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DJi - SURSIS - Suspensão Condicional da Pena - Suspensão de Execução de Penas

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de modo que deve estar apoiada em indícios
válidos a presunção de futura reincidência (RTJ, 118/917.). A intensidade
do dolo não é elemento convocado para impedir a concessão do sursis
(RT, 579/415-6.).
Obrigatoriedade de manifestação sobre o "sursis": o Supremo Tribunal
Federal já se manifestou no sentido de que se impõe ao juiz pronunciar-
se sobre a sua concessão ou não em se tratando de pena que não exceda
o teto de 2 anos (RT, 736/572.).
Crime hediondo: não cabe sursis para os crimes previstos na Lei n.
8.072/90, ante a incompatibilidade do benefício com o tratamento mais
rigoroso imposto por essa legislação especial (crime hediondo, tortura,
tráfico de drogas e terrorismo) (Nesse sentido: 5ª T., REsp 60.733-7-
Sp, Rel. Min. José Dantas, DJU, 12-6-1995, p.17637.). Em sentido
contrário, entendeu ainda o STJ que, inexistindo na Lei n. 8.072/90
norma expressa a vedar a concessão do sursis, não pode o intérprete
lançar mão de interpretação extensiva ou dilatória para suprimir o
benefício, o que consistiria analogia in mallam partem (STJ, 5ª T, REsp
91.851, RT, 739/572, e TJSP, Rel. Des. Canguçu de Almeida,
RT,719/391.).
Espécies de "sursis": há quatro espécies:
a) etário: é aquele em que o condenado é maior de 70 anos à data da
sentença concessiva. Nesse caso, o sursis pode ser concedido desde que
a pena não exceda a 4 anos, aumentando-se, em contrapartida, o
período de prova para um mínimo de 4 e um máximo de 6 anos. Com a
entrada em vigor da Lei n. 9.714/98, estendeu-se o benefício também
para os condenados cujo estado de saúde justifique a suspensão,
mantendo-se os mesmos requisitos do "sursis" etário;
b) humanitário: é aquele em que o condenado, por razões de saúde,
independentemente de sua idade, tem direito ao sursis, desde que a pena
não exceda a 4 anos, aumentando-se, em contrapartida, o período de
prova para um mínimo de 4 e um máximo de 6 anos. Foi criado pela Lei
n. 9.714/98. Deve ser aplicado para casos de doentes terminais;
c) simples: é aquele em que, preenchidos os requisitos mencionados, fica
o réu sujeito, no primeiro ano de prazo, a uma das condições previstas no
art. 78, § 1º, do CP (prestação de serviços à comunidade ou limitação de
fim de semana);
- há uma posição sustentando que é inconstitucional colocar uma pena
restritiva de direitos (prestação de serviços ou limitação de fim de
semana) como condição para suspender a execução de outra pena
principal, no caso, a privativa de liberdade. Haveria bis in idem. Essa
posição é minoritária, pois o STJ tem firme entendimento no sentido de
que é perfeitamente admissível o sursis simples na forma do art. 78, § 1º,
do CP (STJ, 6ª T, REsp 57 .858-2-SP, Rel. Min. Adhemar Maciel,
unânime, DJU, 22-5-1995; 5ª T, REsp 61.900-9-SP, Rel. Min. Jesus
Costa Lima, unânime, DJU, 15-5-1995; 5ª T, REsp 68.191-0-SP, Rel.
Min. Jesus Costa Lima, unânime, DJU, 16-10-1995; 5ª T., REsp
61.903-3-SP, Rel. Min. José Dantas, unânime, DJU, 30-10-1995; 6ª T,
REsp n.871-0-SP, Rel. Min. Adhemar Maciel, unânime, DJU, 15-4-
1996; 5ª T, REsp 67.218-0-SP, Rel. Min. Assis Toledo, unânime, DJU,
12-2-1996; 6ª T, REsp 67.060-8-SP, Rel. Min. Vicente Leal, maioria,
DJU, 18-3-1996; 6ª T, REsp 81.575-0-SP, Rel. Min. William Patterson,
unânime, DJU, 13-5-1996.). No mesmo sentido tem-se pronunciado o
Supremo Tribunal Federal (RT, 724/567.).
d) especial: o condenado fica sujeito a condições mais brandas, previstas
cumulativamente (não podem mais ser aplicadas alternativamente, em
face da Lei n. 9.268/96) no art. 78, § 2º, do CP (proibição de freqüentar
determinados lugares; de ausentar-se da comarca onde reside sem
autorização do juiz; e comparecimento pessoal e obrigatório a juízo,
mensalmente, para informar e justificar suas atividades).
Para ficar sujeito a essas condições mais favoráveis, o sentenciado deve,
além de preencher os requisitos objetivos e subjetivos normais, reparar o
dano e ter as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 inteiramente
favoráveis para si.
Na verdade, o juiz nunca poderá, na prática, aquilatar se as condições
são inteiramente favoráveis ao agente ante a falta de meios para fazê-lo.
Dessa forma, esse requisito passa a ser o mesmo do sursis simples
(circunstâncias meramente favoráveis). Quanto à reparação do dano,
trata-se de exigência também para o sursis simples, uma vez que a recusa
do agente em reparar o dano é causa de revogação do benefício (cf. art.
81, II, parte final, do CP). Ora, se é causa de revogação, é causa
impeditiva da concessão, erigindo-se à categoria de requisito.
Assim, os requisitos para o sursis simples e o especial acabam sendo, na
prática, idênticos. Diferença mesmo, só nas condições impostas.
Cumpre observar que a condição relativa à proibição de freqüentar
determinados lugares deve guardar relação com o delito praticado; assim,
não pode ser estabelecida de forma imprecisa, impondo-se ao juiz a
menção dos lugares que o apenado estará proibido de freqüentar
enquanto vigente o benefício.
Cumulação das condições do "sursis" especial no "sursis" simples:
inadmite-se. O § 2º do art. 78 do CP estatui que a condição do § 1º
poderá ver-se substituída, logo não pode o juiz impor ao mesmo tempo
como condições do sursis as previstas nos §§ 1º e 2º daquele artigo, pois
a substituição opõe-se à cumulação.
Período de prova: é o prazo em que a execução da pena privativa de
liberdade imposta fica suspensa, mediante o cumprimento das condições
estabelecidas.
O período de prova do sursis etário varia de 4 a 6 anos; nas demais
espécies, varia de 2 a 4 anos.
Detração e "sursis": não é possível. O sursis é um instituto que tem por
finalidade impedir o cumprimento da pena privativa de liberdade. Assim,
impossível a diminuição de uma pena que nem sequer está sendo
cumprida, por se encontrar suspensa. Observe-se, porém, que, se o
sursis for revogado, a conseqüência imediata é que o sentenciado deve
cumprir integralmente a pena aplicada na sentença, e nesse momento
caberá a detração, pois o tempo de prisão provisória será retirado do
tempo total da pena privativa de liberdade. Contudo, em sentido
contrário, há uma decisão do Tribunal de Alçada Criminal no sentido da
concessão do "sursis", com dispensa do período probatório, no caso de
já haver o réu praticamente cumprido na prisão a pena cuja execução se
suspende (ITACrímSP, 67/309.).
Condições: podem ser:
a) legais: previstas em lei. São as do sursis simples (art. 78, § 1º) e as do
especial (art. 78, § 2º);
b) judiciais: são impostas livremente pelo juiz, não estando previstas em
lei (cf. art. 79 do CP). Devem, porém, adequar-se ao fato e às condições
pessoais do condenado. Cite-se como exemplo a obrigatoriedade de
freqüentar curso de habilitação profissional ou de instrução escolar.
Veda-se a imposição de condições que comprometam as liberdades
garantidas constitucionalmente; que exponham o condenado ao ridículo,
de modo a lhe causar constrangimento desnecessário; que violem a sua
integridade física etc. Citem-se os seguintes exemplos: condicionar o
sursis à doação de sangue pelo condenado; à visitação da vítima de
acidente de trânsito pelo condenado; ao pagamento de multa penal;
c) condições legais indiretas: é como são chamadas as causas de
revogação do benefício. Ora, se sua ocorrência dá causa à revogação da
suspensão, indiretamente consubstanciam-se em condições proibitivas
(não fazer, isto é, não dar causa à revogação do benefício).
"Sursis" incondicionado: é a suspensão condicional da pena,
incondicionada. Trata-se de espécie banida pela reforma penal de 1984,
inexistindo, atualmente, em nosso sistema penal vigente, sursis sem a
imposição de condições legais. Como se nota, se a suspensão é
condicional, não pode ser incondicionada (Nesse sentido: TJSP, RT,
671/309.).
Pode o juiz das execuções fixar condições para o "sursis" em caso de
omissão do juízo da condenação? Há duas posições:
1ª posição - pode: os partidários dessa posição entendem que, se o juiz
das execuções