serviço Social;
• realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de 
Serviço Social;
• assumir, no magistério de Serviço Social tanto em nível de graduação como pós-graduação, 
disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação 
regular;
• dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação;
• dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social;
• elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras 
formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao 
Serviço Social;
• coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço 
Social;
• fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regional;
• dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;
• ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades 
representativas da categoria profissional.
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A carga horária de trabalho do assistente social será de 30 horas semanais, regulamentada pela Lei 
nº 12.317, de 2010.
Em relação aos conselhos, eles adquirem as seguintes denominações: Conselho Federal de Serviço 
Social (CFESS) e Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS). A lei que cria o CRESS também lhe 
confere atribuições e poderes específicos que são exercidos por meio das funções executiva, legislativa 
e judiciária. A responsabilidade pela fiscalização do profissional de Serviço Social fica por conta desse 
conselho.
De acordo com o artigo 7º da referida lei, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos 
Regionais de Serviço Social (CRESS), na forma da lei, constituem-se em seu conjunto uma entidade com 
personalidade jurídica e forma federativa, com o objetivo básico de disciplinar e defender o exercício da 
profissão de assistente social em todo o território nacional.
A Lei define também que os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) são dotados de autonomia 
administrativa e financeira, sem prejuízo de sua vinculação ao Conselho Federal, e cabe ao Conselho 
Federal de Serviço Social (CFESS) e aos Conselhos Regionais de Serviço Social (Cress) representarem, em 
juízo e fora dele, os interesses gerais e individuais dos assistentes sociais.
São atribuições e competência do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), na qualidade de órgão 
normativo de grau superior (BRASIL, 1993a):
• orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício da profissão de assistente social, 
em conjunto com o CRESS;
• assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário;
• aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/
CRESS;
• aprovar o Código de Ética profissional dos assistentes sociais juntamente com os CRESS, no fórum 
máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS;
• funcionar como Tribunal Superior de Ética Profissional;
• julgar, em última instância, os recursos contra as sanções impostas pelos Cress;
• estabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados;
• prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados, em matéria de Serviço 
Social. 
As deliberações da profissão referente à lei em questão dar-se-ão nas reuniões conjuntas dos 
Conselhos Federal e Regional, que, inclusive, fixarão os limites de sua competência e sua forma de 
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convocação. É de competência dos CRESS, em suas respectivas áreas de jurisdição, na qualidade de 
órgão executivo e de primeira instância, o exercício das seguintes atribuições:
• organizar e manter o registro profissional dos assistentes sociais e o cadastro das instituições e 
obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos;
• fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de assistente social na respectiva região;
• expedir carteiras profissionais de assistentes sociais, fixando a respectiva taxa;
• zelar pela observância do Código de Ética profissional, funcionando como Tribunais Regionais de 
Ética Profissional;
• aplicar as sanções previstas no Código de Ética profissional;
• fixar, em assembleia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais;
• elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de 
deliberação do conjunto CFESS/CRESS.
A lei determina ainda que o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) terá sede e foro no Distrito 
Federal e em cada capital de Estado, de Território e no Distrito Federal, haverá um Conselho Regional de 
Serviço Social (CRESS) denominado segundo a sua jurisdição, a qual alcançará, respectivamente, a do 
Estado, a do Território e a do Distrito Federal e dá outras providências:
• nos Estados ou Territórios em que os profissionais que neles atuam não tenham possibilidade de 
instalar um Conselho Regional, deverá ser constituída uma delegacia subordinada ao Conselho 
Regional que oferecer melhores condições de comunicação, fiscalização e orientação, ouvido o 
órgão regional e com homologação do Conselho Federal;
• os Conselhos Regionais poderão constituir, dentro de sua própria área de jurisdição, delegacias 
seccionais para desempenho de suas atribuições executivas e de primeira instância nas regiões em 
que forem instalados, desde que a arrecadação proveniente dos profissionais nelas atuantes seja 
suficiente para sua própria manutenção.Em relação ao registro para o exercício da profissão, a lei determina que a inscrição nos Conselhos 
Regionais sujeita os assistentes sociais ao pagamento das contribuições compulsórias (anuidades), taxas 
e demais emolumentos que forem estabelecidos em regulamentação baixada pelo Conselho Federal, em 
deliberação conjunta com os Conselhos Regionais. É obrigatório pela lei (BRASIL, 1993a):
• às Unidades de Ensino credenciar e comunicar aos Conselhos Regionais de sua jurisdição os 
campos de estágio de seus alunos e designar os assistentes sociais responsáveis por sua supervisão. 
Somente os estudantes de Serviço Social, sob supervisão direta de assistente social em pleno gozo 
de seus direitos profissionais, poderão realizar estágio de Serviço Social.
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Ficam os CRESS responsáveis pela aplicação das sanções cabíveis no caso de infrações, sendo que as 
penalidades aos infratores são:
• multa no valor de uma a cinco vezes a anuidade vigente;
• suspensão de um a dois anos de exercício da profissão ao assistente social que, no âmbito de 
sua atuação, deixar de cumprir disposições do Código de Ética, tendo em vista a gravidade da 
falta;
• cancelamento definitivo do registro, nos casos de extrema gravidade ou de reincidência contumaz.
Fica definido ainda que, provada a participação ativa ou conivência de empresas, entidades, 
instituições ou firmas individuais nas infrações pelos profissionais delas dependentes, serão estas 
também passíveis das multas na proporção de sua responsabilidade. No caso de reincidência na mesma 
infração no prazo de dois anos, a multa cabível será elevada ao dobro.
A Carteira de Identificação Profissional, expedida pelos Conselhos Regionais de Serviço Social, terá 
reconhecimento em todo o território nacional e servirá para comprovar exercício profissional, bem 
como carteira de Identidade Pessoal.
Estando munido deste documento, o profissional está apto a exercer sua profissão, lembrando que 
deve estar de acordo com exigências do Código de Ética profissional vigente.
6.5.3 Atuação ética do assistente social e a questão social vigente
De acordo com a regulamentação do Serviço Social pela Lei nº 8.662/93, é competência do assistente 
social elaborar, programar e executar políticas sociais, programas e projetos junto à administração 
pública direta ou indireta, a empresas, a entidades e junto a organizações populares.
Além disso, o assistente social precisa orientar indivíduos, grupos e população; tomar providências; 
prestar assessoria; realizar estudos socioeconômicos, vistorias, perícias técnicas e laudos periciais; 
buscar informações; redigir pareceres sobre a matéria de Serviço Social, entre outras atividades. Assim, é 
possível notar que o assistente social deve atuar nas mais diversas áreas que trabalham a questão social.
Essa questão é um tema muito discutido dentro do universo do Serviço Social. Podemos até mesmo 
afirmar que a questão social é a base do trabalho do assistente social, pois a profissão tem um caráter 
sociopolítico.
Contudo, é necessário refletirmos sobre o significado, surgimento e importância desse tema: o que 
entendemos por questão social? O que ela representa? Como surgiu essa expressão? Por que discutir a 
questão social?
A questão social surgiu no século XIX, a partir das transformações econômicas, políticas e sociais 
ocorridas na Europa. Essas transformações foram motivadas pela tomada de consciência da sociedade 
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em relação aos problemas decorrentes do trabalho urbano e da pauperização como fenômeno social 
advindo do resultado obtido pelo capitalismo industrial.
A obtenção desse resultado teve como cenário o empobrecimento da população trabalhadora, que 
crescia na mesma proporção em que aumentava a produção industrial, o que gerou um distanciamento 
entre o crescimento econômico e o aumento da pobreza.
Esse momento foi perpassado por uma profunda insensibilidade dos exploradores para com 
os explorados economicamente, os quais nem sempre têm consciência de sua força na luta política 
contra os opressores, e no âmbito das relações socioeconômicas produzem e reproduzem condições de 
sobrevivência.
No desenvolvimento da sociedade, notamos contradições: por um lado, temos a concentração e 
acumulação de capital e o acesso de determinadas camadas da população aos bens culturais e sociais 
elaborados e, por outro, temos o aumento da miséria, a pobreza da população e a carência cultural, o 
que torna a questão social um desafio histórico.
São muitos os fatores que fizeram surgir a questão social, dentre eles, temos:
• problemas vinculados às modernas condições de trabalho urbano;
• surgimento da burguesia e do proletariado;
• relações de trabalho e de capital nas quais o objetivo é acumular capital em detrimento da garantia 
de condições de vida do trabalhador;
• empobrecimento da classe trabalhadora;
• surgimento de uma nova forma de exploração com a produção industrializada;
• apropriação desigual do produto socialmente constituído.
Os fatores que motivaram a reflexão sobre a questão social foram:
• reconhecimento por parte dos trabalhadores da necessidade de superação de sua condição por 
meio do enfrentamento;
• políticas públicas voltadas às necessidades das classes menos favorecidas;
• organização dos trabalhadores na busca por respostas às suas necessidades sociais.
A industrialização, acompanhada da urbanização e da falta de planejamento, e os projetos que 
sobrepõem o capital ao trabalho constituem o processo desencadeador da questão social.
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As relações sociais e econômicas pré-industriais sucumbiram ao avanço das forças produtivas, o 
que provocou mudanças estruturais nas quais a pobreza, politicamente problematizada, se tornou pré-
condição estrutural da questão social.
 Lembrete
Para Marx, a divisão social do trabalho, entendida como totalidade das 
diferentes formas de trabalho útil em ordem, gênero, espécie e variedade, 
sempre existiu em todas as sociedades.
A questão social é uma configuração que, após ser problematizada, é reconhecida e assumida por 
um setor da sociedade e se torna pública, sendo passível de enfrentamento e de demanda social no 
sentido de resolvê-la.
Tomando a pobreza como exemplo, não basta conceituá-la e reconhecê-la como tal, é 
preciso pensá-la a partir de seus dilemas e mazelas e conceituá-la levando em consideração 
os direitos sociais, a justiça e o papel do Estado no que corresponde à sua responsabilidade 
pública. 
Entendida como conjunto de expressões da desigualdade e das lutas da sociedade capitalista em 
suas múltiplas manifestações, a questão social se materializa em desemprego, analfabetismo, fome, 
violência, questões de moradia, trabalho, saúde, previdência, educação, habitação, lazer, assistência 
social, justiça etc. É nesse contexto que os profissionais do Serviço Social atuam, ou seja, nas mais 
variadas estruturas cotidianas que demandam auxílio em torno de necessidades da família, de 
atendimento aos direitos e acesso aos serviços públicos.
Para Castel (1998), a questão social é a inquietação de uma sociedade em relação à sua capacidade 
de manter a coesão entre os grupos distintos. O que surge é uma ameaça de ruptura pelos grupos cuja 
existência abala a coesão do conjunto.
O autor coloca ainda que a questão social reside às margens da coletividade e questiona o conjunto 
da sociedade no sentido de promover a integração. Castel (1998) aponta que existem dois eixos, um 
econômico e outro social,nos quais ganham centralidade os processos que levam à destituição do 
trabalho seguro e da participação em relações sólidas; isso pode fazer o indivíduo transitar pelo que 
chama de “zonas”: integração, vulnerabilidade social, assistência e desfiliação.
Iamamoto (2005) aponta não ser possível separar a questão social da sociedade capitalista ou das 
configurações assumidas pelo trabalho e pelo Estado na expansão do monopólio do capital, uma vez 
que ela deriva das desigualdades produzidas justamente pelo trabalho e pelo capital.
As questões sociais ou problemas sociais podem ser pré-conceituados apenas como decorrentes 
da carência de recursos materiais e intelectuais, como a pobreza, vista como causa individual e de 
responsabilidade de cada um. Elas podem ainda ser entendidas erroneamente como dificuldades 
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enfrentadas pela população que ultrapassam o nível considerado normal ou o nível controlado pelo 
Poder Público, sendo nomeadas, portanto, como fenômeno social.
Podemos citar, por exemplo, os problemas cotidianos que apresentam sérias consequências e vão 
do desemprego aos sequestros e das secas à violência, provocando diversos desajustes na conjuntura 
político-social e requerendo uma visão estratégica e governamental para apresentação de propostas de 
soluções adequadas. Tais problemas são encarados pela própria sociedade como responsabilidade única 
do governo e das políticas públicas.
É notório que ainda exista uma confusão na definição do que vem a ser um problema ou uma 
questão social; entretanto, essa problemática está presente de forma concreta na sociedade e 
demanda seu controle e equacionalização por meio de políticas públicas. Vemos isso claramente 
se tomarmos como exemplo, por um lado, a questão das injustiças e desigualdades sociais, 
consideradas normais por não representarem ameaças diretas ao controle político e à ordem e, por 
isso mesmo, toleradas; e, por outro lado, a violência, os sequestros e os homicídios, considerados 
como prioridade para ação e investimento, pois ameaçam diretamente a ordem e o poder e são 
considerados intoleráveis.
Logo, podemos concluir que existe a falta de compromisso com a questão social ao tratarem-se 
fenômenos sociais, como a pobreza decorrente das secas e do desemprego, como algo tolerável e sem 
prioridade.
Todavia, quando a mesma pobreza vem acompanhada da violência que ameaça a ordem, ela se 
transforma em prioridade, de modo que políticas públicas são elaboradas e providências são tomadas 
para que haja o retorno aos níveis aceitáveis e/ou controláveis de desordem. Os problemas entendidos 
como éticos e morais estão associados à permanência da ordem social do governante que está no poder.
No Brasil, a questão social ainda é moldada de acordo com os interesses das elites políticas e 
está vinculada à dependência entre política econômica e social. Ainda vemos cidadãos morrendo em 
hospitais por falta de atendimento, vagas sendo ofertadas em escolas e creches por arranjos políticos e 
a existência latente do nepotismo.
Grande parte da sociedade está carente de serviços sociais básicos, como água, esgoto e educação. 
Os serviços que deveriam ser públicos, como os oferecidos pelos setores de energia, telefonia e indústria 
farmacêutica, por exemplo, são controlados pelo capital privado, o que torna a prestação de serviços 
um produto cada vez mais caro. Assim, a questão social deixa de ser associada ao mercado de trabalho 
para ser vinculada ao mercado de consumo e aos direitos sociais, assumindo, então, um caráter de 
necessidade social.
Como vimos anteriormente, a Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, visa:
[...] instituir um estado democrático destinado a assegurar o exercício 
dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o 
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma 
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sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia 
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução 
pacífica das controvérsias (BRASIL, 1988).
Na busca pelo Estado democrático, pela igualdade de direitos, pela liberdade e pela justiça, a 
Constituição Federal do Brasil define como fundamentos em seu artigo 1º, a soberania, a cidadania, a 
dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político 
(BRASIL, 1988).
São os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: a construção de uma sociedade 
livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento nacional; a erradicação da pobreza e da 
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem de todos, 
sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação 
(BRASIL, 1988).
Os Direitos e Garantias Fundamentais compreendem direitos e deveres individuais e coletivos 
e direitos sociais. Frente a isso, a Constituição Federal de 1988 define e orienta em relação ao 
contexto nos quais o assistente social desenvolve seu trabalho e orienta a população na busca 
pela manutenção dos direitos de cada cidadão brasileiro. Assim, no artigo 5º da Constituição 
Federal, temos que:
[...] todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade (BRASIL, 1988).
Em 2000, uma emenda constitucional foi acrescida aos oito direitos sociais da Constituição de 1988, 
considerados direitos de todos. Assim, no artigo 6º desse documento, a moradia foi acrescida como 
direito social.
São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, 
a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma 
desta Constituição (BRASIL, 1988).
A Constituição Federal define como deve ser tratado cada direito social. Em seu artigo 7º, institui os 
direitos dos trabalhadores urbanos e rurais com vistas à melhoria de sua condição social. A saúde, por 
exemplo, é tratada no art. 196:
[...] a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de 
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para 
sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1988).
No artigo 197, são apontados os deveres do Poder Público relacionados à saúde:
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São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder 
Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e 
controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros 
e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado (BRASIL, 1988).
Para proteger o trabalhador que, por motivo de força maior, não tiver mais condições de exercer seu 
trabalho, a previdência social, de acordo com o artigo 201, deverá ser organizada sob a forma de um 
regime geral de caráter contributivo e filiação obrigatória e em observância aos critérios que preservem 
o equilíbrio financeiro e atuarial.
A educação é citada da seguinte forma no artigo 205:
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida 
e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988).
Em relação à cultura, o artigo215 da Constituição Federal aponta que o “Estado garantirá a todos 
o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e apoiará e incentivará a 
valorização e a difusão das manifestações culturais” (BRASIL, 1988). Quanto ao desporto, no artigo 217, 
menciona-se que é “dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito 
de cada um” (BRASIL, 1988).
No que diz respeito à família, à criança, ao adolescente, ao jovem e ao idoso, a Constituição destaca 
em seu artigo 226 que a família é a base da sociedade, portanto, deverá ter proteção especial do Estado. 
No artigo 227, determina ainda como
[...] dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao 
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, 
à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1988).
No artigo 229, o texto constitucional aponta como dever dos pais assistir, criar e educar os filhos 
menores. Já aos filhos maiores, é reservado o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência 
ou enfermidade. E, segundo o artigo 230 do mesmo texto, a família, a sociedade e o Estado, por 
sua vez, têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando-lhes participação na comunidade, 
defendendo sua dignidade e garantindo-lhes os direitos sociais que se encontram na Constituição 
Federal de 1988.
A Constituição expõe com muita clareza os direitos sociais e as garantias fundamentais e qualquer 
ação contrária a esses preceitos se torna problema social. Como já sabemos, a questão social é resultado 
de um problema percebido por um determinado setor da sociedade que, na tentativa de equacioná-lo, 
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torna-o público e o transforma em demanda política, o que implica tensões, conflitos, lutas, correlação 
de forças e construção de novos sujeitos políticos.
Podemos dizer que a questão social está centrada na falta da garantia dos direitos sociais que 
evidenciam as desigualdades e injustiças sociais como a pobreza, a miséria e a exclusão social.
Nas relações sociais que se desenvolvem no sistema produtivo, o trabalho humano é focalizado a 
partir de sua exploração pelo capital, o que gera diversas consequências para a vida do trabalhador, que 
corresponde a aspectos econômicos, políticos e sociais.
O profissional de Serviço Social precisa estar atento às constantes mudanças que favorecem e 
desafiam sua atuação, seja ela de ordem social, econômica ou cultural, pois a questão social como fator 
histórico assume novas formas a cada época e é fruto das transformações advindas com o tempo.
Durante sua atuação, o assistente social precisa intervir para não legitimar o sistema de 
reprodução de subalternidade, de subserviência e de apadrinhamento das classes assalariadas e 
do povo em geral para com os detentores do poder econômico e político do país. Além disso, ele 
deverá proporcionar a inclusão da classe menos favorecida, dos desempregados e dos analfabetos 
no mercado de trabalho, dando-lhes a garantia de poder usufruir dos direitos fundamentais 
previstos na Constituição Federal.
Por meio do conhecimento teórico e metodológico, é possível fazer análises do contexto social a fim 
de desenvolver uma atuação eficiente e eficaz. A intervenção profissional, a observação, o levantamento 
de indicadores e a problematização da questão social permitirão o surgimento de novas políticas para 
a elucidação dos problemas.
As constantes transformações na sociedade brasileira, o contexto de desigualdade, as contradições, 
a divisão das classes sociais e a globalização fizeram com que o profissional de Serviço Social dirigisse 
sua ação para o entendimento e intervenção nas manifestações das questões sociais postas e para os 
processos de redefinição de proteção social e de novas políticas sociais.
Desse modo, os profissionais necessitaram ampliar cada vez mais sua atuação para todos os 
espaços da questão social, garantindo o direito da família, da criança, do idoso, do adolescente, 
do trabalho, da saúde, da educação, dos grupos étnicos, entre outros, e lutando contra todas 
as formas de violação de direito. Tais demandas exigiram do profissional uma atuação técnica, 
política e ética, proporcionando-lhe uma posição mais consolidada na profissão. Assim, com 
a participação ativa da categoria e de entidades representativas, construiu-se um projeto 
ético-político profissional.
As raízes desse projeto ético-político estão ancoradas na luta dos assistentes sociais pelo fim 
do conservadorismo profissional na década de 1970 e 1980. Na época, os profissionais já tinham 
desenvolvido o desejo de luta pela melhoria na atuação profissional e na perspectiva e necessidade de 
comprometer a profissão com os interesses e necessidades de seus usuários.
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A luta dos assistentes sociais para defender as políticas públicas que garantem os direitos 
fundamentais e a democracia não pode parar. As desigualdades e todas as formas de exclusão social 
devem ser enfrentadas. Diante das desigualdades sociais e da má distribuição de renda, o assistente 
social precisa se orientar pelo projeto ético-político e pela perspectiva de direito e cidadania.
Atualmente, é possível perceber a atuação do assistente social nos fóruns e conselhos vinculados 
a políticas sociais e na defesa do legítimo controle dos direitos dos usuários, o que demonstra grande 
maturidade com o compromisso ético-político.
O projeto ético-político de Serviço Social está centrado nos valores de liberdade, defesa dos 
direitos humanos e compromisso com a competência. Por isso, o assistente social deve ser ético 
e ter conhecimento da realidade social, das políticas públicas e da rede socioassistencial de 
atendimento.
O princípio da liberdade dentro do projeto ético-político deve reconhecer a liberdade como valor 
fundamental associado à autonomia e à emancipação, de modo que o objetivo profissional promova 
na sociedade uma nova ordem social, livre de qualquer tipo de dominação e de exploração das classes 
sociais menos favorecidas.
O princípio de defesa dos direitos humanos, por sua vez, deve universalizar o acesso aos bens 
e serviços referentes a políticas e programas sociais, promovendo a equidade e a justiça social 
e ampliando e consolidando o exercício de cidadania, única forma de garantir os direitos civis, 
políticos e sociais.
O projeto ético-político implica ao profissional o princípio do compromisso com a competência, cuja 
base é a qualificação para analisar a realidade social. Para ter essa competência, é necessário investir 
no aprimoramento e na formação permanente, o que requer do profissional uma constante postura 
investigativa e uma procura por priorizar o compromisso com a qualidade dos serviços prestados no 
exercício do trabalho à população usuária.
O papel do assistente social é compreender a realidade e propor ações que efetivem os direitos 
sociais e humanos, atuando também como formulador e executor de políticas públicas. Esse profissional 
deve ter competência para responder à expectativa da sociedade.
O assistente social também deve fazer a articulação de sua ação com segmentos de outras categorias 
profissionais que partilhem de propostas similares e com movimentos que se solidarizem com a luta 
geral dos trabalhadores.
O projeto ético-político visando à garantia dos direitos como forma de cidadania se materializa 
por meio de algumas dimensões que norteiama atuação do profissional na defesa das políticas 
públicas e no enfrentamento das desigualdades sociais e da exclusão social. Tais dimensões são: 
dimensão da produção de conhecimento, dimensão político-organizativa e dimensão jurídico-
política da profissão.
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A dimensão da produção de conhecimento no interior do Serviço Social se apresenta como esfera 
da sistematização das modalidades práticas da profissão, esfera na qual ocorrem os processos reflexivos 
do fazer profissional e de seus objetivos.
Na dimensão político-organizativa da profissão, temos a estrutura organizacional da atuação do 
assistente social, que se faz por meio dos fóruns de deliberação e das entidades representativas (CFESS/
CRESS, Abepss, associações político-profissionais etc.).
A dimensão jurídico-política da profissão se materializa em dois aparatos: o político-jurídico, que 
é estritamente profissional e se baseia no Código de Ética profissional, na Lei de Regulamentação da 
Profissão (Lei nº 8.662/93) e nas novas Diretrizes Curriculares do MEC; e o jurídico-político, de caráter 
mais abrangente e que se dá por meio das leis relativas à Ordem Social da Constituição Federal de 1988.
 Saiba mais
Assista aos filmes indicados a seguir e tente identificar os modos de 
produção capitalista, a exploração do trabalho, as desigualdades sociais, 
a luta de classes e as diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo 
apresentado. A partir dessa análise, procure situar a atuação do assistente 
social em cada contexto. 
DAENS: um grito de justiça. Dir. Stijn Coninx. Bélgica/França/Holanda. 
1992. 138 min.
ELES não usam black tie. Dir. Leon Hirszman. Brasil. 1981. 134 min. 
GAIJIN: caminhos da liberdade. Dir. Tizuka Yamasaki. Brasil. 1980. 104 min.
TEMPOS Modernos. Dir. Charles Chaplin. Estados Unidos. 1936. 87 min. 
De acordo com Netto (1999), o projeto ético-político articula em si, como elementos constitutivos, 
os conhecimentos teóricos, os saberes interventivos, as normas, as práticas de atuação, a imagem ideal 
da profissão e os valores que legitimam seus objetivos e sua função social.
O campo de atuação do assistente social é muito extenso e se desdobra no atendimento às 
necessidades das mais precárias condições de vida dos usuários. Seja na orientação aos trabalhadores, 
na saúde ou em projetos e programas de políticas públicas, a postura do profissional deve ser sempre 
ética e visar aos direitos de cada cidadão.
De modo geral, a atuação do assistente social deve se pautar na ética ao atender a população 
usuária dos serviços sociais e, ainda, ter um olhar crítico ao diagnosticar as demandas existentes, pois 
só assim conseguirá a manutenção dos direitos sociais previstos em lei.
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 Saiba mais
O Ministério Público do Trabalho (MPT) atua nas áreas de proteção ao 
trabalhador. Consulte o site e obtenha mais informações: 
<http://portal.mpt.gov.br/>.
Já a revista Crítica Marxista, da Universidade Estadual de Campinas 
(Unicamp), é um periódico cuja finalidade é difundir e discutir a produção 
intelectual marxista. Acesse: <http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/> 
 Resumo
Nesta unidade, discutimos as expectativas em relação à identidade 
de ordem normativa, que direciona ao cumprimento de leis, normas, 
regulamentos; e de ordem pessoal, que se refere à ordem relacional, o 
modo como se dão as relações no contexto em que estão inseridas. Vimos 
que a prática profissional do assistente social, no surgimento da profissão, 
tem uma determinada identidade que lhe foi atribuída, uma vez que a 
profissão estava articulada com a formação e desenvolvimento do sistema 
capitalista, por meio do estudo da trajetória histórica do Serviço Social no 
Brasil.
Apresentamos o Serviço Social enquanto profissão liberal, as fragilidades 
e as possibilidades que o assistente social encontra para exercer o seu fazer 
profissional de forma autônoma. Você conheceu, de forma breve, o processo 
de regulamentação do Serviço Social desde a primeira lei, em 1957, até a 
lei vigente que regulamenta a profissão (Lei 8.662), promulgada em 1993. 
Conheceu também os aspectos introdutórios da Lei 8.662/93, no que se 
refere ao exercício profissional em todo território nacional e às atribuições 
privativas do assistente social.
Vimos os princípios fundamentais do Código de Ética do assistente 
social, fizemos uma breve retomada sobre a origem do Serviço Social e 
o seu posicionamento na contemporaneidade em defesa dos direitos 
humanos e na luta pela construção de uma nova ordem societária, na 
qual prevaleçam a igualdade, a justiça e a equidade social. Uma sociedade 
pautada em princípios democráticos visando à plena cidadania de seus 
membros: essa luta é assumida pela categoria profissional e está explícita 
nos cinco primeiros princípios elencados no Código de Ética de 1993.
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Outro assunto importante apresentado foi uma breve noção de como 
se instaura um processo contra um assistente social que violou o Código de 
Ética profissional. E, ainda, discutimos a noção de instrumento processual 
como forma de sugestão e apontamento para uma breve noção de como 
se recompõem os direitos violados, finalidade esta do processo ético. A 
denúncia pode ser feita inclusive por outro profissional, visto que o atual 
Código de Ética anula aquele caráter corporativista das demais profissões 
e se configura muito mais como um instrumento a favor dos usuários do 
que da categoria.
Trabalhamos o cotidiano como espaço de atuação do assistente social 
e apresentamos considerações de alguns autores sobre a vida cotidiana. 
Compreendemos que é no cotidiano institucional que se concretiza a 
práxis profissional do assistente social. Sobre a práxis, vimos que se trata 
de uma categoria do fazer profissional, ocorrendo por meio do acúmulo 
de conhecimentos teórico-metodológicos que contribuem para que esse 
profissional atue de forma sistematizada. 
Estudamos também as questões éticas contemporâneas e o 
posicionamento do Serviço Social frente a essa discussão. A discussão 
sobre a ética no interior da profissão está em sintonia com os diversos 
movimentos sociais em prol da vida e da emancipação humana, 
configurando-se por meio da proposta de efetivar o projeto profissional 
dos assistentes sociais: o Projeto Ético-Político. Compreende-se que, sem 
entendermos a dimensão do significado desse projeto no seio da categoria, 
fica difícil entender o papel social dessa profissão tão protagonista no 
cenário contemporâneo.
Vimos, ainda, que o Serviço Social como profissão se institucionalizou 
no Brasil nos anos de 1930, como fruto da preocupação do Estado, da 
Igreja e do empresariado, visando ao enfrentamento da questão social. As 
condições de vida dos segmentos mais pobres da população eram precárias 
e ações de caráter assistencial, religioso e filantrópico desenvolvidas pela 
solidariedade social eram insuficientes. Desse modo, o Estado assumiu o 
papel de regulador da condução das políticas econômicas e sociais do país 
e o surgimento do Serviço Social se justificou a partir da questão social.
Estudamos, também, que de acordo com a regulamentação do 
Serviço Social, Lei nº 8.662/93, é competência do assistente social 
elaborar, implementar e executar políticas sociais, programas e projetos 
junto à administração pública, direta ou indireta, a empresas, entidades 
e organizações populares. Além disso, deve prestar orientação social a 
indivíduos, grupos e à população; tomar as devidas providências,prestar 
assessoria e realizar estudos socioeconômicos; vistorias, perícias técnicas, 
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laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social, 
entre outras.
Por fim, vimos que a questão social surgiu com as transformações 
econômicas, políticas e sociais ocorridas na Europa e motivadas pela 
tomada de consciência da sociedade em relação aos problemas decorrentes 
do trabalho urbano e da pauperização como fenômeno social decorrente 
do capitalismo industrial. A questão social é entendida como conjunto das 
expressões da desigualdade e das lutas da sociedade capitalista em suas 
múltiplas manifestações e, ainda, a questão social se materializa na forma 
de desemprego, analfabetismo, fome, violência, questões de moradia, 
trabalho, saúde, previdência, educação, habitação, lazer, assistência social, 
justiça etc. 
Contudo, aprendemos nesta disciplina que o projeto ético-político 
coloca o profissional perante o compromisso com a competência, cuja 
base é o aprimoramento e a preocupação com sua formação permanente 
e uma constante postura investigativa, procurando também priorizar o 
compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população usuária.
Assim, o papel do assistente social é compreender a realidade, propondo 
ações que efetivem os direitos sociais e humanos, atuando também 
como formulador e executor de políticas públicas, tendo competência 
para responder à expectativa da sociedade, articulando sua ação com os 
segmentos de outras categorias profissionais que partilhem de propostas 
similares e com os movimentos que se solidarizam com a luta dos mais 
necessitados. Entendemos que o campo de atuação do assistente social é 
muito extenso, pois sua atuação acontece no atendimento às necessidades 
nas mais precárias condições de vida dos usuários, seja na orientação aos 
trabalhadores, na saúde ou nos projetos e programas de políticas públicas.
Esperamos que, ao final desta unidade, os estudantes e futuros 
profissionais do Serviço Social tenham compreendido as dimensões 
éticas, morais e políticas da vida social e profissional, reconhecendo a 
especificidade do Serviço Social enquanto profissão norteada por bases 
filosóficas e morais e, sobretudo, tenham compreendido a ética profissional 
como extensão da práxis social.
Esperamos que a fundamentação histórica da institucionalização do 
Serviço Social e as dimensões da questão social presentes nas mais diversas 
expressões cotidianas possam ter sido apreendidas pelos estudantes de 
modo que atuem com consciência, competência e ética, correspondendo 
às expectativas da população usuária.
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 Exercícios
Questão 1. Silviniano Solerte assumiu a Prefeitura do Município de Igarataiana do Sul e nomeou como 
Secretário de Serviço Social um pecuarista da região de quem ele é muito amigo. O pecuarista, por sua vez, 
nomeou para os principais cargos da secretaria seus aliados políticos, sem nenhuma preocupação com 
a formação profissional deles. Passados dois anos de governo, o Prefeito foi afastado por comprovadas 
práticas de corrupção e desvio de dinheiro público. Seu substituto afastou o secretariado e chamou 
você, que é graduado em Serviço Social, para uma reunião. Na reunião, o prefeito recém-empossado fez 
uma série de perguntas que ficaram sem resposta, porque não existem estudos e nem levantamentos 
sobre os principais problemas sociais do município. Ele então solicitou que você preparasse um plano de 
ação para a área social. Para isso é fundamental que você tenha:
A) aliados políticos para ajudar a pensar em como definir as prioridades sociais para o atual governo.
B) conhecimentos estatísticos que possibilitem o desenvolvimento da capacidade de tomar decisões, 
essencial no exercício da cidadania ou na vida profissional.
C) contato com autoridades do governo estadual para poder solicitar verbas para programas sociais 
a serem implementados no município.
D) relação das reivindicações dos grupos organizados de moradores da cidade, para detectar em que 
locais estão concentradas as maiores fragilidades sociais do município.
E) uma equipe de profissionais altamente qualificados e motivados para poder dar início aos projetos 
de promoção social adequados para a população do município.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: não são os aliados políticos que devem decidir as políticas sociais a serem implementadas, 
até porque muitas vezes seus interesses pessoais e partidários são conflitantes com as necessidades 
efetivas da população.
B) Alternativa correta.
Justificativa: os estudos estatísticos serão fundamentais para detectar problemas sociais reais da 
comunidade e, a partir disso, definir a utilização racional dos recursos econômicos e técnicos de que o 
município dispõe.
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Unidade II
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a obtenção de recursos econômicos sem estudo estatístico prévio é inútil, pois os 
recursos poderão ser utilizados de forma inadequada, exatamente porque não existem estudos para 
indicar quais são os aspectos sociais mais deficitários e, consequentemente, mais urgentes.
D) Alternativa incorreta
Justificativa: as reivindicações dos grupos sociais organizados, assim como as dos Conselhos 
Municipais, são de grande valia para o administrador público, contudo é certo que os dados estatísticos 
são mais objetivos e claros.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: uma equipe de profissionais altamente qualificados e motivados será essencial para 
organizar e implementar planos de ação, entretanto, para que esses planos sejam efetivos para dar 
conta das carências reais da população do município, é preciso que estudos estatísticos identifiquem de 
forma objetiva as suas necessidades.
Questão 2. Igarataiana do Sul cresceu muito nos últimos anos e hoje enfrenta problemas sérios 
com o aumento do consumo de entorpecentes. Já existem alguns jovens cuja dependência química 
é bastante acentuada, mas as famílias não têm onde tratá-los, porque não existe nenhum programa 
público para atender a essa necessidade. O novo prefeito está sofrendo pressões para solucionar o 
problema e resolveu implantar a internação compulsória como política de tratamento de dependentes 
químicos. Você, como assistente social, integra o comitê que vai estudar e colocar em prática essa 
política. Logo na primeira reunião, você ouviu várias manifestações sobre a política de internação 
compulsória determinada pelo Prefeito:
I - A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por um médico devidamente 
registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado onde se localize o estabelecimento.
II - A internação involuntária vai significar um aumento de gastos e isso é vedado expressamente 
pela lei de responsabilidade fiscal.
III - A internação compulsória só pode ser determinada por um juiz de direito.
IV - A internação compulsória é o tratamento mais indicado para os casos de dependência química, 
porque isola o indivíduo do contato social, que é a sua fonte de malefícios.
V - A internação compulsória é garantida por lei como benefício para a família do dependente 
químico, que poderá ficar livre do problema.
Está correto o que se afirma em:
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A) I e V.
B) II e IV.
C) II e V.
D) I e III.
E) IV e V.
Resolução desta questãona plataforma.

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