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DJi - SURSIS - Suspensão Condicional da Pena - Suspensão de Execução de Penas

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do
processo, previsto no art. 89 da Lei n. 9.099/95);
b) belga-francês: o juiz condena o réu, mas suspende a execução da pena
imposta, desde que aquele seja primário e a pena não ultrapasse 2 anos
(é o sistema aplicado ao presente instituto).
Requisitos: dividem-se em objetivos e subjetivos:
1) Objetivos:
a) qualidade da pena: deve ser privativa de liberdade. Não pode ser
concedido nas penas restritivas de direitos (STF, 1ª T., HC 67.308-RS,j.
4-4-1989, DJU, 19-5-1989, p. 8441; e RT, 731/497.). Nem nas penas
de multa a teor do art. 80 do CP (RT, 631/312.);
b) quantidade da pena: não superior a 2 anos. Em se tratando de
concurso de crimes, não se despreza o acréscimo para efeito de
consideração do limite quantitativo da pena. Desse modo, o condenado a
pena superior a 2 anos de prisão não tem direito ao sursis, pouco
importando que o aumento da pena acima da pena-base de 2 anos tenha
resultado do reconhecimento do crime continuado, pois o que se deve
levar em consideração para a suspensão condicional de penas é o
quantum final resultante da condenação. Ainda com relação ao crime
continuado, descabe a aplicação analógica da Súmula 497 do STF à
suspensão condicional da pena (Nesse sentido: RT, 528/381.). Na
hipótese de crime contra o meio ambiente, admite-se o benefício desde
que a pena privativa de liberdade não exceda a 3 anos (Lei n. 9.605/98,
art. 16);
c) impossibilidade de substituição por pena restritiva de direitos: a
suspensão condicional é subsidiária em relação à substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos (CP, art. 77, III, c/c o art.
44), pois "só se admite a concessão do 'sursis' quando incabível a
substituição da pena privativa de liberdade por uma das penas restritivas
de direito, conforme preceitua o art. 77, inciso III, do Código Penal.
Penal
Patronato
Pena de Multa
Penas
Penas Privativas de
Liberdade
Penas Restritivas de
Direitos
Penitenciária
Permissão de Saída
na Pena Privativa de
Liberdade
Potencial Consciência
da Ilicitude
Prescrição
Prestação de
Serviços à
Comunidade
Princípio da
Legalidade
Procedimento
Disciplinar
Procedimento Judicial
na Execução Penal
Processo Penal em
Geral
Prorrogação do
Período de Prova
Reabilitação
Regimes de Penas
Privativas de
Liberdade
Reincidência
Remição
Requisitos da
Suspensão da Pena
Resultado
Revelia
Revogação
Facultativa
Revogação
Obrigatória
Saída Temporária na
Pena Privativa de
Liberdade
Sanção Penal
Sanções e
Recompensas
Disciplinares
Assim, toma-se obrigatória a substituição de penas privativas de
liberdade por uma das restritivas de direito, quando o juiz reconhece na
sentença as circunstâncias favoráveis do art. 59, bem como as condições
dos incisos II e III do art. 44 c/c seus parágrafos, todos do CP,
caracterizando direito subjetivo do réu" (Nesse sentido: STJ, 6ª T., REsp
67 .570-0-SC, Rel. Min. Adhemar Maciel, unânime, DJU, 26-8-1996.).
Tal requisito justifica-se porque no sursis, operada a revogação do
benefício, o condenado terá de cumprir toda a pena privativa de
liberdade imposta, uma vez que, durante o período de prova, esta não foi
executada, ao contrário, a sua execução ficou suspensa
condicionalmente. Isto significa que não se desconta o período em que o
sentenciado esteve solto. Por exemplo: suspensa condicionalmente uma
pena de 2 anos de reclusão, ocorre a revogação quando faltavam apenas
2 meses; o condenado terá de cumprir preso todos os 2 anos. Na pena
alternativa, ao contrário, o juízo da condenação promove uma verdadeira
substituição: troca a pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos.
Com isso, cada dia de execução é um dia a menos de pena, de modo
que, ocorrendo a revogação, somente serão cumpridos os dias faltantes,
respeitado apenas o limite de 30 dias (CP, art. 44, § 4º). Em outras
palavras: cumpre o que falta, mas se faltarem.menos de 30 dias, terá de
cumprir esse prazo, que é o mínimo exigido por lei. O caráter subsidiálio
do sursis em relação à pena alternativa, na prática, aniquilou o primeiro
instituto, pois, como cabe a substituição por pena restritiva, quando a
pena privativa imposta for igualou inferior a 4 anos, e como o juiz é
obrigado a tentar, em primeiro lugar, essa possibilidade, dificilmente
sobrará hipótese para a suspensão condicional da pena, a qual tem
cabimento somente no caso de pena igualou inferior a 2 anos. Parece-nos
que o único caso em que caberá sursis, mas não pena alternativa, será na
hipótese de reincidência específica em crime culposo. É que o art. 44, §
3º, parte final, do Código Penal, dispõe que não cabe substituição por
pena alternativa para o reincidente específico, sem distinguir se em crime
doloso ou culposo. Assim, não têm direito à substituição por restritiva,
nem o reincidente em crime doloso (CP, art. 44, II), nem o reincidente
específico (em crime culposo ou doloso). Por outro lado, só não tem
direito ao sursis aquele que for reincidente em crime doloso (CP, art. 77,
I); se for em crime culposo terá direito, mesmo sendo idêntica a infração,
pois a lei nada falou acerca de reincidência específica nesse caso. Assim,
por exemplo, na hipótese de o sujeito reincidir em dois homicídios
culposos, caberá sursis (menos benéfico), mas não substituição por pena
restritiva de direitos. Outra situação possível é a do reincidente em crime
doloso, condenado anteriormente à pena de multa. Nada impede o sursis;
no entanto, a substituição por pena alternativa seria incabível, ante a falta
de dispositivo semelhante ao art. 77, § 1º, do CP. Resta saber se a
jurisprudência aplicará analogicamente essa regra para propiciar também
a aplicação de penas restritivas de direito aos reincidentes em crimes
dolosos, cuja primeira condenação consistiu em pena pecuniária.
2) Subjetivos:
a) condenado não reincidente em crime doloso:
a.1) condenado irrecorrivelmente pela prática de crime doloso que
Suspensão
Suspensão
Condicional do
Processo
Suspensão da Ação
Suspensão do
Processo
Tempo do Crime e
Conflito Aparente de
Normas
Tentativa
Teoria do Crime
Territorialidade da
Lei Penal Brasileira
Tipicidade
Tipo Penal nos
Crimes Culposos
Tipo Penal nos
Crimes Dolosos
Trabalho do
Condenado ou
Internado
cometeu novo crime doloso após o trânsito em julgado não pode obter o
sursis; logo, "dolos o e dolos o não pode". No entanto ... ;
a.2) culposo e dolos o pode;
a.3) doloso e culposo pode;
a.4) contravenção penal e crime doloso pode (CP, art. 63);
a.5) condenação anterior a pena de multa e doloso pode (CP, art. 77, §
1º);
a.6) se entre os crimes dolosos se tiver operado a prescrição da
reincidência (CP, art. 64, I), pode;
a.7) crime militar próprio e dolos o pode (CP, art. 64, II); a.8) crime
político e doloso pode (CP, art. 64, II);
a.9) anterior concessão de perdão judicial e crime dolos o pode (cf.
Súmula 18 do STJ);
a.10) abalitia criminis e novo crime doloso pode (CP, art. 2º, caput);
a.11) anistia e novo crime doloso pode (CP, art. 107, II);
a.12) causa extintiva da punibilidade anterior à condenação definitiva e
novo crime dolos o pode;
a.13) réu anteriormente beneficiado com a suspensão do processo
prevista no art. 89 da Lei n. 9.099/95: é cabível a concessão do sursis.
Isso porque a suspensão do processo prevista nessa lei é uma transação,
não gerando efeito de sentença condenatória, pois não implica o
reconhecimento de crime pelo beneficiário, não ensejando,
conseqüentemente, a perda da primariedade. Desse modo, se vier o
beneficiado a ser condenado pelo cometimento de outro crime, nada
obsta a concessão do sursis se preenchidos os demais requisitos legais.
b) Circunstâncias judiciais (art. 59 do Código Penal) favoráveis ao
agente: assim, maus antecedentes impedem a concessão do sursis (RSTJ,
85/331 e RT, 748/579.). Exige mínima culpabilidade e boa índole, sendo
incabível nas hipóteses de criminalidade violenta (JTACrímSP, 97/348.).
Exige-se a necessária demonstração de periculosidade do réu para
indeferimento dos sursis,