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DJi - SURSIS - Suspensão Condicional da Pena - Suspensão de Execução de Penas

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pelo juiz. Como adverte Júlio Fabbrini
Mirabete, embora o Art. 77 do CP estabeleça que a pena poderá ser
suspensa, aparentando, à primeira vista, tratar-se de uma faculdade do
juiz, o sursis é um direito do sentenciado que satisfaça os re quisitos
exigidos para sua concessão. Em face disso, deve o magistrado
manifestar-se a respeito do sursis por ocasião da sentença, sob pena de
nulidade desta (Art. 697 do CPP). O CP rege a matéria nos arts. 77 e
segs.. Observemos o Art. 44 citado no inciso III do Art. 77. Tendo em
vista o critério da temporariedade para efeito de determinação da
reincidência, o mesmo réu pode ser beneficiado por duas ou mais vezes
com a suspensão condicional da pena. Assim, decorridos mais de cinco
anos entre o cumprimento ou a extinção da pena, o autor de um novo
delito retorna ao escalão de não reincidente, podendo obter o benefício
do sursis (CP, Art. 64, I). Durante o período da suspensão, o condenado
fica sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas
pelo juiz. No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar
serviços à comunidade ou submeter-se à limitação de fim de semana
constante do Art. 48 do CP. Se o condenado houver reparado o dano,
salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do Art. 59 do CP
lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência da
prestação de serviços à comunidade ou da limitação de fim de semana,
por uma ou mais das seguintes condições: a) proibição de freqüentar
determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde
reside, sem autorização judicial; c) comparecimento pessoal e obrigatório
a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. A
sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a
suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do
condenado. A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos
nem à multa. A revogação da suspensão condicional da pena pode ser
obrigatória (Art. 81, caput, do CP), ou facultativa (Art. 81, § 1º, do
Penitenciários
Desistência
Voluntária e
Arrependimento
Eficaz
Detração
Detração Penal
Deveres dos Presos
Diminuição da Pena
Direção e Pessoal
dos Estabelecimentos
Penais
Direito Penal no
Estado Democrático
de Direito
Direito Processual
Penal
Direitos do
Condenado ou
Internado
Disciplina
Efeitos da
Condenação
Eficácia de Sentença
Estrangeira
Elementares
Erro de Tipo
Espécies de Pena
Estabelecimentos
Penais
Estado de
Necessidade
Estrito Cumprimento
de Dever Legal
Excesso ou Desvio
Execução das
Medidas de
Segurança
Execução das Penas
em Espécie
Execução Penal
Exercício Regular do
Direito
Exigibilidade de
Conduta Diversa
Extinção da Pena
Extinção da
Punibilidade
Extraterritorialidade
CP)."
"Origem: conforme o ensinamento de Basileu Garcia, sursis é um
substantivo masculino, que significa suspensão, sendo correlato do verbo
surseoir - suspender. "Sendo de inspiração belga-francesa o sistema da
legislação brasileira, a própria palavra sursis integrou-se aos hábitos
forenses, com pronúncia já um tanto nacionalizada" (Instituições, cit., v. I,
t. 11, p. 613.).
Conceito: direito público subjetivo do réu de, preenchidos todos os
requisitos legais, ter suspensa a execução da pena imposta, durante certo
prazo e mediante determinadas condições.
Ainda existe? Com a Lei n. 9.714, de 25 de novembro de 1998, o
instituto do sursis praticamente deixou de existir, uma vez que é
subsidiário à pena alternativa, ou seja, em primeiro lugar o juiz deve
verificar se é caso de aplicar a restritiva de direitos ou a multa em
substituição à privativa de liberdade e, somente então, verificada essa
impossibilidade, é que se tenta aplicar a suspensão condicional da pena,
como uma segunda opção. Ora, como cabe substituição por pena
alternativa, quando a privativa de liberdade imposta não exceder quatro
anos, e sursis, quando tal pena for igualou inferior a dois, teoricamente,
sempre que couber este último, cabe a primeira opção, sendo inaplicável
referido instituto. Restam, no entanto, ainda três possibilidades: a) crimes
dolosos cometidos mediante violência ou grave ameaça, em que a pena
imposta seja igualou inferior a dois anos, ou, no caso dos sursis etário ou
humanitário, igualou inferior a quatro anos (não cabe substituição por
pena restritiva, em face do disposto no art. 44, I, segunda parte, do CP,
mas cabe sursis, pois não existe vedação legal no que tange aos crimes
com violência ou grave ameaça); b) condenado reincidente em crime
doloso, cuja pena anterior tenha sido a pena de multa: pode obter sursis,
pois a lei faz uma ressalva expressa para essa hipótese (CP, art. 77, § 1
º), mas não substituição por restritiva (CP, art. 44, II); c) condenado
reincidente específico em crime culposo (homicídio culposo e homicídio
culposo, por exemplo): entendemos que não pode obter substituição por
pena alternativa, ante expressa proibição legal (CP, art. 44, § 3º, parte
final), mas nada impede a suspensão condicional da pena. Em suma, o
sursis ainda existe, mas respira graças a três tubos de oxigênio.
Natureza jurídica: há duas posições.
a) direito público subjetivo do sentenciado: o juiz não pode negar sua
concessão ao réu quando preenchidos os requisitos legais; no entanto,
resta ainda alguma discricionariedade ao julgador, quando da verificação
do preenchimento dos requisitos objetivos e subjetivos, os quais devem
ficar induvidosamente comprovados nos autos, não se admitindo sejam
presumidos (Nesse sentido: STF, RTf, 98/138, 118/917 e STF, HC
63.038-3-SP, 2ª T., Rel. Min. Francisco Rezek, j. 18-6-1985, DJU, 9-
8-1985, p. 12608; TJSP, RJTJSP, 101/495; TACrimSP, RJDTACrim,
7/215; Celso Delmanto, Direitos públicos subjetivos do réu no CP, RT,
554/466.)413. É a nossa posição;
b) forma de execução da pena: o instituto, na reforma penal de 1984, não
constitui mais incidente da execução nem direito público subjetivo de
liberdade do condenado. É medida penal de natureza restritiva da
da Lei Penal
Brasileira
Faltas Disciplinares
Fato Típico
Fixação da Pena
Fontes do Direito
Penal
Função Ético-Social
do Direito Penal
Habeas Corpus
Hospital de Custódia
e Tratamento
Psiquiátrico
Ilicitude
Imputabilidade
Incidentes de
Execução Penal
Inexecução
Interdição
Temporária de
Direitos
Interpretação da Lei
Penal
Irretroatividade da
Lei Penal
Isenção de Pena
Juízo da Execução
Penal
Legítima Defesa
Lei Penal no Tempo
Leis de Vigência
Temporária
Liberado
Limitação de Fim de
Semana
Limites de Penas
Livramento
Condicional
Lugar do Crime
Medida de Segurança
Ministério Público
Multa (s)
Nexo Causal
Objeto do Direito
Penal
Objeto e Aplicação
da Lei de Execução
Penal - LEP
Órgãos da Execução
liberdade e não um benefício (Damásio E. de Jesus, Direito penal, cit.,
23. ed., v. 1, p. 614, e RT, 599/341.). É a mais recente posição do STJ:
"O 'sursis', denominado, no Código Penal, 'suspensão condicional da
pena' (rectius - suspensão condicional da execução da pena) deixou de
ser mero incidente da execução para tomar-se modalidade de execução
da condenação. Livra o condenado da sanção que afeta o status
libertatis, todavia, impõe-se-Ihe pena menos severa, eminentemente
pedagógica. O confronto do instituto na redação inicial da Parte Geral do
Código Penal e a dada pela reforma de 1984 evidencia ser a primeira
mais benigna" (STJ, 6ª T., REsp 54.695-8-SP, Rel. Min. Luiz Vicente
Cernicchiaro, DJU, 15-41996.). No mesmo sentido, entendeu o STJ que
a reforma penal introduzida pela Lei n. 7.209/84 conferiu ao sursis a
natureza de pena efetiva, tratando-se de forma de execução de pena
(STJ, 6ª Turma, REsp 153.350, ReI. Min. Vicente Leal, j. 16-6-2000,
DJU, 11-92000, p. 295.).
Sistemas: há dois:
a) anglo-americano: o juiz declara o réu culpado, mas não o condena,
suspendendo o processo, independente da gravidade do delito, desde
que as circunstâncias indiquem que o réu não tomará a delinqüir
(levemente assemelhado ao instituto da suspensão condicional